terça-feira, 28 de maio de 2024

Na base da boa vontade e do improviso

Rodolfo Juarez

O modelo social que a própria sociedade arquiteta para a população brasileira, através dos seus ícones, principalmente os que estão em exercício nos cargos públicos, bem remunerados pelo contribuinte, ainda não conseguiu dar uma resposta clara e objetiva quando o assunto é mais urgente e exige mais qualificação ou capacidade de investimento.

O que está registrado na memória recente dos brasileiros e de seus vizinhos de outras nacionalidades, é a incapacidade de previsão que imaginava ser apenas do tempo, mas, já é convicção consolidada, de que o sistema brasileiro de atendimento social é um grande mutirão que se forma na base da vontade e do improviso.

Quem duvida disso deve prestar atenção para observar que, mesmo no momento de maior necessidade, há a instalação do improviso, da falta de planejamento e de visão daqueles que tinham a obrigação de orientar para que as dificuldades não atingissem o tamanho que atingem, todas as vezes que um fenômeno diferente ou um acidente na geografia do território, acontece.

A estrutura pública instalada no Brasil não está preparada para receber apoio extraordinário e modificado, quando assim é preciso se comportar. Há aqueles que querem, até nesses momentos, tirar algum proveito, seja mediato ou imediato, agindo, na maioria das vezes, contra a lei.

Não cessam os fenômenos climáticos extraordinários pela vontade, desejo ou promessa de quem quer que seja.

No episódio do Rio Grande do Sul, um estado considerado um dos mais ricos do Brasil, o que se vê é o improviso, muito embora, nos limites do próprio estado, haja inteligências castradas nas suas iniciativas pelas tomadas de decisão irresponsáveis dos seus dirigentes e que têm sempre foco na reeleição.

O que acontece no Rio Grande do Sul, esse maravilhoso estado brasileiro, habitado por gente inteligente, que conhece a sua realidade, e que conta com pessoas que não são ouvidas ou têm os seus estudos levados em consideração.

Se percebe bem isso pela grande mídia, se assim se dizer das emissoras de televisão, que divulgam, com destaque, a desgraça do povo, da população, trazendo para o primeiro plano da tela da TV o choro e o sofrimento dos diretamente prejudicados.

O importante para a grande mídia, mesmo nos momentos mais crítico, é a audiência. Se estiver baixa, manda o estúdio todo para o local da desgraça, se estiver satisfatória, aproveita o tempo para repetir, à exaustão, um acontecimento ou um fato que despertou o interesse do telespectador, confortavelmente instalado nas poltronas de suas ricas casas, lamentando o que aconteceu, isso quando assim faz.

As redes sociais, não fossem os seus exageros ideológicos, seriam o informante mais confiável, pois, feita por semiprofissionais ou amadores, alcança os objetivos que é informar. Devemos nos preparar por aqui, pelo Norte do Brasil, pois não temos razão para nos classificarmos como imune aos fenômenos da natureza.

O amazônida, mesmo acostumado com os sacrifícios sociais a que é submetido, de certa forma está “vacinado” contra esses graves acidentes climáticos. Se pode asseverar isso observando as edificações no interior, seja de madeira, palha ou tijolo, todas defendendo-se da maré alta, dos ventos e das intempéries. Na cidade, sem fiscalização ou interesse, invade-se ressacas, assoreiam-se os rios e prejudicam a ordem urbana.

Se pode dizer, entretanto, que a engenharia do caboclo, sem qualquer valorização, ao que parece, tem o respeito da natureza.     

quinta-feira, 23 de maio de 2024

O paciente renal crônico não tem futuro no Amapá

Rodolfo Juarez

Desde o mês que passou, abril, que estou em Belém buscando uma oportunidade para continuar vivendo a vida, sem os atropelos pelos quais passa um paciente renal crônico como eu.

Mesmo com essa questão muito pessoal, a constatação mais importante que fiz é de que, a cidade de Macapá tem condições de oferecer aos seus residentes como eu, a oportunidade de fazer transplante de rim, uma necessidade enfrentada por mais de 900 pacientes que são atendidos com filtração mecânica nas clínicas públicas e particulares instaladas aqui na capital do estado.

Os exames de sangue e de imagem, necessários para a inserção do paciente na lista única de transplante de rim no Brasil, são absolutamente possíveis de serem feito em Macapá, para tanto basta um dirigentes público se interessar pelo assunto.

Passei exatamente um mês em Belém e ao retornar para Macapá, base do meu trabalho, volto convicto que se trata de um assunto de interesse da população, de interesse das famílias que aqui moram e que têm entre os seus um paciente renal crônico.

Se o prefeito - de Macapá ou de Santana - ou um secretário de saúde do município de Macapá ou de Santana, ou do Governo do Estado se interessar pelo assunto e pelas famílias que assumiram a responsabilidade de cuidar de um paciente renal crônico, não tenho dúvidas: quaisquer das duas cidades pode receber, a baixo custo, considerando a importância do assunto e que vem com a obrigação constitucional de ser tratado com esmero e zelo, se torna viável.

Muitos pacientes já se foram precocemente e outros estão na iminência de ir deixando para traz um história incompleta e a falta muito grande para todos os seus familiares que vão lamentar por não ter a oportunidade de continuar vivendo em Macapá.

O que pode parecer incrível é a mais pura realidade: a hemodiálise é mais cara do que um ambiente para transplante, somados aos custos com a equipe médica e paramédica, com a diferença de que a hemodiálise apenas adia a morte do paciente, enquanto o transplante devolve a vida normal ao transplantado.

É exagero? Não, é a mais pura realidade, com o agravante de que o enfrentamento das necessidades do paciente renal crônico é mais custoso para a sociedade, sob todos os aspectos, do que um transplante de rim.

Já passou da hora desse assunto ser tratado com mais cuidado pelas autoridades do setor saúde no Amapá. Acredito até, que um argumento verdadeiro dos agentes públicos de saúde, seria suficiente para levar ao prefeito de Santana, ou ao prefeito de Macapá, ou ao Govenador do Estado a tomar a decisão de tornar Macapá, como todas as outras capitais, em um polo de transplante de rim, passo inicial para o transplante de outros órgãos.

Macapá, no Amapá, e Boa Vista, em Roraima, foram as únicas capitais que, no ano passado, 2023, não anotaram transplante em sua lista local.

Esse estágio é injustificável para os governantes! Mas é o estágio atual, que precisa e deve mudar.

segunda-feira, 20 de maio de 2024

A inconfiável previsão do tempo

Rodolfo Juarez

O espírito de solidariedade da população brasileira e o esforço para encobrir os erros cometidos durante décadas de confiança no inconfiável, estão mostrando que os brasileiros têm muita vontade de acertar, ajudando a cada um e buscando no todo os acertos para todos do Brasil.

O que aconteceu e ainda tem seus graves reflexos acontecendo e influenciando, fortemente, na vida de cada um e de todos os moradores do Rio Grande do Sul, não pode ser entendido como um caso fortuito da natureza, esse conjunto de elementos composto por mares, montanhas, árvores, animais, ventos, água etc, no mundo natural e o mundo material, especialmente aquele em que vive o ser humano e existe independentemente das atividades humanas, sempre pode apresentar surpresas quando mal interpretado pelos próprios homens, mesmo aqueles que dizem sabendo o que dizem, mas dizem para poucos, como também aqueles que dizem sem saber o que dizem, mas dizem para muitos.

Estudos, apoiados em dados levantados durante anos por estudiosos preocupados com o que poderia acontecer, foram ignorados por aqueles que tinham obrigação de tomar iniciativas, dar ordens e mandar aprofundar os estudos, mas que não o fizeram por uma decisão pessoal, carregada de irresponsabilidade, ou por não confiar na informação privilegiada que tinham em mãos e que não tiveram a preocupação ou a capacidade de entender a gravidade, ou mesmo que tinham em suas mãos as iniciativas que poderiam ter evitado o que se tornou a maior catástrofe em solo brasileiro.

Até mesmo os centros de “previsão” do tempo, carentes de melhores instrumentos, erraram e “tudo ficou no próprio erro”.

O tempo passa e ninguém cobra os pequenos erros cometidos por aqueles que, em horário nobre de TV, principalmente, jogando com imagens que se movimentam, apenas como espetáculo, mas nunca como instrumento que pode induzir medidas ou dar certeza das providências.

Não se trata de previsão de longo tempo, se trata de previsão para “amanhã”. Erros que não influenciam, passam. Nada se cobra pelos erros cometidos que influenciam fortemente, como no caso acontecido neste mês de maio no Rio Grande do Sul.

Com toda a tecnologia que se dispõe hoje, como não prevê as ocorrências que poderiam ser registradas no Rio Grande do Sul?

Afinal, para que servem as previsões do tempo, levadas ao ar por redes de televisão que se arvoram a enfeitar a informação e torná-la um espetáculo, não para conhecer o fato anunciado, mas para prender o telespectador ao vídeo sem interesse pelo conteúdo.

O conteúdo de uma informação da monta de previsão precisa ser tratado com muita responsabilidade e, a previsão do tempo, está provado, é um desses conteúdos.

Se a emissora não tem condições de assumir a responsabilidade pela informação da previsão do clima, então que não dê a informação que pode ser falsa, muito falsa, ou absolutamente falsa.

O pior é que, depois da informação do clima, sempre vem a campanha de combate às fakes news.

Agora, avalie, o que é mais fake news do que a previsão do tempo no Brasil? 

 

quinta-feira, 16 de maio de 2024

A saúde é direito de todos e dever do estado

Rodolfo Juarez

Desde o dia 25 de abril estou fora de Macapá em busca de condições para recuperar minha saúde uma vez que, em Macapá, não existe condições para que seja  tomada quaisquer das providências para transplante de rim.

O Estado do Amapá e o Estado de Roraima foram os dois estados brasileiros que, no ano passado, 2023, não realizaram um único transplante e, ressalte-se, todos os custos são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para se ter ideia da situação, entendo que todos os exames poderiam ser feitos em Macapá e o encaminhamento para uma das Unidades da Federação para fazer o procedimento do transplante do rim.

Como a Carta Magna, no art. 196, ordena que “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, acaba o Estado tendo que atender, mesmo de forma precária, às necessidades daqueles que precisam se submeter ao transplante de rim em Tratamento Fora de Domicílio.

Diante disso, muitas pessoas buscam alternativas que proporcionam mais estabilidade à rotina e mais qualidade de vida, e enxergam no transplante de rim uma solução. No entanto, é importante ressaltar que este procedimento não pode ser realizado em todas as situações, sendo necessário uma avaliação criteriosa junto a equipe responsável pelo tratamento do paciente.

O transplante de rim é considerado uma opção mais completa e efetiva para tratar pacientes portadores de doença renal crônica (DRC) em estágio avançado. O indivíduo recebe o novo rim mediante a doação de um órgão saudável, que será transplantado a fim de substituir o seu que não desempenha mais as funções necessárias. Como os rins sem função não são retirados (a menos que estejam causando infecções e outros danos à saúde), o receptor fica com três rins, porém, apenas o rim transplantado funciona normalmente. 

O transplante é indicado quando: a) o paciente sofre de doença renal crônica com insuficiência do órgão; b) está em diálise ou fase pré-dialítica; e c) o quadro é comprovadamente irreversível.

No momento estou em Belém do Pará fazendo os exames necessários para avaliação e decisão se teria condições orgânicas para suportar uma operação de transplante de rim.

Como disse antes, desde o dia 25 de abril estou em Belém, e já tenho retorno com a médica que a mim assiste para o dia 30 de agosto, ou antes, caso todos os exames demonstrem que tenho condições de entrar na fila de transplante e me submeter aos procedimentos operatórios.

Um dos principais entraves para o deslocamento é a disponibilidade da máquina de hemodiálise, uma espécie de negociação que precisa ser feita pelas autoridades do setor saúde do Estado do Amapá, com as autoridades do setor saúde do Estado do Pará ou de outra UF.

Espero participar de todo o processo e à medida que forem sendo vencidas as etapas, vou narrando o processo para todos os senhores que leem o que aqui escrevo possam acompanhar o desenvolvimento desse processo.

Estou confiante, mas essa confiança precisa ser estendida a todos os quase 900 pacientes que se submetem às sessões de hemodiálise três vezes por semana, cada sessão com duração de quatro horas, em Macapá e Santana.

 

quinta-feira, 9 de maio de 2024

As autoridades brasileiras não estão prepardas para enfrentar catástrofes

Rodolfo Juarez

Os agentes públicos brasileiros, principalmente do Poder Executivo, não estão suficientemente preparados para enfrentar as dificuldades da população com as catástrofes decorrentes de episódios debitados para a natureza.

Isso vem sendo constatado desde os episódios de queda de barreira, até às secas ou cheias decorrentes de questões climáticas, pelas diversas regiões geográficas que formam o território brasileiro.

A defesa civil não está suficientemente preparada e com orçamento para enfrentar essas catástrofes, muito embora a população se desdobre no sentido de oferecer ajuda e ajudar efetivamente. Entretanto, para que a ajuda seja eficaz seria necessário a Defesa Civil contar com estrutura capaz de servir de elo complementar ao esforço da população.

A Defesa Civil, em todos os lugares do território brasileiro, a cada episódio, identifica os tais “pontos críticos”, informa o Executivo (municipal, estadual ou nacional), mas, as providências necessárias não são tomadas por absoluta falta de controle e comando do órgão defensivo colocado a serviço da população no momento do desastre.

É assim nos episódios menores, como naqueles de grande vulto como aconteceu, recentemente na Amazônia Ocidental e, mais recentemente ainda, no Estado do Rio Grande do Sul, onde os dirigentes viram quase 80% do seu território ficar debaixo d’água.

Para atender esses casos são convocadas equipes que não estão treinadas para isso, como é o caso dos soldados e oficiais do Exército Brasileiro, dos soldados e oficiais da Força Nacional, das polícias municipais, estaduais e federal, com os seus respectivos equipamentos que estão disponíveis para outros serviços que não a ação de salvamento de pessoas e coisas devido às chuvas, enchentes, secas etc.

No afã de atender às necessidades de momento, vão lá os agentes, soldados e os oficiais cada qual com o seu comandante ou delegado, de forma improvisada e desajeitada, enfrentar um trabalho para o qual não recebeu treinamento.

Até mesmo os mais simples equipamentos usados pelos soldados, principalmente, são inadequados e impróprios, como é o caso que se viu agora, no Rio Grande do Sul, quando soldados do Exército Brasileiro remando com remos impróprios, contra a correnteza e sendo levado, para o sentido contrário, daquele que pretendiam, levados pela embarcação em que estavam.

O caso é muito sério!

É preciso encontrar uma equação que comporte as diversas variáveis que precisam sem conhecidas claramente, no sentido de terem o conhecimento e o treinamento suficiente para resolve-las no espaço de tempo que, na maioria das vezes, significa a perda de vidas ou de patrimônios que levaram anos para serem adquiridos.

O exemplo que as autoridades brasileiras deram, servem apenas para demonstrar erros que precisam ser eliminados, para que não haja o desperdício no meio de tanta boa vontade da própria população local e o resultado da solidariedade da população de todo o Brasil. 

quarta-feira, 8 de maio de 2024

A luta lutada até o final!

Rodolfo Juarez

Era a final da noite, do último dia do mês de abril, de 2024, quando uma das maiores guerreiras que conheci durante toda a minha vida, respirou pela última vez e partiu para sua viajem eterna, nem tendo tempo para o comentário que sempre fazia: “vou, mas contrariada!”

O cérebro usa até 25% do oxigênio do nosso corpo. Por isso, ele é o primeiro compartimento corporal a morrer quando paramos de respirar. E foi assim com minha mãe que, depois de 96 anos completados dois dias antes, no dia 28 de abril, aconteceu transtornando o pensamento de cada um dos filhos e de muitos dos outros parentes diretos ou por afinidade.

Minha mãe era muito querida pelo que representou durante toda a sua caminhada, seja pelos seus descendentes, seja por aqueles que, por afinidade, se identificaram com ela, com o que representava e o que cultivava na vida, distribuindo alegria, vitalidade e resiliência, e quando não pode mais mostrar o que gostava: a sua empatia e simplicidade, não se fez de rogada e partiu!

Viúva desde os 45 anos de idade, viveu mais 44 anos como esteio principal e referência de toda a família, representando o interesse de todos e sendo o elo importante entre as conquistas de cada um dos descendentes e as suas.

Em tese os médicos declaram a morte a partir do momento em que o coração de um paciente deixa de bater. Quando isso acontece, as funções cerebrais terminam quase de imediato e a pessoa perde todos os seus reflexos. Parece que a minha mãe não ofereceu aos médicos essa regra. Minha mãe despediu-se da vida com falência simultânea ou instantânea de todos os órgãos.

Minha mãe deixou muitos exemplos e ainda não deu tempo para medirmos o tamanho da falta que esse elo representa na vida de todos nós, filhos e filhas, netos e netas, bisnetos e bisnetas, tataranetos e tataranetas, amigos e amigas, conhecidos e conhecidas.

Há uma certeza que já está cristalizada: está fazendo e vai continuar fazendo muita falta.

Os motivos são tantos e as lembranças são tão variadas e de tantos momentos que, certamente, deixarão a sua memória viva. Muitos vão lembrar da disposição e o amor que tinha pela dança. Sabia dançar.

Agora, depois de noventa e seis anos, repousa nos braços do Senhor, mostrando que a vida não é só importante quando ainda estamos vivos. A vida é muito importe quando temos exemplos para deixar. Assim, todos trabalho para procurar igualar o comportamento de todos ao seu comportamento como exemplo para todos.

A benção minha mãe!

Obrigado pela criação, pelo amor que ensinou e a responsabilidade que a todos nós mostrou!