quarta-feira, 20 de junho de 2018

Momento de reflexão para os pré-candidatos


Rodolfo Juarez
O sucesso da campanha para conquista de um dos cargos oferecidos em uma eleição tem forte componente no momento da decisão, tomada durante as convenções partidárias que deliberam sobre coligações e escolha de candidatos.
As coligações precisam ser muito bem trabalhadas e nada têm a ver com a administração ou a gestão. Confundir esses dois momentos sempre resulta no insucesso da campanha e na derrota de candidatos que até teriam chances, mas que não souberam ou nãoi tiveram condições de administrar a decisão do partido, no momento da escolha dos seus coligados.
Não é o número de partido em uma coligação que define o sucesso da campanha, as eleições anteriores oferecem dados para reflexão que levaram a resultados inesperados depois de concluída a apuração.
Vamos tomar como exemplo as eleições majoritárias de 2014, uma eleição regional como a de 2018. Pois bem, os vencedores foram uma coligação de 3 (três) partidos para o cargo de Governador do Estado, e uma coligação de 4 (quatro) partidos para o cargo de Senador da República.
Naquela eleição regional (2014) havia, também, uma coligação de 9 (nove) partidos e uma coligação de 8 (oito) partidos e, as duas coligações não atingiram, tanto para o cargo de Governador, como para o cargo de Senador, 15% (quinze por cento) dos votos válidos, ou seja, ficaram muito distantes daqueles que foram eleitos, apoiados por coligações com menor número de partidos.
Ainda na eleição de 2014 ficaram demonstradas as dificuldades criadas dentro de uma das coligações que, mesmo contando com 8 (oito) partidos coligados, decidiu apresentar 4(quatro) candidatos ao cargo de Senador, pois bem, tanto a votação do candidato ao Governo do Estado daquela coligação (7,06% dos votos válidos), como cada um dos 4 (quatro) candidatos ao cargo de Senador da República (2,05%, 1,38%, 0,98% e 0,41 dos votos válidos) demonstraram que a divisão além de empurrar o resultado para distante dos vencedores, provavelmente diminui a quantidade de votos se houvesse a unidade durante a campanha.
Os reflexos ficaram bem claros quando analisado, detidamente, o resultado das eleições proporcionais daquele mesmo ano (2014), quando o eleitor pode não ter entendido a mensagem durante a campanha e fez a sua escolha fugindo das confusões indesejadas criadas no momento do voto.
Esses exemplos podem ajudar no processo de reflexão dos pré-candidatos, colocando nesse conjunto os interesses da população, uma vez que as eleições de 2018 são apontadas como aquelas que podem mudar o rumo do País e do Estado do Amapá, trazendo a realidade socioeconômica através da realidade política.
Não seria exigir muito do eleitor que se vai defrontar, mais uma vez, com uma massa grande de candidatos e com algumas propostas miraculosas apresentadas por candidatos que têm pouca noção do cargo ao qual se candidata.
O pré-candidato precisa ficar atento nas novas regras que foram incorporadas com a minirreforma eleitoral aprovada no Congresso, e que trouxe novidades para o pleito de 2018, e uma das principais é o caso da cláusula de barreira que tira do páreo os candidatos, nas eleições proporcionais que não alcançarem 10% (dez por cento) dos votos do quociente eleitoral. É preciso fazer conta!
O tempo está ficando reduzido e os pré-candidato não podem se deixar seduzir pela ilusão do provável ou pelo lema de que “o importante é participar”.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Os defeitos da exclusividade


Rodolfo Juarez
O grande acontecimento do domingo passado foi a estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo da Fifa que está senso realizado na Rússia, e mais uma vez ficaram evidentes as dificuldades que advêm quando as informações não são resultados de um debate ou são diversificadas.
A exclusividade, conquistada a base de dólares, pela Rede Globo de Televisão para fazer a cobertura daquele torneio de futebol para o Brasil, acaba deixando com o torcedor que gosta da seleção brasileira, uma série de pontos sem discussão e que são disfarçados pela necessidade de compensar os anunciantes pelo pacote de patrocínio que assinaram com a empresa de comunicação.
Os elogios exagerados e as verdades ditas pela metade produzem uma falsa realidade na qual se apegam os torcedores que querem apenas vibrar com uma boa atuação da seleção, uma vez que foi dita para ele apenas as virtudes, os pontos favoráveis e, ficaram sem análise, as dificuldades e os limites das pessoas que estão ali com a incumbência de bem representar o futebol brasileiro.
Ninguém sabe e ninguém discutiu, por exemplo, a capacidade do técnico da seleção em enfrentar as diversidades, os problemas e os reveses, devido a natural falta de experiência.
O torcedor brasileiro acaba aceitando o comportamento do técnico como sendo o melhor para o momento, mesmo sabendo que todo ser humano tem falhas, tem limites e precisa de um mínimo de experiência, exatamente a experiência que to técnico da seleção brasileira não tem.
Não é por falta de exemplos. O da seleção brasileira de 82 poderia ser uma grande referência para a atual e outras seleções, nos quesitos: competição, equilíbrio e resultado.
A seleção brasileira saiu do Brasil sem que o povo soubesse qual era a escalação do time da estreia e a imprensa especializada, principalmente a escrita, começou a especular e logo a emissora detentora dos direitos de transmissão, passou a encobrir essa deficiência e, quem sabe, essa dúvida do próprio técnico, que se assim estivesse poderiam estar desestabilizando o grupo de jogadores.
O Brasil embarcou com as dúvidas, inclusive de quem seria o “capital” na Copa, desembarcou na Rússia com as mesmas dúvidas e outras recebidas lá, e permaneceu com elas até o momento do anúncio dos jogadores que entrariam em campo para o jogo.
Os resultados dos jogos dependem do desempenho dos jogadores, inclusive os adversários, e não do ufanismo de narradores e comentaristas que logo mudam de humor quando não há correspondência em campo da promessa feita por eles mesmos para o torcedor que, sozinho, vê sua expectativa muito maior do que a realidade e seu plano de vibrar substituído pela decepção.
E de quem é a culpa?
A culpa é daqueles que iludiram o torcedor com informações incompletas ou para esconder um problema, uma deficiência, ou mesmo uma falta de prática ou experiência.
Colocar a culpa em outras pessoas ou noutras estruturas é um comportamento defensivo daqueles que afirmaram que tínhamos o melhor técnico, os melhores jogadores e a melhor história.
Estavam certos apenas na última referência uma vez que no capítulo “a melhor história” está a narrativa de cinco títulos mundiais, está o Pelé, está o Garrincha, está o Romário e estão o Ronaldinho e o Ronaldo.
Vê-se que em 2018 bastou risco de um empate para que a seleção se desarrumasse, sem produzir o que os propagandistas esperavam e os árbitros do jogo fossem responsabilizados.
Uma pena!
Mas esse é um dos defeitos da exclusividade na informação.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

A proposta de governo não é levada a sério


Rodolfo Juarez
Os pré-candidatos ao governo do Estado do Amapá já devem estar preparando sua proposta de governo.
Trata-se de um item obrigatório para ser apresentado ao partido político ou coligação que o indicará em convenção para disputar o cargo, devidamente digitalizado e junto ao pedido de registro da candidatura.
Desde quando a proposta de governo passou a ser item obrigatório na documentação do pedido de registro candidatura para governador, que os candidatos se propuseram a construir a proposta a partir de especialistas, na maioria das vezes não conectados com o eleitor ou com a população e, por isso, com conhecimento teórico (para quem tem) e empírico para os “adivinhões” das necessidades do povo.
Tem se repetido propostas de governo impossíveis, irreais, longe da realidade da população e de suas necessidades.
Tenho a impressão que o postulante ao cargo de governador que não se aproximar das massas jamais terá condições de entender que o povo quer e, em consequência, o que o terá que fazer no governo.
O eleitor que tivesse tempo poderia pesquisar no site do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá as propostas de governo apresentadas pelos últimos candidatos, inclusive aqueles que foram eleitos, para observar a distancia que ficou a proposta de governo da gestão que realizou com seus aliados.
Uma peça tão importante como a proposta de governo não poderia ser ignorada como é, exatamente pelos seus autores. Propõe atividades e investimentos que não são prioridades para a população, mesmo em um estágio em que, quase tudo o que for proposto tem espaço e cabimento.
Queria ver nas propostas do modo de governar a indicação de que seria adotada uma espécie de paridade estadual, onde todos os municípios, proporcionalmente, receberiam as atividades e os investimentos do Estado, definidos pelo contribuinte, o único responsável pela sustentação das finanças do Estado, de suas próprias esperanças, mas, também, a mordomia e os gordos salários dos governantes, dos seus colaboradores e de suas ambições.
Queria ver nas propostas a disposição de fazer com que os investimentos fossem definidos em assembleias populares, com conhecimento antecipado de tudo o que seria feito, quanto custaria e quando estaria pronto.
Queria ver também nas propostas a disposição em diminuir os custos com a máquina pública, diminuindo o número de órgãos, alguns criados para atender necessidades de aliados ou para dispor de condições para responder àqueles que não entenderam que campanha é campanha e que governar é diferente.
Não queria ver a proposta como se fosse apenas um documento para cumprimento de exigência para registro de candidatura, sem argumentos convincentes e longe da realidade da população do Amapá.
Não queria ver a proposta cheia de números e argumentos copiados de livros e que são feitas, apenas, para cumprir uma exigência.
Cuidar para que a proposta para governar o Estado seja adequada à realidade, além de ser uma obrigação, teria que ser uma referência verdadeira, sem as fantasias que são frequentes na maioria das que foram até agora apresentadas.
Dá para fazer certo!
Mas é preciso começar logo para que os erros sejam minimizados. A verdade e a sinceridade dos candidatos ao governo do estado precisam ser medidas a partir da proposta para governar.  

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Governo do Amapá não acerta o passo


Rodolfo Juarez
Alguma coisa de muito esquisito está acontecendo no Amapá, ou melhor, com aqueles que estão com a incumbência de desenvolver programas ou executar planos que são elaborados objetivando o desenvolvimento local e que não avançam ou são fatiados e com partes muito pequenas executadas.
Não temos, no momento, nenhum programa em desenvolvimento ou um plano que dê esperança para a população local, mesmo sabendo que tantas as necessidades e muitas as oportunidades.
Todos os planos iniciados nos últimos 24 anos tiveram apenas parte executada ou, nem isso, para desapontamento da população e mesmo dos profissionais que se empenharam e, até, acreditaram que “daquela vez ia...”. Mas não foi!
A frustração mais recente foi com relação ao Plano de Desenvolvimento Regional Integrado (PDRI), concebido a partir de uma listagem que considerou muito mais resultados para a gestão pública do que para o contribuinte, e que contava com o financiamento de um bilhão e cem milhões de reais, com 90% desse total vindo de um  empréstimo feito junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES.
Pois bem, nem 20% do PDRI foram executados no prazo estipulado de dois anos, mesmo que para tal tenha sido contratada uma empresa apenas para acompanhar a execução do Plano, durante os dois anos, com o Estado pagando para essa empresa acompanhante mais de 18 milhões de reais.
Percebam: o dinheiro estava disponível, o plano estava pronto e aprovado, havia uma empresa contratada para fazer o acompanhamento da execução, a valores altos, e mesmo assim não foi executado, a não ser uma parte, a mais fácil e, até, não tão prioritária.
Recentemente foi elaborado um plano específico para a segurança pública, com previsão de gastos no total de 200 milhões de reais, com estruturação da Secretaria de Segurança, ambientes para a Polícia Civil, quartéis para o Corpo de Bombeiros e Policia Militar. Recentemente obtive a informação de que os 200 milhões encolheram para 43 milhões e que, mesmo assim, o governo do Estado estava tendo dificuldades com terreno para as edificações. Pode?!?!?!
Nesse período em que a gestão estadual atual escolheu para definir-se em crise para parcelar o pagamento dos servidores, alegando indisponibilidade orçamentária, não houve queda na arrecadação, tanto que o Orçamento Anual manteve-se em crescimento, bem como a folha de pagamento do Estado “engorda” a cada ano.
As obras decorrentes de emendas só avançam quando os parlamentares assumem a gestão, fiscalizam diretamente o trabalho, pois, de outra forma, as obras nem iniciam ou, quando iniciam, ficam pela metade, tanto que a grande obra do período, em valor e importância para o Estado, é o Hospital Universitário que está sendo construído, com recursos de emendas parlamentares, pela Universidade Federal do Amapá.
A Companhia de Água e Esgotos do Amapá (Caesa) tem recursos para fazer um projeto para melhoria do sistema de coleta de esgoto e de tratamento de água. Não avança e a Caesa continua em dificuldades para administrar e para atender a população. O Amapá é o Estado com o menor índice de coleta de esgoto no Brasil.
A Secretaria de Estado de Transporte está, há mais de 2 anos, segundo o superintendente do Dnit, com recursos para fazer o projeto de execução e executar o lote 4 da BR-156, na direção sul, saindo de Macapá para Laranjal do Jari, e não consegue aprovar o projeto no Departamento Nacional, enquanto isso a estrada continua de terra com os seus riscos e armadilhas.
Muitos prédios do Governo estão sem condições de uso, pelo abandono, falta de manutenção e também pela idade, e o Estado continua alugando e transformando esses alugueis para pagamento de favores ou viabilização de negócios.
São tantos os problemas e tantos os projetos iniciados e abandonados que já elevam para 170 o número de obras paradas e a necessidade de mais de 1,5 bilhão de reais para concluir as obras, afrontando a capacidade executiva do Governo do Estado que não tem demonstrado condições de investir.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Lugar Bonito: 12 anos depois da inauguração


Rodolfo Juarez
No próximo domingo, dia 10 de junho, o Lugar Bonito, ou Parque do Forte, na orla de Macapá, completa 12 anos que foi inaugurado com grande festa e a promessa de que seria mantido com zelo e cuidado jamais visto.
O desleixo foi atestado logo no primeiro ano, quando um dos diferenciais do Parque, os chafarizes, colocados em linha, deixaram de funcionar não obstante a beleza lúdica que emprestava ao local. Nenhuma tentativa de recuperação foi feita e restam apenas as referências no projeto e as valetas que servem de depósito para lixo.
Mas não foram apenas os chafarizes que foram abandonados. A iluminação, as vias de circulação, o gramado, o anfiteatro a céu aberto, os banheiros, o muro de arrimo, toda a instalação elétrica, os elementos complementares, as bicas de água potável, o espelho d’água, e tantos outros elementos que concebidos no projeto que mudou a relação entre a população e a cidade, e entre os visitantes e a Capital do Amapá.
A melhoria na orla de Macapá, principalmente às proximidades da Fortaleza de São José, era uma das vontades dos técnicos da Prefeitura de Macapá.
Em 1993 quando Papaleo Paes assumiu a prefeitura de Macapá, estabeleceu como uma de suas metas administrativas a  melhoria do entorno da Fortaleza e, em 1995 entregava o espaço que ficou conhecido como Estacionamento do Bando do Brasil.
Em 1995 tomou posse, como governador do Estado, João Capiberibe, que conhecia a intenção dos profissionais da área de urbanismo da prefeitura de Macapá. Agora, como governador, com um orçamento maior, poderia desenvolver um projeto que envolvesse toda a Fortaleza de São José.
Em 1996 começaram as tratativas para a elaboração do projeto que, por envolver um patrimônio da importância histórica da Fortaleza de São José, tinha muitas limitações para serem consideradas. O projeto que ficou pronto em 1998.
Em 1999 João Capiberibe tomou posse para o segundo mandato e com o projeto, pronto, ganhou prioridade e foi licitado ainda em 1999. Em 2000 foi dada a ordem de serviço para a execução da obra. Armou-se então o maior tapume que Macapá já viu, escondendo o rio Amazonas dos moradores do Bairro Central e de quase todo o Bairro Santa Inês.
Os serviços foram projetados para serem concluídos em pouco mais de um ano, entretanto, passaram os dois anos do governo de João Capiberibe, um ano do governo de Dalva Figueiredo e mais quase quatro anos do governo Waldez Góes, para que o tapume fosse retirado, em 10 de junho de 2006, e aparecer o que o povo chamou de “Lugar Bonito”.
Mesmo apenas com a primeira etapa da obra concluída (a segunda etapa foi começada e está abandonada desde 2006) a população aprovou o que fora inaugurado e reelegeu, no primeiro turno, Waldez Góes para o seu segundo mandato, que durou de 2007 a março de 2010.
Quando Camilo Capiberibe assumiu o governo do Estado, a primeira providência foi a recuperação do bondinho do Trapiche Eliezer Levi. Festa na reentrega em abril de 2011, mesmo assim o bondinho não deu certo. Mas foi só, para o Lugar Bonito.
Quando Waldez Góes assumiu o Governo do Estado, para o terceiro mandato, em 2015, outra vez a primeira obra foi a reforma do Trapiche Eliezer Levi, a recuperação do bondinho e a colocação de uma torre de aço na “cabeça” do trapiche e que até agora ninguém sabe com qual objetivo. Também não deu certo.
Ao completar 12 anos de que foi inaugurado, além de desfigurado, o Lugar Bonito precisa de atenção, de mais interesse da Administração Estadual, para diminuir a frustração de uma população decepcionada.
O dia 10 de junho, como aniversário do Lugar Bonito, é para ser um dia marcante para a população, sem frustração, sem decepção e sem a convicção de que os atuais governantes pouco se importam pelo que é importante para a população daqui.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Plano de Poder: o modelo que não deu certo no Amapá


Rodolfo Juarez
Desde 5 de outubro de 1988, quando foi promulgada a atual Constituição Federal, e desde 1.º de janeiro de1991 quando tomou posse o primeiro governador eleito nas primeiras eleições diretas regionais havidas no Amapá, elegendo o primeiro governador do Estado e seu vice, três senadores, oito deputados federais e 24 deputados estaduais, que o povo amapaense tem tentado escolher o que lhe parece melhor para gerir o Governo e para representá-lo no Senado, na Câmara e na Assembleia Legislativa.
O retrospecto não é favorável.
Os governadores mandados pelo presidente da República para cá nem sempre correspondiam às expectativas da população que sempre procurava a melhor forma de se adaptar ao modo de administrar trazido pelo governador escolhido pelo presidente, sem indicar os pontos que a sociedade local gostaria que servisse de referência.
Em vários períodos fomos envolvido pela “ordem do governador” o que criou um modo de vida, principalmente para aqueles que mais se aproximaram dos administradores e daquelas administrações faziam parte, e delas recebiam as benesses e as mordomias, além, logicamente, dos melhores salários.
Quando da primeira eleição, que foi definida a elite de então, a partir do resultado da eleição, mesmo sem direito à reeleição, o então governador apressou-se em otimizar o seu tempo.
Percebeu que 4 anos era muito pouco e, então o plano deixou de ser um plano de governo para ser um plano de poder, isto é, terminado o mandato era importante que a influência continuasse.
A possibilidade encontrada foi em eleger pessoas de confiança para que o plano fosse implantado. O resultado foram os primeiros filhos e pessoas de confiança eleitas para fazer valer o plano de poder.
Logo em seguida, durante o mandato do segundo governador eleito pela população começou a luta pela reeleição, com o mandatário podendo concorrer sem deixar o cargo, em clara afronta ao equilíbrio dos concorrentes. Mas foi assim... O interesse passou a ser da maioria e a legislação adaptada para que todos os contratempos fossem tirados do caminho.
Mas oito anos foi pouco. O governador “não podia ficar sem mandato” e, então, se tornou quase que uma obrigação concorrer ao outro cargo, preferencialmente de senador da república, sem perder o foco do plano de poder, deixando em seu lugar um parente, preferencialmente.
Só os políticos não estavam dando conta de construir esse executar o plano de poder. Era preciso contar com empresários pelo meio. Houve, a partir daí, os primeiros conluios e vieram os primeiros resultados com empresários assumindo mandatos eletivos e “estruturando” o tal plano de poder.
No momento em que dividiu com terceiros a estrutura política apoiada nos partidos políticos, as presidências dos partidos, principalmente os maiores, passaram a ser uma necessidade para os políticos rejeitados pelo eleitor. Apareceram nessas novas cenas os “donos” de partidos, às vezes não só de um, mas também outro, e outro e outro.
Campanhas cada vez mais caras! E alguns dos participantes do poder, principalmente empresários, começaram a buscar, pela corrupção, ganhos, políticos e financeiros, tendo por base o dinheiro do contribuinte.
As obras foram as primeiras a serem visadas.
O resultado é o que se vê nos atrasos ou na demora em ser concluída.
Com a operação Lava-Jato outros mecanismos foram descobertos e os órgãos de controle começaram a se estruturar para “dar o bote” acabar com a bandalheira. Estão conseguindo, com dificuldade, mas estão conseguindo.
Mas têm que ser desativados todos os planos de poder, para que os partidos voltem a ser importantes ao debate, a política volte a ter a sua nobreza, e o povo nela voltar a confiar.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

A questão é diminuir as diferenças entre localidades regionais.


Rodolfo Juarez
Não costumo interagir com os leitores dos artigos que escrevo e posto nas redes sociais que utilizo para divulgação.
Entendo as intervenções dos leitores como tese sobre o assunto discorrido e, como tal precisa ser respeitada, que esse procedimento ajuda na interpretação e valida as hipóteses levantadas.
Interpretar o cotidiano é uma das tarefas mais difíceis, pois, cada qual experimenta um estado de espírito e, por isso, já tem tendência a ver a questão proposta de outro ângulo, noutra forma. Entretanto é preciso partir de alguns parâmetros ou, então, observar o que foi narrado na primeira proposta para não sermos traídos pela indução a que todos nós somos submetidos quando a informação que temos decorre da massificação da informação, principalmente aquelas vindas pelos meios de comunicação.
A televisão é o veículo mais influente na comunicação de massa, tanto pela repetição da informação que dá ao telespectador, como por impor “sua verdade”, mesmo sem ter o cuidado de tratar a informação conforme a região ou a localidade.
Assim, o que pode ser ruim para o sul e sudeste, pode não ser ruim para o norte e o nordeste, ou o centro-oeste, muito embora a realidade em referência seja aquela da base onde está situada emissora ou onde reside ou para o analista, na maioria das vezes, personalidades amplamente conhecidas no quintal da emissora, mas desconhecida das regiões menos próximas.
O fato é que essas interpretações vão minando as informações criando hábitos interpretativos exógenos, e que pouco ou nada tem a ver com o outro local para onde está se desenvolvendo a tese do benefício ou do malefício.
Nós aqui do Norte, e especialmente, nós aqui do Amapá, somos vítimas de nós mesmos por enfrentar barreiras construídas ao longo dos anos, que nos dá o desafio de resolver os problemas daqui obedecendo a regras e hipóteses dos “especialistas” do sudeste e sul maravilhas.
Nunca vai dar certo. As hipóteses levantadas serão todas confirmadas como falsas depois de restabelecida a realidade. Agora isso só acontece quando há um debate capaz de retirar as barreiras construídas ao longo do tempo, pelos meios de comunicação que, por razões de localidade, interpretam e concluem sobre uma realidade estranha a que experimentamos por aqui.
No artigo anterior, publicado na segunda-feira, dia 28, tratei de uma realidade que é o Projeto de Lei Complementar n.º 137/15, que trata dos procedimentos para a criação, a incorporação, a fusão, e o desmembramento de Municípios. Sugeri três hipóteses de regiões que poderiam ser transformadas em municípios no Amapá, e nesse ponto se concentraram as análises dos nossos queridos leitores.
As análises foram amplas, completas e com muitas teses: umas a favor da criação, outras contra; algumas questionando e outras afirmando; algumas apresentando os resultados ruins outras os resultados onde as medidas deram certo.
Alguns posicionamentos me chamaram a atenção. Aqueles que foram sustentados por gente daqui como se estivesse no sul ou no sudeste, pois, assim, estaríamos dentro das barreiras criadas pelos meios de comunicação e os “especialistas” de outras plagas.
Falar em perda de receita me parece um descuido. Afinal, perderiam a receita aqueles que já as têm. E quem tem? Os estados do Sul e do Sudeste.
Falar em cabide de emprego é desconsiderar os problemas locais. Afinal, onde está o maior percentual de desempregados de todo o Brasil? Respondo: no Amapá, mais de 21% de sua força de trabalho economicamente ativa.
E o projeto não trata somente de criação de municípios, o projeto trata também de incorporação, fusão e desmembramento, portanto oferece as condições para arrependimento.
Insisto, devemos nos desvencilhar das barreiras e entender que estamos na parte pobre do Brasil e temos os mesmos direitos de todos os brasileiros de lutar para sermos todos iguais.