segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Termina o primeiro quarto do século XXI com muitos problemas por resolver

Rodolfo Juarez

Amanhã termina o ano de 2025. Um ano difícil para a imensa maioria dos habitantes deste planeta que contou com gestores públicos confusos em seus objetivos e planejamentos, errando na maioria das suas decisões e obtendo resultados que, quando muito, interessaram a pequenos grupos de pessoas previamente selecionados, obedientes e incentivadores dos planos daqueles dirigentes.

O Brasil deixou escorregar entre os dedos, com a realização da COP30 em Belém do Pará, a oportunidade de ver confirmado pelo resto do mundo a tese de que a Amazônia representa 20% de todas as florestas do planeta e que contém mais da metade, entre 50% e 60%, de todas as florestas tropicais úmidas remanescentes no planeta.

O primeiro quarto do século XXI termina confuso entre os homens com mais de 50 conflitos estatais ativos globalmente, o maior número desde a segunda guerra mundial. As guerra Rússia-Ucrânia, guerra na Síria, guerra civil no Sudão, em Mianmar, conflitos entre Israel-Hamas/Hezbollah na Faixa de Gaza, Cisjordânia e Líbano, na República Democrática do Congo, no Iêmen, são os conflitos mais referidos pelo noticiário nacional e internacional.

Nesse tempo e no Brasil as principais dificuldades econômicas na atualidade incluemelevado Custo Brasil, com carga tributária alta, burocracia e infraestrutura precária. Além disso, a baixa produtividade, as dificuldades fiscais e alta dívida pública leva ao desemprego, à informalidade, à desigualdade socialà qualidade da educação e ao baixo investimento em tecnologia, o que impacta no poder de compra, no crescimento e na competitividade do país.

As consequências econômicas implicam nas dificuldades sociais do Brasil que giram em torno da desigualdade profunda, escancarando a pobreza, a fome, o desemprego, além da falta de acesso a serviços básicos como educação, saúde e saneamento, o que é piorado pela violência, criminalidade e questões como segregação urbana e disparidade de gênero/raça, tudo isso agravado por má gestão e concentração de renda.

O Estado do Amapá termina o primeiro quarto do século XXI tendo as principais dificuldades econômicas diretamente ligadas ao seu isolamento geográfico, à infraestrutura deficiente, à forte dependência do setor público e ao desafio de conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental de seu território. 

Embora o estado demonstre crescimento do PIB acima da média nacional em alguns períodos e haja a expectativa de grandes investimentos, como na exploração de petróleo, essas dificuldades estruturais persistem e representam os principais desafios econômicos na atualidade. 

Esses desafios implicam diretamente nas dificuldades sociais enfrentadas pelo Estado do Amapá que incluem também, altas taxas de violência e criminalidade, problemas graves de saneamento básico e habitação, e desafios relacionados ao isolamento geográfico  que afeta severamente o desenvolvimento econômico.

Apesar das promessas feitas durante as campanhas políticas, as ações imediatas e os programas e projetos implementados, o setor saúde do Estado do Amapá não atende às necessidades da população e deixa o Amapá sendo o único estado da federação que não possui os programas de doação de órgãos e em consequência os programas de transplante de órgãos, um atraso inexplicável e difícil de ser aceito pelos pacientes que necessitam de um transplante.

O próximo quarto do século começa dia 1.º de janeiro de 2026 e, quem sabe, o sistema de saúde a os interesses da população melhorem de patamar na agenda. 

domingo, 21 de dezembro de 2025

O Natal de Jesus no País que tem o segundo maior n[umero de cristãos do mundo

Rodolfo Juarez

A antevéspera do dia de Natal, quando celebrado, em 25 de dezembro, a data cristã que lembra o nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus, um dos feriados religiosos mais importantes e que foca na reflexão, na união, na partilha de amor e fraternidade, com raízes em festividades pagãs antigas relacionadas ao solstício de inverno, que foram ressignificadas pela Igreja para celebrar Jesus como o "Sol da Justiça". 

O nascimento de Jesus marca, também, parte central da fé cristã, a vinda de Jesus ao mundo, simbolizando salvação e esperança. O período inclui um ciclo completo desde o Advento, ou seja a preparação para, em seguida, haver a celebração do dia 25 de dezembro e os doze dias que se estendem até o dia 6 de janeiro, dia da Epifania, celebrando a chegada dos Reis Magos.

A celebração envolve momentos especiais com a realização de missas especiais na véspera, na noite, na manhã e no Dia do Natal, com a leitura de textos que aprofundam o mistério da encarnação, e momentos de confraternização, presentes e troca de afeto entre as pessoas. 

Anteriormente o dia 25 de dezembro era associado ao Sol Invictus e ao solstício de inverno no Império Romano, quando se comemorava o renascimento do sol. A Igreja adotou a data para sobrepor o paganismo, ligando Jesus ao "Sol da Justiça" e à "Luz que ilumina o mundo", direcionando o significado para o bem e a salvação, na forma proposta por figuras como o Papa Júlio I.

Ninguém sustenta com precisão absoluta a data exata do nascimento de Jesus. o dia 25 de dezembro foi estabelecido, entre os séculos III e IV da era cristã  para, de acordo com os estudos realizados, coincidir com essas festas pagãs que já tinha um calendário consolidado.

O dia 25 de dezembro foi escolhido para o Natal no século IV como uma estratégia da Igreja para cristianizar as celebrações pagãs populares no Império Romano, como o Solstício de Inverno e o aniversário do Sol Invencível, substituindo as festividades do renascimento do sol pela celebração do nascimento de Jesus, o "Sol da Justiça". A data foi formalizada pelo Papa Júlio I por volta de 350 d.C., e a primeira celebração registrada é de 336 d.C.

O Brasil é amplamente considerado como um país cristão aos olhos do mundo, principalmente devido à sua grande população e herança cultural. O Brasil tem o segundo maior número de cristãos do mundo, uma herança da colonização portuguesa. Fica atrás apenas dos Estados Unidos.

A religião é profundamente enraizada em todos os setores da sociedade amapaense e brasileira, incluindo a política, com a existência de frentes parlamentares evangélicas e o uso de narrativas religiosas em discursos públicos, o que reforça a percepção de um país cristão. 

Apesar de ser um Estado laico de acordo com a Constituição Federal, a identidade cultural e social do Brasil é fortemente marcada pelo cristianismo, o que predomina na visão externa. 

 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Só o "Feliz Natal" não basta!

Rodolfo Juarez

Mesmo com o interesse que a população vem demonstrando nestes últimos dias do ano de 2025, ano pré-eleitoral, são claras as motivações políticas muito embora de extrema cautela. Cada passo dado por aqueles que pretendam manter o mandato que estão exercendo no momento.

A eleição de 2026, que terá o primeiro turno no dia 4 de outubro, primeiro domingo daquele mês, externará, com certeza, o resultado de 38 das 40 vagas que serão disputadas naquele dia. Apenas a disputa pelo cargo de Governador e Vice-Governador do Estado, poderá continuar até o dia 25 de outubro, último domingo do mês, no caso de nenhum dos candidatos àquele cargo alcance o percentual de 50% dos votos válidos, mais um voto válido.

Mesmo neste momento, quando muitos se preparam para as celebrações do nascimento de Jesus Cristo, misturando tradições cristãs com costumes pagãos antigos, como o solstício romano, resultado de ,um período de grande significado religioso, familiar e comercial, marcado por decorações presentes, jantares especiais, músicas e a figura do Papai Noel, estendendo-se pelos “Doze Dias de Natal” que vai até a Epifania, em 6 de janeiro, os políticos não esquecem da eleição de outubro e projetam suas perspectivas considerando uma série de fatores, desde o econômico ao do seu carisma, ou falta dele.

Tradições próprias da época, como decoração, presentes, família e religião são cultivadas ou avivadas, com um objetivo comum que é a aproximação familiar, em ambientes que lembrem o nascimento de Cristo, alimentado com presentes e momento religiosos.

Mesmo com esse grande evento os políticos não esquecem do futuro que pode lhes estar sendo reservando: renovando o mandato, ou não, tendo o suficiente para se eleger em 2026.

São 40 as vagas para as quais o eleitor definirá os seus ocupantes: 1 vaga de governador, 1 de vice- governador, 2 vagas de senador, 2 vagas de primeiro suplente de senador; 2 vagas de segundo suplente de senador, 8 vagas de deputado federal e 24 vagas de deputado estadual.

A regras da eleição já são conhecidas, o financiamento de campanha é público e impressionantemente vultuoso, a distribuição é proporcional ao que representam os partidos. São duas eleições: a proporcional e a majoritária. Para entender isso o político e sua equipe precisam obter conhecimentos específicos, carisma natural e disposição para um trabalho intenso, cansativo e, pelo menos em 40 casos, compensador.

Os políticos, por razões óbvias, não se conformam apenas com o “Feliz Natal”, querem o “Feliz Ano Novo” e “Sucesso na Eleição”.

Assim fica bom!

 

domingo, 14 de dezembro de 2025

38 anos de emancipação política de 4 importantes municípios do Estado do Amapá

Rodolfo Juarez

Amanhã, dia 17 de dezembro de 2025, os municípios de Santana, Tartarugalzinho, Laranjal do Jari e Ferreira Gomes festejam emancipação política, o que aconteceu por ordem da Lei Federal n.º 7.649/1987, aprovada pelo Congresso Nacional e Sancionada pelo então presidente da República, José Sarney.

As áreas que passaram a constituir áreas dos municípios de Santana, Laranjal do Jari e Ferreira Gomes foram desmembradas do Município de Macapá, enquanto, aquela que passou a constituir o município de Tartarugalzinho, foi desmembrada do município de Amapá.

A sede do município de Santana é aquela que fica mais próximo da Capital do Amapá, Macapá, em torno de 23 km e uma área territorial de, aproximadamente, 5.541,20 km2 e uma população estimada pelo IBGE, para 2025, de 118.353 habitantes e uma densidade demográfica de 69,83 hab/km2. Santana forma com Macapá e Mazagão a Região Metropolitana de Macapá.

A sede do município de Ferreira Gomes fica a 137 km da capital, Macapá, com uma área territorial de 4.973 km2, segundo o IBGE e uma população de 7.184 habitantes e uma densidade de 1,44 hab/km2. Já Laranjal do Jari, que fica a 260 km, pela BR-156, da capital, Macapá, e tem uma área de 30.782 km2 e uma população de 37.872 habitantes e, em consequência uma densidade de 1,23 hab/km2.

Os administradores dos quatro municípios (Santana, Tartarugalzinho, Ferreira Gomes e Laranjal do Jari) estão programando, comemorações nas sedes municipais para amanhã, quando estes quatro municípios completam 38 anos de emancipação.

Registros importantes da História do Município de Santana:

Em 31.08.1981 – Santana é elevado à categoria de Distrito do Município de Macapá através da Lei Municipal n.º 153/81 – PMM, aprovada na Câmara Municipal de Macapá e sancionada pelo prefeito de Macapá, Engenheiro Murilo Agostinho Pinheiro.

Em 01/01/1982 - O Distrito de Santana é oficialmente instalado com a posse do primeiro agente distrital, o senhor Francisco Correa Nobre, nomeado que foi pelo prefeito Engenheiro Murilo Agostinho Pinheiro. Francisco Nobre, ficou no cargo até 31/12/1983.

Em 01/01/1984 – Assume a Agência Distrital de Santana o Engenheiro Rodolfo dos Santos Juarez, nomeado e empossado pelo prefeito Murilo Agostinho Pinheiro, com a incumbência de dar foro de subprefeitura para o então Distrito. Rodolfo Juarez. fica no cargo até o dia 30.06.1985

Em 01/07/1985 – Assume a subprefeitura de Santana, Edinho Duarte, nomeado pelo prefeito pró-tempore de Macapá, Jonas Pinheiro Borges.

Em 17/12/1987 – O presidente da República, José Sarney, sanciona lei decretada pelo Congresso Nacional que recebeu o n.º 7.639 autorizando a criação, no Território Federal do Amapá, dos municípios de Ferreira Gomes, Laranjal do Jari, Santana e Tartarugalzinho. A própria Lei 7.639/1987 determina que a instalação dos municípios se dará com a posse do Prefeito e da Cãmara Municipal, após a realização simultânea das eleições em todo o País.

Em 01/07/1988 – É nomeado, pelo governador do Território Federal do Amapá, Jorge Nova da Costa, como prefeito pró-tempore e através do Decreto n.º 0894, de 01/07/1988, Heitor de Azevedo Picanço, que fica no cargo de prefeito de Santana, até o dia 31/12/198

Em 01/01/1989 – começa a lista dos prefeitos eleitos pelo sufrágio direto dos santanenses: - Rosemiro Rocha Freires (01/01/1989 a 31/12/1992);

- Geovani Pinheiro Borges (01/01/1993 a 31/12/1996)

- Dr. Tadeu Medeiros: (01/01/1997 a 31/12/2000)

- Rosemiro Rocha Freires ( 01/01/2001 a 31/12/2004)

- Antônio Nogueira (01/01/2005 a 31/12/2012 (*)

- Robson Freires (01/01/2013 a 31/12/2016)

- Ofirney Sadala (01/01/2017 a 31/12/2020)

- Bala Rocha (01/01/2021 até a presente data) (*)

Observação: Os nomes marcados com (*) são prefeitos que foram reeleitos.

 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Ah! Dezembro, o mês das lembranças.

Rodolfo Juarez

Dezembro é um mês cheio de registros de acontecimentos que tiveram minha  participação direta. Para se ter uma ideia e sem destacar todos os momentos, o dia 9 lembra a transformação do CEAG/AP (Centro de Apoio à Micro e Pequena Empresa do Amapá)  em Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas).

Era o ano de 1980 e aconteceu devido ao clamor nacional pela valorização das empresas que mais empregavam: as pequenas e micro empresas e a compreensão do fato pelo govenador do então Território Federal do Amapá, comandante Anibal Barcelos que havia assumido o governo do Território em 15/03/1979.

Guilherme Afif Domingos, na época presidente da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB), que vinha da presidência da Associação Comercial de São Paulo e aqui em Macapá, era eu o presidente da Associação Comercial e Industrial do Amapá.

Vale lembrar que o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) foi estruturado e criado por iniciativa do Governo Federal, especificamente pelo BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) e o Ministério do Planejamento, em 1972. 

Originalmente, a entidade foi instituída em 5 de julho de 1972 com o nome de Cebrae (Centro Brasileiro de Assistência Gerencial à Pequena Empresa), como uma fundação vinculada ao governo federal. 

Posteriormente, a estrutura foi transformada em um serviço social autônomo, sem fins lucrativos, pela Lei nº 8.029, de 12 de abril de 1990, passando a se chamar Sebrae. Portanto, não houve uma única pessoa que o "fundou", mas sim uma iniciativa institucional do Estado brasileiro.

Aqui em Macapá, Guilherme Afif Domingos foi à ACIA e com um discurso motivador e de candidato à presidente da República, distribuiu o slogan “Justos Chegaremos Lá” e destacou a importância dos micros e pequenos empresários para uma plateia de empreendedores locais.

Nesse tempo o presidente licenciado da CACB foi informado de que, no Amapá e por iniciativa do Governador, o CEAG/AP havia aderido ao modo Sebrae e se juntado como serviço social autônomo, sem fins lucrativos, com financiamento de 0,6% da contribuições dos empresários na folha de pagamento.

Outras datas de dezembro, me são caras:

Dia 14/12/1990 – Fundação da Federação das Indústrias do Estado do Amapá. Franciso Leite da Silva, primeiro presidente, enquanto eu ficava na vice-presidência;

Ainda dia 14/12/2002 – Assinatura do Convênio de Delegação que entre si celebram a União, por intermédio do Ministério dos Transportes; e o município de Santana, para administração e exploração do Porto de Macapá.

Dia 17/12/1971 – Recebi, das mãos da minha querida mãe, dona Raimunda Pureza Juarez, o grau de Engenheiro Civil pela Escola de Engenharia da Universidade Federal do Pará.

Eu gosto do mês de dezembro por estes e outras registros.

 

domingo, 7 de dezembro de 2025

O livramento recebido

Rodolfo Juarez

Transcorria o ano de 1982, já no seu final, dia 8 de dezembro, Dia de Nossa Senhora da Conceição, feriado como ontem.

Aproveitava o feriado para acompanhar o time do Amapá Clube para um treino no Campo do Guarany Atletico Clube, na área em que está, hoje, construído o prédio do Centro de Ensino Superior do Amapá (CEAP), uma instituição de ensino superior privada.

Chegando lá, mesmo com todos os jogadores do clube presentes, resolvi entrar na brincadeira e participar dos exercícios e, logo depois, do treino com bola. O Cabo Roque era um treinador estreante, uma vez que vinha substituindo a sua condição de atleta do Esporte Clube Macapá, pela condição de treinador de time de futebol.

Depois do aquecimento, o treino já corria normalmente, se aproximava da hora 17, eu em campo, naquela altura com 36 anos completados em maio, ainda com muito vigor físico e até preparo, mostrava muita disposição.

Em uma das jogadas a bola saiu para a lateral, pela linha marcada (sim tinha marcação de linha de limite do campo), e que hoje, como antes, era a linha de lateral do lado Sul do campo. Eu, aproveitando minha disposição, sai no rumo onde a bola tinha saído, Esqueci, completamente, de que havia uma cerca de arame farpado servindo de limite do terreno (toda a área, naquela época, era desabitada e desocupada).

Pois bem, dei de cabeça, cara, peito e perna nas linhas de arame farpado. Senti que sai, completamente do chão e, pela reação das linhas de arame farpado, voltei completamente na horizontal e cai de costas, batendo, violentamente a cabeço no terreno duro, como até hoje é, daquela área completamente plana. Desmaie e, em consequência, “apaguei” completamente.

Me contaram depois que o treino parou, o Cabo Roque me levou para o quartel do exército ali perto, onde ele era, naquele tempo, um conceituado cabo, onde recebi os primeiros atendimentos.

Recobrei os sentido, não sei precisar quanto tempo depois, e fui levado, pelos atletas, até em casa. Naquela época eu morava na Avenida Antônio Coelho de Carvalho, esquina com a General Rondon. A minha chegada em casa, com todas as marcas do meu descuido e logo passei a ser atendida pela minha esposa e o as outras pessoas de casa ou da vizinhança que vieram saber o que havia acontecido.

Foi naquele momento que constatei que havia escapado de ficar cego dos dois olhos. O arame farpado havia rebentado com meu queixo, a ponta do meu nariz e um pouquinho acima das sobrancelhas. Atribui isso a uma providência milagrosa de Nossa Senhora da Conceição, santa a quem sou agradecido até hoje pela foram, inexplicável, como defendeu meus olhos.

Eu sou do Afuá e, dos 6 aos 13 anos, morei na sede do Município, período em que fui batizado e crismado e passei a ser sacristão (assim era chamado) ajudando o padre Antônio (esse era o nome do único padre do Município) durante muitas missas.

Nossa Senhora da Conceição é a Padroeira do Afuá.

Esse foi o motivo pelo qual abdiquei, em homenagem à Santa milagrosa, de qualquer atividade laboral no dia 8 de maio, Dia da Imaculada Nossa Senhora da Conceição e, por isso, há 43 anos, tenho respeito infinito pelo livramento que recebi. 

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

A "rápida alegria" que chega tão rápido e desaparece da mesma maneira.

Rodolfo Juarez

Com a aproximação do Réveillon os governantes, tanto do governo do Estado do Amapá como dos governos dos municípios deste Estado, começaram a anunciar as atrações, principalmente musicais, com as quais pretendem fazer a “rápida alegria” da população que desenvolve esse sentimento nas festividades promovidas pelos governantes, na maioria das vezes gastando o dinheiro que não tem.

A "rápida alegria" é uma expressão que descreve um sentimento de felicidade ou contentamento que é passageiro ou de curta duração. É a experiência de sentir-se feliz, mesmo que por um breve momento. A expressão sugere que, embora a alegria seja genuína quando ocorre, ela logo desaparece ou é substituída por outras emoções ou realidades. Essencialmente, o termo enfatiza a brevidade da emoção.

Mesmo sabendo disso, a expectativa dessa “rápida alegria” que chega rápido e, também, desaparece rápido, ainda influencia decisões importantes dos governantes que, muitas vezes, acabam prejudicando administrações e administradores na hora de prestação de contas dos gastos feitos.

O assunto é tão sério e tão intrigante, que mesmo sabendo disso, os governantes arriscam, não falam a verdade e procuram maneiras para justificar os gastos e os pagamentos feitos antecipados, se valendo de empresas ou instituições que não o Governo do Estado ou as prefeituras municipais para servir de outdoor às decisões que tomam.

Este ano, o governador Clécio Luis, quando anunciava, o que disse ser a “primeira atração do Réveillon de 2025” teria dito que o evento seria no anfiteatro da Fortaleza de São José de Macapá e que a artista estaria ali sem qualquer custo para o Governo.

Ninguém acreditou nessa hipótese!

Esses e essas artistas fazem dessas oportunidades o seu maior faturamento. Anita, reconhecida pelos seus cachês considerados altos, comporta-se como não estando disposta a dispensá-lo. Faria isso, a troco de quê?

Justificar que se trata de emenda parlamentar faz pouquíssima diferença uma vez que se trata de dinheiro resultado do pagamento de impostos pelos contribuintes brasileiros, portanto também dos contribuintes amapaenses.

Mas esse comportamento também está arraigado nas administrações municipais, seja da Capital do Amapá, seja nas sedes municipais do interior do Estado.

Festa em todos os municípios é a realidade.

Os dirigentes, prefeitos e governadores, acreditam que precisa ser assim, mesmo sabendo que isso implica em plano especial de segurança, em ações de combate à droga e à prostituição, reforço nas equipes de socorro, seja nas equipes de resgate como nas esquipes do sistema de saúde.

O complicado de explicar é a situação subliminar que, na maioria absoluta das vezes, se trata de um movimento político onde se busca, em verdade, consolidação de prestígio junto à população na tentativa de espalhar um ópio eficaz e que possibilite um discurso fácil de fazer e na forma que pretendem seus orientadores de campanha, visando a próxima disputa.

Aliás, como essa disputa será em outubro deste ano, os futuros candidatos pretendem que as possibilidades de sucesso aumentem de forma diretamente proporcional com  os gastos e as tentativas de agradar o eleitor.

Enquanto isso, falta dinheiro para outras coisas, provavelmente de igual importância ou de importância maior.