terça-feira, 15 de março de 2011

NÃO ADIANTA ESCONDER-SE

Rodolfo Juarez
Estão outra vez os gestores públicos, do setor saúde, às voltas para dar uma resposta satisfatória para a população. Mais uma vez as autoridades do setor não demonstraram competência suficiente para evitar o avanço da dengue, ocupando os degraus sucessivos da doença até atingir o nível de emergência.
Nenhum gestor responsável por cada uma das áreas de saúde do Estado ou do Município de Macapá desconhece a realidade local e, por isso, não podem transferir esse desgaste para o prefeito e o governador, muito embora eles precisem estar atentos para esses casos e tenham como intervir exigindo respostas administrativas e posicionamento social com força suficiente para evitar os riscos de morte aos quais a população está submetida.
E não se trata de um caso eventual e provavelmente não vai ser este ano a última emergência que vai ter que ser superada.
Enquanto as bases sanitárias dos núcleos urbanos do Amapá não forem modificadas as chances de repetir as ocorrências do agravamento dos surtos é uma realidade. Realidade dura, mas realidade!
E as bases sanitárias, apesar de serem reconhecidamente frágeis, nas cidades, nas vilas e lugarejos do Amapá, elas precisam de tempo, recursos, vontade política e decisão administrativa para serem modificadas ou construídas.
O bloqueio à propagação da dengue, por exemplo, é muito mais prejudicado pelo estado sanitário do local de que favorecido pelas ações administrativas que são planejadas e executadas.
E teria que ser assim mesmo. Emergência se trata como emergência.
O que não pode acontecer ou se permitir que aconteça é, tão logo passado o período do alerta, da emergência, do aparente controle de cenários, deixando de lado os dados levantados, seja abandonada a prioridade, deixando voltar tudo ao estado anterior de risco e de potencial situação de emergência.
Além da educação ambiental, bem assimilada pelas crianças, mas que se perdem a medida da convivência com a realidade, há muito que fazer e muito para planejar em ações em médio prazo e de longo prazo.
As incógnitas da equação sanitária estão para serem encontradas, com soluções relativamente fácies na sua identificação, mas caras nas suas soluções. Mas é assim mesmo, não é por que é caro o tratamento de esgoto que dele se corra, se esconda, pois ele vai achar o gestor onde ele estiver.
Como o esgoto sanitário também é preciso encontrar solução para os que habitam nas áreas de baixadas, e são muitos. As estimativas chegam a 20% do total da população, o suficiente para se imaginar que mais de 60 mil pessoas estão sob alto risco, mesmo quando a questão está sob controle ou moderada.
Mas ainda são evidentes os problemas da oferta e serviços públicos, como a coleta, transporte e destino final do lixo. Das 300 toneladas de lixo produzidas, em média, diariamente em Macapá, menos da metade é coletada e cada grama é uma isca em potencial, não apenas para os transmissores da dengue, mas para os transmissores de outras doenças, igualmente perigosas e importantes para o controle sanitário da cidade.
Esses eventos parciais fazem parte de um evento geral – o controle técnico-sanitário. Para que esse controle seja alcançado é indispensável a educação sanitária da população, ministrada de maneira formal e também por campanhas educativas para que a eficácia do processo seja observada e passe a constar do consciente coletivo com instrumento indispensável para alcançar as condições que a sociedade precisa.

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