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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Todos reclamam: donos de ônibus, taxistas e uberistas



Rodolfo Juarez
Esta semana tivemos oportunidade de conhecer a preocupação dos motoristas de aplicativos que trabalham em Macapá e vêm mudando o costume daqueles que diziam ter dificuldade no deslocamento utilizando os tradicionais meios de transporte: o ônibus  e o taxi.
Os dirigentes do sindicato que representa as empresas proprietárias de ônibus que atuam nas linhas de transporte coletivo em Macapá, fiscalizados pela Companhia de Transito de Macapá, a CTMac, estão insatisfeito com a tarifa e o sobe – e – desce, aquela muito baixa e esta caindo.
Da mesma forma o sindicato dos taxistas e os próprios taxistas individualmente, pressionam o Poder Público Municipal para que apresente uma solução para o desequilíbrio que foi gerado com a entrada do transporte por aplicativo no sistema de atendimento do transporte da população.
A pressão resultou na aprovação de uma Lei na Câmara de Vereadores e em uma regulamentação, através de Decreto Municipal, da cobrança de ISSQN, dando um prazo de 30 dias para começar a cobrança do tributo. Os motoristas de aplicativos não concordam nem com a Lei Municipal, que dizem enfrenta a Lei Federal em diversos pontos, nem com a cobrança, que definiu uma base de cálculo que nada tem a ver com os serviços que prestam.
A atividade de táxi sempre foi atrativa para muitos, haja vista a possibilidade de conquistar uma remuneração satisfatória, sem grandes investimentos em qualificação e com certa qualidade de vida.
No entanto, com o surgimento da Uber, o atual cenário não está favorável. O impasse, que parece não estar próximo ao fim, tem se tornado cada dia mais relevante.
Dentre os principais resultados observados, destaca-se o sentimento de impotência e insegurança dos taxistas em relação ao futuro da profissão. A ameaça de desemprego e consequente receio de não dar conta do sustento familiar, somaram-se à percepção de injustiça, tornando-se uma significativa fonte de angústia e tensão.
Com efeito, o conflito passou a fazer parte da rotina dos mesmos. Em decorrência dessa realidade são identificados, ainda, impactos na saúde dos taxistas e de seus familiares que relatam sintomas como estresse, depressão, ansiedade e, também, dores osteomusculares.
Torna-se urgente uma análise sobre a necessidade de um maior aprofundamento em diferentes aspectos. É necessário analisar se a Uber de fato é fruto de um desenvolvimento tecnológico ou se simplesmente utiliza-se de uma tecnologia trivial para subverter regulações e relegar direitos trabalhistas.
Outro aspecto que precisa de aprofundamento relaciona-se aos possíveis impactos do fenômeno, já conhecido como “Uberização”, sobre a atividade dos trabalhadores de outros ramos, tais como a hotelaria, a medicina, a alimentação e a estética. Por fim, faz-se necessário também se analisar o ponto de vista dos motoristas da Uber sobre as mudanças em curso.
Deve-se salientar, entretanto, que qualquer análise não esgota as dimensões do fenômeno, tampouco podem representar efetivamente toda a categoria dos taxistas.
Fato é que, a exemplo dos taxistas, as condições materiais de existência exercem significativa influência na subjetividade dos trabalhadores. Isto, por sua vez, estreita os laços e reforça a importância de estudos muito sérios e amplos no âmbito desses tipos de trabalho.
O problema está colocado e precisa ser resolvido levando em consideração que todos nós vivemos em um Estado que tem, apenas na capital, quase 60% da população total do Amapá e ocupa o último lugar na lista dos desempregados divulgada pelo IBGE na semana passada.

sábado, 11 de maio de 2013

Discutindo a tarifa de ônibus urbano em Macapá

Rodolfo Juarez
Vem ai mais uma queda de braço entre o Município de Macapá e os donos das empresas de ônibus urbanos que receberam, por concessão, as diversas linhas para explorar com o transporte coletivo.
Os empresários querem aumentar o preço da tarifa, alegando uma série de razões, todas colocadas na planilha de composição de preços que, em comparação com a atual, fica 16,95% mais alta.
Do lado do município, representado pela Companhia de Trânsito de Macapá, que não quer briga com a população, houve declaração de desacordo com a proposta e foi criado o impasse.
Os empresários já avisaram que não vão esperar qualquer composição ou contraproposta e que estão dispostos a entrar na Justiça, apresentar a mesma planilha, exatamente como fizeram da última vez, para serem autorizados a elevar a tarifa e praticá-la imediatamente.
O que é estranho é que se trata de uma questão matemática, com relativa facilidade para discussão e com todas as condições de comprovação. Não se trata de questões subjetivas e, por isso, deveria, para evitar discussões, ser uma operação automática, transparente e conferida pelos próprios usuários dos ônibus.
A tarifa não pode ficar atrelada a qualquer outra promessa, seja de quem for ou para quem for, ou para melhorar qualquer coisa. O que precisa estar na planilha definidora da tarifa são os itens que dizem respeito à própria tarifa e só a ela. Não tem nada a ver com abrigo de passageiro ou placas de sinalização, por exemplo.
É na tarifa que fica definido a idade dos ônibus. E, para fazer essa fiscalização, porque não deixar por conta do usuário.
Quase todos os que fazem parte do comitê de fiscalização da tarifa, uma espécie de controle externo com proposta de verificar os preços que serão pagos, não usam costumeiramente os ônibus e por uma razão muito simples – quase todos têm carros particulares.
A definição do preço da tarifa pouco ou nada tem a ver com uma decisão política é, isso sim, uma decisão eminentemente técnica. Mesmo assim os gestores, todos eles e em todos os tempos, transformam o assunto em queda de braço, como se fossem os responsáveis pelo preço dos combustíveis, dos pneus, das peças de reposição, entre outros fatores intervenientes na planilha, para depois “colocar-se do lado do povo”, mesmo que tenha que ceder em seguida.
Os donos dos ônibus não podem alegar, para justificar aumento de preços da tarifa, questões como as condições de tráfego das vias da cidade e as dificuldades que têm para cumprir os compromissos que disse que cumpriria, entrando em bairros que consideram pouco lucrativos ou sem condições de tráfego para os ônibus.
Essa é outra história, mesmo que seja de responsabilidade da mesma prefeitura, do mesmo prefeito e dos mesmos auxiliares, que precisa mudar o roteiro, pois, como está, já não atende às realidades da cidade e dos usuários.
É sabido que a questão da tarifa não é simples. E não é simples porque os equívocos estão em etapas anteriores como: licitações das linhas, fiscalização de cumprimento de contratos e, principalmente, comando do processo que, efetivamente, permanece sendo exercido pelos donos das empresas - donas dos ônibus -, prejudicando a eficiência do sistema e a satisfação dos usuários.