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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Adiantou? Mudou alguma coisa?

Rodolfo Juarez
Os militantes políticos, mesmo os mais experimentados, e os que analisam o comportamento da sociedade e de seus entes formadores, não entenderam o anúncio feito pelos dirigentes do PSB e do PT, quando em momentos diferentes, mas não muito distante um do outro, comunicaram que ficariam neutros durante a campanha do segundo turno de votação, quando será escolhido o prefeito de Macapá.
E precisava?!
O desempenho eleitoral no primeiro turno de votação das eleições municipais de 2016, tanto do PSB, quando do PT, é para ser esquecido pelos seus dirigentes, pelos filiados e por aqueles que mesmo não sendo dirigentes ou filiados, deram, em passado recente, densidade eleitoral importante para os dois partidos.
O fraco desempenho das duas siglas, de muito sucesso no Estado do Amapá, desta feita pode ser comparado ao desempenho de partido pequeno, contrariando o que diziam os seus dirigentes até às vésperas da eleição.
Para se ter uma ideia do fiasco eleitoral das duas siglas em Macapá, na eleição majoritária ficaram nas últimas posições e na eleição proporcional, a que escolhe os 23 vereadores para a Câmara, puderam sentir o que ninguém imaginaria: nem o PSB e nem o PT entram 2017 com representante na edilidade da Capital.
Vai ser sentida a ausência do PSB e do PT na Câmara de Macapá? Claro que vai! Mas esse é um trabalho para os seus dirigentes que precisam arranjar força e motivação sabe-se lá onde.
Certamente que os dirigentes dos dois partidos, tanto através dos diretórios estaduais, como através dos respectivos diretórios municipais, terão que buscar forças, sabe-se lá de onde, para motivar a militância, conquistar novos filiados e, até, dirigentes.
O mais grave é que os problemas não terminarão quando terminar a eleição municipal de 2016, aliás, esses problemas se agigantarão logo quando começar 2017 e os dois partidos perceberem que o ano de 2018 já não demora e que precisarão trabalhar muito para continuar com os mandatos que detêm por algum tempo, no caso o PSB, pois o PT já está vivendo esse momento, faz mais tempo.
As perguntas repercutem no meio político e vai testar a força que resta PSB para manter os mandatos que tem na Assembleia Legislativa do Amapá, na Câmara Federal e no Senado da República.
Esta posição de debilidade mostrada pelos dois partidos, o PSB e o PT, nas eleições de 2016, está animando outros partidos, dispostos a lutar pelas vagas que são ocupadas pelos partidos que até pouco tempo, governaram o Amapá, tendo o governador e o vice.
O que deu errado? O que falhou?
Nenhum dos dois partidos imaginava que somariam tão poucos votos na votação do dia 2 de outubro de 2016. Nem mesmo os adversários poderiam acreditar em uma votação onde os dois somados não alcançariam a votação do antepenúltimo, em uma escala onde tinham sete disputantes.
Pois bem, depois destas observações, persiste a questão sobre a decisão dos dirigentes dos dois partidos quando a comunicação aos seus filiados e eleitores que ficariam neutros nas disputas do segundo turno.

Adiantou? Mudou alguma coisa?

terça-feira, 1 de abril de 2014

PT: muito por fazer

Rodolfo Juarez
Os dirigentes do Partido dos Trabalhadores, no Amapá, estão encontrando muitas dificuldades para achar um caminho que coloque todos os petistas do mesmo lado e, ao mesmo tempo, fiquem satisfeitos com os seus aliados locais ou, pelo menos, entendam as suas falas e os seus objetivos.
Divididos desde os tempos da Companhia de Eletricidade do Amapá, considerado um feudo de parte do PT, fato que aprofundava o fosso entre as diversas facções em que ficou repartido o PT no Amapá. Agora, depois da federalização da empresa, os vermelhos estão entendendo que precisam se juntar, pois, além de não ter mais a “ama de leite” ainda não encontraram nada para substituir, pelo menos com a importância que a CEA tinha e, assim, garantir os apoios de campanha considerados importantes.
Nada a ver com a presença dos dirigentes nacionais aqui. Isso aliás, apenas representa a necessidade decorrentes da própria divisão e a necessidade de ter uma argola para segurar nos momentos decisivos.
Como essa argola está refugada, pelo menos nesse momento, os dirigentes, para verem-se vistos, lançam mão de medidas externas, pela absoluta necessidade de mostrar quem está no comando ou quem é que está com a incumbência de dar a palavra final.
Para misturar ainda mais os problemas e colocar mais vinagre no tempero, ainda tem a questão do principal aliado da facção que detém o comando do partido. A decisão, tomada pela direção nacional do PSB, de lançar candidato ao cargo de Presidente da República, na disputa pelo mesmo cargo em que o PT pretende continuar, reelegendo a atual filiada e presidente da República, é mais um elemento dificultador da reaproximação das diversas alas, pelo menos quatro, em que está subdividido o PT no Amapá.
Não houvesse essas diferenças, o PT se apresentaria mais forte ou do tamanho que pode ter, e com chances de começar vida nova, com ou sem aliados tradicionais, mas certo de que não teria dificuldades para apontar candidatos fortes a todos os cargos que estarão em disputa, inclusive, para governador.
Como retira, de cara, a possibilidade de disputar o governo, não só pelas divisões em que se encontra o partido, como pelo compromisso que já fez a parte que detém a presidência do PT com os dirigentes do PSB, declarando apoio à “pomba amarela socialista”, precisa mostrar-se importante e lançar candidato ao cargo de senador da República.
Os dirigentes do PSB, precisando garantir o apoio do PT à reeleição do seu candidato, imediatamente aderem à ideia do PT, incentivam a ideia, pois sabem que, assim, terão tempo e “janela” para motivar os convencionais nesse rumo.
Acontece que o PT, nas eleições e 2010, não elegeu deputado estadual o que, até hoje, é considerado um problema a ser resolvido nas eleições de 2014 e, para que isso aconteça, é preciso haver uma reorganização partidária, questão que não se vê, com clareza, em curto prazo.
A outra questão é a disputa por vaga na Câmara Federal. O PT do Amapá tem uma deputada federal que, além de ser detentora de vários mandatos, faz parte de um grupo muito forte da direção nacional do PT, capaz, inclusive, de “fazer chover” fora de época se for prejudicada. A deputada federal do PT tem prioridades eleitorais diferentes das prioridades eleitorais da direção estadual do partido.
Outro problema a ser resolvido é com relação à parte do PT cujos filiados têm endereço em Santana. Entre estes, a direção estadual do PT e membros do principal aliado do partido, o PSB, existem barreiras que precisam ser removidas, para que todos não sejam prejudicados.
A seis meses das eleições, a direção estadual do PT tem muito que fazer, além de escolher candidatos. E faltam apenas três meses para as convenções.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O PT do Amapá e suas divisões

Rodolfo Juarez
O Partido dos Trabalhadores no Estado do Amapá continua sendo adversário de si mesmo e tendo dificuldade para convencer o eleitor amapaense a equilibrar o tamanho do partido com a sua real capacidade para eleger os seus candidatos.
Atualmente cinco facções são identificadas na conjuntura do PT, com algumas delas tendo muitas dificuldades para, pelo menos dizer, que é formada por filiados petistas e que todos integram a mesma sigla.
As eleições internas do ano passado que levaram Joel Banha à presidência do partido não conseguiu uni-lo, apesar da vontade inicialmente demonstrada pelo novo presidente, como também pela condição que detêm dentro da atual estrutura do governo, onde tem o cargo de vice-governador ocupado pela filiada Dora Nascimento que, teoricamente, teria chances de reagrupar o partido ou, pelo menos, aproximar as facções que estão mais distantes.
Aparentemente não vem conseguindo realizar o que, para alguns, seria uma verdadeira façanha.
A pizza petista está dividida em cinco partes e cada um delas tendo o carimbo de uma importante figura do partido, algumas tradicionais ou outras novatas que vão, pouco a pouco, conquistando os seus espaços.
Os “carimbos” mais notados são colocados por Joel Banha, atual presidente do partido e deputado estadual, ocupando vaga deixada por deputados do PSB que deverão voltar, o mais tardar, em março deste ano. Joel Banha tem como certo o seu nome na lista de candidatos na disputa de uma das 24 vagas na Assembleia Legislativa.
Outro cacique petista que conta com o seu carimbo é a deputada federal Dalva Figueiredo, que tem transito livre na direção nacional do partido e que já foi governadora do Estado. Era quem dava as cartas no partido até antes da eleição do ano passado que elegeu Joel Banha. Dalva Figueiredo deve ser candidata à reeleição ao cargo de deputada federal.
O cacique Antônio Nogueira, depois de cumprir por dois mandatos o cargo de prefeito de Santana e que já foi deputado federal pelo PT, tem a expectativa de ser candidato à Câmara Federal, acreditando na gordura eleitoral que tem em Santana e por aqui, em Macapá.
Ao contrário dos três referenciados: Joel Banha, Dalva Figueiredo e Antônio Nogueira, que fazem parte da primeira turma do partido, a professora Marcivânia Flexa é sangue novo, com novas ideias e que foi surpreendida pelos resultados das duas últimas eleições quando chegou a sentir o cheiro da vitória, mas não pode sentar no trono dos cargos que se candidatou. Chegou a assumir o cargo de deputada federal, mas foi substituída pela candidata do PSB depois que houve a liberação do registro daquela candidatura; e quanto, até cinco dias antes da eleição para prefeita de Santana, sabia que estava em primeiro lugar, apareceu o candidato do PTB e convenceu melhor os eleitores santanenses.
O professor Marcos Roberto, que foi candidato em 2010, não se elegeu e aceitou o cargo de Secretário de Estado da Segurança Pública, como recompensa pela aliança formada para as disputas do cargo de governador do Estado. É um dos poucos auxiliares do primeiro escalão do governador do Amapá que continua, desde o primeiro dia do atual governo e, na eleição interna do PT do ano passado, saiu fortalecido, tendo obtido mais de 20% dos votos e, por isso, com direito de participar da direção do partido.
Os dois últimos, a professora Marcivânia Flexa e o professor Marcos Roberto mostram-se atentos às discussões do partido, pois, como a professora Dalva Figueiredo, quer ser considerada em qualquer das alianças que venha fazer o PT com qualquer outro partido.
Na eleição de 2010 o Partido dos Trabalhadores, mesmo elegendo uma filiada para o cargo de vice-governadora, uma deputada federal e um suplente de senador, ficou fora da composição do legislativo estadual, resultado considerado ruim na avaliação feita pelo partido e que querem retomar na eleição deste ano.

O eleitor já demonstrou que não gosta de divisão interna de qualquer partido e os candidatos aos cargos eletivos sabem que só os filiados não têm os votos suficientes para eleger um filiado, resta atualizar o discurso para não ficar fora dos cargos.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Os bastidores do PT do Amapá

OS BASTIDORES DO PT
Rodolfo Juarez
De agora até o dia 4 de outubro deste ano será intensa a movimentação política em todo o Estado, principalmente dentro dos partidos.
As eleições regionais e nacionais de 2014 serão o foco da maioria das ações que os partidos políticos farão até o encerramento do prazo que permite a filiação de eleitores que pretendem ser candidatos no ano que vem. No Estado vai se falar muito dos conchavos entre os comandos dos partidos locais e no ambiente nacional, os acordos terão como protagonistas as lideranças nacionais naturalmente.
Aqui e acolá esses dirigentes ou líderes partidários confundem os princípios e começam a misturar os interesses partidários com os interesses de estado e, às vezes, acabam por errar demais e tendo de se responsabilizar por isso, colocando em risco a sua condição de futuro candidato.
Os exemplos, mesmo agora, já começam a se multiplicar e resultar em situações jamais imaginadas. Criadas porque os protagonistas das decisões, em regra, são futuros candidatos aos cargos eletivos. Uns tentando renovar o mandato e outros dispostos a conquistar uma das vagas.
Essas contas, as que analisam as possibilidades de cada qual, são feitas agora e, dependendo dos resultados, são usadas como uma parte da “certeza” que o futuro candidato precisa para se lançar na disputa.
É certo que não se ouve e leva em consideração o que o eleitor está pensando, mas, segundo aqueles que estão na disputa por algum tempo ou participando de campanhas, esse eleitor pode ser o foco de uma segunda etapa da campanha.
Se é erro ou não, apenas no dia seguinte ao da eleição, que desta vez acontece no dia 5 de outubro de 2014, é que se terá a confirmação.
O fato é que, mesmo com todas as dificuldades da eleição, o candidato, em regra, “desconfia” que tem condições de alcançar os seus objetivos e as maiores ou menores chances acontecem conforme as negociações feitas agora.
O que aconteceu na segunda-feira em uma das reuniões da direção estadual do Partido dos Trabalhadores no Amapá, já reflete bem o nível de stress com que esses encontros são realizados. Nem tanto pelo o que é dito nos editais de convocação, mas pelo que dito durante as reuniões.
Apesar do nome “partido”, o partido político pode ser definido como uma reunião de pessoas que têm o mesmo ideal social e político, definido pela voluntariedade como o cidadão eleitor se filia a um dos partidos regularmente registrados.
Mesmo assim há quem diga – e até alimente – a ideia de que dentro do partido político é aceitável e até pode ser incentivada a existência de facções como forma de exercitar a democracia.
O Partido dos Trabalhadores no Amapá há muito convive com essas disputas tendo, até, três dessas facções bem definidas e cada uma com uma liderança perfeitamente identificada e comandadas por: Dalva Figueiredo, deputada federal; Joel Banha, deputado estadual; e Antônio Nogueira, ex-prefeito.
O PT apoiou incondicionalmente, apesar das facções, o PSB em sucessivas eleições regionais, inclusive a de 2010 compondo a chapa majoritária que disputou o governo do Estado, apresentando a candidata ao cargo de vice-governadora.
Nos bastidores ventilou-se que teria havido um acordo para que definia, em 2014, a inversão na composição da chapa: o PSB indo na vice do PT. Outros, inclusive do próprio Partido dos Trabalhadores, dizem que não ouviram nada sobre essa proposta ou definição e estão concordando e manter a chapa com o PSB mesmo indo na vice.

O clima dentro do PT é um dos mais explosivos nesse momento. As facções se compõem dando e tirando forças que, ao que parece ainda podem ser controladas pela administração estadual ou nacional, mesmo que deixem escorrer importantes esforços que poderão, mais tarde, fazer muita falta. 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Real & Virtual

Rodolfo Juarez
O comentário que fizemos na semana passada sobre o país que os dirigentes e pessoas influentes do PT apresentaram durante dez minutos, em rede nacional de televisão, mereceu uma série de observações, com a maioria confirmando os pontos destacados no artigo.
Essa espécie de corroboração na avaliação feita é interessante porque confirma o que poderiam ser o pensamento individualizado e, por isso, poderia ser fruto de engano ou de uma visão parcial daquilo que fora dito e destacado.
Enumerar ações e resultados que não passaram de projetos ou vontades, como se já estivesse concretizado e à disposição da sociedade, quando não está à disposição e muito menos em uso social, é de certa forma, desafiar a compreensão das pessoas e da população brasileira que, atônita, olha para os lados e não vê nada daquilo que os dirigentes estão afirmando em seus relatos.
É por isso que se avalia que os atuais responsáveis pela gerencia dos interesses da população brasileira não percebem que os resultados prometidos não foram alcançados, mesmo assim insistem como se tudo tivesse acontecido conforme a vontade e no tempo que, se fosse levado a sério, seria realizado.
Como se trata de mensagem dos dirigentes nacionais, os dirigentes estaduais e municipais, cada qual com a sua peculiaridade e o seu interesse, desenha, também, o seu “estado virtual” ou o seu “município virtual”. É por isso que, também nas propagandas, são anunciadas condições que não correspondem às realidades, nem do Estado do Amapá e nem da maioria dos municípios amapaenses.
Basta buscar nas imagens apresentadas pela televisão, comparações com a realidade para perceber a distância entre o real e o virtual.
E isso não é de agora!
O problema é que essa situação prejudica a todos, pois os que esperam, continuam esperando; e os que prometem, continuam prometendo, às vezes até inocentemente, devido a sua restrita condição de avaliar o que real e o que é virtual, provavelmente na sombra da especial confiança que o mandatário tem no auxiliar e pela pouca importância que este auxiliar dá para a verdade.
É por isso que os mandatários acabam anunciando que moramos em uma cidade que oferta escola pública para todos, que tem atendimento de saúde para quem procura, que o esporte e o lazer constituem prioridade do setor público, que o meio ambiente está preservado, a segurança é suficiente para dar tranquilidade a todos e que há pleno emprego e prosperidade.
Muito embora a população saiba – e muito bem -, que nada disso é verdade e que, ao contrário, faltam vagas nas escolas públicas, o atendimento para quem procura é precário, que o incentivo e apoio ao setor de esporte ou lazer é insuficiente ou insipiente, que o meio ambiente não é preservado, que o sistema de segurança não é suficiente, que não há emprego e muito menos prosperidade.
São os dois planos: um, que é descrito pelos governantes e seus aliados, o plano virtual; outro, que é vivido pela população, o plano real.
Devido a essa falta de compreensão da realidade, de vez em quando os perigos da inflação, do desemprego, das quedas no PIB, do aumento do juros, da deficiência na infraestrutura, entre outras coisas, não são percebidos e só são enfrentados quando fortemente provocados pela sociedade ou no sentimento de autodefesa para manutenção do status.
É provável até, que o aumento das desigualdades regionais, em todos os setores, seja consequência dessa visão irreal e distorcida que os mandatários insistem em querer ver ou sentir.
Enquanto isso a população vai procurando meios para suportar o insuportável, compreender o impossível e conviver com as descrições falsas de pessoas verdadeiras em quem, um dia (ou 10 segundos) confiou.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

O jogo de xadrez do governador Camilo

Rodolfo Juarez
Mudar por mudar, de pouco vai adiantar. Mudar sem ter a certeza que vai dar certo é desperdício de tempo e de oportunidade. Mudar sem ter o principal foco na melhoria de resultados onde são feitas as mudanças, testa um erro provável e arrisca a qualidade do cenário que se está idealizando.
Logo depois do anúncio das modificações - em seguida confirmadas -, na equipe de auxiliares que atua no primeiro escalão do Governo do Estado, feitas pelo governador Camilo Capiberibe, ouvimos pessoas de dentro e de fora da administração estadual, sobre o que se poderia esperar da intervenção, por atacado, efetivadas pelo chefe do Executivo Estadual.
As opiniões diversas, algumas obtidas sobre o impacto do descarte e outras vindas dos motivados “escolhidos”, não foram tão diferentes daqueles que, simplesmente, observaram as modificações avaliando o potencial de cada um dos que assumiram na tarde de segunda-feira, as novas atribuições na gestão de algumas Unidades do Governo Estado.
Foi nesse conjunto de oitivas e contrabalanços, que procuramos buscar os fundamentos para avaliar o que foi feito pelo governador na movimentação de vários auxiliares e chamamento de outros, para dar nova formação ao time que está jogando e não consegue vencer as adversidades que o governo enfrenta desde o começo do mandato em janeiro de 2011.
Encontrar uma forma de remover o engenheiro Joel Banha da Secretaria de Infraestrutura foi o que exigiu mais ensaios.
Joel Banha é o comandante de uma das alas mais fortes do PT no Amapá, exatamente a que indicou Dora Nascimento para ser a candidata ao cargo de vice-governador e foi um dos responsáveis pela confirmação da candidatura de Camilo Capiberibe ao cargo de governador do Estado – juntamente com Antônio Nogueira, também do PT -, nos idos de abril de 2010.
Mas havia necessidade de fazer a troca. Os resultados obtidos nos dois primeiros anos do mandato do atual governador não espelhavam o que a equipe havia projetado.
As obras públicas de responsabilidade do Governo do Estado e que estão diretamente afetas à sistema de fiscalização da Seinf, passam por um sistemático e desafiador processo de desobediência contratual, irritando a população, as empresas, os engenheiros e o próprio governador.
Os exemplos são muitos, mas dois são emblemáticos: a Revitalização do Estádio Estadual Milton de Souza Correa e a Execução das Obras do Píer no Bairro Santa Inês.
O substituto já fora escolhido, faz algum tempo e, além do cacife político acumulado, também tem um histórico que o credencia com a possibilidade de fazer a “virada” esperada, pelo prestígio que tem com os agentes das empresas contratadas e pelos resultados alcançados, durante o período que esteve, noutras oportunidades, como gestor da Secretaria de Infraestrutura do Estado e tem na carteira de filiado do PSB, em destaque, o nome Amilton Lobato Coutinho.
Faltava acalmar o “companheiro” Joel que, entre as alternativas oferecidas apenas uma atraia a ele e ao seu grupo – voltar, como deputado, à Assembléia Legislativa do Estado.
Para o PSB essa volta tinha um preço político e partidário muito alto. Joel Banha, nas eleições de 2010, quando disputava uma vaga para deputado estadual, na coligação PT/PSB, ficará na 5ª colocação entre os que disputaram por aquela coligação, na frente de Joel Banha três candidatos do PSB (a deputada Cristina Almeida, o deputado Agnaldo Balieiro e suplente Ruy Smith) e um do PT (o suplente José Luiz).
Convencer os dirigentes do PSB que sacrificaria toda a bancada do partido na Assembléia Legislativa para poder fazer a troca, deu muito trabalho, mais do que os próprios deputados do PSB que deixaram os seus cargos de deputado estadual para abrir a vaga e a possibilidade do retorno de Joel Banha ao Plenário da Assembleia Legislativa.
Mesmo com o tabuleiro tremendo, a mexida representou, por enquanto, um xeque-mate com o com o “bispo”, pois a “dama” ficou protegendo o “rei”.
Com relação às demais mudanças, acompanhe a análise nos próximos artigos.

domingo, 10 de março de 2013

O esforço do governador Camilo para garantir o PT

Rodolfo Juarez
Esta semana o governador do Estado, Camilo Capiberibe, mesmo estando longe e, segundo a sua assessoria, falando sobre mineração para os canadenses, deixou na cidade duas peças como material de ensaio: uma referente à sua gestão e outra referente à sua popularização.
Na primeira deixou “vazar” por todas as partes possíveis, as alternativas que foram postas para agasalhar os auxiliares que ocupam cargos de confiança e que deixarão de ser auxiliares nos próximos dias; para a segunda deixou gravada as inserções que o PSB tem direito, de forma gratuita, no rádio e na televisão, falando de saúde e habitação.
No primeiro caso a principal questão é com o principal aliado, o PT, partido com o qual contou para vencer a eleição em 2010 e com o qual está contanto para enfrentar as disputas eleitorais de 2014.
Joel Banha, atual secretário de infraestrutura do Governo, se constitui na mexida mais delicada e cuidadosa, afinal de contas sabe que qualquer movimento mal feito afeta não só aquele partido, mas outras partes da coalizão que deu certo na eleição que o colocou no cargo de Governador do Estado.
O engenheiro Joel não tem uma avaliação satisfatória relativo aos resultados que obteve como secretário até agora, mas, por outro lado, não pode ficar desamparado e tem até condições de exigir que lhe seja dado oportunidade como na Assembleia Legislativa, na função de deputado estadual, afinal de contas fora, por dois mandatos consecutivos, deputado estadual pelo PT, o mesmo partido da vice-governadora, Dora Nascimento.
Acontece que Joel Banha, na eleição de 2010, com os 3.383 votos que lhes foram dados pelo eleitor amapaense, o colocou na 5ª posição da coligação PSB/PT, pela qual disputou uma vaga de deputado estadual para Assembleia Legislativa Amapaense. Na frente de Joel ficaram: Agnaldo Balieiro (PSB), com 4855 votos; Cristina Almeida (PSB), como 4.421 votos; José Luiz (PT), com 4.194 votos; e Ruy Smith (PSB), com 4.008 votos.
Para que seja aberta uma vaga para o quinto mais votado em 2014, na coligação PSB/PT, o PSB precisa abrir mão dos direitos de seus três filiados: Agnaldo Balieiro, Cristina Almeida e Rui Smith, para que surja o direito de Joel Banha assumir uma cadeira de deputado estadual.
Sacrificar o mandato dos filiados do PSB não está sendo bem avaliado pelos dirigentes do PSB que, assim, ficariam sem representação na Assembléia Legislativa e, em contrapartida, o PT ocuparia as duas vagas que já foram ocupadas pelo PSB; por outro lado, as questões se acomodariam e o governador poderia fazer a troca do secretário em busca de melhores resultados na avaliação da administração.
No segundo caso, o governador deixou para veicular, como inserção do PSB no rádio e na televisão, peças que o ligavam, diretamente, a programas sociais – um na área da saúde (visão para todos) e outro na área habitacional (conjunto residencial Macapaba).
Essa decisão do PSB e do governador deixa claro que o Partido Socialista Brasileiro, através dos seus dirigentes, já compreendeu que precisa popularizar as ações administrativas do governo, com o claro intuito de atrair os votos dos eleitores, principalmente aqueles que não estão satisfeito com os resultados que, até agora, foram alcançados pela administração estadual.
Olhar para os lados e perceber que enfrentará nas eleições de 2014 adversários que hoje estão ao seu lado, em alguns casos, um pouco à frente, e ainda perceber a aproximação de outros que vêm com muito fôlego na corrida, exige ações mais arrojadas que podem, ou não, dar certo, mas que não se perdoaria se não tomasse.
O fato é que a decisão, ao que parece, está tomada: o atual governador do Estado vai à reeleição e, mais que isso, não quer romper os laços que foram criados com o PT na eleição de 2010.