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segunda-feira, 15 de julho de 2019

A Engenharia virou suco, mas não pode virar purgante.


Rodolfo Juarez
Já comentamos noutro artigo que a Engenharia, nas duas últimas décadas, havia virado suco devido às dificuldades que os novos engenheiros tinham para ingressar no mercado de trabalho com o respeito que precisavam ter dos seus orientadores, dentre eles, os próprios agentes escolhidos para dirigir o Conselho Federal e os Conselhos Estaduais, com as raras exceções para que a regra fosse identificada.
Analisamos, considerando aquelas situações, a questão dos professores das diversas áreas da engenharia que nunca tinham pisado em um canteiro de obra ou num galpão de uma indústria, para indicar os caminhos que a ciência estava abrindo para os profissionais que chegavam ao mercado com salário aviltado e sem ter como inovar nos processos, tolido por um cenário que não lhe dá oportunidade.
Pois bem, devido essa constatação e fato do Executivo estar dando sinal de sua inquietude com a situação, especialmente por causa dos acontecimentos que culminaram com perda de vidas e pessoas mutiladas por queda de viadutos, rompimento de barragens, desmoronamento de prédios de apartamentos, além de uma grande quantidade de obras paradas por todo o Brasil e a participação de profissionais engenheiros nos grandes escândalos de corrupção, os próprios engenheiros perceberam que precisava mudar o rumo, senão, o próprio Executivo agiria e mudaria à sua maneira.
O assunto vem sendo tratado com lentidão e desconfiança dentro do Conselho Federal e, principalmente, na maioria dos Conselhos Estatuais de Engenharia e Agronomia, principalmente por dirigentes que não querem arriscar perder a mordomia no nível que desfrutam atualmente.
Os levantamentos do arrecadado pelos conselhos profissionais, superando bilhões de reais, e a resistência para que a qualidade dos gastos fosse auditada pelo TCU chamou a atenção do atual ministro da Economia, Paulo Roberto Nunes Guedes, que resolveu mandar estudar a situação fiscal dos conselhos profissionais, chegando à conclusão que aqueles conselhos não integram a estrutura da Administração Pública.
Com essa consideração o ministro da Economia encaminhou ao presidente da República, no dia 23 de maio de 2019, uma minuta de Proposta de Emenda à Constituição, incluindo no Capítulo I, no Título VII (Da Ordem Econômica e Financeira) da Constituição Federal o art. 174-A e o Art. 174-B que “dispõe sobre a natureza jurídica dos conselhos profissionais”.
A proposta também afasta, definitivamente, qualquer hipótese de equiparação da organização dos conselhos profissionais às autarquias integrantes da Administração Pública, às quais, se aplicam, segundo o ministro, as regras do direito privado e a legislação trabalhista.
A Proposta de Emenda à Constituição recebeu o n.º 108/2019, destacando que os conselhos de fiscalização profissional possuem especificações que os distinguem da Administração Pública, que não influencia ou participa de suas decisões.
A reação dos dirigentes do Conselho Federal de Engenharia foi no sentido de agilizar um Projeto de Lei para que o assunto seja discutido com o enfoque defendido pelos atuais dirigentes.
O deputado federal Eduardo Bismarck, do PDT do Ceará, encampou a ideia e apresentou, no dia 09 de julho de 2019, na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei que recebeu o n.º 3979/2019, cuja ementa sugere: “regulamente a atuação das autarquias especiais, isto é, os Conselhos de Classe de Profissões Regulamentadas, destinada ao controle e fiscalização das atividades profissionais, de diversas categorias profissionais, geridas por profissionais eleitos pelos seus pares”.
Uma proposta considerada ruim e com poucas possibilidades de enfrentar, e superar, a proposta do ministro da Economia do Governo Federal, a começar pela Ementa, além de manter o mesmo sistema que vem dando mostras de que precisa mudar para o bem dos profissionais e, no caso da Engenharia, deixá-la com aspecto de purgante.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

E foi assim que a engenharia virou suco


Rodolfo Juarez
Na semana passada comentamos aqui que a engenharia brasileira havia virado suco e que a importância dessa ciência havia sido desprezada ou desconsiderada pelas autoridades encarregadas de cuidar das ciências no Brasil.
Aliás, se pode dizer que cuidar da ciência ou dos aspectos científicos de qualquer uma das especialidades se tornou o objeto principal da ignorância daqueles a quem a sociedade atribuiu a responsabilidade para distribuir a receita que resulta do esforço da população através do pagamento de tributos.
Os últimos fatos que comoveram a nação brasileira, todos eles, estão relacionados diretamente com a engenharia: rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, as mortes por deslizamento nas áreas urbanas, especialmente no Rio de Janeiro, e a morte dos 10 jovens, aspirantes a atleta, também no Rio de Janeiro. Esses de comoção nacional.
Mas pelo Brasil se estende uma imensa rede de “desastres” que poderiam ser evitados se houvesse aplicação da técnica de engenharia na solução dos problemas. O próprio Estado do Amapá foi e está sendo palco de prejuízos sociais e econômicos devido à falta de zelo ou ao desprepara das autoridades, cite-se, como exemplo, a queda do porto da Icomi, em Santana, a queda da viga da ponte, no Rio Vila Nova, mas também as mortes (e não são poucas) decorrentes da falta de técnica ou acompanhamento para lidar com rede energizada de energia. Quantos sucumbiram em decorrência desses fatos?
As pessoas estão procurando explicações para cada um desses acontecimentos e estão chegando à conclusão que, em regra, em todos eles está faltando a utilização de técnica adequada e que existe no Brasil e que poderia ser aplicada, mas não é. Simplesmente desconsiderada pela falta de costume ou exigência.
Tem-se a impressão que o descuido abriu um imenso espaço entre os profissionais formados antes de 1980, esta considerada a década perdida para a técnica brasileira e que deixou como herança o desinteresse pela ciência e o pouco caso pelos resultados, com os profissionais de antes não tendo para quem transmitir o conhecimento.
Os resultados, principalmente aqueles que precisariam de explicações técnicas, passaram a ser tratados como obra do acaso, com a forte introdução de dois títulos: “força maior” e/ou “caso fortuito”.
O império do “caso fortuito” e da “força maior” se estabilizou e passou a ser justificativa para o pouco caso e o desconhecimento técnico.
As providências tomadas foram para facilitar a titulação de novos engenheiros, bem como na facilitação da formação técnico/tecnológica ou na adaptação de outros profissionais para receber o título de engenheiro, como é o caso atual do engenheiro de segurança, que mesmo sem ser engenheiro, pode receber o título.
Foi assim que a engenharia virou suco, sem possibilidade de ser decomposto e os resultados estão por ai, através dos acontecimentos, como os de Mariana, Brumadinho, Rio de Janeiro, Macapá, Mazagão e tantos outros locais.
A banalização da engenharia desmoralizou os engenheiros, arriou os salários dos profissionais e levou ao desinteresses profissional, que ainda se sustenta na história e até mesmo os agentes dos Conselhos Regionais ou Nacional não se percebem disso e não sabem mais o que fazer.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Engenharia Brasileira transforma em suco


Rodolfo Juarez
No começo deste mês de fevereiro o engenheiro civil, presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e professor universitário, Joel Kruger, afirmou que “a engenharia brasileira, reconhecida mundialmente pela sua qualidade eficiência, vem sendo atingida por episódios que mostram que é necessário repensar urgentemente o modelo vigente”.
Essa afirmação foi feita em comentário ao rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho (MG) que, a cada instante causa comoção e milhares de famílias ligadas direta ou indiretamente ao trágico acontecimento, com centenas de mortes e a certeza de mais um desastre ambiental de grandes proporções.
Antes, o rompimento de outra barragem, também em Minas Gerais, já havia deixado famílias de luto com 19 mortos e uma destruição ambiental que avançou para outros estados e modificou completamente a vida de milhares de pessoas, a grande maioria prejudicada pelo ambiente que restou.
No Amapá houve queda de vigas de ponte matando trabalhadores e mutilando pessoas, além da queda do Porto da Icomi onde seis trabalhadores perderam a vida e, até agora, quatro anos depois, nenhuma conclusão se chegou sobre o acontecimento. Além disso, o setor público vem esquecendo de se ocupar da manutenção das obras realizadas há mais de 30 anos, sem fazer as inspeções tecnicamente necessárias e que desafiam, todos os dias, os usuários contribuintes que não fazem ideia do risco a que estão submetidos.
Essas situações retratam o momento de desmanche que atravessa a engenharia brasileira, fruto do descaso de sucessivos governos que insiste em trata-la como serviço comum, como se fosse possível realizar obras dessa natureza observando apenas o menor preço.
Ao contrário do comum os serviços de engenharia exigem conhecimento especializado, justamente “por serem caracterizados pelas realizações de interesse social e humano” conforme expresso na Lei 5.194/66.
Desde os anos de 1980 que a engenharia brasileira vem se transformando em suco. Maltratada, desvalorizada e abandonada. Formados em excelentes escolas muitos profissionais migram para outros mercados, como o financeiro, onde os ganhos pecuniários são muito maiores aos pagos nas carreiras de engenharia, seja na iniciativa privada ou no serviço público.
O desmantelamento dos quadros de engenharia de serviços público é outra preocupação, pois, instituições de muita importância para a sociedade como Embrapa, Dent, Ibama, Seinf, Setrap, entre tantas, sofrem com a falta de quadro técnico. Funcionários se aposentam e não são repostos. O resultado é a dificuldade de fiscalizar com eficiência e rapidez.
Para reverter esse quadro é preciso que a engenharia volte a ser pensada sobre os quatro pilares fundamentais: planejamento, projeto, execução e manutenção. Não existe engenharia sem essas fases, que são diretamente interligadas.
Não se faz engenharia sem planejamento prévio, sem os diversos projetos - do básico ao executivo -, sem uma execução minuciosa e, certamente, sem a devida manutenção preventiva.

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Dia do Engenheiro: podia ser um momento para reflexão.


Rodolfo Juarez
Hoje, dia 11 de dezembro, é Dia do Engenheiro. A data decorre do Decreto de Lei n.º 23.569, publicado em 11 de dezembro de 1933, regulamentando a profissão de Engenheiro e outras profissões correlatas.
Era para ser um dia de reflexão, de debates, onde o assunto central poderia ser a engenharia nos dias atuais, quando viadutos caem ou cedem, pontes sobre rios apresentam defeitos construtivos em curto tempo de uso, e no momento em que as fiscalizações das obras em execução não têm um roteiro a seguir, deixando para o engenheiro-fiscal a definição do modo que adota.
Hoje se dispõe de uma estrutura arcaica, orientada por uma lei carcomida pelo tempo, a Lei 5.194, de 24 de dezembro de 1966, que define as funções dos gestores da Engenharia no Brasil, por rápidos apoios naquela lei e um calhamaço de resoluções decisões que reflete interpretação pessoal de cada um daqueles que assume a responsabilidade de gerenciar os interesses da engenharia, dos engenheiros e da sociedade atendida por aqueles profissionais.
A estrutura é mantida integralmente pela anuidade cobrada dos profissionais engenheiros, das empresas de engenharia, da taxa de cada responsabilidade assumida, pelo profissional de engenharia, quando anota uma responsabilidade técnica, diversificada em um conjunto de projetos, cada qual sujeito àquele registro de responsabilidade.
A estrutura que deveria organizar a atividade profissional do engenheiro é também responsável pela atividade profissional dos agrônomos e até bem pouco tempo se responsabilizava pelos profissionais de arquitetura e, também, daqueles que trabalhavam com o registro de técnicos.
A Lei 5.194/66 define a estrutura organizacional para gerir os interesses da profissão e dos profissionais com um Conselho Federal e 27 Conselhos Regionais, cada um desses conselhos com funções definidas por um Regimento Interno padrão que é o instrumento administrativo que define as atribuições de dirigentes e de funcionários de cada um daqueles conselhos.
Recentemente o TCU entendeu que os Conselhos Regionais e o Conselho Nacional devem se submeter ao controle externo daquele tribunal e a admissão de pessoal em cada Conselho deve obedecer a ordem constitucional prevista na Constituição de 1988, isto é, a admissão para o cargos efetivos do Conselho Regionais e do Conselho Nacional só é admitida através de concurso público.
Com uma arrecadação total em torno de 1 (um) bilhão de reais o Sistema Confea Creas passou a ser ajustado conforme as normas gerais adotadas pelo TCU, influenciando diretamente nos gastos decorrentes de diárias e de ações que nada tem a ver com o desenvolvimento da Engenharia e dos profissionais engenheiros.
Aqui no Amapá, como de resto em todo o Brasil, a Engenharia passa por um momento de extrema visibilidade. As operações policiais alcançaram as maiores empresas de engenharia do país e, em consequência, alcançaram os engenheiros que respondiam por aquelas empresas.
No Amapá as empresas de engenharia estão misturadas com as dificuldades sociais e os empregos que poderiam ser gerados pelo setor estão profundamente adormecidos como, de resto, o desenvolvimento do Estado.
Quando a Engenharia adormece o Estado para!
Mas temos importantes engenheiros para serem lembrados nesta data por aqui, alguns pioneiros que já nos deixaram e outros que ainda estão na ativa e sendo útil.

domingo, 10 de dezembro de 2017

O Dia do Engenheiro no Amapá

Rodolfo Juarez
Há 46 anos, em 1971, em uma solenidade inesquecível realizada no Teatro da Paz, em Belém do Pará, eu recebi das mãos do Reitor da Universidade Federal Pará, o diploma de Engenheiro Civil e das mãos de minha mãe o anel de formatura tão desejado e como símbolo da luta que todos travamos, minha família e eu, para chegar ao grau de Engenheiro Civil.
Éramos 73 formandos em um tempo em que a Amazônia esperava por aqueles profissionais e o Amapá, por dois de nós, Manoel Dias e eu, para poder contribuir com o desenvolvimento a partir do então Governo do Território ou na gestão de empresas de engenharia que são importantes para desenvolvimento social de uma comunidade, especialmente como a amapaense daquela época que, vivendo uma área federal distante da Administração Central, se encontrava submetida a limites que exigia técnica e muita dedicação para conquistar pequenos espaços que possibilitasse a transformação daquele do espaço federal em uma Unidade Federada.
Naquele momento já estávamos sob as ordens da Lei n.º 5.194, em vigor desde 24 de dezembro de 1966, regulando o exercício da profissão de Engenheiro, Arquiteto e Engenheiro Agrônomo de então, dando-lhes atribuições definidas no Decreto Lei n.º 23.569, de 11 de dezembro de 1933, que regulamentava e oficializada as profissões de Engenheiro, Arquiteto e Agrimensor no Brasil.
Para quem entrou na Escola de Engenharia em 1967 e lá estudou até 1971 quando concluiu o Curso, o patriotismo aflorou em quem tinha que aflorar, e o entreguismo, também foi obervado naqueles que não se mostravam dispostos a construir um Brasil democrático e uma Amazônia Brasileira.
Hoje, 46 anos depois, percebo que a Engenharia desenvolveu-se ao ponto de possibilitar a todos ver os resultados no seu entorno e em qualquer direção, desde à habitação onde cada mora, à calçada por onde anda, o meio fio, o sistema de coleta de água e esgoto, as vias, os carros, os aviões, os equipamentos, o celular, a roupa, tudo tem a ver com a engenharia e, naturalmente, com os engenheiros.
Tudo o que melhora a qualidade de vida das pessoas são resultados da engenharia que imprime melhoria nas outras ciências, sempre tendo como objetivo final o homem e o seu bem estar.
Esses parâmetros, fim específico da Engenharia operado por engenheiros, vem sendo ignorados pelos próprios engenheiros, tornando esses profissionais invisíveis, provavelmente pela inação dos próprios engenheiros que deixaram de considerar que o seu ofício está sustentado em uma série de conhecimentos que se completam e de imensurável importância.
Os próprios profissionais resolveram abrir mão da importância do seu conhecimento e passaram não colocar o seu título na vanguarda de suas ações, deixando desprezado quando comparado com funções públicas que exercem ou o resultado empresarial que alcançam.
Hoje, 11 de dezembro, os gestores dos interesses dos engenheiros, recebiam da sociedade, através do que ficou conhecido como Decretão, as regras que lhe davam atribuições e que, em forma de regulamento, entregou para a sociedade a responsabilidade de que cada profissional engenheiro.
Onze de dezembro foi por muito tempo um dia de comemorações no Amapá, mas nestes tempos de agora poucos são aqueles que aproveitam essa oportunidade para mostrar a importância da Engenharia e, sequer mencionam a responsabilidade social que tem o engenheiro.
O Clube de Engenharia e o Sindicato dos Engenheiros, principalmente estas duas instituições, são habilitadas para integrar os engenheiros como agentes sociais importantes e decisivos para organizar o meio onde cada um vive, devolvendo para a sociedade o investimento que fez em cada um dos profissionais.

É preciso melhorar o entendimento do conceito de Engenharia e reconhecer a sua importância com as diversas participações dos profissionais.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Semana Oficial de Engenharia e Agronomia 2017 - SOEA 2017

Rodolfo Juarez
De 8 a 11 de agosto, Belém do Pará sediará a 74.ª Semana Oficial da Engenharia e Agronomia (SOEA), um dos maiores eventos das profissões tecnológicas do País, que terá como tema central “A responsabilidade da Engenharia e da Agronomia para o desenvolvimento do País”.
É a terceira vez que a capital paraense recebe a programação que faz parte da programação anual do Conselho Federal de Engenharia e que é realizado em diferentes estados da Federação. Belém, por exemplo, vai receber a programação pela terceira vez. A primeira foi em 1971, a segunda em 1985 e, agora, depois de trinta e dois, recebe mais uma edição da SOEA.
A Semana Oficial é uma ótima oportunidade para mostrar a evolução da área tecnológica nacional, a evolução dos próprios profissionais, e a evolução do Sistema Confea/Crea, sempre comprometido com temas de abrangência nacional e de interesse comum.
Como parte da Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia é realizado o Congresso Técnico Científico promovendo debates com riqueza de conteúdo, além da divulgação dos trabalhos técnicos e científicos desenvolvido objetivando a apresentação no evento ou que já está nos canteiros ou nos laboratórios de alguma parte do Brasil.
A Mútua – Caixa de Assistência dos Profissionais do CREA, todos os anos oportuniza que muitos profissionais participem do evento, ao assinar contratos de patrocínio com os Creas de vários estados.
Este ano se estima que participarão do evento perto de três mil entre profissionais e estudantes de engenharia, emprestando suas mentes e mãos para escrever uma página da história da área tecnológica brasileira que busca soluções para ajudar a melhorar o desenvolvimento de cada estado e do País.
Todos os participantes da 74.ª SOEA, de certa forma, também estarão comemorando os 40 anos da Mútua, seu jubileu de rubi. São quatro décadas de amparo aos profissionais da área tecnológica e seus familiares. Há testemunhos de centenas de relatos referentes aos projetos que a Mútua ajudou a tirar do papel e outras centenas de histórias de apoio em momentos difíceis. A SOEA é o melhor lugar para aplaudir os 40 anos da Caixa de Assistência. O grande espaço de reunião de profissionais registrados no Crea e o evento sempre contou com a participação da Mútua.
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amapá – CREA/AP participará da 74.ª edição da SOEA com uma delegação formada por profissionais e por funcionários do Conselho. Os profissionais atuando diretamente no Congresso Técnico Científico da Engenharia e da Agronomia (Contecc) e os funcionários no apoio logístico e na prestação de informações no estande especialmente montado pela Crea/AP no Hangar: Centro de Convenções da Amazônia local do evento.

Assim, no período de 8 a 11 de agosto, Belém do Pará se transformara na capital do desenvolvimento tecnológico do Brasil. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Dia do Engenheiro, um dia para reflexão!

Rodolfo Juarez
Domingo, dia 11 de dezembro, é o Dia do Engenheiro.
Um profissional que vem contribuindo para desenvolver, entre outras questões, condições que dê melhor qualidade de vida para a população em diversos ambientes que forma a sociedade amapaense.
Interpretar a importância desse profissional é uma tentativa que tem provocado muitos acertos e alguns erros, pela diversidade de atribuições que tem o engenheiro e que, por isso, se vê divido em muitas especialidades sem, entretanto, deixar de ser identificado como aquele profissional que sempre está inovando, buscando, cada vez mais, a segurança das pessoas e a melhor forma de abriga-las e permitir que se desloquem.
Desde a revolução industrial a profissão de engenheiro ganhou muito destaque. Inicialmente a principal formação em engenharia era a de engenheiro civil, que se tornou uma das profissões fundamentais do mundo moderno, atuando como responsável por novas construções e obras civis.
A evolução da sociedade passou a exigir novas demandas para os engenheiros e, para facilitar o acesso das pessoas ao que a sociedade sabia que podia exigir, a atuação dos engenheiros foi ampliada para a indústria metalúrgica, elétrica, aeronáutica, computação, química, meio ambiente, produção, entre outras, que necessitam de mão de obra especializada para o desenvolvimento e acabaram por consolidar diversos ramos da engenharia.
No Amapá os engenheiros têm desempenhado papel de relevância desde às suas primeiras necessidades quando teve que construir a Fortaleza de São José de Macapá. O responsável pelo projeto foi de Henrique Antônio Gallucio, que, guardadas as devidas adaptações à realidade local, adotou o modelo de bases defensivas conforme fora idealizado por Sebastién de La Preste, o francês Marquês de Vauban e por Manoel de Azevedo Fortes.
Quando uma área do Estado do Pará foi discriminada para ser um novo território federal – o Território Federal do Amapá -, inicialmente com previsão de ser a Vila do Amapá, no Oceano Atlântico, a capital e, depois, a Vila de Macapá, na margem esquerda do Rio Amazonas, outra vez os engenheiros estiveram presentes com suas habilidades para trabalhar a infraestrutura urbana, identificar os polos rurais de desenvolvimento e conceber e construir as edificações, inicialmente a dos prédios públicos.
São dessa época os primeiros planos de desenvolvimento urbano que definiu o sistema viário que hoje tem bons reflexos técnicos nas ruas, avenidas e praças de Macapá, e as primeiras ligações rodoviárias com núcleos de concentração de pessoas e produção de bens e alimentos do interior do então Território Federal, além da definição das áreas comuns. Tudo serviço de engenheiros.
Hoje a engenharia está dividida em muitas especialidades nas quais é possível seguir carreira, dependendo das mudanças no mercado e do desenvolvimento tecnológico esse número se expande a cada necessidade.
Entre tantos ramos podemos citar a engenharia civil, que é a responsável por obras e construções; engenharia mecânica, que atua no ramo da mecânica, metalurgia, indústria automotiva e outras indústrias; engenharia da computação, que atua no ramo da informática, seja na construção de novos softwares ou hardwares; engenharia ambiental, que ganhou grande visibilidade com a crescente preocupação com o meio ambiente; engenharia de alimentos, que atua em indústrias alimentícias ou em pesquisas que envolvem alimentos.
Além de outras especialidades como engenharia de petróleo e gás, que com a constante necessidade de geração de energia e potenciais crescimentos na extração de petróleo, tornam esse profissional necessário e por consequência, bem valorizado; engenharia de segurança do trabalho, que atua de forma a seguir as normas de segurança do trabalho, que a cada dia se tornam mais rígidas; engenheiro de produção, que tem como objetivo gerenciar processos produtivos; entre outras diversas, por exigência das indústrias, dos serviços e das pesquisas que necessitam de mão de obra especializada.
O Dia 11 de dezembro é um dia para reflexão, para procurar compreender a realidade atual e entender a melhor maneira de continuar contribuindo com a sociedade, desempenhando esse papel, quase um sacerdócio que é ser engenheiro.

Parabéns a todos os engenheiros que trabalham no Amapá e contribuem com a sociedade amapaense. 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A nobre profissão de engenheiro

Rodolfo Juarez
Na quarta-feira estive participando, como espectador, de um evento organizado e patrocinado pelo Sindicato dos Engenheiros do Estado do Amapá que contou com convidados, também engenheiros, com experiência em áreas específicas e professor de universidades federais de outras unidades da Federação.
O evento aconteceu no auditório do prédio onde funcionam as Faculdades FAMA que possibilitou a presença de acadêmicos de engenharia na discussão de assuntos de relevante interesse para a atualidade profissional dos que atuam na área tecnológica.
Os engenheiros, preocupados com a situação que atravessa o país e especialmente a Engenharia, estão buscando uma proposta objetiva que possa despertar na população a grande importância que a Engenharia tem para os governos e para as cidades; para as populações e seus respectivos futuros.
Por mais ou menos 20 anos os engenheiros vêm sendo desafiados a mudar o “disco”, repaginar as agendas, encontrar a confiança perdida no meio dos problemas que a sociedade enfrenta todos os dias e que se escancararam com o desmantelamento de um sistema que se implantou em algumas das grandes empresas nacionais e que resultaram em um rio de corrupção jamais visto.
Tudo o que se olha ao redor tem a ver com a Engenharia, que sempre trouxe para a população formas diferentes de aproveitar as condições que estão disponíveis e que servem para o bem estar de cada um e o embelezamento ou funcionalidade das cidades.
Agora os engenheiros têm pressa em mostrar a verdadeira face da Engenharia, aquela que cuida das pessoas, cria soluções e otimiza os preços. Querem retomar a confiança que ficou arranhada por culpa dos próprios engenheiros que não se fizeram vistos, respeitados e indispensáveis.
As eleições municipais pode ser o marco para a retomada dos serviços de engenharia, pois, está se entendendo que não haverá avanço no atendimento à população, se não entregar para os engenheiros questões que lhes são próprias e para as quais está preparado para atender as exigências.
As pequenas cidades, pobres na exata dimensão da palavra, precisam despertar para a elaboração de projetos que deverão estar dentro de um plano de desenvolvimento que contemple todas as exigentes vertentes sociais e que possa entregar mais tarde para os moradores das cidades o resultado do trabalho.
No momento são muitos os problemas. São tantos que deixou de ser uma questão do prefeito ou dos vereadores e passou a ser uma questão de todos. Mas é preciso dar voz e vez para aqueles que têm a ciência como aliada para o desenvolvimento de projetos e a elaboração de planos que possa modificar o modo de ver as administrações por parte da população.
Não dá mais para trabalhar planos de educação, de saúde, de segurança, ambiental e qualquer outro plano sem que cada um deles faça parte de um todo harmônico, divisível e avaliável.
As dificuldades dos prefeitos são maiores que a sua vontade de resolver, entretanto, eles precisam encontrar um caminho novo para seguir diferente daqueles que se acostumou a encontrar, fundado na governabilidade a partir de aliados políticos e não a partir das necessidades da população.
Se os engenheiros se entenderem, sentirem mais uma vez o prazer da brisa nas janelas de trabalho, outra vez o Brasil pode retomar o seu rumo, reconquistar as referências perdias e reencontrar o desenvolvimento.

Vi a esperança nos olhos dos acadêmicos de engenharia, mas vi também disposição nos veteranos professores em querer mudar a história recente dessa que uma das mais nobres profissões dos homens.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Em nome do conhecimento, da ciência e da sociedade.

Rodolfo Juarez
Esta semana aconteceu o Nono Congresso Estadual de Profissionais do Amapá, organizado e executado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amapá, com apoio institucional e financeiro da Mútua, que é a Caixa de Assistência dos Profissionais do CREA, e do Confea – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia.
O evento tinha entre os seus objetivos específicos a definição dos delegados estaduais que estarão representando a Engenharia e a Agronomia do Estado do Amapá no Congresso Nacional de Profissionais que acontecerá em Foz de Iguaçu, Estado do Paraná, de 29 de agosto a 3 de setembro deste ano.
Antes do encontro do dia 29, três encontros preparatórios havia ocorridos, sendo dois em Macapá e um em Santana, tendo entre seus objetivos o recebimento de propostas apresentadas pelos profissionais de Engenharia e Agronomia, visando o fortalecimento profissional e institucional, dentro de três eixos pré-definidos: “defesa e fortalecimento da Engenharia e da Agronomia junto à sociedade”; “tecnologia e inovação” e “carreira e prerrogativas da Engenharia e da Agronomia”.
Mesmo com todas essas atrações temáticas e com objetivos bem definidos, muitos profissionais não participaram, as alegações são as mais diversas, mas todas sem deixar de reconhecer a importância da realização e com a promessa de participação nos próximos congressos, depois de perceber que este é um dos mais eficazes caminhos para que os profissionais da Engenharia e da Agronomia sejam reconhecidos pelo seu insubstituível conhecimento e importância social.
Alguns fatos recentes que chocaram a sociedade e que tiveram como centro referencial a Engenharia, não deixam dúvidas quanto a necessidade de um cuidado especial, principalmente dos gestores públicos, na relação que estabelece com os profissionais da engenharia.
No Estado do Amapá várias questões estão exigindo tratamento melhor e que têm como principal agente o profissional da Engenharia e da Agronomia.
Os da Engenharia para auxiliar a população no conhecimento e tomada de providências, entre outros, em episódios como o do desmoronamento do Porto da Empresa de Mineração Anglo, em Santana, onde seis pessoas perderam a vida.
Os da Agronomia para ser o seu “olho” nas questões das terras que foram transferidas da União para o Estado e que estão sendo vendidas à terceiros com a mensagem de inicio de uma fronteira agrícola e que precisa, naturalmente, ser muito bem explicada para a sociedade, que financia os estudos dos Agrônomos de forma permanente, possa ver esses profissionais inseridos nas decisões, algumas de difícil compreensão.
De um modo genérico pode-se afirmar que os engenheiros e agrônomos ainda padecem a falta de comunicação com a sociedade, muito embora já se note um esforço de alguns em não se submeter ao império do poder político que, muitas vezes, mutila o resultado técnico e vulgariza o resultado social, através da mídia publicitária que massacra e distorce a realidade.
O que se observa é uma tímida, mas crescente, vontade dos profissionais de Engenharia e Agronomia voltarem a se comunicar com a sociedade, perdendo, de vez, o acanhamento que tem com relação a oferecer os seus serviços profissionais e divulgar a importância que cada um tem na conformidade de uma sociedade completa e justa.
Os gestores públicos também podem virar alvo desse novo momento da Engenharia e da Agronomia, para que reconheça a sua importância técnica e não o considere apenas um assessor, do qual pode afastar os seus conhecimentos para torná-lo apenas um instrumento da Administração.

Muitas coisas ainda faltam ser feitas, mas eventos como o Congresso Estadual de Profissionais de Engenharia e Agronomia do Amapá é uma excelente oportunidade para a retomada, em nome do conhecimento, da ciência e do resultado social.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Muros e forros, mas não é só isso.

Rodolfo Juarez
Desde meados de abril e durante todo o mês de maio estamos nos defrontando com notícias que precisam ter suas causas exploradas, principalmente quando se trata de obras abertas, mas também nas obras fechadas, e que são destinadas a receber pessoas durante períodos que deveriam ser curtos, mas que estão se alongando, contrariando as pessoas e, até aqueles que podem ser responsabilizados pelas ocorrências.
A queda do muro de uma praça na sede do município de Oiapoque, a queda do muro da Escola Estadual São Benedito, em Macapá, e a queda do forro da sala de espera de uma clínica aqui na Capital acabaram por chamar atenção dos técnicos da área de engenharia e daqueles que são responsáveis pelo funcionamento daqueles espaços.
Uma visão expedida na queda dos muros induz a uma reflexão de como estão sendo executadas e fiscalizadas essas obras e a queda do forro remete à necessidade de um plano de inspeção, além daquele executado pelos técnicos do Corpo Bombeiro Militar.
As regras impostas pelos legisladores e cobradas pelas organizações de fiscalização externa ao Executivo acabam fazendo uma exigência subliminar que não está sendo observada: a segurança do objeto contratado.
De repente se está prestando atenção apenas para o aspecto legal da formalização dos contratos de serviço, desde a cotação de preços, licitação e contrato propriamente dito, do que para a execução, deixando essa importante etapa sem a cobertura técnica necessária.
Fora do Amapá se tem o resultado desastroso de uma obra viária no centro de Belo Horizonte, um prédio de vários andares no Rio de janeiro e, mas recentemente, a queda da ciclovia projetada para ser um legado dos Jogos Olímpicos de agosto deste ano.
As prefeituras têm demonstrado dificuldades para manter equipes técnicas e exigir, seja lá de quem for, acompanhamentos que definam, claramente, as responsabilidades técnicas.
Até agora ninguém foi responsabilizado pela queda do porto de minério em Santana onde morreram 6 pessoas, duas das quais sem, sequer, ter o corpo encontrado nas buscas realizadas pelos órgãos oficiais e pela própria empresa responsável.
As perícias técnicas nunca são concluídas e a sociedade começa a duvidar da capacidade dos técnicos envolvidos na construção, manutenção e os responsáveis pela definição de riscos.
Já tivemos problemas nas barragens, inclusive com morte na que está sendo construída em Laranjal do Jarí e desastres ambientais provocadas pelas que estão no rio Araguari e, mesmo assim, o tempo passa e vai deixando esse rastro para outras obras que estão por terminar ou que terminadas não estão recebendo a manutenção necessária.
Um desses pontos é todo o passeio da orla do Perpétuo Socorro, integrante da orla da cidade de Macapá e que está em uma situação absolutamente crítica, precisando, urgentemente receber reparos que, a cada dia que passa, são mais caros devido o progresso do desgaste que se nota a olho nu. Vale observação também para o terminal do píer 2 do bairro Santa Inês.

O próprio parque do forte, conhecido como Lugar Bonito, precisa de urgente atenção. Os equipamentos estão destruídos, faz tempo, e seria interessante e necessário que ao completar 10 anos de funcionamento, o que ocorre no dia 10 de junho, estivesse em condições de lembrar o que levou o parque forte a ser chamado de Lugar Bonito no dia da inauguração.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A Engenharia e o engenheiro no Estado do Amapá

Rodolfo Juarez
Esta semana marcou a passagem do Dia do Engenheiro. Eventos sociais foram realizados para marcar o dia 11 de dezembro que aqui no Amapá, não faz muito tempo, era motivo de muitas festas pelas conquistas alcançadas durante o ano e pela satisfação de ser um profissional influente e que apresentava resultados para a sociedade e recompensando a confiança que recebia e o trabalho que tinha a satisfação de desenvolver.
O engenheiro, de um modo geral, se caracteriza pela maneira cartesiana como trata suas atribuições devido a sua formação sustentada por uma ciência exata e que premia a competência na busca do resultado.
As competências e resultados, diretamente vinculados ao engenheiro, foram perdendo, aos poucos, a sua importância para os que passaram elaborar os chamados planos de poder, cheios de artifícios e nem sempre voltados para atender primordialmente o interesse público.
Ao que parece a exigência dos profissionais da engenharia não se enquadraram nas diretrizes dos planos de poder dos políticos que ganhavam a primazia de poder definir tudo, entendendo que não precisavam obedecer às funções conforme as suas regras. Muitos dos que aceitaram a imposição se decepcionaram com a nova relação e com a forma de gerenciar os recursos públicos.
A questão avançou devorando todos aqueles que pretendiam exercer na plenitude a sua profissão, mesmo mal pagos e tendo que, para sobreviver, se submeter ao comando de pessoas não habilitadas para cuidar das questões públicas que precisam do engenheiro para resolvê-las com eficiência.
A Engenharia passou a receber tratamento discriminatório por parte dos administradores públicos, como aqueles que “atrapalham” quando não concordam com a medição de uma obra ou que propõe punição para o empreiteiro “amigo do governante” por não cumprir o contrato na forma e termos que assinou.
A formação do engenheiro exige que ele seja obediente aos parâmetros técnicos exibidos nos manuais, desde os mais simples até os que carregam complexidade, conforme a exigência da obra ou serviço.
O abandono do engenheiro pelas administrações públicas, principalmente no Estado do Amapá, apresenta resultados profundamente chocantes com prejuízos financeiros e sociais de significação que remontam a casa do absurdo.
Obras paradas por todas as partes do Estado e com as mais diversas finalidades retratam a irresponsabilidade de dirigentes que não cuidam, de forma alguma, dos recursos que o Estado coloca nas mãos desses dirigentes. É um bota fora de dinheiro que impede a população usufruir dos benefícios que a obra ou o serviço trariam para todos na cidade ou no campo.
Os esqueletos de edificações e o mau trato das rodovias são os atestados dessa falta de controle e do próprio profissional engenheiro.
Parece que os engenheiros perderam a confiança dos que detêm o poder considerando a forma como são tratados. São mal pagos e subordinados a profissionais de áreas do conhecimento que estão muito distante da Engenharia.
O exemplo está na Secretaria de Infraestrutura do Governo do Estado do Amapá para a qual foi nomeado um profissional estranho à engenharia e logo no órgão do Governo do Estado que simboliza a Engenharia e o engenheiro. Mas esse desprestígio se alonga pelas veias da administração pública que faz questão de ficar longe dos engenheiros.
Um dia o engenheiro amapaense haverá de se impor pelo conhecimento, pela sua importância social e principalmente, pela sua maneira de interpretar o interesse público que sabe, não pode ser repartido com o interesse privado.

sábado, 4 de abril de 2015

Obras paradas no Amapá

Os prejuízos decorrentes das obras paradas que atravancam a cidade e não desenvolvem o interior
Um assunto que ainda não recebeu o cuidado que precisa da atual administração enquanto a população espera.
O Governo do Estado não vem dando o tratamento que é preciso dar às obras paradas que estão espalhadas pela Capital, sedes dos outros municípios e no interior, nas regiões onde as estradas são o maior problema.
Também as obras são de responsabilidade do Governo do Estado, dos governo municipais e, também dos Governo Federal, este inclusive, apresentando um cenário que é preciso entender a situação tantos são os problemas alegados, mesmo quando o assunto não é superfaturamento ou não cumprimento de contrato.
Na esfera federal além de outras, duas obras vêm chamando a atenção de todos e desafiando a paciência da população, mesmo com os sucessivos avisos de parlamentares federais de que “agora vai...”.
A construção do terminal de passageiros do Aeroporto Internacional de Macapá Alberto Alcolumbre é um triste exemplo de descaso e desleixo. A Infraero é a empresa responsável pela construção que continua alegando o superfaturamento levantado há mais de oito anos sem que tenha servido para qualquer coisa que não deixar o “esqueleto da obra” entregue ao tempo.
Também de responsabilidade federal, está no Amapá a obra mais antiga em construção em todo o Brasil – a Construção da Rodovia BR-156, trecho que liga a Capital ao Norte do Brasil. Mesmo com as artimanhas administrativas adotadas por variados governos que mudaram de nove a rodovia, criando uma confusão entre a BR-156 e a BR-210, no sentido de criar artifícios para que os recursos da manutenção de uma pudessem ser utilizados em outra. O fato é que uma obra iniciada no começo do século passado e está com mais de 90 anos de construção.
No momento a BR-156 repete os problemas já levantados há muito tempo e desafia os técnicos do Denit e da Setrap para que a construção esteja concluída, muito embora já se tenha marcado, mais de uma vez, a chegada da estrada asfaltada em Oiapoque.
Entre as obras de responsabilidade do Governo do Estado pode-se destacar pelo menos duas: a construção do terminal do píer 2 do Barro Santa Inês e a Revitalização do Canal da Avenida Mendonça Júnior.
As duas obras são importantes pelos serviços que podem prestar à comunidade, uma na área turística (o píer) e outra na área do saneamento (o canal). Entretanto, continuam completamente abandonadas e colocando em risco a seriedade das administrações devido à problemas de todas as ordens que forma levantados, inclusive de concepção.
Não pode, entretanto, ficarem abandonadas com essas justificativas, um assunto que um bom técnico resolve, assumindo responsabilidade pelas suas mudanças.
O município de Macapá também tem as suas obras enigmáticas. Para falar em apenas duas delas, a título de exemplo, basta citar o Restaurante Popular e o Shopping Popular. Aliás, duas obras que carregam o enigma da palavra “popular”.
Não se pode dizer que é castigo, pois, o fato de ser popular deveria ter outro apelo e não do desconfortável processo de pouco caso adotado por governos municipais que se sucedem na Prefeitura Municipal de Macapá.

Junto com essas obras outras estão igualmente paradas e com problemas até menores. Há falta de zelo com o dinheiro público.





quinta-feira, 19 de março de 2015

O engenheiro em ambiente de crise

Rodolfo Juarez
O que está acontecendo no Amapá com os profissionais da área de engenharia foi retratado na semana que passou, em um artigo que trouxe, como feedback, o quanto pode estar sendo um erro dos administradores não se valerem do conhecimento dos engenheiros e dos técnicos na área de engenharia, nas diversas especialidades, para equacionar os recorrentes problemas que atravancam a Administração Pública e o Estado.
E são muitos e cada vez maiores esses problemas que atravessam a cidade e todas as direções, caminham pelas rodovias municipais, estaduais e federais, até chegarem ao interior, onde os agricultores estão experimentando o pão-que-o-diabo-amassou.
Não custa nada escalar os engenheiros e os técnicos em engenharia para jogar no time principal das administrações. Não em posições de menor importância, ou para ficar no “banco” esperando uma oportunidade.
O jogo que está sendo jogado é para craques e para artilheiros. Para aqueles que conhecem a profissão. Aqueles que tenham condições de chamar a responsabilidade para si, dar um drible quando está o “jogo” difícil ou “ficar com a bola” quando estiver ganhando o “jogo” e com a “partida” sob controle.
Não cabe para esses profissionais, acostumados a assumir responsabilidades, a estar dizendo que isso e aquilo foi uma ordem do “chefe”, “que pensou por mim”, “que mandou”. Não, não funciona desse jeito. Para os profissionais de engenharia há a regra da técnica e do conhecimento.
Nem mesmo aqueles que aceitam o “jogo da moda” – obedecer cegamente o patrão – conseguem render tudo o que podem, tanto é a castração a qual está submetido.
Dá a impressão que há um gosto em deixar o engenheiro afastado, provavelmente porque sabe fazer conta, justificar uma iniciativa, ponderar uma decisão e estar sempre treinado para comandar equipes e não ser comandado ou comandar à distância.
A situação das rodovias, sejam as já construídas ou as em construção, pelo seu estado atual explicam o que está acontecendo.
O descumprimento de cronogramas acertados nas ordens de serviço virou regra e as obras nunca saem no prazo e, por isso, algumas continuam paradas dando a dimensão do descaso e da desconsideração com os tributos pagos pela população.
Os canais nos trechos urbanos e as vias urbanas são identidades de serviços mal feitos, resultado da desobediência à boa técnica e às normas de execução.
Sistema de água e energia sendo manchetes pela baixa qualidade e pelo desperdício, este deixando o título de campeão com as concessionárias locais, mesmo quando o campeonato é nacional.
Ninguém do município de Macapá ou do Estado acerta concluir uma planilha que definiria o preço da tarifa do transporte público. Tudo é deixado para ser feito no judiciário, de preferência na última instância.
Alugar prédio de particulares para funcionar repartição pública virou rotina e não mais se conseguiu planejar nada, nem mesmo às necessidades de expansão que é inerente a um Estado que vê a população aumentar em mais de 20 mil habitantes a cada ano e não se preocupa em apurar de onde está vindo esta população e, principalmente, onde deve coloca-la.
O engenheiro, em qualquer estado do Brasil e em qualquer parte do mundo, se revela um excelente administrador que sai da universidade com preparo suficiente para assumir esse tipo de responsabilidade.
Basta encontrar um jeito de aproveitar a competência, a liderança e a capacidade criativa dos engenheiros.

Doutra forma, não custa tentar. O engenheiro e os técnicos em engenharia costumam sair-se bem em ambiente de crise.

sexta-feira, 13 de março de 2015

O que resta de engenharia no Amapá

Rodolfo Juarez
Pela nossa condição de engenheiro civil, com serviços prestados a diversas prefeituras municipais e ao governo do Estado do Amapá, sempre somos instigados a falar sobre o momento da engenharia civil por aqui.
Está evidente que a provocação é devido às dificuldades que os profissionais da Engenharia Civil estão encontrando para impor a ciência desse ramo do conhecimento como instrumento que possa servir à população, que se acostumou a ter no engenheiro um profissional ativo e um agente público criativo, que busca a realidade na execução de cada projeto que, além de ser um guia é um desafio aos testes de materiais que são descobertos ou simplesmente não vinha sendo usualmente utilizados no desenvolvimento e execução dos projetos que dão excelência ao atendimento do interesse público.
Os tempos são outros, diriam aqueles que não estão compreendendo o que está acontecendo com os profissionais de engenharia.
Em regra, muito mal pagos, ou com recompensas muito diferentes de outros profissionais com o mesmo tempo de escola e na mesma escala de importância e necessidade social.
Por aqui se deixou de respeitar o profissional engenheiro que foi largado em um mercado que não permite a busca de excelência e muito menos a melhoria na qualidade do conhecimento.
Um desrespeito que é incentivado, mesmo que indesejadamente, por aqueles que se arvoram a assumir responsabilidade por obras que executam e até pelos dirigentes públicos que quando contratam um serviço de engenharia imaginam que não precisa ser acompanhado ou orientado conforme a técnica e deixa o serviço “rolar” sem se preocupar com o tempo, pois não paga as faturas ou quando paga, faz com atrasos, ou com a qualidade dos serviços, pouco se importando com o resultado do contrato.
Basta ter a cor da pintura coincidindo com a cor do seu partido, que tudo está perfeito e que tudo está de acordo com o imaginado.
Isso, entretanto, não corresponde à verdade, nem à obviedade e muito menos à verdade técnica.
Obras definidas a partir de projetos básicos, serviços autorizados considerando apenas o menor preço, com visível abandono da coerente durabilidade razoável ou beleza adequada ao local onde se implanta a obra.
O zelo pela boa técnica está completamente perdido. Os serviços são, em regra, de qualidade duvidosa, proporcionando desastrosos resultados na construção das vias públicas, na definição da infraestrutura da cidade ou na funcionalidade de um prédio.
Aqui mesmo, o “habite-se” é apenas uma obediência legal deixando de lado todos os outros requisitos que possam dar acessibilidade conforme o uso, praticidade conforme a destinação e satisfação conforme a ocupação.
São construídas arapucas ao invés de prédios, onde as saídas de emergência (garantia de segurança do morador ou usuário) são tidas como exigências desnecessárias e diversas vezes não consideradas.
O prefeito de Macapá, a maior cidade do Estado, exige que o seu secretário de obras seja, antes de ser engenheiro, um “bom político”, ou seja, aquele que tem uma boa forma de “enrolar” população, adiando o que inadiável e dando soluções que não gostaria de dar como profissional, mas “tem que dar” como secretário.
No Estado, a conclusão ainda é mais eliminadora: para ser secretário de infraestrutura (obras de outros tempos) nem precisa se engenheiro. Precisa de alguém que conheça as leis para dar o tom legal aos projetos pouco se importando com a funcionalidade ou o preço.
Nota-se uma espécie de sumário de como não se deve tratar os engenheiros, esperando deles que o salário do final do mês, isso no setor público, seja o suficiente para que mantenha em alta a sua alto-estima e o orgulho de ser um profissional da engenharia.
Claro que não basta. Mas é o que resta!

Os resultados estão ai: uma cidade que quase não funciona, com as suas ruas e avenidas completamente ultrapassadas e sem futuro; as rodovias intermináveis; obras de edificações e infraestrutura inacabadas e tantas mazelas que são criadas a partir do mau uso do conhecimento técnico de engenharia que demonstra ter pouca força para reagir.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Engenheiro há 43 anos

 No dia 17 de dezembro de 1971, às 18 horas, no Teatro da Paz, em Belém do Pará, eu recebia o grau de engenheiro formado pela Universidade Federal do Pará em Engenharia Civil.
Minha mãe, Raimunda Juarez (na foto colocando o anel de formatura) estava com meu pai presente na solenidade ocorrida há 43 anos, mas viva na minha memória.
Aproveito para juntar a essa declaração uma mensagem que recebi do colega Fernando Aragão, ao qual agradeço e estendo esse agradecimento a todos os demais colegas e para meus familiares, que ainda não perderam a empolgação pelo saber e pela interpretação da realidade.
Todos os 43 anos, desde a formatura em engenharia civil, foram dedicados ao Amapá e à nossa região.
Obrigado meu Deus, obrigado à milha família e aos amigos!
Feliz Natal e Prospero Ano de 2015.


Recebi.

Caríssimo colega e amigo,
Hoje, estamos completando 43 anos de formatura.
Se incluirmos os cinco anos de estudo em nossa saudosa Escola de Engenharia, chegaremos a um longo período de 48 anos.
Portanto, há quase meio século, somos amigos.
Assim, vale a pena voltar no tempo para fazer mentalmente um compacto de nossas vidas nesse período, começando pelas noites de estudo para enfrentar o vestibular, recompensadas com a festa da vitória.
No prédio da Campos Sales, vivemos momentos inesquecíveis de nossas vidas, entre aulas, provas e brincadeiras.
Ali estavam sendo construídos os alicerces, não apenas de vidas profissionais, mas de amizades que, como todas as amizades verdadeiras, apesar da distância, seriam mantidas e renovadas, sempre.
Esse período foi encerrado com aquela solenidade no Teatro da Paz, em 17/12/71.
A partir dela, nos dispersamos, cada um em busca da realização de seus sonhos.
Hoje, podemos dizer, com toda a certeza, que valeu a pena!
Certamente, cada um de nós tem uma bela história para contar. 
Agora, vivemos o momento de desfrutar com serenidade dos dois maiores patrimônios que conseguimos acumular ao longo de todos esses anos: nossa família e nossos amigos.
Sem eles, a vida não teria sentido.
A maior prova disso é que hoje, estamos unidos novamente, embora de maneira virtual, após tantos anos de distância.
Vamos, portanto, comemorar a nossa amizade e a vida.
Precisamos nos manter unidos e, se possível, trazer outros colegas para o nosso convívio.
Parabéns pelos 43 anos!
Aproveito a oportunidade para desejar a você e à sua família, um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de saúde e realizações.
Um grande abraço,

Fernando Aragão