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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

O eleitor, os marqueteiros e os candidatos.


Rodolfo Juarez
Estamos a cindo dias das eleições nacional e regional, em segundo turno de votação, e o eleitor faz questão de esquecer a ideologia dos partidos e saírem para mostrar o que pensam dos candidatos e suas histórias.
Fazia tempo que o eleitor brasileiro não se importava e pouco ligava para o partido e os seus representantes que estavam no Poder ocupando os principais cargos da República. Desta feita o eleitor, desincumbindo-se da missão que a legislação lhe entrega para cumprir, mostra-se disposto a ignorar tudo, declarar a política sem líderes e procurar um caminho novo, pelo menos no âmbito nacional.
A política oferece essas oportunidades circunstanciais que movem uma nação inteira no rumo que entendem ser melhor e que possa representar o que pensa a maioria do povo. Muitas vezes, como parece ser agora, a preferência vem para negar um modelo de gerencia, encerrar um período com tantos problemas, fechar uma etapa da administração pública nacional.
Nem mesmo os instrumentos modernos disponíveis e que podem ser usados diversificando as oportunidades, têm suportado a vontade popular de participar  observadas as convicções que assumem e que estão mostrando as dificuldades e facilidades de um pleito e revelando que a “máquina gerencial eleitoral” precisa de reparos urgentes e de medidas que possam reconquistar a confiança de todos.
É uma campanha onde o jovem se mostra nas ruas, embrulhados em bandeiras ou tremulando-as com orgulho e sabendo o que pretende com esse ato. Os motivos estão dentro de casa ou chegam dentro da casa pelos meios de comunicação, agora ampliados pela disponibilidade das redes sociais.
Os pontos fracos e completamente inadequados vêm daqueles que têm obrigação de serem éticos e profissionais - os marqueteiros.
São eles que recebem os recados desesperados dos coordenadores de campanha para fazer isso ou aquilo; mas são eles que vasculham os porões da imoralidade para tentar iludir o eleitor, apresentando peças publicitárias que são verdadeiros atos irresponsáveis porque conduzem o eleitor a erro.
As eleições de 2018 mostram um grupo de auxiliares de publicidade ou de programa político ou de inserções para serem veiculados nos horários “gratuitos” colocados à disposição, pela Justiça Eleitoral, aos partidos e candidatos e que irritam e envergonham o telespectador, mesmo sem qualquer resultado prático, a não ser o da desmoralização do processo.
Os candidatos se valem disso para ocupar os horários e não apresentam as suas propostas e os seus argumentos, e quando apresentam são vazios, inviáveis, muito mais próximos da mentira do que das expectativas desenhadas pelo eleitor.
Temas nacionais como desenvolvimento e crescimento, qualidade de vida e ambiente para o trabalho, profissionalismo e desemprego, pobreza e riqueza, administração e corrupção, impunidade e desafio, transparência e conhecimento, entre tantos são deixados para a maresia interpretativa do eleitor, que fica duvidando até da sua real importância como definidor da escolha.
Por aqui, no Amapá, restou a estrofe de uma mesma música, que há 24 anos vem sendo cantada sem qualquer afinação e deixando a canção sem qualquer sucesso e a população no aperto, vendo um Estado sem rumo, engolido pela crise que faz questão de ampliar, ou se valendo de projetos amadores e exageradamente pessoais.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O marqueteiro

Rodolfo Juarez
As propagandas das ações públicas estão soltas e animadas pelos agentes públicos que estão no poder e contradita por aqueles que se colocam na oposição àqueles que estão no poder.
Desde quando os marqueteiros convenceram os agentes públicos, de todas as esferas, que a propaganda era boa para a imagem dos administradores e do próprio governo, que nenhum, em qualquer esfera, dispensa a oportunidade para divulgar o que está fazendo.
Gordas parcelas do orçamento são destinadas à essa finalidade e com as mais diversas destinações, todas tendo que obedecer ao um rígido acompanhamento dos órgãos fiscalizadores que, entretanto, são vencidos pelos argumentos utilizados pelos executores dos diversos programas administrativos da gestão de cada órgão.
O mais contido e que se resume às informações de suas ações mais específicas, não destacando as atividades, é o Judiciário.
Mantém uma unidade administrativa com profissionais de comunicação que tem a atribuição de tornar aquele poder conhecido, divulgando as suas ações e procurando destacar a sua importância na conjuntura estadual.
O Legislativo parece ser o mais exagerado, pois, até agora, ainda não encontrou a melhor forma de divulgar a sua finalidade, seja por que ainda não descobriu o caminho ou porque tem dificuldades para identificar o que faz e que pode ser mostrado como de interesse da população.
Então atuam na divulgação com a justificativa de que é lá que estão os representantes da população e a população precisa saber o que o deputado está fazendo. Procuram seguir o roteiro da Câmara Federal, que, entretanto, com sua proposta nacional, utiliza a notícia como principal elemento de divulgação.
O Ministério Público, embora muito mais contido do que a Assembleia, às vezes se apresenta com exageros quando tem que divulgar ações ou posições, principalmente quando elas são de interesse geral ou quando é refere-se a confronto de ideias com outro poder.
O Tribunal de Contas, depois de um período de exageros, por força das circunstâncias e pela busca de novas propostas administrativas, tem sido contido na divulgação de seus atos, às vezes até demais, deixando as informações apenas no estrito cumprimento da regra, utilizando o disponível no portal da transparência na internet.
O que mais utiliza os meios de comunicação de massa para divulgar as ações que realiza ou que planeja realizar é o Executivo.
Alguns exageros, não na quantidade, mas na concepção, que poderia ser mais objetivo e sem ter que ferir as regras que delimitam a faixa de ação de cada uma dessas manifestações públicas.
É importante que o povo saiba, mas é importante também, que os executivos entendam que os compromissos assumidos em uma propaganda, caso não sejam do interesse da população ou estejam defasados daqueles interesses, podem funcionar em sentido contrário do que objetiva a divulgação.
Algumas peças publicitárias, entretanto, além de ser de mau gosto, se constituem em uma armadilha, onde o autor, seguramente, não teve a oportunidade de medir os resultados, tanto que não retroalimenta a divulgação ou a campanha.
E tem mais, algumas daquelas divulgações podem ser especialmente congeladas para, no momento oportuno ser utilizada para desfazer discursos atuais.
Um bom marqueteiro precisa ser um bom analista de cenário, observador de comportamento, para nesse ambiente inserir as suas mensagens para alcançar os resultados que deseja que sejam colhidos por aqueles para os quais trabalha.

Agora, se existe uma pessoa que sabe tudo e não deixa qualquer margem para as opiniões é, exatamente, o marqueteiro, seja de uma campanha, seja de uma administração. Muito embora ele pouco se importe com o resultado da campanha ou da administração.

sábado, 6 de outubro de 2012

Eleições 2012: Marqueteiros e coordenadores de camanha não passaram no teste

Todos ficaram em recuperação 
Rodolfo Juarez
Muito contaminado pela campanha eleitoral em Macapá, na qual os marqueteiros e os coordenadores de campanha não caminharam os bons caminhos da democracia, estive no interior para registrar como foram feitas as campanhas por lá.
Posso garantir que, na maioria deles, o dia da eleição vai ser uma grande festa democrática, provavelmente muito diferente da campanha em Macapá, que teve um forte tempero e medidas indesejadas nas modernas campanhas e que acabaram levando para a vala comum, com as honrosas exceções, o nível da campanha eleitoral nessa primeira parte da eleição.
Por aqui os candidatos a vereador, quando não foram impelidos, na prática, a fazer a campanha majoritária, acabaram por inibir-se ou limitar-se às visitas e às reuniões e aparições raras e sem grandes compromissos, nos comícios organizados pelos candidatos a prefeito.
Mesmo os municípios mais próximos da capital não foram contaminados pelos erros estratégicos e pela falta de respeito ao eleitor, obrigando estes a assistir verdadeiras campanhas difamatórias com a complacência dos órgãos de fiscalização que, deixaram que a campanha descambasse para a vala comum das acusações, ficando o eleitor sem as informações importantes que precisa para decidir.
Não houve confronto de idéias durante a campanha. Condição que já cabe perfeitamente no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, em Macapá, muito embora se reconheça que a campanha de visual tenha sido muito mais coerente do que nos outros anos, principalmente aquela desenvolvia pelos candidatos a vereador.
Basta lembrar que em outros períodos eleitorais, em uma época dessas, os muros das casas estavam todos pintados com as mensagens dos candidatos em destaque. Agora não. Essa prática não foi exercida pelos candidatos e a cidade agradece.
Uma questão nova e que precisa ser observada com mais cuidado é o caso dos veículos automotores que são adesivados e deixados nos estacionamentos públicos, como se um outdoor fosse.
Este ano, mais que nos outros anos de eleição, essa prática se popularizou e foram muitos os candidatos que conseguiram ludibriar a fiscalização que ainda não encontrou uma forma para coibir esse tipo disfarçado de enganar a fiscalização.
Basta entender que se trata de uma forma de ludibriar as regras da campanha eleitoral, pois é claro que o procedimento decorre do abuso do poder econômico de um candidato, o que fere o principio da igualdade. Como os carros usados sempre são grandes e caros, só é possível para aqueles que dispõem de recursos e coloca esses recursos a serviço da sua própria campanha ou de um dos seus “afilhados”.
No interior os eleitores fazem questão de colocar na janela da frente de sua casa a bandeira do seu candidato e quando, na mesma casa se observa bandeiras de diversos candidatos, ali está a declaração que, até em casa, pode haver discordância nas idéias, mas nada que possa transformar isso em baixaria.
Tomara que os partidos políticos reprovem os marqueteiros e os coordenadores das campanhas que trabalharam, este ano, em Macapá, todos eles, pois não deixarão saudades, apenas tristes recordações. Decididamente, nesse quesito, todos estão em recuperação.