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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

De costas para a cidade e para o rio


Assim está a orla do Perpétuo Socorro, em Macapá
Rodolfo Juarez
Mesmo com as alegações de que o Estado do Amapá está com muitas dificuldades orçamentárias e financeiras neste começo de ano. Mesmo que a justificativa esteja baseada na frustração na receita e ainda, que o Supremo Tribunal Federal demora julgar as ações referentes à repartição do Refis Nacional, mesmo assim, há serviços que precisam ser feitos para que investimentos de outrora não se transforme em mais um problema pelo desleixo público quando o governo não consegue recurso para investir na recuperação de pontos da cidade que estão feitos e que precisam receber cuidados.
O Governo do Amapá, no ano que acabou não faz tempo, recebeu a chancela de ser o Estado que tinha o pior desempenho quando o assunto era a transparência pública, mesmo sendo essa ferramenta, dito por especialistas, como o principal instrumento para conter e combater a corrupção sistêmica que está impregnada no serviço público, também no Amapá.
A orla limitada pelo canal do Perpétuo Socorro e pelo canal do Jandiá está em processo de destruição, cada vez mais perdendo a sua força para responder à força da maré de março principalmente, mas também à força média do Rio Amazonas e, assim, não tão aos poucos, sendo literalmente engolida pelas águas.
No momento já se pode observar trechos em que o muro de proteção desapareceu e com ele desapareceram o parapeito, a calçada de proteção, o meio fio, a linha d’água e mais de dois terços da pista de rolamento com o asfalto que dava o acabamento.
É uma situação perigosa e urgente!
Tecnicamente se pode dizer que precisa de providências urgentes para que o prejuízo da população do local não some também as próprias residências como aconteceu no Araxá, por falta de priorizar o serviço ou, simplesmente, por falta de interesse público ou competência individual.
A situação atual foi anunciada há mais de 5 anos, bastando para que a situação atual fosse confirmada que os governantes do período não demonstrasse interesse pela qualidade de vida dos moradores e pela valorização da cidade.
O local é um dos mais aprazíveis de toda a orla e não há justificativa possa amenizar a situação atual, ou a futura, esta mais precária e exigindo mais recurso para a recuperação do local.
A responsabilidade do governador, do vice-governador, do secretário de infraestrutura, do secretário das cidades, do secretário de planejamento, entre outros chefes de órgãos que são pagos para zelar pela qualidade de vida de todos os que moram no Estado do Amapá, deve ser maior que as bizarras justificativas apresentadas, que a falta de compromisso demonstrado e, até irresponsabilidade com o bem público.
O local tem vocação para ser um ponto de lazer e gozo dos macapaenses acaba expulsando os visitantes para dentro da cidade, levando dentro de cada um deles a decepção que acumulam dos governantes que precisam responder com ações, com ajustes efetivos e com realizações.
Macapá, a capital do Estado, que vai completar 261 no dia 4 de fevereiro, não pode continuar assim, sem o cuidado do Governo do Estado que a tem como Capital e com demora em ver seus cuidadores principais de costas para a cidade, mesmo que assim, também fique de costas para o maior rio do mundo.
Essa não é a atitude de quem quer cumprir o que prometeu em campanha e que ganhou o 4.º mandato da população sendo o mais votado.

sábado, 15 de junho de 2013

Aniversário sem festa

ANIVERSÁRIO SEM FESTA
Rodolfo Juarez
Nenhum lembretezinho, nenhuma faixa, nenhuma providência foi tomada para que ficasse marcado o aniversário de sete anos da inauguração do Lugar Bonito, uma espécie de orgulho da população do Amapá, que, infelizmente, é desconsiderado pelas autoridades que teriam obrigação de interpretar o que a população quer.
Nenhuma lembrança, nenhuma referência sobre o “lugar bonito” que mudou o modo de pensar do morador de Macapá e de todo o Estado sobre a própria cidade, tão maltratada, mas que tem a compensação da natureza que despeja um permanente vento sobre as pessoas que viram e aplaudiram a decisão de construir a praça e o resultado final que veio com a conclusão da execução do projeto.
Nenhuma citação mesmo.
Nada, sobre o fechamento de um ciclo de 7 anos do “lugar bonito” da parte dos que lidam com o interesse público, mesmo assim o povo, seu fiel usuário, estava lá, representado por uma leque de todas as classes sociais, fazendo do lugar o espaço mais democrático da cidade e onde todos se encontram.
Basta prestar a atenção que dá para perceber os frequentadores, fazendo as mais diversas atividades, desde aqueles com seus iPads, smartphone, tomando água de coco, calçando tênis importado e chegando com seus carros do ano, até aqueles com suas batatas-fritas, correndo descalços e vindo de buzão dos bairros mais afastados da orla, todos se respeitando e alguns lamentando as condições as deixaram o lugar bonito chegar.
O capim brabo tomou conta do lugar onde havia grama e está alto e deixando coceiras nas pernas desprotegidas das crianças que, no dia do aniversário do “lugar bonito” seguravam as linhas tesas que tinham na outra ponta um pita, um papagaio, uma rabiola, ou uma cangula, chamados assim pelos donos conforme a origem do próprio dono, mostrando que naquele local todos do povo se encontram.
Segunda-feira, o dia do aniversário, parecia que o local estava mais alegre. Seis horas da tarde as ondas do rio já começavam a molhar a mureta, dando um toque a mais no grande “bolo” de concreto que cerca toda a orla e serve de banco para aqueles que gostam de sentir o ar no rosto pelo seu movimento – o vento.
Não há de faltar oportunidade, senhor “Lugar Bonito”, para que pessoas responsáveis resolvam interpretar as necessidades daqueles que gostam de ti – a população.
Eles não sabem o erro que estão cometendo, pois, mesmo assim, com os tubos de ferro enferrujados, com as calçadas maltratadas, com a grama desaparecendo, com a terra exposta, mesmo assim, aqueles que gostam, gostam e, apesar desses diplomados nas eleições não gostarem de ti, esse povo humilde gosta.
No dia 10 de junho, certamente, comemorações aconteceram por ai, nos sítios fora da cidade, nas casas de luxo, aquelas com piscina de espelhos, os casarões que ocupam 3, 4 ou 5 terrenos e que foram construídos de forma misteriosa, com dinheiro que ninguém sabe de onde veio mas, conquistado em espaços de tempo sempre igual ao espaço de mandatos.
Hoje tem muito mais vendedores de batata frita de que em qualquer outro tempo, mas também tem muito mais gente de que em qualquer outro tempo.
Acho que muita gente ainda lembra-se da festa de inauguração.
Foram tantos fogos, mas tantos fogos, tanta música, mas tanta música, tanta propaganda, mas tanta propaganda, que acho que até hoje tu, “lugar bonito”, ainda não esquecestes.
Não te iludistes, temos certeza, a festa não era para ti. Era para eles!
Já percebestes agora?
Mas é assim mesmo. Um dia, logo depois de uma eleição, haverá de ser diplomado um cara que entenda o povo e leve em consideração o que o povo gosta.
Nesse dia, então, serás recuperado, ganharás a majestade e atrairás mais gente humilde, mais pessoas que gostam ti, e, quem sabe, entre esses não estará um, pelo menos um, com diploma conquistado numa das eleições.

Alguns desses que tem o diploma agora, até que merece uma segunda chance, mas a imensa maioria, não merece mais nenhuma chance e deles, não demora, tu, “lugar bonito”, estarás livre para sempre.