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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O mimimi que testa a população brasileira.


Rodolfo Juarez
Estou impressionado com o mimimi a que estão expondo o povo brasileiro através de informes potencializados conforme interesse de quem deveria zelar pela boa informação e a informação que interessa.
Nestes últimos dias, grandes redes de comunicação se ocuparam em repetir notícias que não interessam aos leitores, aos telespectadores e aos ouvintes, gerando uma onde de respostas, através das redes sociais, com repulsa expressa e apoio desafiador, deixando o usuário do telefone celular ainda mais confuso ou simplesmente desacreditado daquilo que mais falam: o direito de fazer o que quiser com as palavras e com a mídia.
Os reclamos produzidos por emissoras de televisão invadem todos os locais do Brasil, até mesmo onde estão interessados apenas em ser informados e não na linha editorial adotada que simplesmente irrita pela repetição e desanima pela proposta.
Não é possível imaginar que a população brasileira pode ser manipulada pelas notícias, editoriais e reportagens, que deixa transparecer que tiveram os seus interesses prejudicados, muitos inconfessáveis, e que não interessam à população.
Também estão sem rumo jornais televisivos que procuram incutir conceitos na cabeça da população, ignorando a forte tendência que se apresenta como um tsunami e que pode enfrentar as notícias infladas por interesses outros ou, simplesmente, pela perda do protagonismo ou influência que  acostumaram a exercer no cenário nacional.
Faz tempo que a informação ganhou outros pilares, está muito mais disponível. Também a própria história recente ou mesmo aquela cujo registro inicial se deu há 50 ou mais, pode ser acessada com alguns cliques, trazendo para primeiro plano as comparações.
Se a imprensa inconformada com os rumos do Brasil está tendo prejuízo, que não use como escudo a Democracia e, também, a liberdade de imprensa, pois, o papel reservado para o verdadeiro jornalismo é o verdadeiro retrato dos tempos e não a propagando de um tempo que os interesses particulares querem.
Percebe-se que os resultados de agora não são os mesmos de outros momentos da história brasileira, quando alguns órgão de imprensa, criminosamente e não democraticamente, agiram para desmoralizar governos e pessoas, no sentido exclusivo de ver satisfeitos os interesses megalômanos de dirigentes de órgãos de imprensa que chegaram a demonstrar mais poder do que a própria Democracia, chegando a dizer que a ditadura  era necessária para endireitar o Brasil, escondendo que estavam, mesmo, interessados em acumular mais riquezas e mais poder.
Agora a situação é outra. O cenário é outro. Mesmo assim a irresponsabilidade se alia a insanidade para tentar produzir uma nação de idiotas.
A estrutura atual do povo brasileiro não permite que esse povo seja tratado como idiota, apesar de ainda ser grande o número daqueles que se acostumaram com a manipulação, com os favores e as promessas.
A parte da imprensa que se posiciona em guerra, não tem alcançado os seus objetivos. E uma guerra perdida causa traumas permanentes, a maioria no cérebro.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Macapá: a cidade que antecipou a população.


Rodolfo Juarez
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que, no dia 1.º de julho de 2019, Macapá superou a marca dos 500 mil habitantes, alcançando o total de 503.327 habitantes, a 22.º capital do Brasil em população, apresentando uma Taxa Geométrica de Crescimento anual (TGC anual) de 1,96%.
Esses números, segundo projeções feitas em 2010, estavam sendo esperados para depois de 2020 e, por isso sendo considerado um violento impacto nas condições estruturais da cidade e na qualidade dos serviços e do atendimento públicos oferecidos à população.
 As condições estruturais são sentidas principalmente na oferta dos serviços de saneamento básico, com déficit monumental na oferta da coleta e tratamento do esgoto sanitário, na oferta de água tratada, na coleta do lixo domiciliar, no sistema de transporte público, no serviço de drenagem de águas pluviais, na qualidade do sistema viário e, entre outros, nas dificuldades para a implantação da necessária mobilidade urbana, com a grande parte das moradias não tendo calçadas, meio fio e linha d’água.
Com relação aos serviços públicos oferecidos é significativo o déficit em relação ao sistema público de saúde, onde não existe complementariedade necessária dos serviços que começam no atendimento básico e alcança a média e alta complexidade.
A oferta de laboratórios de exames clínicos praticamente inexiste, delegando toda a atividade à iniciativa privada que deixa os mais necessitados sem atendimento o que é feito apenas nas campanhas ou por uma ou outra ação da prefeitura do município.
Está evidente que a cidade de Macapá precisa que seja elaborado e implantado um plano de desenvolvimento urbano. No momento está se vendo a verticalização da cidade sem a reserva de espaço de garagem para estacionamento e, na periferia, a cidade sendo cercada por condomínios que são implantados sem os estudos para o atendimento com transporte, serviços públicos e áreas próprias para o desenvolvimento empresarial onde os moradores possam trabalhar.
O sistema viário precisa ser avaliado, o exemplo está no que ocorre na Rodovia Duca Serra e esse problema pode ser comparado com vários outros, principalmente nos acessos com os bairros da zona norte e no gargalo do entroncamento para a Universidade Federal do Amapá.
Macapá também precisa definir áreas de expansão urbana. Nada indica que a cidade vá experimentar uma nova lógica com relação a imigração de pessoas adultas e suas famílias, isso quer dizer que a cidade vai precisar de mais sala de aula, mais postos de atendimento de saúde, mais áreas para morar e de grandes modificações no transporte urbano.
No momento Macapá, principalmente por falta de oferta de serviços públicos como saneamento básico, rendimento domiciliar, domicílios com internet, domicílios de alvenaria, densidade domiciliar, entre outros indicadores, ocupa uma das últimas posições quando o assunto destaca as melhores capitais para se viver no Brasil.
As eleições do dia 4 de outubro de 2020 não vão resolver nada disso. As atuais condições que o orçamento público oferece são muito limitadas e, a simples troca de prefeito não resolve. Um plano de desenvolvimento, muito trabalho e disposição, sim! Então mãos a obra.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Amapá marca passo enquanto a população cresce


Rodolfo Juarez
O Estado do Amapá já ultrapassou a marca dos oitocentos mil habitantes e a cidade de Macapá já supera a marca dos quatrocentos e cinquenta mil.
Números que exigem maior concentração de esforços e mais profissionalismo na solução dos problemas que vêm se acumulando desde quando essa unidade da Federação ganhou o status de Estado.
As eleições de 2018 são para o Amapá a mais importante de todos os tempos, não só pela realidade que está posta, mas pela necessidade de definir qual a estratégia de desenvolvimento que servirá de orientação para os próximos dez anos.
Estamos desacostumados de trabalhar com planos. Qualquer plano!
Deixamos tudo para ser resolvido sem a definição metas ou de referências que possam medir o desempenho da gestão pública. O que interessa para todos. As soluções são departamentalizadas, as ações são pontuais, quando são, e essa estratégia não tem oferecido resultados satisfatórios, tanto que os problemas de antes, continuam problemas de antes e sempre se cria novos problemas e isso em todas as áreas da administração do Estado do Amapá.
Não existe a capacidade de coordenar interesses, definir prioridades ou, pelo menos, indicar caminhos comuns, mesmo que as responsabilidades continuem separadas, divididas, ou individualizadas.
Prevalece a desconfiança, o atendimento pela metade, a satisfação imediata. Está muito difícil de trabalhar uma ação conjunta para que haja uma recompensa estável e duradoura para a população.
Os exemplos estão nos serviços prestados, onde a população já separa, no mesmo Estado, órgãos que funcionam e órgãos que não funcionam. Percebe que o coordenador geral que escolheu não coordena nada, está submetido, por uma série de circunstâncias às indicações de outros que, em tese, teria o mesmo interesse que o coordenador.
Nem os próprios auxiliares imediatos agem em nome de todos. Dá a clara preferência para agir em nome de grupos, às vezes responsáveis pela indicação para um cargo público chave na gestão ou para receber um gordo salário.
Foi assim que o Estado perdeu a distribuição de energia, está sem condições de melhora o serviço de distribuição de água, de coletar esgoto, de melhorar o sistema estadual de saúde, de dar condições para o sistema estadual de educação, a segurança pública se vira pelo profissionalismo e pela necessidade do cumprimento de rígido regulamento.
As obras paradas, a incapacidade de assumir qualquer plano municipal, prejudicam o ambiente urbano estadual e a insegurança nas regras ambientais locais freia o desenvolvimento do setor e de outros que lhes são diretamente dependentes e que tateiam nos labirintos burocráticos difíceis de serem superados.
Os administradores amapaenses, de todas as áreas, precisam descobrir a melhor forma de trabalhar em conjunto, de buscar o mesmo objetivo, pois, nesse momento o que menos interessa para a população daqui é a supremacia de um órgão sobre o outro, pois, sabe, que o setor mais frágil é aquele que precisa ser manter incólume, uma vez que a corrente é a mesma.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

População insatisfeita com os prefeitos

Rodolfo Juarez
A Legislação Eleitoral, depois da reforma, deu mais tempo para os partidos políticos e os candidatos ao cargos de prefeito, vice-prefeito e vereador analisarem as condições e se apresentarem ao eleitor.
Também deu mais tempo para o eleitor, desde agora, começar a imaginar o administrador ideal para os seus respectivos municípios. Afinal de contas, a grande maioria dos atuais mandatários alega dificuldades e falta de condições para governar.
Então, observar a situação dos que agora estão exercendo o cargo e a necessidade do município onde irá votar nos escolhidos para a Prefeitura e para a composição da Câmara Municipal, passa a ser uma obrigação para que os erros futuros não comprometam as administrações futuras.
O eleitor também é responsável.
Claro que os partidos, os candidatos e os apoiadores também são, mas o eleitor tem o poder de brecar qualquer candidatura que entende ruim para o momento dos municípios no Brasil, seja pela razão que for, inclusive aquelas alegadas pelos atuais detentores dos cargos.
Ainda há tempo. Não é muito, mas há.
A eleição acontecerá no dia 2 de outubro de 2016, quando haverá o primeiro turno de votação. Caso nenhum dos candidatos alcance a maioria absoluta dos votos válidos, então haverá segundo turno, entre os dois mais votados e está confirmado para o dia 30 de outubro de 2016.
Atualmente os munícipes, em regra, não estão satisfeitos com os seus prefeitos. A regra é a reprovação das administrações, mesmo assim alguns dos atuais prefeitos estão dispostos a concorrer à reeleição.
As notícias mais recentes indicam dificuldades concretas. Em Macapá o prefeito autorizou corte no próprio salário e ainda diz que tem que demitir auxiliares para poder enquadra-se à Lei de Responsabilidade Fiscal. Em Santana, um dos vereadores está pedindo a cassação do mandato do prefeito por não cumprir o passo-a-passou da gestão, não prestando contas dos exercícios anteriores que já estavam sob o seu comando.
Em verdade os municípios estão com muitas dificuldades, mas é real que algumas dessas dificuldades foram causadas pelos próprios administradores municipais que não conseguiram gerir, com eficiência, os recursos que ficaram à disposição dos atuais prefeitos em 2013 e 2014.
A safra de problemas é abundante e a forma escolhida para resolver estes problemas não foi a melhor, tanto que os prefeitos ou a maioria deles está encalacrada com a respectiva prestação de contas, ou obras ou serviços precisando de ajustes, todos os dias, para não tornar o município inviável.
A Proposta Orçamentária para o exercício de 2016 que já deveria estar em todas as Câmaras Municipais, ainda não estão sendo discutidas, mesmo depois de um mês inteiro decorrido depois da data final para apresentação, pelo Executivo, à respectiva Câmara Municipal.
O momento é propício para que as despesas públicas, seja dos municípios, seja do Estado, sejam vista  de tal maneira a romper o comodismo, uma espécie de desapega às tradicionais distribuições da receita pública, sem se dar ao trabalho de encontrar limites mais adequados para a realidade municipal e a realidade estadual.
É preciso reinventar o Orçamento Público, que deverá ser balizado por um programa de desenvolvimento que represente a vontade da população.

Chega de improviso ou de repetições que não vêm dando certo.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Segurança pública independente

Rodolfo Juarez
Outra vez está em debate a segurança pública que é oferecida à população do Estado do Amapá. Mais uma vez os índices “falam” despertando as interpretações contraditórias das autoridades. Interpretações cada vez mais confusas e que discutem o nível exagerado da violência que atualmente é registrado nesse estado.
Há de se reconhecer que as tentativas têm sido variadas, diversificadas, mas todas, entretanto, com um forte viés amador, que não permite a mutação da estrutura policial preventiva e nem se dá espaço para o desenvolvimento do que se tornou comum chamar a “inteligência da polícia”.
A vinculação ao Governo do Estado parece o maior problema.
Independentemente da força a que se esteja referindo, a educação policial está distorcida, com forte tendência a defesa do governo de plantão e não à população do estado.
Os comandos e as direções não se sentem à vontade para praticar uma política policial isenta, longe das amarras providenciadas pelo “rei” de plantão que, de vez em quando, está lembrando que quem nomeia e autoriza as promoções é o “chefe”.
Há um impedimento para que a sistema de segurança aja pelo interesse de todos e as questões que são de estado se transformam em questões de governo.
Seria diferente se as forças de segurança social (polícia civil, policia militar, policia federal, corpo de bombeiros) ficassem isento dessa gangorra do cargo de confiança. Afinal de contas a compreensão da segurança pública não pode depender do governador e o estágio atual, precisa que o sistema público de segurança procure o seu caminho, pois, os indicadores demonstram, claramente, que todo o sistema está sem rumo.
Infelizmente as comparações feitas com o sistema de segurança estaduais obrigam aos analistas a lançarem mão de dados extremos, inaceitáveis, mas que são reais e, mesmo horrorizando a população e os próprios comandos, não mudam de rumo e nem alteram a rotina.
As declarações intestinas feitas pelos dirigentes das entidades de classe, sindicatos ou associações, são esclarecedoras, mas, estarrecedoras quando são apresentadas as condições de trabalho dos profissionais do sistema, sejam dirigentes ou dirigidos.

A independência do sistema para a prática de uma política estratégica de interesse da população necessita que as corporações sejam claramente definidas na sua proposta de ação, atuando na defesa dos interesses da sociedade e não na defesa dos interesses, as vezes inconfessáveis, dos governantes de plantão. 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Macapá precisa de uma administração profissional

Rodolfo Juarez
A divulgação do total da população do Estado do Amapá e de quantos habitantes cada município tinha no final de 2013, além de ser um recado importante, é uma chamada para que todos prestem atenção no que está acontecendo.
No período entre o ano 2000 e o ano de 2013 o Estado do Amapá teve um incremento na população residente correspondente a 287.964 habitantes, equivalente a 54,07%, não uniforme entre os municípios, mas com a necessidade de análise social, urbana, administrativa e de desenvolvimento.
Esse número, em média, durante os 13 anos, cresceu 19.844 habitantes, relativamente um número que está muito acima do crescimento da população brasileira e que, por isso, precisa ser analisado, de forma detalhada, para que esse crescimento não se volte contra o equilíbrio que a sociedade local busca e espera.
A cidade de Macapá, nos últimos 13 anos, de 2000 a 2013, teve um incremento populacional médio de 11.843 habitantes por ano, o suficiente para exigir construção de 2.369 residências por ano o que equivale à disponibilização de 148 quadras, cada quadra com 16 lotes, no tamanho mínio (10m x 20m), necessários 29.600 m2 de área, além da parte reservada para os equipamentos urbanos como vias (ruas e avenidas), praças, parques e locais para construção de escola, posto médico e centro comunitário. Cálculo baseado em famílias com 5 membros.
Macapá, do ano 2000 ao ano 2013 cresceu de 283.308 habitantes (2000) para 437.256 habitantes (2013), correspondente à 54,3%.
Todos os 16 municípios amapaenses apresentaram crescimento da população. Todos sem exceção. Aliás, apenas o Amapá e Alagoas não tiveram município com encolhimento da população.
Esse registro também indica que a população está alcançando idades jamais experimentadas e que os idosos precisam, naturalmente, de ambientes onde possam ter melhor condição de vida, pelo menos equivalente àquele plus que está ganhando pela evolução dos dados sobre os quais não tem qualquer domínio.
Apenas para possibilitar melhor análise dos dados, é importante lembrar que, em todo o Brasil, 1.178 municípios (21% do total), nesse período entre 2000 e 2013, viram as populações encolherem.
No Estado do Amapá, o município de Pedra Branca do Amapari cresceu 220% e o segundo município brasileiro a apresentar esse crescimento populacional. Perde apenas para o município turístico de Rio das Ostras, no Estado do Rio de Janeiro, que viu a sua população crescer em 235,5%.
Essa situação está exigindo uma ação diferenciada dos agentes públicos no Amapá, principalmente aqueles vinculados ao Governo do Estado e às prefeituras municipais, para que, daqui a pouco, o problema não esteja completamente fora do controle.
O que está acontecendo em Macapá já é reflexo do tamanho do problema, com tamanho suficiente para mostrar que o Município, sozinho, não tem mais condições de resolver os problemas atuais, que estão com tendência de crescimento e assustando aqueles que deveriam resolvê-los.
Se os administradores do município de Macapá não equacionarem o problema até 2015 e mantendo a tendência populacional apurada pelo IBGE, muito provavelmente, os dirigentes não darão mais conta de resolver os problemas dos municípios.

É hora de começar debater abertamente a situação atual. Buscar descobrir os meios que poderão ser utilizados para resolver as questões e, principalmente, equacionar essas questões para serem resolvidas à longo prazo, sem a preocupação com os votos e com a implantação de uma administração profissional, onde o foco seja a população e os objetivos sejam os princípios urbanos e rurais verdadeiramente adequados aos municípios do Amapá. 

domingo, 4 de novembro de 2012

Caso CEA: Sobrou para a população

Rodolfo Juarez
Depois das eleições todas as atenções se voltam para os orçamentos de 2013. O Estado e as prefeituras municipais estão com os seus projetos da Lei do Orçamento Anual na Assembléia Legislativa e nas câmaras municipais, respectivamente.
O primeiro mês destinado à análise do projeto, que normalmente é usado para as leituras regulamentares, já terminou e, pelo menos para o público externo pouco se disse sobre as peças que foram enviadas pelo governador e pelos prefeitos.
Daqui a 50 dias tudo deverá estar decidido e todos se lembram dos problemas que aconteceram no ano passado, quando o Legislativo procurando marcar posição perante o Executivo, fazia questão debater todos os detalhes, chegando até a alterar a previsão da receita para 2012, considerada subestimada pelos deputados. Ao final a lei aprovada foi vetada, os deputados derrubaram o veto e o presidente da AL foi quem promulgou a Lei do Orçamento Anual para que ela entrasse em vigor.
Desta feita os deputados permanecem atrás da moita, esperando sabe lá o que, para então decidir sobre essa que é a mais importante Lei aprovada pelos deputados.
Como assessório ou penduricalho, desta feita ao orçamento deve ficar atrelada uma autorização para que o Estado contrate, por empréstimo, pelo menos um bilhão e quatrocentos milhões, para salvar o balanço da CEA e dar-lhe condição para que seja recebida pelo seu próximo dono.
Os deputados não estarão dispostos a diminuir a sua parcela de participação no orçamento do Estado para os próximos anos e contribuir para o pagamento da dívida que os dirigentes da CEA contraíram, com completa omissão do controlador - o Governo do Estado.
Também dirão que não podem contribuir para o pagamento da dívida que ficará devido ao empréstimo que vai ser autorizado, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas. Eles vão entender que não tiveram nada com o que aconteceu com a CEA que deixa de ser “nossa” para ser apenas do Governo do Estado.
Lá, no orçamento do Governo do Estado, será sentido todo o impacto. E o Governo deixará de melhorar os serviços que tem obrigação de prestar à população, por conta da retirada de significativa quantia para atender o pagamento das parcelas do empréstimo que fará para cobrir o rombo da CEA.
Está certo isso?
E será uma conta que, pelas previsões oficiais, será de longo prazo, onde até os contribuintes amapaenses que ainda não nasceram, nascerão devendo parcelas de um empréstimo, que pagará com o seu trabalho, feito para cobrir desmandos dos dirigentes de uma empresa que vai saber, pelo histórico, que um dia teve o Estado como controlador e gestões que a tornaram a empresa maior devedora que se tem notícia no Amapá.
Os municípios de Amapá, Calçoene, Oiapoque, Mazagão e Macapá também terão tirados dos seus minguados orçamentos, parcelas menores, pois, mesmo sendo minoritários, seus gestores nem tentaram negociar as quotas pelas quais são responsáveis.
O deputado Keka Cantuária, autor da proposta que levou o assunto para uma audiência pública no dia 30 de outubro, no Plenário da Assembléia Legislativa, se antecipou a todos e chamou todos os órgãos do Estado (Tribunal de Justiça, Ministério Público, Tribunal de Contas, Governo do Estado e a Assembléia Legislativa) à assumir, conjuntamente, a responsabilidade, considerando que a população amapaense vai precisar receber explicação de todos.
O deputado Keka, consciente do que está acontecendo, pediu perdão ao povo, aos correligionários, aos filhos e aos netos, inclusive aos que ainda não nasceram pelo enorme peso que terão que carregar, sabe lá por quanto tempo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O NÃO DOS PARAENSES

Rodolfo Juarez

Depois de um hiato provocado pela dúvida decorrente da possibilidade de divisão do Estado do Pará em três estados, as coisas devem voltar ao normal e os paraenses retomarem as suas atividades.
Por mais que a influência do plebiscito no ânimo dos paraenses fosse negada, era evidente a preocupação de todos: uns pela incerteza, por causa das perdas que poderiam resultar da divisão e outros, pelos ganhos que poderiam resultar caso a divisão territorial do Pará fosse confirmada.
Ao final deu praticamente a lógica – os paraenses, por larga margem de votos, disseram ao povo brasileiro que não querem a divisão do Estado.
De antemão já se imaginava que a resposta mais provável seria essa. Mesmo diante da vontade dos moradores do Baixo Tapajós ou das proximidades das minas do Carajás, pretendesse que o resultado fosse outro.
Mas o Pará, já faz algum tempo, vem trabalhando um amor incondicional pelo Estado e isso foi fundamental para que o resultado da vitória do “não” tivesse essa larga margem e, de certa forma, oferecendo condições para que o reagrupamento de idéias e de vontades seja mais tranquila e mais rápida.
Aqueles que se sentiram prejudicados pelo resultado certamente continuarão alimentando a idéia da separação, criando dentro do Estado, áreas que desejam independência e, no fundo, negam a própria condição de paraense.
O atual governo do Pará tem a responsabilidade de aproximar, um dos outros, aqueles paraenses que se enfrentaram, abertamente, na luta pela separação.
Não podem agora, aqueles que defendiam a separação alimentarem o confronto com as mesmas justificativas que foram derrotadas nas urnas; cabe, isso sim, a aceitação do resultado e o respeito à supremacia da maioria, muito embora não seja negado àqueles que pensam diferente a continuação do trabalho de conscientização.
Todas as sequelas que ficaram da disputa precisarão ser conhecidas e tratadas, pois, ao contrário do que é o normalmente esperado, a população pode sentir-se dividida e isso não será bom para ninguém.
A regra manda que os eleitores sejam consultados e isso é uma das melhores formas de saber a vontade da maioria.
Se os paraenses, como todos os brasileiros têm oportunidade de viver uma plena democracia e defender o respeito ao Estado Democrático de Direito, então, resta às autoridades do Pará e ao povo paraense, sempre lembrar que a maioria prefere o Pará como está – grande, mas unido.
Os políticos que imaginavam serem os futuros governadores dos dois novos estados da Federação terão que mudar as estratégias e mostrar ao eleitor paraense que querem, verdadeiramente, uma região forte pelo que pode produzir e fortalecida pelo conhecimento e discernimento de sua população.
A economia, a administração, a política e todos os outros entes próprios da proposta democrática que o País experimenta, precisarão ser equilibradas para confirmar a resposta da população.
Os eleitores também precisam entender e respeitar o resultado da sondagem, fazendo um esforço muito grande para compreender o que a população está pensando e procurar compreender também, a poderosa mensagem que carrega um “não” tão expressivo e tão decisivo.

sábado, 5 de novembro de 2011

O IDH E SEUS SEGREDOS

Rodolfo Juarez
A ONU anunciou para todo o mundo o IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, para os seus estados-membros e também para os poucos países que não fazem parte daquela organização.
Apesar das críticas que a apuração desses índices reflete, ainda é muito forte o reflexo das divulgações sobre a qualidade do desempenho do país em um determinado espaço de tempo.
Basta considerar os cumprimentos que a presidente Dilma Rousseff recebeu na França, onde estava para a reunião dos 20 países com economias mais forte do mundo e que representam quase 90% do PIB mundial.
Sair da posição 85 e chegar à posição 84 serviu para os nossos vizinhos uruguaios, argentinos e chilenos de um alento de que, com essa velocidade, as suas posições no ranking do IDH não estarão ameaçadas pelos brasileiros pelo menos neste século.
É inacreditável a resistência dos brasileiros.
Para sair da posição 85 e chegar à posição 84 o que mais pesou foi a longevidade, ou seja, a expectativa de vida que o brasileiro tem ao nascer. Nada de extraordinário se for considerada a garra desse povo que, mesmo contra as desvantagens características, avança vencendo situações inacreditavelmente difíceis.
Mesmo assim ainda é muito triste ver constatada a diferença dos IDHs entre os Estados brasileiros que tem um profundo fosso para ser vencido e aproximar um do outro, alguns até em regiões bem próximas.
Os nortistas e os nordestinos continuam sendo o lado mais sofrido do Brasil que tem dirigentes que teimam em colocar a culpa em agentes excepcionais que nada tem a ver com a realidade, mas tudo tem a ver com o desenvolvimento que sempre é protelado para essas duas regiões.
As dificuldades para os nortistas e para os nordestinos sempre são muito maiores e mais demoradas do que para qualquer outro regional brasileiro.
A parte do Brasil que fica próxima dos trópicos, além de contar com um clima naturalmente mais ameno, ainda conta com a proteção dos mandatários; os nortistas e os nordestinos têm que continuar enfrentando as mesmas dificuldades enquanto não forem sanadas todas aquelas dos irmãos que habitam a área tropical do País.
Também, do lado de cima, principalmente aqui por perto do Equador, não tem ninguém suficientemente forte que possa dar um grito e ser ouvido. A maioria deles está treinada para bater palmas, elogiar e agradecer pelas migalhas que caem, por acaso ou descuido, para o lado daqui.
Mas se a população do Norte e do Nordeste não conta com a competência dos seus dirigentes, conta com a proteção de Deus. O Pai de todos nós faz tempo, mandou avisar que dá o cobertor conforme o frio (ou o calor) e do tamanho que pede corpo.
Mas seria tão bom que os mandatários pudessem modificar a sua visão. Deixassem de ser meros expectadores do teatro da boa gestão pública e passassem a ser importantes atores do grande teatro da vida que incluiria o Norte e Nordeste na corrente de desenvolvimento.
As lamentações já vêm de muito. Se quiser tirar uma prova basta ouvir as canções de Luiz Gonzaga, perfeito intérprete dessas dificuldades. Quando essa situação for alterada, também será alterado o IDH de cada Estado, apesar do Amapá não estar tão mal colocado, o problema é que o nosso Estado está em queda, enquanto o Brasil está em ascensão. “Segura peão!”.

terça-feira, 3 de maio de 2011

A POPULAÇÃO DO AMAPÁ

Rodolfo Juarez
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) fez divulgar, no final do mês de abril, os números consolidados do Censo Geral realizado no ano passado.
Os números nacionais apontam o Brasil com 190.755.759 habitantes no final de 2010 que, quando comparados com o que foi apurado em 2000 (169.590.693), indicam que houve um crescimento populacional, no período, de 12,48%.
O Estado do Amapá, que tinha em no ano dois mil 475.843 habitantes, apresentou no final da consolidação da contagem, 669.526 habitantes, com um crescimento populacional, nos dez anos, equivalente a 40,70%, ou seja, 3,26 vezes maior do que foi registrado para o Brasil.
Essa é a questão e esse é o problema.
Como tratar, pela média, um Estado que ficou relativamente 3,26 vezes maior do que a média nacional?
Esse índice, alto demais, para o padrão de crescimento de qualquer estado ou de qualquer região, precisa de um tratamento especial para que não mexa demais com as condições locais que são tratadas pela média, isto é, todos os planos sociais para o Amapá serão tratados como se a população tivesse crescido como cresceu a média nacional, ou seja, 12,48%, mas na realidade, o crescimento bateu em 40,70%.
É uma questão que precisa ser levada em consideração em todos os planos, em todos os projetos e em todos os orçamentos.
São mais 134.280 habitantes no Amapá, que levou o estado a ficar acima da média nacional e que precisam receber o mesmo tratamento daqueles 59.043 habitantes que estão cobertos pelos planos de atendimento social, conforme o plano nacional.
Qualquer plano feito pelo Estado precisa levar em consideração esse crescimento. O mesmo acontece com os municípios. Em cada um dos 16 casos é preciso encontrar os índices que são resultados de análises semelhantes.
Esses números podem indicar, com aproximação segura, boa parte das dificuldades que estão sendo experimentadas, por exemplo, pela administração municipal de Macapá e de outros municípios que não estão conseguindo atender, com a qualidade mínima, às necessidades da população.
Cada caso precisa ser analisado tecnicamente e por profissionais que tenham preparo para equacionar os problemas e apresentá-los às respectivas administrações públicas para ajustar as regras locais e mostrar às autoridades nacionais o peso que estão com a responsabilidade de carregar e que não estou suportando devido superar a sua resistência econômica.
Para se ter uma idéia do que representa esse superávit de 134.280 habitantes, ele representa mais que a soma de 13 dos 16 municípios do Estado, quando fica separada a população dos municípios de Macapá, Santana e Laranjal do Jari.
Essa população, na prática, está sendo entregue pelo Brasil para que o Amapá cuide dela. E, é claro, que o Estado do Amapá não tem condições de cuidar de tanta gente se mantidas as mesmas receitas e as mesmas condições administrativas.
Compreender isso é uma obrigação de todos aqueles que são responsáveis pela gestão do Estado e o bem estar da população. Não compreender significaria aumentar a possibilidade de erros e ter que ficar impedido de agir com eficácia pelas desconsiderações com esses dados muito importantes para a satisfação social e para a eficiência das ações.
Nenhum plano poderá ser eficiente quando o foco das suas metas não está sintonizado com as necessidades da população.