A eleição do governador do Amapá e a dívida inflada do Estado
Rodolfo Juarez
Setembro de 2026
Os mais de 578 mil eleitores
aptos a votar, nas 1.931 sessões eleitorais, distribuídas pelos 16 municípios
do Estado do Amapá, estão em condições de ir às urnas para escolher o próximo
governador. Os
cinco candidatos começaram a falar o seu “plano de governo”, de forma mais objetiva,
no dia 16 de agosto, logo depois do encerramento dos prazos para as convenções.
A campanha começou mas continua
tímida, sem empolgar o eleitor, provavelmente pela falta de alternativa
objetiva para ser avaliada pelo eleitor, pois está quase certo de que a eleição
para governador do estado será plebiscitária.
Os candidatos e os eleitores
sabem que o Estado do Amapá enfrenta um cenário de endividamento que engloba,
tanto as finanças das famílias, quanto as contas públicas do governo do estado.
O endividamento das famílias e a
inadimplência é o maior problema e, mesmo assim os candidatos parece não quererem
tratar do assunto.
Cerca de 71% dos moradores de
Macapá, por exemplo, possuem algum tipo de dívida, acompanhando patamares
elevados de endividamento familiar, com destaque para o uso do cartão de
crédito.
Mais de 220 mil moradores da
capital estão com restrições no nome, refletindo um dos maiores percentuais de
inadimplência proporcional do país.
Além disso, tem o desemprego que
registra taxas expressivas no estado, quando juntado com o endividamento
excessivo e inesperados atraso de salários, a situação é apontada como um dos
principais motivadores do cacuri a que foi levado.
A situação fiscal do Governo do
Estado é preocupante, apresentando rombo volumoso no caixa, onde o próprio
governo estadual admite um déficit de quase R$ 1 bilhão (cerca de R$ 964,8
milhões) revelado depois de ajustes e retificações contábeis.
Com a justificativa de que a
conta era menor, em torno de R$ 536 milhões, e para lidar com ela o Estado
obteve um crédito de R$ 536 milhões, em empréstimo do Banco do Brasil com
garantia do Tesouro Nacional, isto é, se o Estado não pagar ao bando, conforme
o contrato, haverá desconto direto no que compõe a transferência de recursos da
União para o Estado.
A herança negativa e os
problemas econômicos e sociais estão à mostra aos candidatos para, depois, o
que assumir a cadeira 01 do Palácio do Setentrião não alegar que não
sabia.
