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sexta-feira, 24 de abril de 2020

A nova carta aberta dos governadores


Rodolfo Juarez
A Carta Aberta dos Governadores publicada no dia 18 de abril, sábado, não foi assinada por 7 dos 27 governadores de estado.
Na carta os governadores se dizem em apoio aos presidentes do Senado Federal e da Câmara Deputados, mas a preocupação é escamotear o comportamento do deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, pelos planos que tem arquitetado para colocar em conflito os poderes da República.
Certamente que o perfil de gestor do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, não clama por apoio oportunista de governadores, muito embora reconheça a importância do que podem fazer esses dirigentes estaduais na condução das necessidades ocasionais provocadas, nesse período especial da história brasileira e mundial, onde o coronavírus é a preocupação da vez, ainda sem um antídoto eficaz.
Os governadores mantêm a mesma tática de passados recentes, se aproveitando do sacrifício a que está submetida a população, neste momento, para exigir da União mais dinheiro para gastar em compras, sem contação de preço e sem licitação, o dinheiro que o povo entrega para os dirigentes nacionais e, também estaduais, na forma de tributos.
Sempre colocando a culpa pelos desmandos e pelas dívidas impagáveis no seu antecessor vão, os governadores de estado, mirando as reservas nacionais, em busca de mais dinheiro, comprometendo ainda mais o Tesouro do Estado e aumentando a dívida, já impagável para o povo, resultado dos artifícios dos governantes.
Agora, estão ninando o deputado Rodrigo Maia para endossar as pretensões dos gestores estaduais que querem dinheiro mas não querem assumir qualquer compromisso que reverta o quadro de dificuldade presente em muitos estados, repercutindo diretamente na população.
A carta é do tipo “morde e assopra”, ou “eu disse mais não disse”, quando afirmam, no documento, que “não julgamos haver conflitos inconciliáveis”, ou quando afirmam ser “fundamental superar nossas eventuais diferenças através do esforço do diálogo democrático desprovidos de vaidades”.
A Carta Aberta é encerrada com a declaração de que a “saúde e a vida do povo brasileiro devem estar muito acima de interesses políticos, especial nesse momento de crise”.
Mas quem falou, em algum momento de “interesse político”?
O governador do Estado do Amapá assinou a carta. Se perguntar para o governador do Amapá porque ele assinou a carta, ele não sabe. E se responder alguma coisa, vai para a justificativa de sempre: falta de recursos para atender o sistema de saúde do Estado.
O sistema de saúde do Amapá, há tempo, vive uma crise indomável que desafiou todos os secretários de estado da saúde do Governo do Amapá. E não foram poucos os secretários que viram ser responsabilizados por atos de improbidade dos quais não participaram, mas foram acusados depois de avocado a teoria do fato.
Mais uma vez se observa o oportunismo dos governadores. Aproveitando a ocasião da pandemia para justificar as suas verdadeiras vontades e, ainda fazem tudo isso, afirmando que estão preocupados com a saúde do povo.
Revelam suas tendências autoritárias quando escolhem governar por decreto, e se valendo da dispensa de licitação para comprometer o dinheiro do contribuinte em compras emergenciais. Unem-se para tratar de estratégia de como agir em grupo, através de um fórum deles mesmos, onde falam para o espelho, e maquiam-se para afirmar que falam a verdade.

domingo, 29 de março de 2020

A reveladora Carta dos Governadores


Rodolfo Juarez
Os governadores dos estados brasileiros reuniram-se, no dia 25 de março de 2020, quarta-feira passada, com a justificativa de que “foram convocados por suas populações” para agir na contenção do ritmo de expansão da Covid-19 nos limites dos seus respectivos territórios. Na carta identificam o novo coronavírus como “um adversário a ser vencido com bom senso, empatia, equilíbrio e união”.
Contendo a síntese da reunião, os governadores divulgaram logo depois do término do encontro uma carta, sem destinatário, com três grupos de pedidos, todos focados em um único objeto – dinheiro -, tendo na mensagem três redações diferentes, sem comprometerem-se com qualquer tipo de meta, inclusive física, que oportunizasse aos órgãos de controle de gastos públicos, avaliar a eficácia dos gastos que os governadores fariam no enfrentamento do “adversário a ser vencido”.
O que causou estranheza foi a parte da carta que afirma que os governadores consideram essencial a liderança do presidente da República e a parceria com eles, mais os prefeitos e chefes dos demais poderes, sendo que estes últimos não participaram da reunião ou para ela foram chamados.
Identifica-se uma confusão de objetos na proposta dos governadores, pois, no mesmo parágrafo que alega que a “doença altamente contagiosa deixará milhares de vítimas” afirma que a decisão prioritária “e a de cuidar da vida das pessoas”. Não estima o número de vítimas e muito menos o número de pessoas que terão a vida cuidada por eles.
Alegam, também, que o pedido de apoio é urgente e são os mesmos já feitos em outra carta, assinada per eles mesmos, em 19 de março de 2020.
Como dito anteriormente, o centro da questão é dinheiro. Alegam que para fazer o que disseram, em regra, no plano de governo apresentado no dia do pedido de registro de sua candidatura, durante a campanha e no dia das respectivas posses, precisam de dinheiro, muito dinheiro.
Para fazer as suas obrigações, aquelas que dizem “convocados por suas populações a agir”, os governadores dizem não ter dinheiro, que os estados estão “quebrados” e querem: a) suspensão do pagamento da dívida dos estados com as organizações nacionais e internacionais; b) permissão para utilizar o FPE e ICMS como garantia para operações de crédito nacional e internacional; c) alongamento, pelo BNDES, de prazos e carências; d) viabilização emergencial e substancial de “recursos livres” aos estados; outros, mas tendo como foco mais dinheiro.
Assim são os governadores dos estados da Federação Brasileira. Exatamente como já descrito noutros momentos. São oportunistas, sem criatividade, dependentes completos da União, ambiciosos, sem qualquer reserva para emergência, sem crédito com o empresariado do respectivo estado e acostumado a botar sua culpa na costa do primeiro que aparecer.
As qualidades que elegem como fundamentais para vencer o novo coronavírus são: bom senso, empatia, equilíbrio e união.
Se essa escolha foi a melhor, então o “o adversário a ser vencido” já venceu. Não há como reconhecer nos governadores dos estados, com raríssimas exceções para justificar a regra, quaisquer dessas qualidades e nem mesmo outras como: sinceridade, honestidade, vontade de fazer, responsabilidade, confiança dos funcionários, entre outras que o momento exige.
São, isso sim, politiqueiros, descomprometidos, engessados e sem iniciativa, mas arrogantes e ambiciosos.