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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Propostas de Governo que nada (ou muito) dizem


Rodolfo Juarez
A legislação eleitoral adota, para os cargos majoritários plenos de presidente, de governador e de prefeito, a obrigatoriedade dos candidatos, todos eles, apresentarem, no momento do pedido do registro de candidaturas, a sua proposta de governo.
Não diz mais nada. Não definindo diretriz ou forma obrigatória, bem como o tamanho da proposta ou o nível de detalhe que deva conter para conhecimento do eleitor que, assim, poderia ter um instrumento de cobrança do anunciado na proposta.
Acredito que deveria ser uma peça simples, sem todas as justificativas técnicas que deva ter um plano, este sim, elaborado por técnicos, com fundamentos teóricos que pudesse ser apresentado como instrumento que fosse dar diretriz à administração.
Sem limites e sem exigências os candidatos aproveitam para mandar fazer uma listagem de vontade, sem qualquer referência com a realidade ou a elementos que possam modificar essa realidade, dentro do período da gestão, sem qualquer respeito com  o que pensa o eleitor.
Por isso os problemas políticos entre os candidatos ganham espaço nas propostas de governo, principalmente entre aqueles em que um sucedeu o outro, como no caso do candidato do PDT (que está no governo) e o candidato do PSB (que foi antecedeu o atual governo). Neste caso a proposta de governo vem mais como informação de problemas administrativos herdados e apresentados conforme a conveniência política.
Na proposta de governo do candidato Waldez Góes (PDT), logo na apresentação, no terceiro parágrafo, reclama e acusa: “Este não foi um mandato fácil. Recebi o governo do Amapá com uma dívida pública de quase R$ 6 bilhões”. Ora, isso está dito em um espaço que poderia estar reservado para dizer, por exemplo, o que vai fazer com a CEA, ou com a CAESA, ou com a GASAP, mas prefere reclamar do mandato anterior àquele que está exercendo e que terminou em 2014. Por que só agora?
O troco do adversário político e concorrente ao mesmo cargo de governador do Estado vem na Proposta de Governo do PSB quando, também no terceiro parágrafo do documento (1.ª folha) destaca: “O Amapá vive hoje um caos administrativo, servidores recebem salários parcelados, benefícios sociais deixam de ser pagos, levando aqueles que mais precisam à extrema pobreza, nas escolas falta merenda e segurança para a comunidade escolar”.
Seguindo, o candidato do PSB comenta no que seria uma proposta de governo: “O estado ostenta níveis vergonhosos de qualidade de vida, com graves problemas nas áreas de saúde e segurança pública”.
Esses informações interessam muito mais aos procuradores e promotores  Ministério Público do Estadual, aos deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Estado e aos conselheiros do Tribunal de Constas do Estado, a qualquer tempo, do que ao eleitor durante ao período da eleição.
Isso é apenas uma mostra de como dois candidatos ao cargo de governador do Estado cumprem a obrigação legal de apresentar uma proposta de governo quando da apresentação do rol de documentos pedindo o registro de candidatura.
Como vai tratar o problema do desemprego no Amapá, o maior do Brasil relativamente? Isso não é sequer referido;
Como entender a última posição que o Amapá ocupa na escala Ranking da Eficiência dos Estados, como o estado mais ineficiente do Brasil?;
A questão dos serviços de saúde pública, da segurança pública, da CEA, da CAESA, da GASAP, do tamanho da Administração Estadual, entre tantas outras importantes medidas, como vão ser cuidadas?

quarta-feira, 13 de junho de 2018

A proposta de governo não é levada a sério


Rodolfo Juarez
Os pré-candidatos ao governo do Estado do Amapá já devem estar preparando sua proposta de governo.
Trata-se de um item obrigatório para ser apresentado ao partido político ou coligação que o indicará em convenção para disputar o cargo, devidamente digitalizado e junto ao pedido de registro da candidatura.
Desde quando a proposta de governo passou a ser item obrigatório na documentação do pedido de registro candidatura para governador, que os candidatos se propuseram a construir a proposta a partir de especialistas, na maioria das vezes não conectados com o eleitor ou com a população e, por isso, com conhecimento teórico (para quem tem) e empírico para os “adivinhões” das necessidades do povo.
Tem se repetido propostas de governo impossíveis, irreais, longe da realidade da população e de suas necessidades.
Tenho a impressão que o postulante ao cargo de governador que não se aproximar das massas jamais terá condições de entender que o povo quer e, em consequência, o que o terá que fazer no governo.
O eleitor que tivesse tempo poderia pesquisar no site do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá as propostas de governo apresentadas pelos últimos candidatos, inclusive aqueles que foram eleitos, para observar a distancia que ficou a proposta de governo da gestão que realizou com seus aliados.
Uma peça tão importante como a proposta de governo não poderia ser ignorada como é, exatamente pelos seus autores. Propõe atividades e investimentos que não são prioridades para a população, mesmo em um estágio em que, quase tudo o que for proposto tem espaço e cabimento.
Queria ver nas propostas do modo de governar a indicação de que seria adotada uma espécie de paridade estadual, onde todos os municípios, proporcionalmente, receberiam as atividades e os investimentos do Estado, definidos pelo contribuinte, o único responsável pela sustentação das finanças do Estado, de suas próprias esperanças, mas, também, a mordomia e os gordos salários dos governantes, dos seus colaboradores e de suas ambições.
Queria ver nas propostas a disposição de fazer com que os investimentos fossem definidos em assembleias populares, com conhecimento antecipado de tudo o que seria feito, quanto custaria e quando estaria pronto.
Queria ver também nas propostas a disposição em diminuir os custos com a máquina pública, diminuindo o número de órgãos, alguns criados para atender necessidades de aliados ou para dispor de condições para responder àqueles que não entenderam que campanha é campanha e que governar é diferente.
Não queria ver a proposta como se fosse apenas um documento para cumprimento de exigência para registro de candidatura, sem argumentos convincentes e longe da realidade da população do Amapá.
Não queria ver a proposta cheia de números e argumentos copiados de livros e que são feitas, apenas, para cumprir uma exigência.
Cuidar para que a proposta para governar o Estado seja adequada à realidade, além de ser uma obrigação, teria que ser uma referência verdadeira, sem as fantasias que são frequentes na maioria das que foram até agora apresentadas.
Dá para fazer certo!
Mas é preciso começar logo para que os erros sejam minimizados. A verdade e a sinceridade dos candidatos ao governo do estado precisam ser medidas a partir da proposta para governar.