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domingo, 2 de agosto de 2020

Sem perder a linha e a fé


Rodolfo Juarez
O tradicional mês das férias está encerrando nesta sexta-feira, dia 31 de julho. Este ano está se caracterizando pelo cancelamento dos grandes eventos que são “propriedades” do povo.
O Macapá Verão, que é um desses eventos, foi escolhido pela gestão do atual prefeito de Macapá para ser uma das marcas da sua administração, ficou no silencia. Sempre uma época agitada, com muita gente falando alto, correndo de um lado para o outro ou simplesmente se protegendo do sol escaldante, próprio do Equador Macapaense.
Neste verão das férias tudo foi muito diferente. Uma diferença que deixa as suas sequelas, principalmente para os negócios dos pequenos empreendedores que esperam esse período para garantir melhoria na sua qualidade de vida, morando em Macapá ou Distrito da Fazendinha.
Os negócios foram fracos pela ausência dos frequentadores, obedientes que foram às autoridades que recomendaram, para o período, que ficasse em casa, e evitassem aglomerações, mantendo o isolamento social.
Seria o último trabalho no Macapá Verão do atual prefeito de Macapá, que sempre apoiou o evento dando condições, dentro dos limites do Tesouro do município, para que os locais fossem minimamente atraentes e que pudessem dar um mínimo de conforto, especialmente para as famílias mais pobres que sempre estão dispostas a viver aquele que é o maior evento do verão, ou período sem chuva, em todo o município de Macapá.
Nesse tempo também é muito movimentado o Curiau, com suas comidas típicas e banho perto. Este ano também não tem, como não acontecem para os veraneios do Lontra, de São Joaquim, do Curicaca e de outras terras de particulares aproveitadas para atrair os visitantes, como nas regiões de lagos acessadas a partir da BR-156.
É o grande desafio para compreender o momento!
Não adianta rebelar-se, arriscar-se ou ignorar a realidade. Desta feita o vírus invisivel não permitiu também o divertimento da população. Está obrigando aos precavidos que fiquem em casa, experimentando um Macapá Verão diferente, que exige muito cuidado, no mínimo redobrado, para que não desafie o agressor que já levou tanta gente para a sepultura.
Podemos dizer que estamos no momento mais delicado de todo o processo. Sair do alcance do novo coronavírus é o principal objetivo de cada um. Portanto desafiá-lo e arriscar o poder de ataque que tem o vírus não é indicado para ninguém.
O sol está ai. Nasce, como sempre, para todos. Não deixe que um exagero ou descuido dê oportunidade para receber um ataque, na maioria das vezes sem perceber qualquer coisa diferente.
Não resta qualquer dúvida que o preço que a população está pagando é muito alto. Não é exagero de ninguém quando algum de nós fica sem saber o que fazer e entediado, querendo “sabe-se lá o que”.
Mas é preciso ter paciência, compreender o que está acontecendo, entender a lógica desse tempo e proteger-se sempre das armadilhas que estão espalhadas pelo nosso caminho, pronto para prender-nos e, não adianta duvidar, pode nos reter definitivamente.
Assim é esse tempo. Claro que não o escolhemos para viver, mas temos que vivê-lo sem perder a linha e a fé.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Os pré-candidatos de primeira viagem

Rodolfo Juarez
As eleições de 2020, depois da Emenda Constitucional 107, tiveram as datas dos dias de votação adiada por 42 dias para a realização do primeiro turno, quando serão eleitos 174 vereadores em todo o estado, 16 prefeitos e 16 vice-prefeitos. A única possibilidade de segundo turno é no município de Macapá, com mais de 200mil eleitores aptos a votar, e como certa a troca de nome do prefeito atual, Clécio Luis.
É importante considerar que ainda há a possibilidade, destacada na Emenda Constitucional, que a critério do Legislativo, pode ser alongado o prazo da eleição até, no máximo, o dia 27 de dezembro em caso do cenário da pandemia não permitir a realização da eleição no dia 15 de novembro.
A eleição para vereador é considerada pelos cientistas políticos como uma das mais importantes das realizadas no Brasil. É nesta eleição que, em regra, emergem as lideranças políticas do futuro.
Assim, a eleição para vereador, que não admite coligação de partidos, os atuais pré-candidatos podem ser divididos em dois grupos: um formado por pré-candidatos com alguma experiência e aqueles com experiência; e outro grupo formado por candidatos novos, aqueles que ainda não disputaram uma eleição.
Eu quero destacar, aqui, exatamente esses candidatos novos.
Os candidatos novatos ao cargo de vereador podem ter melhores performances a partir de algumas condicionantes, que precisam ser vencidas para que alcance o esperado número de votos que o levem a ocupar uma das cadeiras da câmara de vereadores do município, entre outras que podem ser aproveitadas pelo pré-candidato.
Antes de qualquer coisa o pré-candidato já sabe que teve que filiar-se a um partido político. Naquele momento da filiação, o pré-candidato novato deve ter lido o Estatuto do partido que escolheu. Senão fez, leia-o. Os novatos têm a impressão ou a informação de que os partidos políticos usam sempre a mesma estrutura estatutária. Isso não é verdade. Cada partido tem um estatuto onde as regras são definidas conforme os interesses do partido, além de ter um conteúdo programático para ser seguido e lideranças consolidadas para com as quais precisa conversar, e muito...
Nesse momento, que antecipa a realização das convenções que estão confirmadas para o período entre 31 de agosto a 16 de setembro, o pré-candidato novato tem que identificar e conversar sempre com as lideranças partidárias para que não lhe deixe fora dos candidatos do partido. Não devem pensar que essa situação não pode acontecer. Já aconteceu, e muitas vezes;
O pré-candidato novato também deve saber que precisa ter condições para disputar a eleição. Condições financeiras, disponibilidade de tempo e equipes de rua para enfrentar as equipes de rua dos adversários tanto de outros paridos como dos pré-candidatos que disputam com você a mesma vaga no seu partido.
Qualquer pré-candidato – e o novato também -, precisa definir um plano de ação para chegar até o eleitor sem cometer crime eleitoral ou sem ferir as regras da eleição, senão pode acontecer de, mesmo ganhando a vaga, perde-a por erro de procedimento.
O pré-candidato novato precisa ter propostas claras do que pretende fazer caso seja eleito vereador pelo município onde tem domicílio eleitoral. Não adiante chegar, pessoalmente, ao eleitor ou através de colaboradores de campanha sem apresentar uma proposta que convença ao eleitor de que você é o candidato em quem vai votar. Pode não parecer, mas a relação é muito profissional entre o futuro candidato e o eleitor em condições de voto em 2020.
E não esqueça que seus principais cabos eleitorais são seus familiares.

sexta-feira, 24 de julho de 2020


O BRASIL PRECISA DE PAZ
Rodolfo Juarez
Desde quando Jair Bolsonaro assumiu a Presidência da República, depois de um cenário caótico imposto pela Operação Lava Jato se propondo a desvendar, com forte viés midiático, as supostas irregularidades havidas durante os governos dos presidentes Lula, Dilma e Temer, que o Brasil passou a viver um dilema: de um lado o presidente votado e aprovado nas eleições de 2018 e, de outro lado, aqueles que se diziam injustiçado pela escolha feita pelos eleitores brasileiros.
Esse dilema foi acirrado quando o novo governo, comandado por Jair Bolsonaro, chamou para ministro da Justiça e Segurança Pública o juiz Sérgio Moro, uma das principais referências da Lava Jato, que já havia condenado o ex-presidente Lula e conseguido, com mudanças na interpretação da Constituição Federal pelo Supremo Tribunal Federal, levá-lo ao cárcere.
O inevitável embate atraiu parte da grande imprensa concentrada no sul do Brasil e avolumou a participação das redes sociais, aquela mesma que havia sido responsável pela eleição do presidente e, em consequência, combatido os modos adotados pelos governantes que tinham vindo imediatamente anterior.
Entre aqueles da grande imprensa, que aderiram ao processo de confronto estava e está a Rede Globo, que vinha de um processo que sempre deu certo em outros governos, como no caso da presidente Dilma, onde se constituiu uma espécie de porta-voz da população e dos outros poderes da República que a levou ao impedimento de continuar governando o Brasil.
Os confrontos entre a emissora do plinplin e o então candidato à Presidência da República aconteceram desde a campanha no programa símbolo da emissora, o Jornal Nacional. Como o candidato Jair Bolsonaro decidiu não participar dos debates políticos na televisão, restou à Rede Globo de Televisão fortalecer as entrevistas com os candidatos.
Estas entrevistas acabaram sendo um momento de confrontos e de ásperas discussões de problemas dos dois lados: um candidato desconhecido e uma rede de TV acostumada a ser protagonista exclusiva das discussões nacionais.
Aqueles momentos acabaram funcionando, ao ver do eleitor, de forma contrária aos resultados normalmente esperados pela emissora.
Vieram as eleições em primeiro e segundo turnos e o candidato “rebelde” acabou vencendo com uma votação espetacular, certamente havida muito mais pela fragilidade do adversário do que pelo potencial do vencedor.
Desde o primeiro dia do Governo o confronto entre o presidente e a emissora de TV acirrou agora contando com outros veículos da imprensa escrita. Mesmo assim as redes sociais deram a resposta ao ponto de profissionais, que nada tinham a ver com a abriga entre os dois, serem agredidos em pleno desenvolvimento do seu trabalho.
Veio a pandemia e, ao invés de servir como instrumento para a união, serviu para aumentar a dissensão entre os dois adversários de primeira hora, com reais prejuízos para ambos.
As intervenções de terceiros não funcionaram, mas serviram para mostrar que o Brasil não pode ficar à mercê de um grupo midiático ou de uma administração sem escancaramento do que faz.
Os prejuízos acumulados devem ser compensados com a inteligência das pessoas e o equilíbrio da mídia, mesmo que para isso seja definido legalmente, até onde pode ir cada um com suas intransigências e com as suas raivas ou preconceitos.
O Brasil precisa de paz!
O povo brasileiro pede espaço para que todos se ocupem com o progresso e com a qualidade de vida da população.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Dois modos para o desenvolvimento local marcando passo


Rodolfo Juarez
A infraestrutura física de módulos próprios para o desenvolvimento econômico, isso em qualquer regime e em qualquer país, precisa de cuidados permanentes, principalmente dos representantes do povo em cargos públicos, para concretizar o próprio desenvolvimento e, como consequência, a melhoria da qualidade de vida da população.
A população do norte do Brasil tem sido sacrificada, com raras e honrosas exceções, por uma espécie “deixa pra lá” no tratamento da infraestrutura por parte das autoridades no que seria elo importante no desenvolvimento das questões dos portos, tanto para atender a navegação regional, como de cabotagem, como a navegação de longo curso, prejudicando as iniciativas de exportação a partir da norte brasileiro.
Outro descuido, este muito mais concentrado no Estado do Amapá, acontece com outro módulo importante da infraestrutura pra o desenvolvimento – as rodovias, tanto federais como estaduais.
O caso emblemático da BR-156, uma rodovia federal que este mês completa 88 anos que foi iniciada, se constitui na rodovia como maior tempo de construção no Brasil e que só o gasto em manutenção supera, em muito, os custos para a sua conclusão.
Lembre-se que, em manobra administrativa, oportunista e visando comprovar “realizações” não realizadas por iniciativa que continua no anonimato, se coincidiu trechos, das duas rodovias federais no Amapá (BR-156 e a BR-210) e, além disso, se deslocou o marco zero da Rodovia BR-156 para dentro da cidade, no intuito de aumentar o tamanho do trecho asfaltado em determinado momento.
Esta manobra confunde tudo até hoje e deixa ao esquecimento o verdadeiro trecho da BR-210, a Perimetral Norte, que teria o marco zero na entrada de Porto Grade e seguiria para fazer o Arco Norte, até Boa Vista, em Roraima.
Portos e rodovias no Brasil são dois modos da infraestrutura por onde caminha a economia e que no Amapá estão esquecidos, ou sendo mal alimentados tanto administrativamente como politicamente.
O desconhecimento da realidade desses módulos (portos e rodovias) é uma realidade lamentável, pelo descaso dos agentes públicos em declarar a sua imprescindibilidade e urgência.
Recentemente a notícia da conclusão do trecho da BR-163, trecho entre Sinop, no Mato Grosso, e Miritituba, no Pará, trecho pronto e inaugurado em junho pelo residente da República, acabou repercutindo por aqui, com pronunciamentos na imprensa de políticos e de analistas, de maneira distorcida que só confundiu a população e não escamoteou a realidade.
É importante lembrar que a BR-163 é uma rodovia longitudinal das mais extensas do Brasil, com mais de 3.400 km, com o marco zero em Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, e chegada a Santarém, no Pará.
O Porto de Macapá, em Santana, administrado pela Companhia Docas de Santana, que tem a concessão para essa administração, foi planejado e construído para ser um porto de contêineres e, por isso tem na sua infraestrutura um dos maiores pátios da região, mas apenas construído dois cais de atracação, sendo que um deles está com a construção pela metade.
A concessão do Porto de Macapá, em Santana, para município de Santana foi assinado em dezembro de 2002 pelo ministro dos Transportes e o prefeito de Santana, com duração 25 anos, podendo ser renovado por mais 25, ou seja, em dezembro de 2027, daqui a sete anos, ou renova a concessão ou devolve o porto para a União.
Isso quer dizer que dos dois modos do sistema de transporte, um está inacabado (faltando asfaltar 50 km entre Macapá e Santana), sem contar com as necessidades urgentes de manutenção em sua pista de rolamento, principalmente no trecho entre Ferreira Gomes e Tartarugalzinho; e outro está precisando também de conclusão ou se tornará útil para o desenvolvimento local. Assim, corre o risco de se transformar em um grande problema e ser devolvido à União, o que seria um grande erro.

sábado, 18 de julho de 2020

Novo endereço


Rodolfo Juarez
Eu ainda não havia informado aos leitores desta coluna que fui mudado do endereço onde sou submetido às sessões de hemodiálise, para enfrentar as dificuldades orgânicas devidas aos meus rins terem entrado em colapso suficiente para não fazer o papel que tinha no funcionamento de todo o meu organismo.
As sessões que era feitas no quarto turno na Unidade de Nefrologia do Hospital de Clínicas Alberto Lima, na Avenida FAB passaram a ser feitas na Uninefro Amapá, clinica de nefrologia situada na Avenida Procópio Rola, 1315, uma clínica especializada contratada pelo Governo do Estado.
O ambiente atual é novo, sendo que os profissionais médicos são os mesmos que atendem ou atendiam na Unidade de Nefrologia do HCAL, bem como a maioria dos profissionais enfermeiros e técnicos em enfermagem, também conhecida e que trabalha ou trabalhou na clínica de nefrologia do Hcal.
Conforme estudos levantados e práticas vividas, tenho formada a concepção que as sessões de hemodiálise são necessárias, mas resultando em menor eficiência do que o trabalho feito pelos rins, com o agravante de provocar a afetação de outros pontos da saúde da pessoa com o trabalho mecânico, trazendo manifestação de deficiência em outros órgãos do corpo, responsáveis, por exemplo, pela anemia e a diabete, com repercussão na pressão arterial, no pulmão e no coração.
O acompanhamento precisa ser qualificado, especialmente no que ser refere à alimentação que, não obstante a essa constatação, o atendimento não é individualizado e nem acompanhado, provavelmente pela disponibilidade de pouquíssimos profissionais de nutrição para fazer esse acompanhamento.
A Clínica Uninefro Amapá conta com 32 máquinas em um salão dividido em 4 ambientes, com oito máquinas em cada, com uma das máquinas destinada ao paciente daquele horário. A capacidade é de 4 turmas de 32 pacientes cada, em quatro horários diferentes, dois pela manhã e tarde de segunda, quarta e sexta; e dois pela manhã e tarde de terça, quinta e sábado. A clínica ainda conta com áreas de atendimento isolado.
Eu estou no horário da tarde (13:00 às 17:30) de segunda, quarta e sexta.
Essa experiência me tem levado a estudos sistemáticos para o enfrentamento da questão com um mínimo de conhecimento.
Tenho presenciado muitos problemas durante esse tempo que já somo fazendo hemodiálise, alguns destes problemas não foram estancados pela equipe e o paciente acabou sendo internado no Hospital do Pronto Socorro de onde não voltou.
A novidade, agora, na Uninefro Amapá é que os acompanhantes do paciente não podem entrar, independentemente da condição física dos que vão à hemodiálise. Os próprios paramédicos servem de acompanhantes para os cadeirantes e para aqueles que têm dificuldade de locomoção.
A atenção médica, durante a sessão, é a mesma que já experimentava na Unidade de Nefrologia do Hcal. Até agora não foi aberto espaço para consulta, conhecimento e avaliação, com o paciente, da evolução ou involução do seu quadro clínico.
Já o atendimento dos paramédicos é dificultado pelo número disponibilizado de profissionais. Para se ter uma ideia, já foi adotada a estratégia de manter apenas dois técnicos em enfermagem para cada oito pacientes. O que não é recomendado devido de vido à questões práticas na ocasião do desligamento. O processo passa a ser uma corrida que coloca em risco a qualidade do serviço, pelas múltiplas operações que são atribuições dos paramédicos, o que, em consequência provoca problemas recorrentes e a espera demasiada dos pacientes para a finalização dos serviços.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Rodovia Federal BR-156: A cada verão renasce a esperança de conclusão


Julho: o mês em que a Rodovia BR-156 completa 88 anos em construção.
Rodolfo Juarez

Mais um verão que chega abrindo as comportas das oportunidades para que se complete a construção da BR-156, tramo norte, esta que é a rodovia federal com mais tempo de construção em todo o Brasil.
Imaginada para ser o principal meio de indução do desenvolvimento do Estado do Amapá, acabou se transformando no principal empecilho para esse mesmo desenvolvimento, desenhado nos primeiros planos de interiorização do progresso na área geográfica, primeiro do Território Federal do Amapá e, depois, do Estado do Amapá.
A proposta dos primeiros idealizadores da construção daquela rodovia indicava que mais da metade do território dentro dos limites do agora Estado do Amapá, teria na rodovia o seu principal vetor para implantação do progresso nas áreas que estão sob o domínio dos municípios de Macapá, Porto Grande, Ferreira Gomes, Tartarugalzinho, Pracuúba, Amapá, Calçoene e Oiapoque.
Um seminário realizado pela Associação Comercial e Industrial do Amapá, em fevereiro de 1999, que contou com a participação do empresário Walter do Carmo, do agrimensor Amaury Farias e do jornalista Hélio Penafort, que palestraram e deram um verdadeiro testemunho, quando da apresentação do painel “Histórico do BR-156”, possibilitando aos técnicos do Governo do Estado e do Governo Federal, presentes no evento, uma visão bem próxima do que consideraram uma verdadeira epopeia vivida durante os mais de 45 anos de trabalho na rodovia.
Walter do Carmo narrou que os trabalho de construção da Rodovia BR-156, tiveram início no mês de julho de 1932, sob o comando do Marechal Cândido Rondon, ficando paralisada no km 9 até o ano de 1945, quando foi retomada a sua construção pelo primeiro governador do Território Federal do Amapá, Capitão Janary Nunes. Em 17 de setembro de 1952 os primeiros tratores chegaram a Calçoene e, em dezembro de 1956, na localidade de Lourenço. Em julho de 1964, foram retomados os trabalhos de construção da rodovia e, em 28 de dezembro de 1970, quando governava o Território do Amapá, o general Ivanhoé Gonçalves Martins, foi consolida a ligação pioneira do Rio Amazonas com o Rio Oiapoque por estrada de terra.
Depois de 1970 abriu-se uma discussão técnica sobre a proposta socioeconômica da rodovia BR-156. Antes tida como uma rodovia de penetração, que buscava interiorizar o desenvolvimento, agora passaria a ter uma proposta de rodovia de integração, se transformando em um grande eixo econômico capaz de integrar o Brasil ao Platô das Guianas e de promover a integração dos municípios amapaenses no Projeto Arco Norte que previa a BR-156 chegando ao Oiapoque, possibilitando a ligação com Caiena, de lá até Paramaribo, no Suriname e, daí até Georgetown, na Guina, de onde sairia para Boa Vista (RR), no Brasil, daí até Manaus, por um tronco e por outro, até a Transpacífico, a rodovia que abriu janela para o Oceano Pacífico.
Por enquanto, o tramo norte da Rodovia BR-156, projetado para libar a cidade de Macapá à cidade de Oiapoque e à ponte sobre o Rio Oiapoque, é o mais esperado.
Exatamente o trecho entre Calçoene e Oiapoque, de aproximadamente 110 km de extensão, que foi licitado em dois lotes de, aproximadamente 55 km cada um, ainda é de terra batida, perdendo pavimento a cada inverno e deixando os usuários ou no prejuízo, ou muito aborrecidos pelos problemas que têm que enfrentar a cada viagem.
O Dnit é o órgão do Ministério dos Transportes responsável pela obra passa, no momento, por reestruturação administrativa e técnica, buscando a reinvenção depois das ações da Polícia Federal naquele órgão federal, em operações que levaram ao cárcere os seus dois últimos superintendentes, acusados por corrupção entre outros crimes, e ao encerramento das atividades do órgão em Macapá, retornando o controle do departamento equivalente no Estado do Pará.
Assim, neste mês de julho de 2020, quando a construção da BR-156 completa 88 anos desde seu início, mais uma vez as esperanças se renovam e a expectativa aumenta.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

A Emenda Constitucional da Eleição 2020 sob a influência do vírus


Rodolfo Juarez
Em tempos de grande preocupação da população com o novo coronavírus, que desafia a inteligência dos pesquisadores e a sensibilidade das autoridades do ambiente de saúde pública, homens e mulheres, que estão voltados não apenas para encontrar o antídoto, mas também possibilitar um mínimo de tranquilidade para a população, já podem gerenciar o seu tempo.
A população se vê desprotegida e abandonada por aquelas pessoas que deveriam estar prontas para delas cuidar nesse momento de pânico.
Os erros iniciais daqueles que tomaram as primeiras decisões ou foram incumbidas de assim proceder, contaminou um processo que tem como resultado a perda, pela morte, de pessoas que, noutras circunstâncias ainda permaneceriam contribuindo, com suas inteligências e ações, para a melhoria da qualidade de vida da população local.
Mas cuidar só disso agora não tem sentido. Os motivos para evitar as aglomerações ou o isolamento social não convencem mais as pessoas que estão vendo bater na sua porta problemas que jamais imaginariam enfrentar com alguém da família ou com ele mesmo. São momentos cruciais vividos por cada um e que torna tudo ao redor como um grande descuido das autoridades da saúde.
Nesse ambiente, o Congresso Nacional, promulgou mais uma Emenda Constitucional apresentando como motivo a pandemia do novo coronavírus, a incerteza da possibilidade de aglomeração de pessoas e as definições escolhidas pelos constituintes que discutiram e votaram, em 1988, a Carta Magna vigente e que orienta as ações e os comportamentos de todos os brasileiros.
A Emenda Constitucional promulgada pelo Congresso Nacional modifica a data das eleições municipais de 2020.
Entre algumas mudanças àquela que era a mais esperada pela população e pela maioria dos que estão à frente do combate ao vírus que está virando de cabeça para baixo economias, administrações e países inteiros.
Pelo menos ainda veio a tempo de pacificar uma guerra de interpretações que começava a deixar a todos sem saber o que fazer no processo de obediência às regras novas para o enfrentamento aos coronavírus e as regras de orientação geral que se conflitavam nas leis e na Constituição.
Então, se esse era o problema, agora está resolvido!
As eleições de outubro foram adiadas para novembro, nos dias 15 e 29 daquele mês, dois dos cinco domingos de novembro, o 3.º e o 5.º.
Para os preocupados dirigentes partidários e os inquietos pré-candidatos a definição dessa questão foi um acontecimento que, não só vai acalmar aquelas pessoas como possibilitar a correção de rumos, levando em consideração que, afinal, são mais 42 dias que se ganha para consolidar propostas partidárias ou nomes de candidatos, como dar oportunidade para o eleitor já ir conhecendo os pré-candidatos.
A proibição de coligação nas eleições proporcionais está fazendo com que os dirigentes olhem para dentro dos partidos, uma vez que estavam acostumados a olhar para fora e, ates até de analisar as possibilidades do partido que dirigia ou dirige, tinha a preocupação de saber se o desejado coligado poderia prejudicar o projeto do seu partido ou servir de alavanca para candidatos que planejava eleger.
Agora a regra está posta.
As datas estão definidas e os partidos podem marcar as convenções, os candidatos prepararem a sua estratégia e os eleitores ficarem tranquilos com a definição das nos datas para as eleições: primeiro turno em 15 de novembro de 2020 e o segundo turno no dia 29 de novembro de 2020.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Macapá Verão e as eleições no Crea/AP


Está terminando o primeiro semestre de 2020. Foram seis meses onde todas as atenções, logo depois do Carnaval, quando “reza a lenda” que vai começar o ano, todas as atenções se voltaram para o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus e à covid-19, além do fracasso dos projetos do Governo do Estado que faziam parte do único plano que é precariamente seguido pelos que autorizam os gastos da receita orçamentária e extraorçamentária constante do orçamento de 2020.
Desta feita nem a condição de precária execução foi cumprida, mesmo com a execução das despesas efetivadas comprometendo metade, ou mais, do valor orçado para 2020 que supera 5 bilhões de reais o que significa que mais de 2 bilhões e meio do orçamento já foram gastos.
Os resultados práticos para a população estão invisíveis e coronavírus vai ser responsabilizado pelos precaríssimos resultados apurados.
Essa é uma avaliação que os órgãos de controle estão fazendo e as respostas só serão completadas em 2021 ou 2022, tal a histórica lentidão na analise das contas públicas por aqui.
O mês de julho 2020, já se sabe, será diferente para professores, alunos, pais de alunos e para os demais profissionais da educação no Amapá.
Macapá Verão de 2020 vai entrar para a história pela sua não realização.
O mês de julho de 2020 será diferente para os profissionais de engenharia e agronomia no Estado do Amapá, como nos demais estados da Federação e no Distrito Federal onde serão realizadas, no dia 15 de julho, uma quarta-feira, as eleições gerais no Sistema Confea/Creas.
Aqui no Amapá serão eleitos o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia; o diretor da Caixa de Assistência no Amapá – a Mútua; e o diretor administrativo da Caixa de Assistência – a Mutua, além de votação para o presidente do Conselho Federal de Engenharia, do qual os Creas Regionais são suporte.
No Estado do Amapá quatro (4) nomes concorrem ao cargo de Presidente do Crea/AP; três (3) nomes concorrem ao cargo de Diretor Geral da Caixa de Assistência (Mútua); e três (3) concorrem ao cargo de Diretor Administrativo da Caixa de Assistência (Mútua).
Todos os cargos são honoríficos e sem qualquer remuneração oficial. O que atrai tantos profissionais para a disputa são as mordomias e as diárias e ajuda de custo que são polpudas e em grande número, além das participações em congressos, encontros de líderes, entre tantos outros “eventos”.
As anuidades dos profissionais da engenharia e agronomia, e o pagamento das Anotações de Responsabilidade Técnica e do registro de empresas em cada Crea do local onde a empresa tem contrato, entre outras receitas acabam bancando as reuniões e encontros dos dirigentes do Sistema Confea/Creas.
Ozeias Campos (chapa 33), Edson Kuwahara (chapa 30; Alexandre Pastana (chapa 45) e Sidney Almeida (Chapa 40), são os candidatos a presidente do Crea/AP; Luiz Alberto (chapa 61), Telison Rosa (chapa 65) e Marcos Jucá (chapa 64) concorrem ao cargo de Diretor Geral da Mútua; Marco Aurélio (chapa 70), José Amarildo (70), Manoel Barbosa (chapa 72) concorre ao cargo de Diretor Administrativo da Mútua.
Para o cargo de presidente do Confea estão inscrito e vão concorrer: Paulo Roberto (chapa 12), Marcos Moliterno (chapa 15), Diogo Mesquita (chapa 20), Joel Kruger (chapa 22), Alexandre Magno (chapa 24) e Rizomar Rodrigues (chapa 27).

sábado, 27 de junho de 2020

Ao sabor dos ventos


Rodolfo Juarez
Quem sobreviver à pandemia provocada pelo vírus made in China, vai ter um bom glossário de títulos e histórias para contar para os que conseguirem vencer as ondas provocadas pelo novo coronavírus.
Estes que sobreviverem serão testemunhas da incompetência dos gestores e da preocupação que eles tinham com a próxima eleição, mesmo sabendo que o próximo pleito era para eleger vereadores, vice-prefeitos e prefeitos, cargos que não interessavam mais para os pensamentos megalômanos de cada um.
Dá a impressão que foi até outro vírus, tão perigoso como o vírus chinês, que atraiu 20 dos 27 governadores dos estados brasileiros para executar um plano que, na cabeça de cada um deles, era perfeito para equilibrar as debilitadas finanças dos estados e de outro tanto de municípios, quebrados por eles mesmos ou por um dos seus parentes, ou aliados, seus antecessores.
O plano, “vendido” como bom, era considerado perfeito pelos imprevidentes governadores do grupo dos 20. Combinaram agir uniformemente, mesmo conhecendo que o Brasil é formado por regiões completamente diferentes.
Para que o plano desse certo precisavam conquistar os brasileiros. O pacto parece que incluía esquecer os pactos feitos recentemente, em 2018, quando, em outubro daquele ano, foram eleitos para governar 4 anos, mas começaram a pensar em oito, logo depois da posse.
Duas Cartas oferecidas à Nação entraram para a contabilidade do grupo como os dois primeiros fiascos.
Mesmo assim mantiveram a pose, com alguns deles se aliando àqueles apontavam para o eleitor como formadores da política irresponsável e distante dos objetivos que tinham propagandeado na campanha eleitoral mais recente.
A partir daí os respiradores, raros para os inadimplentes, passaram a ser a saída para consolidar a corrupção. Alguns do grupo dos 20 já estão respondendo, por ação dos órgãos de controle e de alguns da população, pelos desmandos praticados e pela roubalheira que foi desmascarada de várias formas, até a mais escancarada: dinheiro vivo em caixa de papelão. Isso lembra alguém? Lembra algum figurão da política?
O governador amapaense, não levou, sequer, em consideração as dificuldades que enfrentava e não se fez de rogado, primeiro como coordenador dos governadores da Amazônia, depois como membro do Grupo dos 20. A passagem mais emblemática está na participação em uma reunião, em Brasília, quando entrou mudo e saiu calado.
Finalmente as cartas públicas cessaram quando perceberam a impotência para enfrentar o inimigo invisivel e, alguns dos membros do Grupo dos 20, começaram a receber a Polícia Federal em suas casas e apartamentos.
Aqui no Amapá, como de resto em todo o Brasil, os idosos foram mandados para casa. Dá a impressão que os gestores entenderam que esses idosos já tinham dado tudo o que poderiam dar.
Fica lá enquanto respiras...
Os casos de covid-19 aumentaram e não tinha para onde mandar os acometidos da doença. O assunto foi escancarado para o Brasil com a reportagem feita por um repórter do SBT nacional, mostrando o verdadeiro amontoado de pacientes e acompanhantes, que fizeram um médico local chorar copiosamente, por mais de 5 minutos, tempo inteiro da entrevista, e, também, mostrando a impotência para resolver os problemas por falta de condições, inclusive de equipamento de proteção individual.
Havia alguma movimentação ou mensagem de esperança, quando o amapaense, presidente do Congresso, um parlamentar, por aqui chegava trazendo ministros para ver a realidade ou antecipar inaugurações de obras que nada tiveram a ver com o Governo do Estado.
Ficamos assim, mal atendidos e descrentes, nas mãos de Deus, ao sabor dos ventos.
Isso não é certo!

terça-feira, 23 de junho de 2020

A observação do príncipe foi melhor que a do ministro


Preferi a resposta do príncipe deputado
Rodolfo Juarez
Recentemente o ministro do Supremo Tribunal Federa (STF) deu uma declaração que despertou os pesquisadores para aprofundar a sua pesquisa sobre o que é democracia.
Pois bem, o ministro do STF foi incisivo quando se expressou sobre democracia e afirmou: “quando você ataca as instituições, você ataca a democracia”.
Ora, o ministro do STF, José Antonio Dias Toffoli, tem 52 anos completo, é um jurista e magistrado brasileiro atual ministro e presidente da Suprema Corte Brasileira, com antecedente como advogado-geral da União, durante o governo Lula e ministro presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Bacharel em direito, formado em 1990, professor colaborador em curso de pós-graduação, ale de lecionar direito constitucional e direito de família em um Centro de Ensino em Brasília.
Mesmo com todas essas referências, e no cargo de presidente do STF, o deputado federal Philippe de Orleans e Bragança, considerou errada a frase de Dias Toffoli e ensinou que as “instituições não são a democracia. Instituições representam o estado de direito. A democracia é a vontade popular é atacar a democracia. E quem tem atacado tanto o estado de direito quando a vontade popular é o STF”.
Luiz Philippe de Orleans e Bragança nasceu no Rio de Janeiro, está com 51 anos, é um político, cientista político, ativista e empresário brasileiro, descendente dos imperadores do Brasil Pedro I e Pedro II e, portanto, membro da família imperial brasileira e pretendente ao extinto título de Príncipe de Orleans e Bragança.
Em 2019 assumiu o cargo de deputado federal pelo estado de São Paulo, após ser eleito nas, nas eleições de 2018, pelo Partido Social Liberal. É um dos líderes e cofundador do movimento Acorda Brasil, que foi favorável ao impeachment de Dilma Rousseff, além de sobrinho de Luiz Gastão de Orleans e Bragança, reivindicador da Chefia da Casa Imperial do Brasil. É autor do livro Por que o Brasil é um país atrasado? – o que fazer para entrarmos de vez no século XXI, publicado em 2017.
É o primeiro membro da família imperial brasileira a ocupar um cargo político de relevância desde a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1989.
A avaliação conceito exarado pelo presidente da mais alta corte do Judiciário Brasileiro, guardiã da Constituição Federal, Dias Toffoli, por um deputado federal, mas não só isso, membro da família real brasileira, despertou uma busca em definições, tanto conceituais, como gramaticais sobre o significado de democracia.
Pois bem, logo no primeiro dicionário consultado, lá estava: “democracia é um governo em que o povo exerce a soberania” e “é um sistema político no qual os cidadãos elegem seus dirigentes por meio de eleições periódicas”.
Perceba que as duas definições se aproximam muito mais do conceito emitido pelo deputado federal Luiz Philippe, do que aquele emitido pelo presidente do STF.
Não me conformei e segui a pesquisa, destacando três perguntas entre tantas possíveis e que podem ser objeto de pesquisa pelo nosso leitor, assim foram feitas as três perguntas: 1.º qual o conceito de democracia?; 2ª) Quais são as características de um país democrático?; e 3ª) O que é democracia segundo o dicionário Aurélio?
As três respostas foram as seguintes:
Primeira resposta: democracia é um regime político em que todos os cidadãos elegíveis participam igualmente — diretamente ou através de representantes eleitos — na proposta, no desenvolvimento e na criação de leis, exercendo o poder da governação através do sufrágio universal.
Segunda resposta: na democracia, o povo participa do governo pelo voto, pelo plebiscito. As Leis saem daqueles que foram escolhidos pelo povo para serem seus legítimos representantes. A democracia dá igualdade de oportunidade para todos, pois são iguais perante a lei.
Terceira resposta: segundo o dicionário Auréliodemocracia é doutrina ou regime político baseado nos princípios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder, ou seja, regime de governo que se caracteriza, em essência, pela liberdade do ato eleitoral, pela divisão de poderes e pelo controle da autoridade.
Sem delongas, preferi a resposta do príncipe.

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Eles fazem muita falta


Rodolfo Juarez
Hoje vou prestar homenagens àqueles que foram bravos na defesa dos interesses do Estado do Amapá e que se tornaram vítimas desse maldito vírus que a China exportou para o Brasil e o resto do mundo.
Eles se tornaram referência da população contemporânea devido à sua dedicação profissional nos setores públicos ou privados onde atuaram, sempre merecendo consideração da população que via, em cada um deles, dedicação e amor pelo Amapá, mesmo quando nem aqui nascidos.
São verdadeiros representantes de todas as vítimas do desconhecido vírus, que se tornou objeto de duas “guerras”, uma dos profissionais da saúde, sem apoio, sem instrumentos, sem espaço para proteger a população e, cara-a-cara enfrentar o vírus; outra dos dirigentes públicos, escancarando o seu egoísmo, sua imprudência e seu oportunismo, qualificativos que atraem a irresponsabilidade e a corrupção.
Nesse cenário e em nome de todas as mais de 300 vítimas da covid-19, causa primeira do vírus chinês, quero reconhecer a importância pública que cada um teve para a população do Amapá, desde quando começaram a ter a responsabilidade para trabalhar uma das etapas do desenvolvimento do Amapá.
Vou destacar, referenciando ao serviço público e ao serviço privado que foram prestados por estas pessoas que não resistiram ao ataque da covid-19, comandado pelo vírus chinês, e ao desconhecimento de uma arma capaz de enfrentá-lo de igual para igual. Estão fixados na minha lembrança e eternizados nos melhores registros: João Brasão da Silva Neto, Bernardino Sena Ferreira Filho, José do Rosário Pastana, Regina Gurgel Medeiros, Ana Raquel Oliveira da Cosa Passos, Ederaldo Coelho Pantoja, Guilherme Jarbas Barbosa de Santana, Raimundo Malcher Pinon Filho.
João Brasão da Silva Neto, Engenheiro Mecânico, Professor, foi reitor da nascente Universidade Federal do Amapá, morreu no dia 9 de maio, aos 77 anos de idade. Era formado em Engenharia Mecânica e de Produção (PUC/RJ-1967) e Engenheiro Civil (UFPA-1984), além de Matemática e Física (UFPA-1969) e Direito (UFPA-1994). Tinha Pós-Graduação em Planejamento Global e Análise de Projetos (CEDEC/Brasília-1973) e Inferência Estatística (UFPA-1980). Ingressou no serviço público em 1974.
Bernardino Sena Ferreira Filho, empresário, foi presidente da Associação Comercial e Industrial do Amapá, do Clube de Diretores Lojistas e da SPC, desportista, foi presidente da Federação Amapaense de Futebol e da Federação Amapaense de Voleibol, morreu aos 80 anos, por complicações causadas pela covid-19.
José do Rosário Pastana, Engenheiro Civil com especialidade em Sistemas Urbanos, professor, morreu aos 72 anos, vítima da covid-19, deixando um grande serviço prestado ao município de Macapá e especialmente à cidade de Macapá, fazendo parte do grupo que implantou o Plano de Desenvolvimento Urbano de Macapá, Santana e Porto Grande. Foi secretário municipal da Prefeitura de Macapá, e diretor de urbanismo, da Secretaria de Obras, do Território do Amapá. Atualmente era engenheiro do quadro efetivo do Governo do Estado, desempenhando as suas funções na Secretaria de Infraestrutura. Por duas vezes foi presidente do CREA/AP
Regina Gurgel Medeiros, empresária, proprietária do Quiosque Rola Papo, na Beira- Rio, em Macapá, morreu aos 74 anos.
Ana Raquel Oliveira da Costa Passos, professora universitária, morreu aos 70 anos. Professora da Universidade Federal do Amapá, por onde se aposentou no ano passado, e onde foi chefe do Laboratório de Ensino de Matemática.
Edevaldo Coelho Pantoja, Engenheiro Agrônomo, com registro no CREA/AP morreu aos 72 anos, aposentado como fiscal federal agropecuário, também vítima da covid-19.
Guilherme Jarbas Barbosa de Santana, professor universitário, advogado, morreu aos 72 anos, sem ver um dos seus sonhos realizados. Dizia sempre que queria ver o Estado do Amapá com o serviço público de saúde organizado.
Raimundo Malcher Pinon Filho, médico pediatra, foi duas vezes presidente do Conselho Regional de Medicina no Amapá, morreu aos 73 anos. Com o Pinon convivi na casa do estudante, em Belém, em 1971, eu cursando Engenharia e ele Medicina. Tinha como companheiro inseparável um saxofone.
São esses senhores e senhoras que já estão fazendo muita falta. Poderiam estar ainda entre nós, na labuta, independentemente de estar ou não aposentados, sempre estavam disponíveis para comparar o Amapá de 50, 40 e 30 anos atrás com o Amapá de hoje.
Agora descansando, fazendo muita falta, não apenas para os familiares, mas para todos nós que ainda estamos por aqui e sempre contamos com eles para nos ajudar.
Eternizá-los é a nossa obrigação!

segunda-feira, 15 de junho de 2020

A quadra junina de 2020 e o vírus chinês


Vamos esperar 2021 com esperança de que o vírus chinês tenha sido vencido.
Rodolfo Juarez
Uma das mais importantes atrações do calendário turístico do Amapá e de outros estados brasileiros, como Pernambuco e Paraíba, está fortemente afetada pela declaração de pandemia feita pela Organização Mundial de Saúde, e pelos decretos federais, estaduais e municipais que proíbem as aglomerações.
No Amapá, especialmente, a organização e até mesmo o autofinanciamento havia se consolidado, desde quando os grupos folclóricos, voltados para a quadra junina, desde algum tempo resolveram se organizar administrativamente e criaram condições para, independente de verbas públicas, realizarem eventos cada vez de melhor qualidade durante a quadra.
O balé dos grupos, construídos com técnica, fantasias de gala, disciplina e muita transpiração conquistou o público que continua crescente por entender a forma pura como os temas são desenvolvidos, além da qualidade natural e específica e da simplicidade no jeito de mostrar ao público a mensagem derivada de cada apresentação de cada um dos grupos folclóricos.
A quadra junina no Amapá se estende desde março, logo depois do carnaval, com os primeiros ensaios, e vai até julho com as decisões das competições que, ao final definem quais grupos são os campeões do ano.
Este enredo, que parece repetitivo, para cada grupo é uma criação inédita que reflete o momento da música, do comportamento social e da organização proposta para a educação e as demais fatias que formam a qualidade de vida da população, em regra muito carente de espetáculos do tipo apresentado durante a quadra junina, pelas diversas organizações teatrais, que são os grupos folclóricos.
Esse espetáculo cresceu ao ponto de, organizadamente, cumprir um regulamento pré-estabelecido pelos grupos que têm sede nos municípios do estado, que não o da Capital. As fases preliminares, em regra eliminatórias, começam nesses núcleos sociais, com os classificados chegando à reta final que é disputada em Macapá.
Este ano o público não vai ver as princesas flutuando nos organizados “terreiros”, nem conhecerá os príncipes que, como em um balé clássico, cortejam as princesas num bailado moderno sem a obrigação de estar seguindo os passos do tradicional forró brasileiro e nem por isso, deixa de se constituir em um dos mais importantes momentos da moderna cultura amapaense.
Este ano todos nós estamos sem esse espetáculo que nos deixa reflexivo sobre a criatividade e a imposição da inocência. Até mesmo aqueles que permaneciam enraizados e teimosamente insistindo que os grupos juninos precisam ser tradicionais, se renderam ao conjunto do espetáculo.
A proibição da aglomeração de pessoas e a ordem para todos ficassem em casa impediram que a manifestação deste ano fosse realizada, muito embora já esteja consolidado o compromisso para que, em 2021, o espetáculo esteja de volta com todo o brilho que sempre marcou as apresentações de cada grupo.
Por enquanto resta a cada um de nós aplaudirmos esses criativos artistas do bailado, do comprometimento, das espetaculares surpresas e do uso do costumeiro visual através do brilho e do corte de cada uma das roupas: do marcador, do príncipe e da princesa, e dos pares que empolgam a plateia e valorizam o grupo.
Os pequenos empreendedores que sempre povoaram as proximidades dos eventos juninos e sempre têm a quadra como uma fonte de renda para o sustento seu e de seus familiares, não contaram com essa renda e estão sentindo que faz falta para as famílias.
Vamos esperar 2021 com esperança de que o vírus chinês tenha sido vencido.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Cr^nica do Dia dos Namorados


Rodolfo Juarez
Crônica extraída do livro Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, a propósito do Dia dos Namorados.
"Bom dia", disse a raposa.
- "Bom dia", o Pequeno Príncipe respondeu educadamente. "Quem é você”? Você é tão bonita de se olhar.
- "Eu sou uma raposa", disse a raposa.
- "Venha brincar comigo", propôs o Pequeno Príncipe. "Eu estou tão triste."
- "Eu não posso brincar com você", a raposa disse. "Eu não estou cativada."
- "O que significa isso - cativar?"
- "É uma coisa que as pessoas frequentemente negligenciam", disse a raposa. "Significa estabelecer laços." "Sim", disse a raposa. "Para mim você é apenas um menininho e eu não tenho necessidade de você. E você por sua vez, não tem nenhuma necessidade de mim. Para você eu não sou nada mais do que uma raposa, mas se você me cativar então nós precisaremos um do outro".
A raposa olhou fixamente para o Pequeno Príncipe durante muito tempo e disse:
- "Por favor, cativa-me."
- "O que eu devo fazer para cativar você?", perguntou o Pequeno Príncipe.
- "Você deve ser muito paciente", disse a raposa. "Primeiro você vai sentar a uma pequena distância de mim e não vai dizer nada. Palavras são as fontes de desentendimento. Mas você se sentará um pouco mais perto de mim todo dia."
No dia seguinte o principezinho voltou.
- "Teria sido melhor voltares à mesma hora", disse a raposa. "Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens, por exemplo, a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos".
Então o Pequeno Príncipe cativou a raposa e depois chegou a hora da partida dele.
- "Oh!", disse a raposa. "Eu vou chorar".
- "A culpa é sua", disse o Pequeno Príncipe, "mas você mesma quis que eu a cativasse".
- "Adeus", disse o Pequeno Príncipe.
- "Adeus", disse a raposa. "E agora eu vou contar a você um segredo: nós só podemos ver perfeitamente com o coração; o que é essencial é invisível aos olhos. Os homens têm esquecido esta verdade. Mas você não deve esquecê-la. Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa."