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quinta-feira, 5 de março de 2020

A população amapaense espera respostas há 39 anos


Rodolfo Juarez
Mais uma vez usuários do transporte fluvial, com saída de Santana, chora a perda de patentes e amigos em um naufrágio que poderia ser evitado se houvesse, por parte das autoridades responsáveis pelo licenciamento de embarcações para transportar passageiros, mais cuidadosos e respeito, tomando como exemplo fatos igualmente lamentáveis ocorridos, como lembrança pertinente, com o B/M Novo Amapá, há 39 anos e com o B/M Cidade de Óbidos VI, há 18 anos.
Não pode ser considerado como mera coincidência que essas tragédias tenham ocorrido pela parte noturna, durante a madrugada. Foi assim em 1981 e 2002 e agora em 2020, cada uma tratada como se fosse obra do destino ou do acaso. Não pode ser isso não, mas parece o resultado do pouco caso como é tratada a navegação fluvial na Amazônia, especialmente na Amazônia Oriental.
Recentemente foi arquivado o processo que tramitava na justiça, ingressado pelo saudoso advogado Pedro Peticov, referente à tragédia do B/M Novo Amapá, sem a resolução do mérito e ficando, assim, a sociedade local e as pessoas diretamente atingidas, sem a responsabilização dos entes públicos que estavam no polo passivo daquele processo. Mais uma vez não havia lista de passageiros e se estima que, pelo menos, 300 vidas foram perdidas na madrugada de 6 de janeiro de 1981.
Depois a tragédia do B/M Cidade de Óbidos VI, com 108 passageiros, também sem as autoridades conhecerem, previamente, a lista de passageiros embarcados em Santana no dia 25 de janeiro de 2002, e com carga acompanhada e carga-frete, sem o devido registro do peso e com o agravante do comandante permitir o embarque de passageiros durante o trajeto. Mais uma vez o sul do Amapá foi o local da tragédia que deixou 7 pessoas mortas
Agora, no dia 29 de fevereiro de 2020, outra saída, agora do B/M Anna Karolina III do Porto do Grego, classificado como precário pela Marinha do Brasil, também sem dar conhecimento da lista de passageiros e do romaneio de carga, que naufragou, também no sul do Amapá, e também de madrugada, desfazendo famílias que se valiam do transporte fluvial para chegar aos locais planejados e que tiveram os seus planos interrompidos, morrendo afogados: crianças, adultos e idosos. Não se conhece os números finais da tragédia, mas se aproxima de 30 as vidas perdidas.
 Destacar esses três momentos pode despertar as autoridades federais, estaduais e municipais, que não conseguiram priorizar, até agora, os planos que atendam ao sistema de transporte fluvial de passageiros utilizando os rios navegáveis da região como vias para transporte de passageiros como as rodovias e aerovias.
A movimentação do Ministério Público Estadual, do Ministério Público Federal, dos prefeitos e alguns parlamentares federais, pode motivar o Governo do Estado a quebrar a inércia que o deixa impotente nesses momentos tão graves para os interesses da população, atuando apenas na assistência aos que não morreram.
A construção de terminais de passageiro e carga acompanhada, definição de rotas, de procedimentos técnicos para liberação de embarcações motorizadas atuarem naquelas rotas, identificação dos responsáveis técnicos pela construção e testes de carga, manobrabilidade e navegabilidade das embarcações, além de amplo processo educativo para uso dos barcos regionais de passageiros é urgente e precisa receber o carimbo de prioridade para atender o número crescente de passageiros que se deslocam pelas hidrovias e que já ultrapassou, faz tempo, o número daqueles que usam o avião, estes contando com terminal adequado, lista de passageiros, regras de navegação e horário certo de pouso, decolagem e navegação.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Barco Naufraga próximo a Cachoeira do Arari

Barco ‘Iate Leão do Norte’ naufraga entre Chaves e Cachoeira de Arari, no Marajó
De acordo com a Capitania dos Portos, doze corpos foram encontrados. Incidente com embarcação ocorreu na madrugada desta sexta, 19.
A Capitania dos Portos confirmou que subiu para 12 o número de vítimas do naufrágio de uma embarcação nas proximidades de Cachoeira do Arari, na região do Marajó, no Pará.
Segundo o prefeito do município, Benedito Vasconcelos, pelo menos cinco vítimas eram crianças. O barco "Iate Leão do Norte" que, apesar do nome, não é um iate luxuoso e sim uma embarcação de passageiros, havia saído de uma localidade do município de Chaves, no Marajó, com destino a Belém, levando aproximadamente 80 passageiros.
O incidente ocorreu no início da madrugada desta sexta-feira (19), quando a maioria dos passageiros estava dormindo.
Equipes do Corpo de Bombeiros e da Marinha do Brasil estão no local realizando buscas aos desaparecidos. A Prefeitura de Cachoeira do Arari decretou ponto facultativo para que os funcionários pudessem auxiliar os sobreviventes da tragédia. "Estamos acompanhando de perto as buscas, junto com o Corpo de Bombeiros. No momento do naufrágio foram encontrados três corpos e agora, na varredura que os bombeiros fazem na embarcação, já tiraram mais dois. Encontraram adultos e crianças", afirma o prefeito Benedito Vasconcelos.
O gestor municipal acredita que ainda há corpos na embarcação. "Com certeza ainda estão dentro do barco. A viagem acontece geralmente à noite, as pessoas estavam dormindo", conta Benedito.
Os moradores da cidade estão abalados com o incidente. "É uma grande tragédia, onde toda a população de Cachoeira está envolvida em questão de solidariedade. São seres humanos, pessoas que sempre viajam na época do inverno no rio Arari e sempre paravam em Cachoeira", diz o prefeito.
As mais de 40 pessoas resgatadas foram encaminhadas para a Casa Municipal, que abriga os sobreviventes e oferece atendimento. Oito pessoas estão internadas no hospital municipal. Uma criança de nove anos, que está em estado grave por ter aspirado água, foi resgatada pelo helicóptero do Corpo de Bombeiros e trazida até a capital.
Equipes do Corpo de Bombeiros e da Marinha do Brasil realizam buscas aos desaparecidos no rio Arari. A prefeitura do município mobilizou seus funcionários para que possam ajudar os sobreviventes.
Em nota, a Marinha afirma que tomou conhecimento do naufrágio por volta das 01h20 e determinou que imediatamente os Navios-Patrulha “Parati” e “Pampeiro” fossem direcionados para a área do incidente, com apoio de duas lanchas e mergulhadores, para auxiliar nas buscas.
Será instaurado um Inquérito sobre Fatos e Acidentes da Navegação para apurar as responsabilidades, com prazo de conclusão em 90 dias.


 

sábado, 26 de janeiro de 2013

O perigo nas águas continua...

O desastre do Cidade de Óbidos VI
Rodolfo Juarez
Tem sido assim, ao longo dos anos e para muitos dos amapaenses e não amapaenses, o mês de janeiro.
Um mês que alguns gostariam de esquecer, mas por causa de acontecimentos fortes e indesejados, acabam se perpetuando para a vida toda.
Foi assim que o dia 6 de janeiro ficou marcado.
Muitas famílias não conseguem esquecer. Esse dia trás a marca sofrida da tragédia do Barco Motor Novo Amapá, quando mais de 300 pessoas morreram no começo da noite, há 32 anos, em 1981.
Depois o dia 26 de janeiro 2002, marcado por outro acidente fluvial, quando sete pessoas morreram, desafiando a compreensão humana, não só pelas circunstâncias, mas também pela situação como aconteceu. Outra vez uma viagem para Laranjal do Jari. Outra vez uma embarcação de madeira afunda e leva vidas importantes embora, para nunca mais.
Em 2012, dois acidentes, desta feita um no mar e outro na terra; um resultado no afundamento de um navio de luxo, que fazia um cruzeiro, na costa da Itália, afundou e botou ponto final em diversas vidas e, agora mesmo, também de noite, três prédios caem no Rio de Janeiro, eles eram vizinhos e ocupavam endereços nobres no “coração” da cidade que vai sediar as Olimpíadas de 2016.
O mês é o mesmo os anos são diferentes, como diferentes são os socorros que foram prestados na Itália, no Rio de Janeiro e no Amapá.
Uma diferença brutal e uma indiferença que desafia a paciência do cidadão que mora por aqui, fazendo possível a manutenção das fronteiras dessas terras brasileiras.
E, pior, se acontecer, outra vez a necessidade de um socorro urgente para um barco que tenha problemas em uma viagem pelo Rio Jari, o sistema que o Estado dispõe para prestar os primeiros ou segundos socorros, simplesmente vai ser do mesmo nível daquele oferecido em 1981 para os sobreviventes do Novo Amapá.
Não dá mesmo para acreditar no cenário atual. Não dá para imaginar tanta insensibilidade dos homens que poderiam melhor planejar o desenvolvimento desse Estado, colocando-o de frente para o rio Amazonas e seus afluentes, não deixando que população “se vire” como puder, sem que tenha, pelo menos, a garantia de que, quando em perigo, o Estado cumpra o seu papel e mostre os seus aparelhos de socorro.
Os que fazem dos rios daqui, uma estrada molhada para o deslocamento das pessoas e das riquezas, já perderam as esperanças e já, na medida do possível, limitado pelas possibilidades de cada um, constroem as suas alternativas, abrindo mão do direito certo que têm para proteção de suas vidas e das vidas de suas famílias, e procurar na natureza as forças e as condições para sobreviver aos acidentes.
Mas, mesmo indignados, ninguém nega a necessidade da proteção e se valem da mesma esperança de que, um dia, o Estado se prepare para atender esses esquecidos, tão importantes para o desenvolvimento e a segurança da população, como aqueles que andam nas estradas de asfalto ou de chão, transportando riquezas e fazendo o desenvolvimento do Amapá.
Mas janeiro não perdoa. Tem cobrado com a vida de inocentes as condições para que os governantes se mexam, procurem encontrar alternativas para que, o deslocamento das pessoas tenha um mínimo de proteção e que elas possam continuar o seu trabalho permanente de fortalecer a conquista das fronteiras brasileiras.
As tragédias do Cajari, em 1991 (Novo Amapá), e do Jari, em 2002 (Cidade de Óbidos VI), precisam ser analisadas e consideradas as atuações dos agentes públicos em cada uma delas e, daí, avaliar a capacidade de ação de cada um.