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quinta-feira, 11 de julho de 2019

Quando 15% é pouco!


Rodolfo Juarez
Estou voltando a falar de mim.
Nesta sexta-feira, dia 12 de julho, completam-se 91 dias que me submeto a hemodiálise, um procedimento através do qual uma máquina tem a proposta de limpar e filtrar o sangue, fazendo a parte do trabalho que o rim doente não pode fazer.
Nestes 91 dias fiz 42 sessões de hemodiálise equivalente a 126 horas, o que corresponde a cinco dias e 6 horas, além de esperar para realizar a sessão, em média 1h30 por vez, o que corresponde a 63 horas ou 2 dias e 15 horas apenas de espera pela chamada.
Todo esse procedimento é para melhora o índice da creatinina no sangue. A creatinina é uma espécie de lixo metabólico resultante do consumo constante da creatina fosfato, a energia da nossa musculatura.
Após a sua produção a creatinina é lançada na corrente sanguínea, sendo eliminada do corpo na urina, filtrada que foi pelos rins.
Os rins estando atuando de modo insuficiente para fazer a filtragem do sangue implica em índices que comprometem a pureza do sangue e, assim, acabam por prejudicar a saúde do paciente de forma continuada.
Os exames de sangue eu estou repetindo a cada 30 dias, ou em intervalos menores, para fazer o acompanhamento do resultado obtido com a ação da máquina de hemodiálise, um equipamento sofisticado e que considero, ao mesmo tempo, muito agressivo, pois durante as horas que passo ligado á máquina, perco, em media, dois quilos e meio do meu peso.
Os resultados dos 4 exames feitos demonstram um hemograma, em todos os seus índices, satisfatório, e um recuo (melhora) no índice de creatinina no sangue, de 9,40mg/dL para 7,90,mg/dL, correspondendo a 15,95%, considerado por mim, ainda muito tímido. A meta é chegar a 2,0 mg/dL e os valores de referência, para homens, vão de 0,60 a 1,2 mg/dL. A melhora dos níveis de ureia, outro indicador, são maiores, 46,39%.
Faço a hemodiálise na Unidade de Nefrologia do Hospital de Clínicas Alberto Lima, em Macapá, às terças, às quintas e aos sábados, no 4.º turno, enfrentando os imprevistos de cada dia e o que chamo de ressaca do dia seguinte, nas doze horas que sucedem o desligamento da máquina.
O momento mais crítico é aquele que médicos e enfermeiros chamam de puncionamento, ou seja, o momento em que são inseridas as duas agulhas na fístula, que é o resultado de um procedimento cirúrgico onde uma artéria e ligada a uma veia para gerar um ambiente no corpo que possibilite a ligação ao mecanismo da sofisticada máquina de hemodiálise ao corpo do paciente.
Além disso, percebam, já me submeti a 42 sessões de hemodiálise e já passei por dois momentos difíceis devido a erro na hora de fazer o puncionamento.
Uma das vezes fiquei com 3 agulhas na fístula, quando restou, por 45 dias hematomas significativos na região do braço onde está a fístula, noutra simplesmente o sangue não veio para o sistema e, nessa oportunidade, a enfermeira precisou de ajuda e, sem tirar as agulhas da fístula, apenas aprofundando mais, conseguiu que o sangue viesse.
Outro problema é o momento da retirada das agulhas quando termina a sessão de hemodiálise. Os cuidados são para cessar o sangue que insiste em sair dos locais onde estavam as agulhas. Não são raras as vezes que o serviço de vedação tem que ser repetido.
Mesmo com esses problemas, estou na fé, com o apoio da família e dos amigos e a confiança na resposta do meu corpo.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Meus preguiçosos rins


Rodolfo Juarez
Hoje quero tratar de uma das minhas intimidades com as pessoas que leem e propagam os artigos que escrevo e publico neste espaço, como também nas redes sociais mais populares da internet.
Desde 2014 contendo com uma insuficiência renal que tem limitado minha vida a circunstâncias que não havia imaginado quando jovem ou mesmo adulto.
Sem histórico familiar de pessoas com aquele mal e as distâncias que mantive dos exames clínicos que precisavam ser rotineiros, fui surpreendido com uma displasia prostática que levou exigências anormais aos rins que não suportaram carga e cansaram mais cedo do que o resto do meu organismo, diminuindo a sua capacidade de trabalho no meu corpo.
Conheci então a Creatinina e a Ureia, duas substâncias que presentes na corrente sanguínea, e podem ser dosadas através de exame de sangue para, partir daí, avaliar o estágio em que se encontra a função renal.
Pois bem, esse exame informou em “alto e bom som” que os meus rins estavam trabalhando com uma taxa que não atendia às necessidades do organismo, considerando as distâncias dos índices apurados no exame daquele que o meu corpo fora programado.
Os meus músculos precisam de energia para exercer suas funções e o “combustível” que gera esta energia é uma proteína que é conhecida como creatinina fosfato, sintetizada a partir das proteínas da alimentação é produzida no fígado e posteriormente armazenada nos músculos.
Mesmo em repouso meus músculos estão em permanente atividade, isto significa que estou, o tempo inteiro, consumindo creatinina fosfato.
A creatinina é uma espécie de lixo metabólico resultante desse consumo constante. Após a sua geração a creatinina é lançada na corrente sanguínea, sendo eliminada do corpo na urina, através dos rins.
Então, as proteínas ingeridas na dieta, faz com que o fígado produza a creatinina fosfato, o consumo da creatinina fosfato pelos músculos é que gera a energia com a produção da creatinina que é eliminada pelos rins através da urina.
Diariamente cerca de 2% de toda a creatinina fosfato armazenado em nosso corpo é convertido em creatinina pelo metabolismo dos músculos. Esta é a creatinina resultante dosadas nas análises de sangue.
A creatinina é uma substância inócua no sangue, sendo eliminada se forma constante pelo organismo. Meu organismo não está conseguindo fazer essa função e foi um dos primeiro indicativos de que os meus rins não estavam funcionando adequadamente.
Uma das primeiras consequências foi a displasia prostática que me levou à cirurgia em 2014. Naquela época os rins deram sinal de recuperação e, depois de seis meses fazendo diálise, tive suspenso o tratamento.
De lá para cá o acompanhamento médico indicou que meus rins diminuíam a sua eficiência e, na sexta-feira, dia 12 de abril, no dia da inauguração do novo terminal do aeroporto, lá estava eu outra vez, na Unidade de Nefrologia do Hcal, ligado a uma máquina, dando uma folga para meus rins preguiçosos.
Como esse tipo de tratamento só tem o começo marcado, não há qualquer previsão para que dele me livre, torçam por mim! 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

No corredor da morte

Rodolfo Juarez
O presidente da Associação dos Pacientes Renais do Estado do Amapá está desesperado com a situação na qual se encontra a unidade de nefrologia do Hospital de Clínica Alberto Lima, em Macapá.
O aumento da população do Estado reflete no aumento da população de pacientes renais amapaenses.
Sem estrutura para a realização dos transplantes, os pacientes aqui esperam por uma oportunidade para viajar até Fortaleza, no Ceará, Joinville, em Santa Catarina, na expectativa de entrar na fila dos transplantes, encontrar um doador compatível, e fazer o transplante.
A superlotação já modificou a rotina da unidade local de nefrologia que funciona com 39 máquinas no HCAL, todas terceirizadas, em quatro turnos (até a pouco tempo era apenas três), sacrificando a todos: médicos, enfermeiros e pacientes.
Uma unidade em Santana vem sendo anunciada desde 2011, mas até agora, não funciona, deixando os pacientes que moral ali, com extremas limitações para chegar até a Unidade em Macapá.
O paciente renal tem muitos limites, inclusive fiscos, principalmente nas duas horas seguintes à sessão de diálise que se submete em dias alternados: segunda, quarta e sexta; ou terça quinta e sábado.
Uma sessão demora de 3 a 4 horas. Pelas limitações do ambiente, as seções foram reduzidas na sua duração, diminuindo a eficácia do tratamento, tanto que há seleção médica para os que têm maior e menor resistência.
A situação é muito séria. Atualmente a administração do setor tem dificuldades para manutenção dos três salões onde estão as máquinas, inclusive o sistema de ar condicionado, com equipamentos usados que dificultam o funcionamento e, por isso, com constantes paralização, dificultando, ainda mais, as sessões tanto para os pacientes, como para os médicos, enfermeiras e outros auxiliares.
Para se ter uma ideia, segundo as estatísticas da Associação dos Pacientes Renais do Amapá, em 2012 foram registrados 65 óbitos de pacientes atendidos pelo sistema local; em 2014 foram 44. Um dos médicos que trabalha na Nefrologia do HCAL afirma que a média de óbitos gira em torno de 40 pacientes por ano.
Outro problema muito grave que os pacientes enfrentam se refere a uma microcirurgia que têm que se submeter um paciente renal para poder fazer a limpeza do sangue.
O procedimento cirúrgico é conhecido como colocação de fístola, que consiste em um receptor, subcutâneo, próprio para receber a ligação da máquina que vai fazer a “limpeza” do sangue e o cirurgião precisaria de um equipamento específico para identificar qual a veia do braço ou de outra parte do corpo é a mais adequada para receber o corpo estranho. Sem o ter o equipamento nem todos os procedimentos dão certos e o paciente fica com a saúde extremamente prejudicada.
Outros problemas evitáveis poderiam ser resolvidos, como por exemplo, combustível para as vans que transportam os pacientes de Santana para Macapá e de Macapá para Santana, além do que as vans são alugadas e o pagamento, costumeiramente atrasa, aumentando o rosário de dificuldades do paciente e o desespero das famílias.
Também padecem os pacientes da unidade de nefrologia do HCAL com os equipamentos auxiliares, como eletrocardiograma, sempre com defeito e rotineiras falta de medicamentos na farmácia.
Como todos os outros setores da saúde no Estado, a unidade de nefrologia precisa de melhor atenção.
É bom lembrar que o agravante do sofrimento do paciente e da família, que mesmo contando com a solidariedade do grupo de familiares que se forma na sala de espera a cada sessão de diálise, têm a certeza que o tratamento está fora do Estado.
Aqui ainda não se faz transplante e são mais de 400 pacientes atendidos na Unidade e cada paciente tem que estar, um dia sim outro não, ligado à máquina precisando, muitas vezes, da atenção e comprometimento dos médicos e enfermeiros.
É preciso entender melhor essa causa, pois, mesmo morrendo 40 pacientes, em média, por ano, muitos são salvos pela recuperação do rim ou pelo transplante que é feito fora do Estado.

Pensem nisso!