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segunda-feira, 13 de abril de 2020

Os mandatários não consideram a educação como atividade essencial


Rodolfo Juarez
Desde quando começou o enfrentamento pelas autoridades sanitárias, com a participação direta dos dirigentes estaduais, municipais e da e República que se está declarando para o mundo e para o povo brasileiro que a educação no Brasil não é essencial, pelo menos como outras atividades assim eleitas.
Em meados de março foi publicado pelo Governo Federal um decreto incluindo a imprensa como atividade essencial durante a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, entre outras atividades com aquele qualificativo.
Expresso, no decreto constava que a imprensa era considerada uma atividade essencial “por todos os meios de comunicação e divulgação disponíveis, incluindo a radiodifusão de sons e imagens, a internet, os jornais e as revistas, dentre outros”.
No dia 20 de abril outro decreto que listou uma série de serviços como essenciais em meio à crise provocada pela Covid-19 foi publicado. Dessa lista não consta as atividades da imprensa como essenciais, mais sim: 1) assistência à saúde; 2)atividades de segurança e defesa nacional; 3) transporte intermunicipal, interestadual e internacional; 4) transporte por táxi e por aplicativo; 5) serviços de telecomunicações, energia elétrica e gás; 6) produção e venda de produtos de saúde, higiene, alimentos e bebidas; 7) serviços bancários e postais; 8) produção e venda de combustíveis; e 9) transporte e entrega de cargas.
As redes de televisão e rádio, as empresas de jornal e revista, principalmente as ligadas ao sistema Globo de rádio, jornal e televisão se manifestaram, revoltadas e dispostas ao revide, pela exclusão da lista de atividades essenciais. Essa revolta incluiu a maioria dos governadores, inclusive o do Amapá, e muitos prefeitos de municípios brasileiros de quase todas as regiões.
Ninguém, nenhum jornalista, nem um governador, nem um prefeito, nem o ministro de Estado da Educação se mostrou preocupado pelo fato de a educação não ter entrado no rol das atividades essenciais.
E sabe o que isso significa? Descaso, Desalento, Irresponsabilidade!
No ranking mundial da educação, formado a partir dos resultados na prova do PISA, sigla em inglês que significa Programa Internacional de Avaliação de Alunos, criado no ano 2000, o Brasil ocupa as últimas posições entre as nações que participam do programa e, o Amapá, as últimas posições no Brasil.
Da verificação nem todos os países do mundo participam. Na última edição, que teve os resultados publicados no ano passado, a educação brasileira, participou com mais de 23 mil alunos e os resultados não foram animadores. São os seguintes: 1) Leitura, 61ª posição; 2) Ciências, 65ª posição; 3) Matemática, 67ª posição. No ranking geral o Brasil ficou na 68ª posição, com uma média geral de 377 pontos.
A média total de todos os países que prestaram o mesmo exame ficou em 490 pontos, o que é ainda muito superior à média brasileira e o Amapá ainda fica entre os que obtiveram notas menores no Brasil, abaixo dos 377 pontos. O resultado é inferior ao de países como Argentina, Albânia, Chipre, Indonésia e Tailândia que ocupam posições na frente do Brasil.
Mesmo assim a educação no Brasil e no Estado do Amapá não fez com que as autoridades amapaenses reclamassem pelo fato da educação não ter sido incluída no grupo de atividades essenciais para a sociedade brasileira.
Um bom planejamento não desperdiçaria a permeabilidade social dos trabalhadores na educação aqui do Amapá, certamente o setor que poderia levar, diretamente para as famílias, as informações organizadas e sob a orientação dos professores.
Sabe-se que o maior contingente de profissionais de uma mesma área no quadro de 32,5 mil funcionários públicos do Governo do Amapá, são os trabalhadores da educação que, com um contingente de mais de 11 mil profissionais, representam 1/3 da força de trabalho apenas dos lotados no Governo do Amapá. Nos municípios a proporção é praticamente a mesma
Com boa estratégia de ação, com equipamento de proteção individual para os profissionais e os alunos se teria o maior exército participando diretamente das orientações de como os país, os parentes e todos os próximos seriam bem instruídos para enfrentar o novo coronavírus.
Mas foi prático, deixar para lá, os alunos sem aula, os professores sem atividade e a educação brasileira e amapaense cavando um buraco mais fundo.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Competitividade: Amapá fica com zero nos pilares Educação e Máquina Pública.


Rodolfo Juarez
Saiu na semana passada o Ranking de Competitividade dos Estados, Edição 2019, publicada pelo Centro de Lideranças Públicas que, desde 2008, desenvolve líderes públicos empenhados em promover mudanças transformadoras por meio da eficácia da gestão e da melhoria da qualidade de políticas públicas.
Segundo a mesma publicação, a necessidade de mais líderes no setor público é notada em todas as hierarquias. O setor público tem dificuldades na mobilidade, por estar mergulhado em burocracias, exige ações objetivas que, por sua vez, só podem ser tomadas por verdadeiros líderes públicos.
As marcas dessa crise de lideranças se fazem presentes na falta de uma agenda local e nacional de desenvolvimento, na grande burocracia e nos projetos sem fim, que tanto marcam a política de infraestrutura nos estados e nacionalmente.
A divisão da análise em 10 pilares temáticos possibilita identificar, dentro de cada um dos 10 pilares, quais os pontos fortes e os pontos fracos que posicionam em um ranking nacional, permitindo a classificação de cada estado considerando 69 indicadores que são avaliados na pesquisa.
Aliado à vontade política, essa análise se constitui em uma poderosa ferramenta para balizar as ações dos governos estaduais e garantir a melhoria de padrões socioeconômicos pela atração de capitais que implicarão na oferta de empregos e o desenvolvimento fiscal do estado.
É certo que a competitividade de um Estado está diretamente ligada à capacidade de ação dos seus líderes públicos, partindo da base para a construção do legado da competitividade para aqueles governos que assim desejarem fazer.
Um ambiente onde existe competição saudável entre pessoas, equipes e organizações, é natural que ocorram maiores incentivos para a melhoria de resultados, bem como para a inovação em instrumentos e métodos que possibilitam a superação de desafios.
O setor privado é uma esfera social competitiva por natureza. Já o setor público, tornou-se, para muitos, um ambiente não competitivo e, por isso, não ser regido por leis de mercado, o setor público deveria ser guiados por critérios como justiça e equidade,  princípios que não são objetos fins do setor privado.
O elemento competitivo é compatível com a ideia de uma república federativa, como a que se propõe o Brasil. A competição saudável faz com que estados e municípios busquem melhorar seus serviços públicos, atraindo empresas, trabalhadores e estudantes para ali viverem e se desenvolverem social e economicamente.
Em suma, as comparações entre estados e entre municípios possuem grande potencial para melhorar a eficácia das políticas públicas, fornecendo um mapeamento dos fatores de competitividade e de fragilidade em cada unidade da federação ou mesmo em cada município de um mesmo estado.
A seleção de indicadores e dos pilares de sustentação é uma escolha que deve estar na estratégia para obtenção dos resultados desejados.
O Estado do Amapá, no Ranking de Competitividade dos Estados brasileiros, como os outros estados, foi avaliado em 10 pilares e 69 indicadores, agora em 2019, e ficando em 24.º lugar entre os 27 estados da Federação.
Foram considerados, para essa análise, 10 pilares. São eles: segurança pública, sustentabilidade social, infraestrutura, educação, solidez fiscal, eficiência da máquina pública, capital humano, inovação, potencial de mercado e sustentabilidade ambiental.
O Estado do Amapá obteve as seguintes posições na comparação com todos os estados brasileiros: Infraestrutura, 19.ª posição (26,1%); sustentabilidade social, 25.ª posição (17,2%); segurança pública, 18.ª posição (50,4%); Educação, 27.ª posição (0,0%); solidez fiscal, 7.ª posição (81,4%); eficiência da máquina pública, 27.ª posição (0,0); capital humano, 3.ª posição (66,7%); sustentabilidade ambiental, 16.ª posição (47,8%); potencial de mercado, 21.ª posição (14,5%); e Inovação, 15.ª posição (29,7%).
Na classificação utilizada o maior percentual é de 100% e o menor 0%. O Amapá ficou na 27ª (0,0%) posição em dois pilares, Educação e eficiência da máquina pública. Duas sustentações decisivas para as aspirações de competitividade no mercado.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Outras opiniões sobre a educação no Estado do Amapá.


Rodolfo Juarez
No artigo de hoje faço questão de reconhecer alguns dos leitores que contribuem com as suas opiniões sobre os mais diversos temas que são levantados aqui neste espaço.
No artigo do dia 4 de junho deste ano destaquei o sistema estadual de educação considerando dois pontos atuais e que poderiam ser analisados conjuntamente: a publicação do resultado do Censo Escolar e a posição ocupada pelo Estado do Amapá em comparação com outras unidades da Federação; e, a greve dos professores da rede estadual, anunciada depois da reunião havia com o governador do Estado, quando os professores foram informados, através dos seus dirigentes sindicais de que: a) não haveria correção salarial em 2019, b) não cessaria o parcelamento de salário; e c) que o adiantamento do décimo terceiro salário, referente a 2019, seria de apenas 30%.
A questão suscitada foi a oportunidade de uma greve no momento em que os resultados do Censo empurraram a educação estadual para os últimos lugares no ranking apurado.
Esse questionamento deu oportunidade a várias manifestações que corroboraram, ou não, com a linha de raciocínio desenvolvida por este observador do dia a dia e que tem a oportunidade de expressar a sua opinião sobre os temas discutidos. Foi assim que alguns leitores sentiram vontade de expressar o seu sentimento e aos quais peço vênia para transcrevê-las:
Adriano Cordeiro: “vale ressaltar que quem causa a greve é o governo quando tenta se eximir do seu papel e da responsabilidade de destinar a maior parte dos seus recursos para quem é devido que é a população, através de investimentos pesados na educação, na saúde e na segurança. Ao invés disso o governo investe pesado na manutenção de seus próprios privilégios, em aumentos absurdos salariais para a assembleia e judiciário, contratando empresas de amigos, gastando com serviços supérfluos para seu próprio bem estar, enquanto a população morre nos hospitais, nas ruas e tem sua educação sendo garantida a trancos e barrancos pelos profissionais da educação que apesar de não serem valorizados tiram do pouco que recebem para não deixar seus alunos flutuando no mar da ignorância. Usando uma fala sua, culpados existem muitos mesmo, o governo que é corruptível é incompetente, políticos e ex- políticos que não assumem o papel para o qual foram eleitos, Pseudo intelectuais pro governistas que não usam seu conhecimento para o bem comum e sim para seus interesses próprios, influenciadores de opinião pública que deveriam estar apoiando a luta que está ocorrendo nesse momento por uma educação melhor, estrutura e salário digno para seus educadores... Realmente muitos têm culpa desses índices, mas os professores esse não têm, na verdade esses índices só não são muito piores porque eles estão lá, na sala com carteiras velhas, quadro pela metade, com goteiras por todo lado, no calor do nosso clima sem centrais de ar, usando seus materiais pessoais se quiser fazer aulas mais atrativas do que somente quadro, pincel e livro. Esses meu caro não tem culpa disso, eles têm sido a UTI lutando dia e noite para a educação nesse estado não declinar de vez!!”
Guilherme Jarbas Santana: “Acho que os professores são os que menos culpa têm. como exigir de um.professor mal remunerado, com salário inferior em relação as outras categorias profissionais. .escolas em péssimas condições com goteiras, ventiladores , quando há, danificados, banheiros fétidos ,etc...o texto do Adriano está um primo, retrata a realidade da educação do Estado, cheia de lari...lari.. Hoje o mais importante na educação é Merenda, ninguém reclama das péssimas condições das escolas ou da falta de professor,agora faltou merenda, saia da frente...”
Ainda podemos destacar os comentários da professora Maria Helena Amoras, do Gustavo Silva, entre outros.
Em maio de 2019 a folha bruta de pagamento da SEED alcançou o valor de R$ 64,5 milhões, para pagar 10.664 funcionários, representando 33,34% de toda a folha bruta do Governo do Estado que supera os R$ 193,5 milhões. O salário médio dos funcionários da Educação Estadual é R$ 6.050,85.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

O momento crítico da educação no Estado do Amapá


Rodolfo Juarez
Estou perplexo com as notícias vindas da educação no Estado do Amapá que, de um lado ocupa as piores posições no ranking comparativo publicado pelo senso escolar, e, de outro, vejo os anúncios e a declaração de vontade dos professores do estado, tendo como guia o sindicato da categoria, entrarem em greve e, com isso prejudicar o período letivo e, ainda mais, o aprendizado dos alunos.
Os professores alegam que sem a correção salarial anual, com antecipação de apenas 30% do décimo terceiro salário, e com a manutenção do parcelamento do salário, os prejuízos decorrentes dessa situação são suficientes para que entrem em greve, paralisando o sistema de educação estadual e criando uma série de problemas para os alunos, pais de alunos e para os interesses de cada um dos cidadãos.
Do outro lado, o principal produto dos professores, que seria um ensino de excelência não é discutido, nem pelos próprios professores e muito menos pelos gestores da educação estadual, que não cobram e muito menos se mostram interessados pelos resultados dos alunos e com o constrangimento de estar o Amapá sempre na rabeira quando comparado com as outras unidades da Federação no quesito resultado do ensino público.
O retrato da educação no Estado é preocupante e já oferece a certeza dos prejuízos sociais que decorrerão da situação que foi constatada.
Os alunos, tanto do ensino fundamental como do ensino médio, que estão na sala de aula, estão muito defasados na comparação do ensino com a série ideal, considerando a idade de cada aluno. Essa defasagem projeta o aluno perdendo tempo de vida escolar e o Estado do Amapá perdendo potencial na comparação com os outros estados.
Mais de ¼ dos alunos amapaenses do ensino fundamental estão atrasados com relação à idade, fato que é considerado uma distorção. Nesse módulo, o Ensino Fundamental nas escolas públicas do Amapá registram que 26,9% estão atrasados na série que cursam. Nesse mesmo módulo, a média nacional é 17,2%.
No módulo referente ao Ensino Médio a defasagem se agrava e está registrado que 36,6%, mais de um terço da comunidade escolar desse módulo está estudando em séries que já deveriam ter cursado em anos anteriores.
Com professores em greve, sem método restaurador e sem os pais de alunos conscientizados da situação, quais são as chances de melhoria do quadro?
Claro que serão mínimas. E nem todo o arrojo, a dedicação dos alunos e de alguns professores essa tarefa deixa de ser muito difícil, mas é importante que, até dessa dificuldade, os gestores da educação estadual tomem consciência e mudem a maneira de encarar a educação, especialmente a responsabilidade que têm com alunos, pais de alunos e professores.
Culpa? Muita gente tem culpa, inclusive os professores que não encontram uma razão para conviver com essa realidade e mudar mostrando que o Amapá pode estar no topo da tabela, como já esteve em outros tempos, onde alunos, professores e gestores eram reconhecidos pelo seu trabalho.
Essa fase crítica da educação precisa ser vencida para que professores e alunos possam dizer que estão prontos para contribuir para o desenvolvimento do Amapá. Doutra forma serão, certamente, responsabilizados pelos índices medíocres que o Estado ostenta na atualidade.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Ideb demonstra que a educação no Amapá não avançou


Rodolfo Juarez
O Brasil superou a meta prevista para os anos inicias do Ensino Fundamental em 2017, entretanto, o Ensino Médio segue como etapa mais desafiadora. Infelizmente não é o que aconteceu na apuração específica do Estado do Amapá que foi um dos sete estados brasileiros, além do Distrito Federal que apresentou queda no desempenho dos alunos equivalente a 0,1 de o ponto percentual.
Quando olhamos para o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), é possível enxergar pontos positivos e negativos na aprendizagem dos alunos na escola pública do país. Um ponto positivo: o Brasil superou a meta prevista nos anos inicias do Ensino Fundamental em 2017.
O índice divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), é calculado de dois em dois anos, de acordo com os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e com as taxas de aprovação das escolas e redes de ensino.
Os anos iniciais seguem sendo a etapa que apresentam melhores resultados nos índices do Ideb. Supera a meta prevista em 0,3 ponto, e todos os estados evoluíram na proficiência média em relação a 2015. Apenas os estados do Amapá, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul não alcançaram suas metas.
Oito estados já alcançaram Ideb maior ou igual a 6 - meta prevista nacionalmente somente para 2021. São os seguintes: Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Ceará, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Distrito Federal. O Ceará se destaca por ter superado a meta proposta para 2017 em 1,4 ponto.
Uma escola pública de Ensino Fundamental, do município de Serranópolis do Iguaçu, no Paraná, obteve o Ideb mais alto do estado, com média de 8,7. Para os professores o segredo do “sucesso” vem de um conjunto de fatores: o município tem a Educação e a Saúde como áreas prioritárias do orçamento, a Secretaria  Educação tem condições de estar presente no dia a dia dos professores, apoiando com formação continuada de qualidade, os docentes de fato conseguem reservar 33% de sua carga horária para o preparo das aulas e a escola tem uma série de medidas que visam garantir a aprendizagem das turmas.
Houve melhora no índice nacional: subimos de 4,5 para 4,7, mas ainda distante da meta para 2017, que seria de 5 pontos. Dos 27 estados, 23 aumentaram o Ideb, mas apenas 7 atingiram suas metas: Rondônia, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso e Goiás.
De acordo com Inep o desafio é melhorar o fluxo escolar. Enquanto estados com histórico de baixa retenção, como Mato Grosso e São Paulo, há outros, como Sergipe, Pará e Bahia com taxas de distorção idade-série e efeito colateral de altos índices de reprovação que chegam a mais de 40%.
O Ensino Médio é a etapa mais desafiadora para o Brasil. O avanço é lento: depois de três edições de estagnação, o índice avançou 0,1 ponto em 2017, chegando a 3,8. Mas está bem distante da meta prevista, que seria de 4,7.
No panorama geral, cinco estados tiveram redução no valor do Ideb, o melhor desempenho do país ficou com o estado do Espírito Santo, mas nenhuma unidade federativa atingiu suas metas.
Sobre o Ensino Médio, as autoridades defendem a reforma e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) da etapa, usando os dados estagnados.
O Amapá não atingiu a meta e, por isso, a educação marca passo a 10 anos.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

A Educação no Estado do Amapá


Rodolfo Juarez
Hoje termina o mês de julho e as férias escolares. Voltam os professores e os alunos para as salas de aula e para mais um período da sua vida escolar.
Mais uma vez os pais vão se dar conta de como as creches pública fazem falta e que as particulares, além de cobrarem mensalidades caras, são raras as que têm infraestrutura que corresponda ao valor cobrado e ao ensino esperado.
Observa-se que na educação infantil, tanto nas creches, para crianças de até três anos de idade, como na pré-escola, de quatro e cinco anos de idade, as carências se confundem com a inexistência, criando um grande obstáculo para uma sociedade que, segundo o IBGE, continuará tendo, por muito tempo, um dos maiores índices de fecundidade de todo o Brasil.
No ensino fundamental os problemas continuam do mesmo tamanho, onde a carência de boas escolas é justificada pela grande procura, tanto nos anos iniciais, os cindo primeiros da sequência (1.º ao 5.º), como nos anos finais, os quatro anos seguintes (do 6.º ao 9.º).
Os problemas no ensino fundamental se acotovelam pela falta de recursos, tanto para equipar as próprias escolas, como para construir prédios melhores e datar de segurança e administração adequadas.
O Ensino Médio, etapa final da Educação Básica, com duração mínima de três anos, o fantasma da desistência dos alunos e da falta de professores, continua puxando os resultados para baixo. Nessa etapa, as escolas particulares oferecem atração para os adolescentes que têm pais mais abastados e que, mais tarde, vão competir em desigualdade com aqueles alunos que continuaram na escola pública, com ofertas favorecidas de vagas no Ensino Superior.
A forma de admissão do aluno da Educação Básica no Ensino Superior é através do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As Universidades Públicas selecionam os seus alunos através da prova do Enem e isso tem deixado para os candidatos às universidades em uma encruzilhada: de ficar na escola pública e ter as vantagens por isso ou estudar nas escolas privadas e entrar sem qualquer vantagem, inclusive no financiamento do curso superior.
Essa escolha na maioria das vezes influencia na Graduação (quando o aluno começa fazendo um curso que é de sua primeira vontade) e que se esforça para consertar na Pós-Graduação, se aperfeiçoando em assuntos que estão próximos do seu desejo prioritário.
Os professores no meio disso tudo procuram justificar na dificuldade decorrente da realidade como se isso fosse suficiente, ou então, selecionam os alunos mais destacados e investem tudo naqueles alunos, deixando os outros com o mínimo ou até, aquém do mínimo necessário tanto do aprendizado, como do que deveria compor o programa mínimo.
O Amapá já experimentou momentos muito bons no processo de educação-aprendizagem, mas, no momento as dificuldades diárias são imensas, muito embora o Estado conte com uma equipe de professores preparados e interessados, mas que vêem escorrer entre os dedos chances importantes de transformar a educação integral como uma das melhores referências de resultado no Amapá.
 Todos os alunos são muito prejudicados, entretanto os alunos da área rural, para quem são oferecidos cursos como se estivesse na área urbana, são os que mais sofrem, inclusive com dificuldades para chegar até às escolas. O transporte escolar foi, pelo menos até o semestre passado, um dos maiores problemas.

quarta-feira, 14 de março de 2018

No Amapá: Governo Estadual precisa recuar


Rodolfo Juarez
A educação é um dos temas mais importantes para serem detalhados pelos governos e aplicados pelos gestores no âmbito de uma administração.
O sistema estadual, por ser o principal responsável pelo ensino médio, sem deixar de influenciar nos sistemas municipais, desde as creches até o ensino fundamental, e também, com o ensino superior nas áreas técnicas de interesse do programa de desenvolvimento estrutural e econômico estadual, precisa ser cuidado com zelo e presteza, sem permitir desvios de finalidade, tanto no conteúdo programático como no atendimento escolar.
É um sistema que se renova e precisa ser implantado na sua plenitude para que os resultados esperados e possíveis apareçam. Não há espaço para desvio de atenção, tanto da administração escolar como da infraestrutura de apoio, para que os professores e alunos tenha dedicação integral à aprendizagem e aproveitamento total do tempo que lhes são destinados.
Não dá para entender que horários sejam cortados pela metade e os alunos dispensados mais sedo por falta de merenda escolar, ou de professor, ou de merenda e professor, levando o aluno e os pais de aluno a se irritar com desleixos e descumprimento de promessas feitas antes do primeiro dia de aula.
Colocar a culpa nos pais de aluno ou nos próprios alunos é contrariar o esforço, por exemplo, que ambos fazem para garantir uma matrícula, muito embora seja um direito consagrado nas regras e uma necessidade desses brasileiros que, mais tarde precisam estar preparados para melhor orientar os destinos do Estado e do Brasil.
Entre tantos inesperados acontecimentos, desde o começo do atual governo foi estabelecido uma política que se mostrou completamente equivocada, tomada por impulso ou por falta de competência para administrar situações que se mostravam conflituosas entre as empresas fornecedoras de mão de obra e o governo do Estado.
A decisão de substituir os vigilantes que trabalhavam nas escolas estaduais por um sistema de câmera não deu certo. Mesmo a economia alegada não foi comprovada e os prédios das escolas passaram a ser visitados por assaltantes que passaram depredar as escolas levando equipamentos e tudo o que encontravam na escola.
Mais recentemente os invasores se tornaram mais audaciosos e passaram a fazer arrastão dentro das escolas.
Os professores e alunos perderam completamente a tranquilidade de estar na escola e, com isso, a insegurança ocupou o espaço que estava reservado para os experimentos de liberdade; a tranquilidade desapareceu e o medo se integrou ao sentimento de alunos, professores e todos aqueles que trabalham na escola ou têm filhos nas escolas.
Voltar com a vigilância é uma tomada de decisão que precisa de urgência para ser adotada, desta feita, infelizmente, com vigilância armada, pois os assaltantes já mapearam todos os prédios do sistema estadual de ensino e preparam seguramente, com mais detalhes as suas ações.
O Governo do Estado, através da Secretaria de Educação, por enquanto deixa a proteção dos alunos para a Polícia Militar que já criou até um Pelotão Escolar que, apesar do conhecido empenho, não está conseguindo alcançar os resultados planejados.
Voltar com a vigilância, e desta feita armada, certamente é um recuo, mas, as estatísticas disponíveis indicam a necessidade. Para este momento ser teimoso significa ser inconsequente e irresponsável.
O Governo Estadual precisa recuar da decisão anteriormente tomada, considerando o bem de alunos, professores, pais de alunos, demais trabalhadores do sistema educacional e da própria educação.

domingo, 19 de março de 2017

A culpa não é dos alunos.

Rodolfo Juarez
Não é de agora, mas não precisaria ser de agora, para que os agentes públicos, especialmente os reguladores dos direitos da sociedade, entrassem em ação e cessassem o que se tornou um problema para a população e um desafio para os administradores públicos: os fechamentos de ruas e avenidas em Macapá.
Esses constantes fechamentos vêm deixando os condutores nervosos e as pessoas prejudicadas em decorrência de um problema que está sendo gerado na relação entre patrão e empregado, mesmo em um tempo em que os desempregados olham tudo isso e não entendem absolutamente nada.
Semana passada os fechamentos sucessivos ocorridos na Avenida FAB, patrocinado por sindicatos de funcionários do Governo do Estado, prejudicaram a acessibilidade de todos os que precisavam passar por aquela avenida ou simplesmente ir para o trabalho ou dele sair.
Não é possível, seja lá quem for, imaginar que ganha o apoio da população quando fecha uma rua, ou avenida, sem avisar quem quer que seja, sabendo que vai prejudicar terceiros e ainda desafiar autoridades que deveriam ser os portadores das angústias e problemas dos servidores, mas que se tornam adversários em uma mesma luta.
A legislação local e o respeito ao outro são referências que poderiam - se consideradas -, modificar o modo de agir daqueles que entendem que estão prejudicados e acreditam que falando mais alto – através de amplificadores – garantirão a prevalência do seu ponto de vista.
É preciso dar um ponto final nessa bagunça urbana, patrocinada por funcionários públicos, pagos com dinheiro dos tributos recolhidos da população, exatamente a mais prejudicada no contexto em que: de um lado tem um empregador que não encontra espaço para conversar e, de outro, um grupo de funcionários dispostos a não trabalhar, tendo como escudo a organização sindical, com algumas propostas descomprometidas com a realidade e o resultado do que apregoam ou exigem.
Se falta boa vontade de um lado, também falta competência para gerenciar um conflito, do outro lado, afinal basta que um motivo central seja o condutor das insatisfações que o curto-circuito na relação se manifesta na proporção da insatisfação ou da falta de liderança para debater as pautas levantadas.
No caso específico dos professores, aqueles que são funcionários públicos do Governo do Estado, o desentendimento vem de muito tempo, assim como os prejuízos nos resultados anuais também, com os índices nacionais deixando a educação amapaense em posições vexatórias e que não correspondem à história dos resultados dos discentes dos diversos níveis de ensino no Amapá.
Essa deveria ser a preocupação. Esse deveria ser o motivo da luta.
Mas não é assim. A luta tem sido por salários e por melhores condições de trabalho ou menor tempo de trabalho.
O Estado do Amapá é uma dos entes da Federação Brasileira que precisa ter o sistema de educação aprimorado e, se assim não entenderem os professores e, principalmente as suas lideranças, não haverá possibilidade de reverter o quadro que se apresenta.
Os resultados aferidos até agora são da responsabilidade de todos os gestores e professores do sistema estadual de educação, com reflexos nos outros sistemas como o particular, o municipal e o federal.
Se não entender assim, os resultados que foram apurados e mostraram níveis indesejados, serão mantidos para decepção da população e outros questionamentos para os professores e gestores do sistema estadual de educação.
Focar em greve, em paralisações, em queima de bandeira, em reclamação, não tem dado certo há muito tempo, como os empregadores fazerem “ouvido de mercador” jamais modificará os resultados e devolverá ao Amapá a tranquilidade para experimentar outros sistemas de educação e contar com a contribuição indispensável dos professores.

As famílias e os alunos, enquanto isso - seja como participante do cenário, seja como analista dos acontecimentos -, acaba sendo a grande prejudicada e ficando sem entender como a maior folha de pagamento do Governo do Estado não produz os melhores resultados. E tenha certeza: a culpa não é dos alunos!

sexta-feira, 15 de maio de 2015

As datas da prova do Enem

Provas do Enem serão aplicadas em 24 e 25 de outubro deste ano
Taxa de inscrição subiu de 35 para 63 reais. São esperados mais de 9 milhões de candidatos.
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 será realizado nos dias 24 e 25 de outubro, e terá taxa de inscrição mais cara: 63 reais, contra os 35 reais  cobrados nos últimos anos.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira pelo ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro.
O período de inscrição começa às 10 horas do dia 25 de maio e vai até às 23h59 do dia 5 de junho, sempre considerando o horário de Brasília.
As inscrições serão feitas pelo site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Os cartões de confirmação de inscrição não serão enviados pelo correio - estarão disponíveis na página do exame.
O horário de início das provas também mudou. Passará a ser às 13h30 de Brasília, meia hora mais tarde em comparação aos anos anteriores. No entanto, o horário de abertura dos portões nos locais de prova continuará sendo às 12 horas e o fechamento, às 13 horas (de Brasília).
Faltas
O edital do exame será publicado na próxima segunda-feira. A prova será aplicada em 1.714 municípios do país e a expectativa é que mais de 9 milhões de candidatos façam o exame.
Uma preocupação para este ano é reduzir o número de abstenções. Para tentar coibir faltas, o ministério determinou que o participante que for isento da taxa de inscrição e não comparecer ao exame perderá o benefício na próxima edição da prova.
No ano passado, dos 8,7 milhões de inscritos,  quase 2,5 milhões não realizaram o teste, o equivalente a 28,64% dos candidatos.
"Uma pessoa não pode ter isenção graças a recursos da sociedade e jogar isso fora. Há uma responsabilidade moral que é preciso assumir", disse Janine Ribeiro.
São isentos da taxa de inscrição estudante que estejam concluindo o ensino médio este ano em escolas da rede pública, além de pessoas que se declararem carentes.
O ministro da Educação também afirmou que a edição de 2015 continuará considerando o nome social para travestis e transexuais.
"Será considerado errado se qualquer monitor chamar essas pessoas pelo nome que está no documento", disse Janine Ribeiro. O candidato também terá direito a usar o banheiro relativo ao nome social.

A nota do Exame Nacional do Ensino Médio pode ser usada para participar de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Sistema de Seleção Unificada do Ensino Técnico e Profissional (Sisutec).

sábado, 18 de abril de 2015

Não acendam o estopim

Rodolfo Juarez
Está havendo entraves fortes para que a negociação entre o Governo do Estado e os professores não tenha a rapidez que os alunos e pais de alunos desejavam, principalmente considerando o que aconteceu em 2012 e 2013 que retardou o calendário escolar que, pelos motivos recorrentes, só estariam normalizados em 2017.
Então o assunto é muito grave e demais importante!
Não dá para ficar desafiando nem a paciência dos governantes e muito menos a paciência dos professores, muito embora os mais sacrificados, em caso de não haver acordo, seriam os alunos e os pais de alunos, que já não têm confiança para planejar as férias de julho e, verdade seja dita, nem sabem se haverá as férias de julho.
Enquanto isso a qualidade do ensino vai caindo, as dificuldades para ingresso nas faculdades vão aumentando e os alunos começam a ver o tempo passar, a escola não funcionar e conhecimento ficar para depois.
Precisa haver um pacto de confiança entre o patrão e os empregados. Para isso é preciso que haja confiança, transparência e repartição de interesses. Não haverá acordo se continuar a estratégia de que “não tem dinheiro” e esperar que os professores fiquem de braços cruzados.
Os professores da prefeitura já começaram a caminhar para o lado e a “paços de tartaruga”. Tomara que essa moda não chegue ao Setentrião e haja serenidade para tomar a melhor decisão e, evidentemente, a melhor decisão não seria mais uma greve e mais um desafio à paciência dos alunos e pais de alunos.
Os ventos que saíram do Palácio do Setentrião, junto com os representantes dos professores, não foram considerados agradáveis. De cara fechada e sem querer supor qualquer coisa, o presidente do sindicato já dizia que tudo dependeria da Assembleia Geral e que o decidido no encontro seria executado pelo comando do Sindicato.
O governo acena com a regência de classe, vantagem que foi incorporada ao salário pelo governador anterior e que não deu certo, não serviu para ninguém e o governador de então não ganhou nada com os professores por causa disso, inclusive confiança.
Entre os professores estava uma de suas maiores rejeições.
O governador Waldez sabe disso. E sabe que não é hora para brigar com quem quer que seja e que as dificuldades podem ser divididas de forma organizada e sincera com todos os que se interessarem pelo desenvolvimento do Estado.
É importante considerar que há alguns problemas que precisam ser resolvidos e um deles é a confiança nas decisões tomadas. Com desgaste baixo e com a força da liderança que demonstrou ter, o governador Waldez ainda precisa consolidar a sua proposta de governo e, nela, está a questão dos professores, em destaque, tantos foram os problemas enfrenados pela classe.
Bom senso para todos.
É preciso compreender o Governo, mas é preciso, também, compreender o Governo, capaz de ser o local desejado, mas também capaz de ser o instrumento de defesa que a população tenha que usar se o Governo deixar que isso aconteça.
Cautela, compreensão, capacidade de negociação e muito respeito a cada um daqueles que estão no grupo de negociação.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Enem escancara um novo problema

O ENEM ESCANCARA UM NOVO PROBLEMA
Rodolfo Juarez
Durante os primeiros dias em que foram divulgadas as notas do Enem, os estudantes amapaenses acessaram os resultados e foram se inscrevendo em cursos cada vez mais distantes daquele que tinha sonhado.
A cada nota de corte, uma nova tentativa e uma nova mudança ou, até a desistência por absoluta falta de condições de competir com os concorrentes de outros centros que tomavam conta das vagas dos principais cursos da Universidade Federal do Amapá.
O último dia das inscrições também foi um dia triste para a maioria dos estantes amapaenses que haviam participado dos dois dias de prova do Enem, mesmo para aqueles que já sabiam, antecipadamente, que teriam grandes dificuldades para competir com os concorrentes de outros estados que, reconhecidamente, está com a qualidade de ensino muito acima daquela comparada com a do Amapá.
Os indícios já vinham sendo apresentados, mesmo antes das vagas da universidade federal ser comprometida, todas elas, com o Enem, uma necessidade política do Ministério da Educação e da Presidência da República, mas um golpe nos sonhos dos estudantes das regiões mais desassistidas com a educação, como o Estado do Amapá.
Os índices ainda não foram anunciados oficialmente, mas extraoficialmente, está se prevendo que menos de 20% das vagas oferecidas na Unifap serão preenchidas por alunos que completaram o ensino médio no Amapá.
Cursos como Medicina e Direito, estes então, terão ainda muito mais estudantes de fora do Amapá do que daqui do Amapá.
Daqui a pouco estes alunos estarão chegando para conhecer a cidade, ir até a universidade, talvez levados por motoristas especialmente contratados, pois é esperado um grupo de alunos de classe média e que estão dispostos a passar os próximos quatro ou cinco anos como aluno da Unifap ou, quem sabe, até conseguirem transferência para outra universidade, mas já levando os conhecimentos para ser aplicado em suas regiões.
Esse é um problema do Enem?
Claro que não.
Esse é um problema que precisa ser enfrentado pelo sistema público de educação no ensino médio, com aproveitamento do tempo do aluno na sala de aula, recebendo o ensinamento de professores treinados.
Os resultados apurados, nacionalmente, pelo MEC para as escolas de todo o Brasil vem deixando as escolas públicas e privadas, do Amapá, em posições muito distantes das primeiras escolas no ranking das escolas em todo o Brasil.
O problema é urgente, pois, doutra forma, haveremos de amargar situações vexatórias, com os recursos destinados a educação superior no Amapá, sendo usufruídos por alunos que fizeram o ensino médio fora daqui, prejudicando todo o projeto que havia para as famílias que moram no Amapá.
Essa situação só pode ser modificada com um pacto pela educação, um pacto verdadeiro, onde a Secretaria de Estado da Educação passe a encarrar a situação com a eficiência que precisa ser encarada e os professores, mesmo continuando com sua luta, devem compreender que não haverá melhoria sem a dedicação dos professores aos alunos e ao conteúdo que precisa ser repassado aqueles alunos.
Levantamento recente, divulgado pelo próprio Ministério da Educação, indica que no Estado do Amapá é o Estado da Federação que dispõe do melhor índice de professores preparados para exercer a profissão, perdendo apenas para o Distrito Federal.
Considerar o resultado deste ano como uma indicação de que o sistema educacional local precisa melhorar, e muito, pode ser a primeira decisão propositiva a ser tomada pelo sistema de gestão na educação pública no Amapá e um indicador para que também tenha esse mesmo rumo a educação exercitada pela privada daqui.

Deixar ficar como está não é uma atitude clara de responsabilidade com o sistema local de educação!

sábado, 7 de dezembro de 2013

Ranking da Educação em 2013 - Amapá

Rodolfo Juarez
O programa patrocinado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apurou e divulgou, esta semana, o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA).
A OCDE é uma organização internacional de 34 países que aceitam os princípios da democracia representativa e da economia de livre mercado, que procura oferecer uma plataforma para comparar políticas econômicas, solucionar problemas comuns e coordenar políticas domésticas e internacionais.
A maioria dos membros da OCDE é formada por economias com elevado PIB per capta e Índice de Desenvolvimento Humano e são considerados países desenvolvidos à exceção do México, Chile e Turquia.
Teve origem em 1948 com a Organização para Cooperação Econômica, liderada por Robert Marjolin, da França, para ajudar a gerir o Plano Marshall na reconstrução da Europa pós-segunda guerra mundial.
 Posteriormente a sua filiação foi estendida à estados não-europeus e, em 1961, a Convenção sobre a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico reformou a anterior organização e deu origem à OCDE, que tem sede no Château de la Muette, em Paris, na França.
Os principais objetivos da organização é apoiar um crescimento econômico duradouro, desenvolver o emprego, aumentar o nível da qualidade de vida, manter a estabilidade financeira, ajudar os outros países a desenvolverem as suas economias e contribuir para o crescimento do comércio mundial.
Também é chamado de “Grupo dos Ricos” porque os 31 países participantes produzem juntos mais da metade de toda a riqueza do mundo.
A OCDE também partilha os seus conhecimento e troca ideias com mais de 100 outros países e economias, desde o Brasil, China e Rússia, até os países menos desenvolvidos da África.
Desde dezembro de 2012, a OCDE tem 25 estados não-membros com o status de observadores ou participantes de pleno direito nas suas comissões. Cerca de 50 nã0-membros participam nos grupos de trabalho, regimes ou programas.
A OECD tem mantido um diálogo político com o propósito de partilhar as opiniões sobre quais são as melhores práticas a seguir.
Desde de maio de 2007, o Conselho Ministerial da OCDE decidiu iniciar negociações de adesão com o Chile, a Estônia, Israel, Rússia e Eslovênia. Nesse mesmo conselho ficou decidido o reforço da cooperação com o Brasil, a China, a Índia, a Indonésia e a África do Sul.
O programa da OCDE avalia a qualidade da Educação a cada três anos em 65 nações nas áreas de Matemática, Leitura e Ciências. O Brasil, no momento, está abaixo da média em todas as provas, avançando em passos lentos na educação e segue com posição ruim no ranking do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), exame coordenado pela OCDE e aplicado a jovens em diversos países.
No Brasil o Distrito Federal é o melhor em Matemática (416 pontos), Rio Grande do Sul, em Leitura (433 pontos) e o Espírito Santo, em Ciências (428 pontos).
Na apuração geral o Brasil ficou, entre os 65 países que participaram do programa, ficou em 58º lugar, em Matemática (391 pontos); 55º em Leitura (410 pontos); e 59º em Ciências (405 pontos).
O Estado do Amapá, entre as 27 unidades da Federação, ficou 23º lugar, em Matemática (360 pontos), ao lado do Pará; em 16º lugar, em Leitura (396 pontos); e 17º lugar, em Ciências (382 pontos).
As autoridades do setor educação no Amapá precisam avaliar o atual sistema empregado, pois, nesse mesmo teste o Estado já ficou em posição mais confortável.  

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Retrato social

Rodolfo Juarez
Os brasileiros ainda estão surpresos com os seus jovens filhos que resolveram usar as redes sociais para exercer a força que tem um país com uma população do tamanho que tem o Brasil.
Surpresos, mas também orgulhosos pela posição tomada no sentido de encontrar uma resposta para os próprios pais, que quanto mais trabalham, têm mais dificuldades para enfrentar às necessidades do dia a dia.
Transporte, educação, saúde, segurança entre importantes setores que foram entregues para serem administrados conforme as regras democráticas, não conseguem atender, às necessidades básicas da população.
Apesar de ter sido a gota d’água e o grito de “não me faça de besta”, seguramente não é aquele que acumula maior número de reclamações, mesmo assim se constituiu no fator decisivo, considerando a maneira repetitiva usada para mudar a tarifa, sem o respeito àqueles que são os usuários e que deveriam ser o foco de todos especialmente: concessionários e concedentes.
A educação, maltratada como está, apesar dos discursos oficiais, foi um dos setores mais prejudicados nos primeiros anos desse século devido ao abandono que o Plano Nacional para o Desenvolvimento da Educação foi relegado. Depois de ver vencido o prazo para a sua implantação e apresentação dos resultados, sem qualquer explicação as autoridades do Ministério da Educação adiaram por 10 anos o plano e passando as metas que deveriam ser atingidas até o ano passado, para serem atingidos no ano de 2022.
O Sistema Único de Saúde, considerado um dos mais evoluídos do mundo, justamente por prever o atendimento universalizado com prioridade para os mais pobres, não consegue alcançar a eficiência com aqueles que mais precisam, gerando reclamações que se transformam em desespero, conforme a necessidade ou a ocasião.
Sem explicar os motivos que provocam tantos elogios no exterior e tantas reclamações dentro do país, os gestores se agarram em desculpas e não explicam as razões.
A sensação de insegurança vivida pela população brasileira, resultado de registros policiais e de cenas urbanas, onde o assassinado de crianças, jovens e adultos virou rotina no noticiário especializado e um desafio para as autoridades que não conseguem explicações e, no máximo, trocam os responsáveis pela segurança das pessoas, sem as mudanças necessárias que exige o processo.
Por tudo isso a gestão dos brasileiros não está suportando as comparações e se deixando abater pela falta de resposta que a população exige.
Sem respostas a insatisfação aumenta, a desconfiança cresce e há o abatimento natural da capacidade executiva das pessoas.
De que vale dispor de tantas chances se nenhuma delas alcança os resultados esperados?
Os jovens perceberam que os problemas são comuns a todos, independentemente do grupo social que possa estar pertencendo e notaram que a rua é o local de onde podem gritar para ser ouvidos, cantar para serem percebidos e caminhar para serem notados.
A partir dai as ruas de todas as grandes e médias cidades passaram a ser a catapulta das reivindicações de cada jovem que, em nome das famílias, declaravam a insatisfação atual e a precária possibilidade futura de alguma coisa mudar.
A ocupação das ruas de Macapá no dia 19 de junho, quarta-feira desta semana, foi a demonstração de que, também aqui as pessoas estão insatisfeitas e que precisavam dizer isso e disseram em alto e bom som, exibindo cartazes e pintando a cara, algumas ainda muito jovens e outras nem tanto.
Não fosse a infiltração dos baderneiros e o descostume das forças de segurança as conquistas seriam pela força da inteligência e nem seriam prejudicadas pela burrice da força dos punhos ou dos dedos.


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Enem 2013

MEC fará blitz contra 'miojo' e erros na redação do Enem; veja as regras
Corretores terão que justificar nota máxima em redação com erro, diz MEC. Enem abre inscrições na segunda; provas serão em 26 e 27 de outubro.
A partir da edição de 2013, a prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não tolerará deboches, como receita de miojo ou hino do Palmeiras, ou provas com nota máxima que contenham erros. As novas medidas foram anunciadas nesta quarta-feira (8) pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que considera o aumento no rigor como "a grande mudança" do exame neste ano. O Ministério da Educação vai também aumentar o valor pago por redação a cada corretor, de R$ 2,35 para R$ 3,00.
As inscrições serão abertas na segunda-feira (13) e poderão ser feitas até o dia 27 de maio. A taxa de inscrição, de R$ 35, deve ser paga até 29 de maio para confirmar a inscrição. As provas serão realizadas nos dias 26 e 27 de outubro.
Segundo Mercadante, três mudanças devem garantir uma correção mais rigorosa neste ano: a proibição do deboche, a exigência do domínio da norma culta para receber a nota máxima e a redução da discrepância máxima nas notas dos dois corretores para que a redação seja encaminhada por uma terceira avaliação independente.
"A avaliação nossa é que [a correção das redações em 2012] foi muito positiva. No entanto, seis redações foram debatidas publicamentes, em [um universo de] mais de 4 milhões. É um nível de problema muito específico, muito localizado. Mas mesmo assim a gente aprende com essa avaliação", disse o ministro.
Entenda abaixo o que mudou nas regras da redação do Enem.
Deboche dará nota zero
Para coibir tentativas de deboche na prova, um item será acrescentado no artigo do edital que fala sobre as razões para que uma redação receba nota zero do MEC. O item 14.9.5 do edital que deve ser publicado na quinta-feira afirma que a redação "que apresente parte do trecho deliberadamente desconectada com o tema proposto, que será considerada 'anulada'".
A nova regra já estava em debate pela comissão que elabora o edital do Enem, depois que candidatos que no último Enem inseriram receita do miojo e o hino do Palmeiras no texto ganharam notas 560 e 500, respectivamente. Esse tipo de teste ao Enem, agora, será punido com a nota zero.
Veja como ficam as regras do edital para a anulação da prova
14.9 Em todos as situações expressas abaixo, será atribuída nota zero à redação:
14.9.1 que não atender a proposta solicitada ou que possua outra estrutura textual que não seja a do tipo dissertativo-argumentativo, o que configurará “Fuga ao tema/não atendimento ao tipo textual”;
14.9.2 sem texto escrito na Folha de Redação, que será considerada “Em Branco”;
14.9.3 com até 7 (sete) linhas, qualquer que seja o conteúdo, que configurará “Texto insuficiente”;
14.9.3.1 linhas com cópia dos textos motivadores apresentados no Caderno de Questões serão desconsideradas para efeito de correção e de contagem do mínimo de linhas;
14.9.4 com impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação, que será considerada “Anulada”.
14.9.5 que apresente parte do trecho deliberadamente desconectada com o tema proposto, que será considerada "Anulada"
Nota mil com erro
Segundo Mercadante, a partir deste ano, o candidato terá que "ser muito mais rigoroso para tirar a nota máxima". Ele afirmou que a primeira competência (demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita) terá o item 5, que equivale à nota mais alta da competência, alterado para aumentar a exigência.
A partir deste ano, para tirar a nota máxima nesta competência, a redação só poderá ter erros de português considerados como uma "excepcionalidade" e quando "não caracterizem reincidência". O objetivo é evitar que redações com poucos desvios gramaticais ou convenções de escrita recebam a nota máxima na prova.
Veja as competências na tabela:
COMPETÊNCIAS AVALIADAS NA PROVA DE REDAÇÃO DO ENEM
Competência 1
Competência 2
Competência 3
Competência 4
Competência 5
 
 
 
Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita (*)
Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo.
(*)
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
 
 
Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários à construção da argumentação.
Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.
Valor: 0 a 200
Valor: 0 a 200
Valor: 0 a 200
Valor: 0 a 200
Valor: 0 a 200
(*) Dentro desta competência, o nível 5 foi alterado para reduzir a tolerância a desvios gramaticais
(**) OBS: Caso o candidato tenha nota zero na Competência 2, ele terá a prova anulada

Fonte: MEC/Inep

A nota 1.000, então, só será atingida se o candidato garantir a pontuação máxima na competência 1. "Todas as notas mil os avaliadores vão ter que justificar com rigor. Só será aceito desvio se for excepcional, portanto, eles vão ter que justificar a excepcionalidade", disse Mercadante.
Correção feita por três avaliadores
Todas as redações do Enem são corrigidas por pelo menos duas pessoas. A necessidade de um terceiro corretor para reavaliar provas com notas discrepantes deve aumentar neste ano. Segundo o MEC, agora, todas vezes que as duas notas tiverem uma diferença de mais de 100 pontos, um terceiro avaliador corrigirá a prova para que se chegue à nota final. No ano passado, essa tolerância era de 200 pontos.
Se a nota em um das cinco competências (que vai de 0 a 200) tiver discrepância de 80 pontos, a redação também vai para o terceiro corretor.
Por causa da mudança, Mercadante afirmou que estima um aumento no número de redações que passem pela terceira correção. Em 2012, 21% das provas estiveram nessa situação. Agora, ele afirma que essa porcentagem chegue a um terço.
Para garantir uma correção mais rigorosa, Mercadante anunciou um aumento no número de corretores. Em 2012, foram contratados 5.692 corretores, 234 supervisores de avaliação, 468 auxiliares e dez subcoordenadores pedagógicos para o processo de avaliar as redações, mas mais de 300 deles forma afastados por não cumprirem os requisitos de qualidade.