domingo, 6 de setembro de 2026

A eleição do governador do Amapá e a dívida impagável do Estado

 A eleição do governador do Amapá e a dívida inflada do Estado

Rodolfo Juarez

Setembro de 2026

Os mais de 578 mil eleitores aptos a votar, nas 1.931 sessões eleitorais, distribuídas pelos 16 municípios do Estado do Amapá, estão em condições de ir às urnas para escolher o próximo governador.                                          Os cinco candidatos começaram a falar o seu “plano de governo”, de forma mais objetiva, no dia 16 de agosto, logo depois do encerramento dos prazos para as convenções.

A campanha começou mas continua tímida, sem empolgar o eleitor, provavelmente pela falta de alternativa objetiva para ser avaliada pelo eleitor, pois está quase certo de que a eleição para governador do estado será plebiscitária.

Os candidatos e os eleitores sabem que o Estado do Amapá enfrenta um cenário de endividamento que engloba, tanto as finanças das famílias, quanto as contas públicas do governo do estado.

O endividamento das famílias e a inadimplência é o maior problema e, mesmo assim os candidatos parece não quererem tratar do assunto.

Cerca de 71% dos moradores de Macapá, por exemplo, possuem algum tipo de dívida, acompanhando patamares elevados de endividamento familiar, com destaque para o uso do cartão de crédito.

Mais de 220 mil moradores da capital estão com restrições no nome, refletindo um dos maiores percentuais de inadimplência proporcional do país.

Além disso, tem o desemprego que registra taxas expressivas no estado, quando juntado com o endividamento excessivo e inesperados atraso de salários, a situação é apontada como um dos principais motivadores do cacuri a que foi levado.

A situação fiscal do Governo do Estado é preocupante, apresentando rombo volumoso no caixa, onde o próprio governo estadual admite um déficit de quase R$ 1 bilhão (cerca de R$ 964,8 milhões) revelado depois de ajustes e retificações contábeis.

Com a justificativa de que a conta era menor, em torno de R$ 536 milhões, e para lidar com ela o Estado obteve um crédito de R$ 536 milhões, em empréstimo do Banco do Brasil com garantia do Tesouro Nacional, isto é, se o Estado não pagar ao bando, conforme o contrato, haverá desconto direto no que compõe a transferência de recursos da União para o Estado.

A herança negativa e os problemas econômicos e sociais estão à mostra aos candidatos para, depois, o que assumir a cadeira 01 do Palácio do Setentrião não alegar que não sabia.