terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O BUSTO
Rodolfo Juarez
Fazia tempo que a população e o eleitorado amapaenses não se deparavam com um assunto tão comum, noutros tempos, mas raro e de certa forma proibido, nos tempos atuais.
Houve um tempo, quando os dirigentes se consideravam divinos e selecionados por Deus, que a idolatria se impunha e os bustos, estátuas e referências pessoais se tornaram questão de obrigação dos súditos aos seus dirigentes e, não raro, algozes.
O tempo passou e as regras sociais sustentadas na ética, na moral e no direito, acabaram por impor comportamentos diferentes, tendo hoje expresso em lei, que é proibido até o nome de pessoas vivas em prédios públicos, exatamente para que isso não se transforme em um diferencial que pode influenciar na atitude do povo na hora de votar, principalmente quando for para escolher os dirigentes.
Até agora ainda não foi vencido, em alguns estados brasileiros, inclusive o Amapá, por exemplo, a “necessidade” de colocar a fotografia do mandatário ocasional, nas salas dos ambientes públicos, goste ou não os servidores públicos que lá trabalham.
Por isso, toda vez que muda o governador do Estado do Amapá, lá vai para todas as salas dos dirigentes - ou quase todas -, a foto posada do governador, às vezes com a faixa que recebeu no dia da posse, outra vez sem a formalidade do traje. Adorno pago com o dinheiro do contribuinte.
Saiu de moda - ou foi tirado da moda -, o caso das “homenagens” mais bizarras como as estátuas e os bustos.
Mas o caso do busto oferecido pela população de Amapá é um fato que precisa ser analisado à parte e por ângulos diferentes.
Primeiramente, há de se considerar uma promessa que, a guisa de provocação, alguns moradores faziam a todos os governadores que chegavam à sede do município de Amapá e falavam no ramal que liga aquela sede à BR-156, elegendo prioridade para o ramal de 18 quilômetros de extensão.
Receberam essa promessa muitos governadores, quase todos os que falavam, também por lá, da importância da BR-156 para o desenvolvimento do Estado e para o município de Amapá.
Ora, a estrada já passou pelo município faz tempo, pelo menos 6 anos de concluída e os moradores da cidade de Amapá não botavam mais fé em ninguém, mas continuavam afirmando que fariam o tal busto: “o governador que fizer esse ramal vai ganhar um busto”, diziam.
O governador Camilo foi quem fez. Por isso, ganhou o tal busto prometido.
Claro que caberia a ele, governador, ou aos que são pagos para zelar pela imagem dele, medir as consequências de uma aceitação ou a definição de uma forma para aceitação, para não parecer que se trata de uma volta aos tempos de Roma, quando os dirigentes se diziam enviados diretos de Deus.
O problema foi aceitar.
Muitos entendem que isso não tem nada a ver com a vontade do governador, ou com a forma como ele encara os resultados dos seus trabalhos, mas também tem os que entendem que se trata de uma manifestação narcisista, imperial ou de necessidade de afirmação.
Claro que a oposição irá ao exagero, mas não será por isso que os auxiliares do governador se posicionem na linha de frente e empunhando o tal busto como motivação e como se fosse a demonstração de sintonia entre o comandante e os comandados.
Isso é uma questão à parte, pois, o ramal ficou muito bom, muito embora chegue 3 anos depois que o governador Camilo assumiu o governo e ainda falta a volta pelo ramal da Base Aérea, mas chega na frente de todos os outros que o sucederem e, melhor, não há mais o obstáculo terrestre para aqueles que quiserem ir a cidade de Amapá, nem que seja para uma simples visita.
No mais, o busto passa a ser um detalhe para os moradores da sede do município de Pracuuba. Quem sabe se prometer outro busto, o ramal de acesso àquela sede também não sai?

Uma questão de lógica. Não é!?

domingo, 26 de janeiro de 2014

Macapá, a 40ª cidade mais violenta do mundo

Rodolfo Juarez
A recente publicação de uma ONG mexicana, Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça, é uma verdadeira bomba nas mãos dos responsáveis pelo sistema de segurança pública do Amapá que tem que dar respostas sobre Macapá, capital do Estado e a mais populosa cidade amapaense.
O ranking elaborado pela ONG coloca Macapá, com 437.256 habitantes, como sendo o local da ocorrência de 160 homicídios, seguindo os mesmos parâmetros empregados para analisar outras 49 cidades pelo mundo, atestado uma taxa de 36,59 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes.
O objetivo da ONG é mostrar para o mundo, mas especialmente para os administradores que têm influência sobre cada uma das localidades que foram destacadas entre as 50 mais perigosas do mundo, o que sendo apurado como resultado.
Não tem sentido se discutir, por exemplo, se a população de Macapá é maior ou menor do que a apresentada na tabela, ou se o número de homicídios confere ou não com aquele que está nas anotações do sistema público de segurança do Amapá.
O que vale é a relação comparada, pois os critérios são comuns, conforme informa a ONG para todas as analises feitas, de forma individualizada, para cada centro urbano analisado, seja no Brasil ou em outra qualquer parte do mundo. Isso quer dizer que, independente dos números, o que prevalece é a taxa apurada para comparação.
Nessa coluna Macapá, cidade brasileira, capital do Estado do Amapá, aparece na posição 40 (quarenta) das cidades mais violentas do mundo.
Resta às autoridades e a toda estrutura gerencial pública, começar um estudo para retirar Macapá dessa incômoda posição, concordar que 160 homicídios é demais e entender o motivo pelo qual a população anda assustada com a onda de violência que tomou conta daqui e a sensação de insegurança de que está acometida.
Não se trata de uma questão política. É sim, uma questão administrativa-gerencial, acreditando que pode e é capaz de resolver o problema.
De nada adianta negar a existência dessa dificuldade. O estrago está feito e é preciso que haja uma resposta que não pode se limitar àquelas que são dadas todos os dias, alegando que forma comprados carros, não falta combustível e que foram contratados mais policiais.
Está provado que o problema não é esse. Pode ser, por exemplo, uma questão de estratégia de ação, caracterizada pelos métodos empregados ou mesmo pela forma como os policiais são disposto na cidade para combater o crime.
O desprezo da prevenção e a falta de respeito à farda pode ser, também, um pontos que precisa ser resolvido, tirando os policiais de dentro dos carros, distribuindo melhora a presença policial e atualizando a forma de distribuir os serviços que a segurança pública presta para a população.
Ficar entre as 50 cidades mais violentas do mundo e estar na 14ª posição entre as cidades brasileiras desse ranking, não é boa posição ou bom argumento para quem quer que seja.
Já imaginaram quantas cidades tem o mundo?
Pois bem, Macapá está entre as cinquenta mais violentas.
Pode isso?
Mas já havia indicações de que não estávamos bem posicionados. A população está em um momento que não confia que o sistema de segurança local lhe dá a tranquilidade que espera e que já teve.
A minimização entrou na rotina de todos e quando os responsáveis pela segurança passaram a orientar a população a não usar, por exemplo, telefone celular em praças ou via pública, deu para sentir que havia algo de muito errado e que o sistema de segurança local dava sinais de sucumbência, deixando para a população resolver o problema de sua própria segurança, muito embora tivesse a esperança que ainda havia jeito.
Não estamos no “mato sem cachorro”, nem mesmo a porta de saída está tão difícil de achar, basta entender o caso e, a partir dele e não a partir dos resultados que não vieram começar uma nova rotina, com a participação de especialistas e de representantes da população.

Quem sabe se assim não se encontra o meio de sair dessa? 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Há 70 anos era instalado o Governo do Amapá

HÁ 70 ANOS ERA INSTALADO O GOVERNO DO AMAPÁ
Rodolfo Juarez
Hoje o Amapá fecha setenta anos que tem os seus administradores dando as ordens a partir daqui. Sim, por que antes, as ordens vinham do Pará, trazida por arautos que nem sempre chegavam com o mesmo recado que haviam recebido na “capital”.
Não raro, quando por aqui chegavam, esqueciam parte do que vinham ordenar ou orientar, ou nem chegavam, ficando nas profundezas da foz do grande rio, como resultado de naufrágios no trecho, desafiando as águas barrentas no encontro do rio com o oceano, que tinham que fazer em embarcações inapropriadas e enfrentar os ventos e as águas revoltas.
No dia 25 de janeiro de 1944 Janary Nunes instalava o governo do Território Federal do Amapá com a incumbência de gerenciar, a partir daqui, os interesses da população dessas terras que ocupavam a margem esquerda do Rio Amazonas.
Era um desafio, mas, nem por isso, Janary Nunes hesitou. Estava acostumado às exigências da corporação que servia, aqui mesmo na região, e aos problemas que tinha que dar solução todos os dias.
O Território Federal do Amapá, criado há três meses e doze dias, no dia 13 de setembro de 1943, receberia como capital o cidade de Amapá, na costa oceânica da unidade federativa, com as mais diferentes justificativas, uma delas a da possibilidade do desenvolvimento através do convencimento de parceiros internacionais que, já naquela época, passavam perto daqui, não paravam, a não ser para colher o pescado farto da costa amapaense.
Era uma questão de visão administrativa. E Janary percebeu que, pelo menos naquele momento, o parceiro que mais interessava era o Estado do Pará, principalmente a sua capital, Belém, que está, em linha reta, a 400 quilômetros de Macapá.
A decisão mereceu demorada justificativa para as autoridades federais, mas, finalmente, foi acatada a proposta e Macapá, torna-se, a partir do dia 25 de janeiro de 1944, oficialmente, a Capital do Amapá.
Definidas as questões politicas-administrativas, o trabalho se concentrou nas questões econômicas e de desenvolvimento, uma história que vem sendo construída durante os últimos 70 anos, e que conta a transformação de Macapá em uma das mais importantes cidades da Amazônia e do Brasil.
Os vários governos que se sucederam, sempre cuidaram para que Macapá fosse preparada para alcançar a sua maioridade o que ocorreu apenas em 1986 com a posse do primeiro prefeito eleito pelo povo - Azevedo Costa -, com a responsabilidade de cortar o cordão umbilical que havia com o Governo do Território, que tinha a incumbência de nomear os prefeitos da capital e dos demais municípios.
Desde 1986 até agora já se passaram 28 anos, foram eleitos sete prefeitos e Macapá não parou e crescer como capital, primeiro do Território e depois, a partir de 1991, Estado.
A instalação do governo do Amapá naquele dia, 25 de janeiro de 1944, é um marco para a região, mesmo com todos os percalços, a prova está pela preferência que muitos brasileiros têm tido por essa Unidade Federada, emprestando o seu talento e as suas forças paro o desenvolvimento local.

É um dia que poderia ser festejado, mas os dirigentes estão esquecendo os momentos importantes da história local. Mesmo assim, sabe-se que um momento como esse pode reacender a vontade que tem a população de contar com um Estado próspero com suas cidades em condições de acolher, satisfatoriamente, cada um dos seus habitantes.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Política: contando os dias da volta

Rodolfo Juarez
Os três deputados estaduais que deixaram os seus cargos legislativos para assumirem pastas do primeiro escalão no Executivo, já finalizaram os seus respectivos planos para a volta às atividades legislativas e a retomada dos seus respectivos mandatos.
São dois do PSB, que no momento está sem representante na Assembleia Legislativa, e um do PT do B, que tem surpreendido os teóricos da política, sempre elegendo representantes para os parlamentos.
Cristina Almeida (Maria Cristina do Rosário Almeida Mendes), do PSB; Agnaldo Balieiro (Agnaldo Balieiro da Gama), do PSB e Bruno Mineiro (Bruno Manoel Rezende), do PT do B já providenciam a arrumação das salas que ocuparam durante 2013 para voltar ao legislativo para, na qualidade de deputado estadual, tentar renovar aqueles mandatos.
O prazo para o retorno, ou melhor, para deixarem os cargos executivos e terem o direito de se candidatar, desincompatibilizados, termina no dia 5 de abril, 6 meses antes das eleições, marcadas para o dia 5 de outubro.
Todos os três continuam sendo os preferidos dos seus respectivos partidos, muito embora o PSB já tenha ensaios prontos para a renovação e, nesse caso, Cristina Almeida e Agnaldo Balieiro, sabem que devem prestar a atenção, pois, o desgaste do Executivo e muito mais acentuado do que o desgaste no Legislativo.
No caso o vereador Washington Picanço e a vereadora licenciada Neuzinha, se apresentam como concorrentes fortes, dentro do partido, para encarar a convenção de junho e depois a repartição dos votos que o partido deve acumular nas eleições de 2014.
Tudo indica que foram poucos os ganhos políticos dos três secretários o que os está deixando preocupados, muito menos o candidato Bruno Mineiro que, além de ter uma ilha de votos do outro lado do Araguari, soube conquistar votos do lado de cá e saiba que, dentro do partido, são poucos os que têm condições de obter mais votos que ele, por isso, tem tranquilidade com relação à disputa interna, muito embora saiba dos caminhos que precisa seguir, ou no rumo das coligações bem feitas, ou na alternativa de sair solteiro, preocupado em fazer o quociente eleitoral.
O PSB cuidando do retorno dos seus deputados, Cristina Almeida e Agnaldo Balieiro, sabe que o maior problema não está na volta deles, mas sim na saída dos suplentes que assumiram as vagas dos titulares na Assembleia. Joel Banha (PT) e Zé Luiz (PT) são os dois que terão que deixar os gabinetes e a cadeira no Plenário.
Quanto a Jorge Salomão, que deixou o DEM pelo PROS no ano passado, deverá proporcionar uma saída tranquila, sem prejuízos políticos tanto para o que volta como para ele que sai.
E com relação ao trabalho que Cristina Almeida, Agnaldo Balieiro e Bruno Mineiro se propuseram a fazer no Executivo? Foi bom para o Governo do Estado, bom para os deputados ou para a população?
Essa resposta só o tempo vai permitir uma avaliação mais objetiva. Nenhum deles teve momentos de destaque. Apesar de estarem no exercício de cargos executivos importantes, não tiveram grandes destaques pelas dificuldades que o Governo como um todo atravessou exatamente nesse período.
Foi um pouquinho mais de um ano para as ações que se propuseram a fazer e, certamente, vai sair dizendo que não completaram o trabalho e que o tempo foi bastante curto. E foi.
Tomara que os substitutos possam aproveitar os ganhos políticos deixados por cada um daqueles que estiveram na frente dos projetos de interesse das respectivas secretarias que comandaram.

A chance que pediram... Tiveram!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O Enem escancara um novo problema

O ENEM ESCANCARA UM NOVO PROBLEMA
Rodolfo Juarez
Durante os primeiros dias em que foram divulgadas as notas do Enem, os estudantes amapaenses acessaram os resultados e foram se inscrevendo em cursos cada vez mais distantes daquele que tinha sonhado.
A cada nota de corte, uma nova tentativa e uma nova mudança ou, até a desistência por absoluta falta de condições de competir com os concorrentes de outros centros que tomavam conta das vagas dos principais cursos da Universidade Federal do Amapá.
O último dia das inscrições também foi um dia triste para a maioria dos estantes amapaenses que haviam participado dos dois dias de prova do Enem, mesmo para aqueles que já sabiam, antecipadamente, que teriam grandes dificuldades para competir com os concorrentes de outros estados que, reconhecidamente, está com a qualidade de ensino muito acima daquela comparada com a do Amapá.
Os indícios já vinham sendo apresentados, mesmo antes das vagas da universidade federal ser comprometida, todas elas, com o Enem, uma necessidade política do Ministério da Educação e da Presidência da República, mas um golpe nos sonhos dos estudantes das regiões mais desassistidas com a educação, como o Estado do Amapá.
Os índices ainda não foram anunciados oficialmente, mas extraoficialmente, está se prevendo que menos de 20% das vagas oferecidas na Unifap serão preenchidas por alunos que completaram o ensino médio no Amapá.
Cursos como Medicina e Direito, estes então, terão ainda muito mais estudantes de fora do Amapá do que daqui do Amapá.
Daqui a pouco estes alunos estarão chegando para conhecer a cidade, ir até a universidade, talvez levados por motoristas especialmente contratados, pois é esperado um grupo de alunos de classe média e que estão dispostos a passar os próximos quatro ou cinco anos como aluno da Unifap ou, quem sabe, até conseguirem transferência para outra universidade, mas já levando os conhecimentos para ser aplicado em suas regiões.
Esse é um problema do Enem?
Claro que não.
Esse é um problema que precisa ser enfrentado pelo sistema público de educação no ensino médio, com aproveitamento do tempo do aluno na sala de aula, recebendo o ensinamento de professores treinados.
Os resultados apurados, nacionalmente, pelo MEC para as escolas de todo o Brasil vem deixando as escolas públicas e privadas, do Amapá, em posições muito distantes das primeiras escolas no ranking das escolas em todo o Brasil.
O problema é urgente, pois, doutra forma, haveremos de amargar situações vexatórias, com os recursos destinados a educação superior no Amapá, sendo usufruídos por alunos que fizeram o ensino médio fora daqui, prejudicando todo o projeto que havia para as famílias que moram no Amapá.
Essa situação só pode ser modificada com um pacto pela educação, um pacto verdadeiro, onde a Secretaria de Estado da Educação passe a encarrar a situação com a eficiência que precisa ser encarada e os professores, mesmo continuando com sua luta, devem compreender que não haverá melhoria sem a dedicação dos professores aos alunos e ao conteúdo que precisa ser repassado aqueles alunos.
Levantamento recente, divulgado pelo próprio Ministério da Educação, indica que no Estado do Amapá é o Estado da Federação que dispõe do melhor índice de professores preparados para exercer a profissão, perdendo apenas para o Distrito Federal.
Considerar o resultado deste ano como uma indicação de que o sistema educacional local precisa melhorar, e muito, pode ser a primeira decisão propositiva a ser tomada pelo sistema de gestão na educação pública no Amapá e um indicador para que também tenha esse mesmo rumo a educação exercitada pela privada daqui.

Deixar ficar como está não é uma atitude clara de responsabilidade com o sistema local de educação!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Alguns problemas do candidato Camilo

Rodolfo Juarez
Sempre aos domingos é bom parar um pouco para analisar o quadro político local e nacional. Afinal de contas muito do que pode acontecer no Amapá está diretamente relacionado com as definições política que serão conhecidas no dia 5 de outubro, quando da realização do primeiro turno de votação e no dia 26 de outubro quando da realização do segundo turno que irá definir quem é o governador do Estado para os próximos 4 anos.
A roda da democracia, ou do sistema que está implantado no Brasil, nos dá essas oportunidades para votar, mas antes de analisar e até de declarar o que estamos vendo a cada dia, mesmo antes da eleição, exatamente nos momentos em que são feitos os conchavos políticos e assumidos os compromissos para a campanha e para a gestão, se define boa parte do futuro governo.
O governador Camilo, natural candidato à reeleição o cargo de Governador do Estado, tem contra ele além do desgaste natural pelo que não fez no atual mandato, o encargo de ter que explicar, para aliados e para os eleitores, o fato de ter ainda que apoiar a sua mãe, a atual deputada federal Janete Capiberibe, que virá para tentar mais um mandato e com grandes chances de ser bem votada e renovar o mandato.
Essa situação é muito delicada para o governador Camilo. Primeiro porque sabe que precisa levar em consideração esse fator; depois porque sabe também que ela tem mais chances de confirmar a reeleição do que ele.
Como o candidato Camilo vai trabalhar essa situação em sua cabeça? Ainda mais sabendo que irá perder importantes aliados, quando olhar para as eleições proporcionais, exatamente porque não pode oferecer o guarda-voto do seu partido que estará primeiro querendo garantir a volta da sua importante filiada e, depois, tendo que compensá-la com atenção, pois, foi ela que deu toda a sua atenção desde quando o governador era um bebê.
Mas serão questões e circunstâncias que terão que ser carregadas pelo candidato Camilo durante toda a campanha e se esforçando para garantir a presença no segundo turno, quando, ai sim, terá condições de contar, de forma mais liberada, com o apoio de Janete Capiberibe, já neste momento livre da campanha.
Durante a campanha ainda terá que olhar para cima, onde invariavelmente se coloca o seu pai, o senador João Capiberibe, que, apesar de não estar disputando a eleição, vai ser um dos que mais vai influenciar na campanha. Será o presidente do partido durante a campanha e o senador o pai do candidato.
E ainda tem alguns ingredientes que terão que ser considerados, uma vez que conhecendo a dedicação do senador à política e as conquistas que já teve nas disputas que empreendeu no Amapá, vem com toda a aura de saber definir os caminhos da campanha, juntamente com um grupo de pessoas que o acompanha muito antes daqueles que hoje acompanham o filho.
Ignorar que uma parte da rejeição do governador Camilo e do próprio politico Camilo vem dos seus pais é fechar os olhos para uma realidade. Se os três entenderem isso ficará mais fácil cuidar para que isso não seja decisivo na campanha, mas se não entender diferente, é bem provável que isso também seja apontado como a causa de uma revés.
Os adversários, atentos a tudo, estão prontos para encontrar o melhor mote para usar no combate ao adversário. E se descobrirem que há brechas maiores então, os adversários atacarão utilizando o flanco onde estão essas brechas.
O espectro da campanha só se define na própria campanha, mas é preciso estar preparado para que não ser surpreendido pelas descobertas do adversário antes das providências dos candidatos.

Isso é apenas um lado desse poliedro político indefinido.