domingo, 9 de fevereiro de 2014

O PT do Amapá e suas divisões

Rodolfo Juarez
O Partido dos Trabalhadores no Estado do Amapá continua sendo adversário de si mesmo e tendo dificuldade para convencer o eleitor amapaense a equilibrar o tamanho do partido com a sua real capacidade para eleger os seus candidatos.
Atualmente cinco facções são identificadas na conjuntura do PT, com algumas delas tendo muitas dificuldades para, pelo menos dizer, que é formada por filiados petistas e que todos integram a mesma sigla.
As eleições internas do ano passado que levaram Joel Banha à presidência do partido não conseguiu uni-lo, apesar da vontade inicialmente demonstrada pelo novo presidente, como também pela condição que detêm dentro da atual estrutura do governo, onde tem o cargo de vice-governador ocupado pela filiada Dora Nascimento que, teoricamente, teria chances de reagrupar o partido ou, pelo menos, aproximar as facções que estão mais distantes.
Aparentemente não vem conseguindo realizar o que, para alguns, seria uma verdadeira façanha.
A pizza petista está dividida em cinco partes e cada um delas tendo o carimbo de uma importante figura do partido, algumas tradicionais ou outras novatas que vão, pouco a pouco, conquistando os seus espaços.
Os “carimbos” mais notados são colocados por Joel Banha, atual presidente do partido e deputado estadual, ocupando vaga deixada por deputados do PSB que deverão voltar, o mais tardar, em março deste ano. Joel Banha tem como certo o seu nome na lista de candidatos na disputa de uma das 24 vagas na Assembleia Legislativa.
Outro cacique petista que conta com o seu carimbo é a deputada federal Dalva Figueiredo, que tem transito livre na direção nacional do partido e que já foi governadora do Estado. Era quem dava as cartas no partido até antes da eleição do ano passado que elegeu Joel Banha. Dalva Figueiredo deve ser candidata à reeleição ao cargo de deputada federal.
O cacique Antônio Nogueira, depois de cumprir por dois mandatos o cargo de prefeito de Santana e que já foi deputado federal pelo PT, tem a expectativa de ser candidato à Câmara Federal, acreditando na gordura eleitoral que tem em Santana e por aqui, em Macapá.
Ao contrário dos três referenciados: Joel Banha, Dalva Figueiredo e Antônio Nogueira, que fazem parte da primeira turma do partido, a professora Marcivânia Flexa é sangue novo, com novas ideias e que foi surpreendida pelos resultados das duas últimas eleições quando chegou a sentir o cheiro da vitória, mas não pode sentar no trono dos cargos que se candidatou. Chegou a assumir o cargo de deputada federal, mas foi substituída pela candidata do PSB depois que houve a liberação do registro daquela candidatura; e quanto, até cinco dias antes da eleição para prefeita de Santana, sabia que estava em primeiro lugar, apareceu o candidato do PTB e convenceu melhor os eleitores santanenses.
O professor Marcos Roberto, que foi candidato em 2010, não se elegeu e aceitou o cargo de Secretário de Estado da Segurança Pública, como recompensa pela aliança formada para as disputas do cargo de governador do Estado. É um dos poucos auxiliares do primeiro escalão do governador do Amapá que continua, desde o primeiro dia do atual governo e, na eleição interna do PT do ano passado, saiu fortalecido, tendo obtido mais de 20% dos votos e, por isso, com direito de participar da direção do partido.
Os dois últimos, a professora Marcivânia Flexa e o professor Marcos Roberto mostram-se atentos às discussões do partido, pois, como a professora Dalva Figueiredo, quer ser considerada em qualquer das alianças que venha fazer o PT com qualquer outro partido.
Na eleição de 2010 o Partido dos Trabalhadores, mesmo elegendo uma filiada para o cargo de vice-governadora, uma deputada federal e um suplente de senador, ficou fora da composição do legislativo estadual, resultado considerado ruim na avaliação feita pelo partido e que querem retomar na eleição deste ano.

O eleitor já demonstrou que não gosta de divisão interna de qualquer partido e os candidatos aos cargos eletivos sabem que só os filiados não têm os votos suficientes para eleger um filiado, resta atualizar o discurso para não ficar fora dos cargos.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O PSOL e seu candidato ao governo do Amapá

O PSOL E SEU CANDIDATO AO GOVERNO DO AMAPÁ
Rodolfo Juarez
Qualquer partido político tem como princípio básico em seu programa a participação na disputa pelo poder, isto é, dos cargos eletivos que são oferecidos pelo sistema político nacional.
Todos os partidos são criados para disputar eleição.
A Lei das eleições no Brasil e, mesmo a Constituição Federal, trata todos os partidos com isonomia, valorizando a democracia com um processo de disputa bem claro, com tudo perfeitamente definido e em constante aprimoramento objetivando melhorar os resultados que estão no propósito de cada partido político para conquistar.
Não tem explicação, isso visto sem qualquer cortina ou empanada, alegar não entender o que fez a direção estadual do PSOL quando resolveu fechar questão em torno do lançamento de um candidato do partido ao cargo de Governador do Estado e, ao mesmo tempo, escolher o economista Charles Chelala para ser o nome que o partido vai indicar aos convencionais, em junho.
A legitimidade da decisão está contida no próprio estatuto do partido e é indiscutível. O que os aliados em potencial ou os que tinham o PSOL como aliado quase certo precisam fazer é tentar convencer o partido a continuar no rumo que tinham desenhado para seguir, mas já considerando que o PSOL escolheu o seu rumo e, também, já definiu o seu timoneiro.
Era de se esperar isso, pois é natural que um partido que tem um senador, um prefeito da capital e dois vereadores na capital, continue a sua caminhada de conquistas.
Entendem que o momento é esse.
Nada fora do normal e nada que não seja legítimo para o que pensam os seus diretores e filiados.
É certo que em política se dá melhor quem consegue entender o presente apoiado no passado, mas sem deixar de considerar o futuro.
O que passou já definiu os resultados e o que há de vir vai depender de novas lutas, com novas propostas e certezas que não se confirmam, a não ser aquelas que são também do eleitor.
O nome do economista Charles Chelala, como personalidade política ainda não está consolidado, mas é assim que as lideranças políticas se impõem ou emudecem para não mais aparecer, seja decepcionado com o ambiente, seja por pura e simples falta de adaptação.
Parece que esse não seria o caso de Charles Chelala!
Charles Chelala já trabalhou na intimidade do PSB, chegando a ser secretário de estado de João Capiberibe quando governador do Amapá e na intimidade do PSOL participando, de forma influente, da campanha que levou ao senado Randolf Rodrigues e sendo coordenador, em 2012, da campanha vitoriosa de Clécio Luiz à prefeitura de Macapá.
O partido convenceu Charles Chelala à disputa de 2014 e vem compor o leque de alternativas para o eleitor que já contava com Camilo Capiberibe, Waldez Góes, Lucas Barreto, Jonas Pinheiro, Promotor Moisés, Aline Gurgel, Gilvan Borges, Jorge Amanajás e um candidato do PSTU. Dez nomes que estão em prejulgamento, alguns como balão de ensaio, mas outros não e, certamente, terão seus nomes confirmados nas convenções de seus respectivos partidos.
É certo que, até às convenções, continuam grandes as chances de alianças que, mais tarde, chegarão às convenções, mas também é importante considerar que cada partido tem uma forma de orientar os seus filiados, com uma regra que é seguida pelos seus dirigentes.

Os partidos que não definem as suas regras ou não respeitam as suas lideranças têm muito mais chances de serem trazidos sempre a reboque de um que age diferente, é mais audacioso na linguagem dos adversários, e mais político na linguagem dos filiados e eleitores.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Macapá merece mais

Rodolfo Juarez
Depois de 256 anos os agentes públicos, bem pagos pela contribuinte, demonstraram que ainda não tem o jeito para declarar respeito à cidade e seu povo.
Fazer uma festa para “meia-dúzia” não pode ser considerado uma evento que acenda o ânimo da população para o trabalho organizado, coletivo e solidário que deve ser feito pelas autoridades e a população.
Não está certa a entrega dessa imensa responsabilidade para uma entidade privada, localizada no centro e elitizada que, pela sua própria natureza, afasta o povo de perto das comemorações.
O aniversário de uma cidade, de uma coletividade, de uma população, precisar ter a participação dessa população. Mais uma vez foi colocada uma barreira entre as comemorações e a população. Uma barreira constituída de toneladas de preconceito, montes de defesas e os altares para aqueles vão precisar do voto daqui oito meses.
Entendemos que a associação que assume a responsabilidade pela festa não tem culpa nenhuma. Ela acaba fazendo o único evento que lembra o aniversário da cidade. Muito pouco para um povo que é um verdadeiro visionário, acreditando nas suas próprias forças, enfrenta as dificuldades de agora, sabendo que mais tarde, pode contar com a recompensa de todo esse esforço.
Os dirigentes públicos, principalmente os municipais, devem ser mais audaciosos, acreditar que o povo quer participar e está disposto a colaborar. Já não se conforma com a festa para um pequeno grupo.
Os que têm acompanhado as comemorações dos últimos anos observam que, ao invés de evoluir o evento, mais ele se encolhe e, com isso, torna-se repetitivo e sem qualquer escape para outros pontos da cidade.
Depois como pedir para a população de Macapá para deixar vivo o sentimento de respeito às autoridades que deveriam organizar um evento cada vez maior?
Como evitar que as questões oficiais sejam esquecidas, desprestigiadas e descoloridas pela falta de compreensão da população que só ganha, cada vez mais, responsabilidades e nenhuma consideração?
Esse momento era para ser entregue à população novas oportunidades, novas regras, novos serviços e novos sustentáculos para a reclamada estrutura urbana e social da cidade e de sua população.
O aniversário de uma cidade não é o aniversário de um filho ou uma filha, de um amigo ou de uma amiga, onde as comemorações se concentram naquele momento e, principalmente, no momento dos “parabéns”.
A população espera que no dia do aniversário da cidade sejam anunciadas medidas que possam melhorar a modo de vida da população, a acessibilidade comum de todos, reavivando a esperança e entregando os elementos que a população precisa para confiar nos gestores da cidade e do município.
A festa seria uma consequência.
Fazer apenas a festa, do modo que é feita, como se fosse o elemento principal das comemorações e o objeto fim, não serve para nada, inclusive desmotiva a população que sabe que se trata apenas de um show. Fraco, mas um show.
A população quer mais.
Aliás, a população não quer isso.
Isso ela vê todos os dias, ou pelo menos, de vez em quando. A banalização prejudica a valoração do evento, o significado da festa e o desenvolvimento do compromisso que cada um deve ter com a cidade, seu povo e os próprios dirigentes.

Que no dia 4 de fevereiro de 2015 se tenha, pelo menos, um motivo para festejar, além do bolo, dos discursos e das auto-homenagens. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Macapá: 256 anos

Rodolfo Juarez
Macapá completa neste dia 4 de fevereiro 256 de fundação. Mesmo naqueles tempos próximos da fundação, os poucos moradores já imaginavam que a vila se transformaria em uma das cidades mais prósperas da região.
No segundo estágio, no período em que foi criado o Território Federal do Amapá, foi preciso que o govenador nomeado para assumir o comando da administração dessa unidade avançada da União, percebesse o que os mandatários da Capital do Brasil, não perceberam – Macapá era o local apropriado para ser a capital do Território Federal recém-criado.
Os primeiros investimentos foram para atender os dirigentes que chegavam, com o sacrifício dos moradores que estavam por aqui, mais perto da “beira”, vendo o rio encher e vazar a cada seis horas.
Naquele momento esses moradores foram deslocados para outras áreas, longe demais para aquele tempo, mas praticamente no centro da Macapá atual, cidade de 400 mil habitantes, boa parte vinda de outros centros, alguns mais avançados, outros mais atrasados; alguns não brasileiros que se mostravam dispostos a contribuir com o desenvolvimento, principalmente oferecendo produtos e serviços que os funcionários públicos precisavam.
O “descobrimento” da Fortaleza de São José de Macapá, como uma edificação capaz de ser o símbolo da cidade demorou. Antes ela foi usada como prisão, principalmente de presos políticos da época da revolução, isso já depois de 1964.
Nessa época Macapá ainda não tinha 100 mil habitantes e já via multiplicar essa população a cada ano, pois, desde essa época, já se prometia a infraestrutura que o Território Federal do Amapá precisava para se tornar um ponto avançado do território brasileiro, tomando como exemplo a questão que fora enfrentada pelas autoridades da república por ocasião da defesa que chegou às cortes suíças, onde foi elaborado e assinado o Laudo Suíço, isso em 1900.
Macapá se impunha como o principal município do Território, que contava com outros quatro municípios, e a cidade de Macapá como a grande referencia amapaense, não só como capital do Território Federal do Amapá, mas pela importância que ganhava, considerando a posição geográfica do seu território e o aproveitamento que vinha sendo feito.
Os distritos de Fazendinha e Santana se destacavam. O primeiro pelo seu potencial turístico e o segundo, pela sua importância econômica. Em Santana, então distrito do município de Macapá, estava o porto de minério, pertencente a uma das maiores empresas da região e do Brasil, a ICOMI.
Naqueles tempos o prefeito de Macapá era nomeado pelo governador do Território do Amapá, até que, em 1985, foi fado o direito de o povo escolher, através do voto direto, o prefeito municipal de Macapá.
No dia primeiro de fevereiro de 1986 o primeiro prefeito eleito pelo voto direto do povo foi empossado. O professor Raimundo Azevedo Costa, em novembro de 1985, havia obtido mais de 54% dos votos. Veio com o professor, a também professora, Raquel Capiberibe. O mandato foi de 3 anos e terminou no dia 31 de dezembro de 1989.
No dia 1º de janeiro de 1989, para um mandato de 4 anos, assumiu a prefeitura de Macapá, João Capiberibe; no primeiro dia de janeiro de 1993 quem assumiu foi o médico Papaléo Paes; em 1997, foi Annibal Barcellos que assumiu o cargo de prefeito municipal de Macapá. Até ai os prefeitos não podiam se reeleger.
Já com a inovação da reeleição, João Henrique assumiu a primeira vez, em 1º de janeiro de 2001 e a segunda, fora reeleito, em 1º de janeiro de 2005. Roberto Góes sucedeu e assumindo a prefeitura em 1º de janeiro de 2009.
O atual prefeito, Clécio Luís, assumiu a prefeitura de Macapá em 1º de janeiro de 2013 estando, portanto, no segundo ano de seu mandato em 2014.
Alguns dos prefeitos não conseguiram cumprir bem o rol de atribuições que o eleitor lhes confiou.
A gestão municipal não passa por um bom momento. As alegações dos dirigentes atuais são as mesmas alegadas pelos dirigentes anteriores, relativamente aos seus antecessores. Todos, entretanto, ficaram devendo muito considerando o que precisavam fazer.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Federalização: um negócio mal feito

Rodolfo Juarez
Quando se fecha um contrato é preciso que esse contrato contenha todas as variantes possíveis e imagináveis que cercam ou derivam do objeto e assegurem que os resultados e as variações sejam bons para todos.
Desde o começo foram visíveis os erros cometidos pelos que negociam, em nome dos acionais e, em consequência, da população, a federalização da companhia de eletricidade do Amapá.
Inicialmente a preocupação era negar a possibilidade da entrega da empresa, pertencentes aos acionistas amapaenses, para a Eletrobrás. A dívida que empresa acumulava e tinha a obrigação de pagar, não tinha como prioridade o pagamento. O tempo passava e a CEA entrava na “casa do sem jeito”.
Os donos da empresa, o Estado e mais cinco municípios amapaenses, através do acionista majoritário – o Governo do Estado -, assumiu a responsabilidade pela negociação e começou, mas começou a usar retóricas para encobrir o tipo de negócio que estava fazendo e negando que entregaria a Companhia para a estatal da União, para que fosse evitada a caducidade.
Dos males o menor. Se os anéis teriam que ir para que ficassem os dedos, então que fossem os anéis.
Mas isso não foi dito para a população. Ao contrário, foi criado uma cortina sustentada por ações bem populistas, como as do tipo, “a CEA é nossa” que não rendeu qualquer dividendo, mas encobriu as ações negociais que eram realizadas, sequenciadamente, a maioria mantida em sigilo e, por  conseguinte, longe das contribuições que poderiam ser dadas pelos verdadeiros donos – o contribuinte.
Não ficou no contrato qualquer cláusula que garantisse ao consumidor, que nada tinha a ver com a insolvência da empresa, a não ser aqueles pontos que foram assumidos através dos seus representantes, os deputados estaduais, que autorizaram o Executivo a fazer um empréstimo, arranjando pelo próprio governo central, junto à Caixa Econômica Federal, de um bilhão e quatrocentos milhões de reais.
Feito o empréstimo e pagas as primeiras parcelas, a empresa e sua administração foram entregues à Eletrobrás.
Não se pode dizer que havia desconhecimento por parte da direção da empresa, durante as negociações, de uma defasagem tarifária que precisava ser recuperada. Os dirigentes da empresa sabiam, mas não propuseram no contrato, clausulas defensivas que preservasse contra o absurdo que hoje está se praticando contra os consumidores.
Não resta dúvida que aumentar quase 30% na tarifa que vinha sendo praticada, sob a alegação de grande defasagem acumulada durante os tempos da inadimplência, não é uma conduta que se louve, tanto aos atuais dirigentes como aqueles que fizeram a desastrosa transição até a federalização.
Agora estão ai os consumidores pagando duas contas: uma referente às parcelas do empréstimo de um bilhão e quatrocentos milhões, que até agora ainda não se tem a estimativa a quanto vai alcançar (provavelmente 4,3 bilhões de reais); e outra referente ao maior aumento de qualquer serviço ou fornecimento praticado em todo o país: 29% na base da tarifa que vinha sendo praticada até novembro do ano passado.
As contas de dezembro estão chegando aos consumidores e, cada um, já percebeu o quando estão “intimados” a contribuir, mensamente, com os prejuízos acumulados que atingiram fornecedores, fundo de garantia e previdência social, entre outras contas da Companhia de Eletricidade do Amapá.
Nesse negócio da CEA ninguém se deu bem, a não ser os novos dirigentes da empresa que estão, no papel que todos os outros estiveram: dirigindo uma empresa que cobra tudo dos seus consumidores, mas que, nem por isso, lhe garante qualquer melhoria no fornecimento de energia ou no tratamento aos consumidores que continuam sendo maltratados e acuados pela empresa. 

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Enquanto isso, a população espera.

Rodolfo Juarez
O momento por qual passa a administração pública local inspira cuidados. São poucos os dirigentes dos órgãos que se entendem. O que há é um constante desafio para a luta e um chamado para a briga.
E não se trata de luta ou briga em defesa do Amapá. Não! A luta ou a briga é para defender espaços dentro da própria estrutura da administração pública local, não agora, mas no futuro; não para os órgãos, mas para as pessoas.
Quando não dá para enfrentar de frente, então se parte para as ações mais rasteiras e inominadas, buscando sempre a desmoralização da autoridade, sem respeitar as funções e alardeando problemas que são de todos eles, sem exceção.
Os princípios da administração pública, previstos constitucionalmente, estão sendo desrespeitados ou não são alcançados por aqueles que teriam a responsabilidade de trazê-los como principal arma e instrumento de defesa, não dos órgãos, mas do povo que faz parte desse Estado.
O princípio constitucional da legalidade é o mais falado, mais propagandeado, e até mais explorado, afinal de contas ficar fora da lei administrativa é ficar fora da lei geral, em confronto com a sociedade e tendo que prestar contas com o Estado. Talvez por isso, seja o princípio ainda seguido, muito embora, algumas vezes, disfarçadamente.
O princípio da impessoalidade, esse está muito fora dos caminhos por onde caminham essas autoridades. Cada qual usa os instrumentos que os órgãos dispõem para agir em favor próprio ou de pessoas bem determinadas, como se fosse normal, como se tudo valesse. Qualquer contribuinte identifica a condução dos atos administrativos favorecendo, concretamente, a uma pessoa, sem disfarce ou com possibilidade de ser disfarçado. Assim se cultiva muito mais a pessoalidade do que a impessoalidade.
O princípio da moralidade, nesse ambiente, está profundamente prejudicado. Muitas das questões públicas, todos os dias, passam ao largo da moralidade, mesmo com alguns querendo passar a impressão de que estão trabalhando para evitar o desvio, mas mesmo assim, não conseguem.
O princípio da publicidade, ah, esse princípio está totalmente distorcido. E não se trata de novidade atual. Ela vem de muito tempo e, até, de muito longe. Apesar de ser notória a capacidade inventiva daqui, nessa parte, as importações foram evidentes e as adaptações foram feitas, mas não chegaram a mexer no cerne.
A publicidade virou propaganda, fofoca, disse-me-disse, defesa incondicional da sua própria tese. Até os particulares, detentores de empresas de comunicação, ou de um instrumento nas redes sociais agem no sentido de contar com uma fatia do bolo do orçamento para a publicidade, que virou comunicação.
Enquanto isso as verdadeiras partes do que a Constituição Federal chamou de publicidade estão completamente esquecidas, sem haver dedicação ou respeito. É o caso da Lei da Transparência e da Lei de Acesso a Informação.
Até agora esses instrumentos legais estão sendo desrespeitados pelos dirigentes dos órgãos públicos, não só pelo uso para propaganda pessoal ou para uso pela omissão das informações que são obrigatórias e que devem ser ativadas por aqueles instrumentos.
Tudo isso acaba influenciando no princípio da eficiência.
Esse princípio da eficiência não é, sequer, considerado e muito menos buscado. Tudo é feito quando der e se der, ou ainda, se for do interesse do gestor de um dos cinco órgãos que constituem o Estado do Amapá.

A desobediência a essas regras principiológicas entrou na rotina de muitos dirigentes e precisa ser rompida, para que o Estado possa alcançar as metas que a população está esperando que os dirigentes encaminhem.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Vai que dá certo!

VAI QUE DÁ CERTO!
Rodolfo Juarez
A administração municipal, que tem como orientador o prefeito Clécio Luiz, precisa encontrar um ponto de equilíbrio para poder fazer o que a população quer e precisa que seja feito.
Está ficando a impressão de que estamos dentro de uma barca adernada, ou a deriva, onde todo o peso está para um lado e há dificuldade para equilibra a embarcação e seguir a viagem, resolvendo os problemas e realizando os sonhos.
Problemas cada vez mais exigentes e cada vez mais urgentes, desafiando a inteligência de todos aqueles que assumiram a responsabilidade de indicar o caminho certo para uma navegação tranquila.
Os sonhos, bem os sonhos, todos estão classificados como pesadelo, não se sabe se pela viagem que a administração municipal faz, ou se pela falta de um bom timoneiro para guiar o “barco” por águas mais calmas e por canais mais seguros.
Tudo é muito difícil para os administradores municipais, que sempre estão reclamando do sistema como os municípios são fiscalizados, da falta de recurso para resolver os problemas mais urgentes e, até, de pessoal para compor o quadro de administradores.
Enquanto isso a população continua esperando e, enquanto espera, vê os anúncios da administração pela televisão, rádio, jornal e outdoor, onde é mostrado outro município e outra cidade, tão grande é a diferença entre a propaganda e a realidade.
Os problemas municipais que estão do lado de fora dos gabinetes demoram demais para serem resolvidos e, alguns deles até, nem reconhecidos são com problemas da administração municipal, muito embora todos saibam que são sim problemas da administração municipal, quer queiram ou não os administradores.
Qualquer setor que esteja fora dos gabinetes está pior do antes e com grandes chances de continuar piorando, tal o descaso e a distância que aqueles administradores mantêm do problema.
É claro que já descobriram que se não forem resolvidos, os problemas continuarão “infernizando” toda a equipe, mas, principalmente o prefeito, que não está gostando de ver o outro lado das questões municipais, muito diferentes daquele como via quando era vereador.
Aliás, essa cobrança sempre é feita do prefeito Clécio e, algumas vezes, levadas para outras pessoas analisarem a situação.
Por que será que mudou tanto? Afinal de contas é a mesma pessoa!
E não é uma pergunta desconhecida do prefeito de Macapá, sempre que é questionado sobre essa circunstância, desconversa e acaba desviando o foco da resposta e a resposta acaba não saindo.
E Macapá vai completar mais um ano de fundação na próxima terça feira, uma boa oportunidade para o prefeito corrigir o rumo, deixar de sonhar ou ter pesadelos, colocar o pé no chão e entender que a luta tem que ser ao lado do munícipe e não dentro do gabinete, atendendo os aliados e fazendo o que eles querem.
Poderia, a partir do dia 4 de fevereiro, marcar um rumo, mostrar para a população, e convidar para que todos saiam recuperando a cidade, doutra forma, só com slogan “furado” não vai reconstruir nada, ao contrário, vai se enterrar junto com a sua própria administração.
Como ainda tem tempo, pode aproveitar o dia 4 de fevereiro, dia do aniversário, para sair do gabinete, vir para a rua com sua equipe e fazer o que precisa ser feito.
É difícil, é desconfortável, pelo menos muito mais desconfortável do que os 16 graus que experimenta no ar condicionado no gabinete do prefeito ou em qualquer dos gabinetes dos secretários.
Mas, vai que dá certo!