sábado, 15 de fevereiro de 2014

Capa de chuva

Rodolfo Juarez
O prefeito de Macapá precisa prestar atenção no que está deixando acontecer com as pessoas, principalmente aquelas que moram mais afastadas do centro da cidade. As dificuldades nesse período chuvoso são muitas e diversas e estão além da possibilidade de defesa do morador.
Dificuldades para sair de casa, devido as condições da via; dificuldade para pegar o ônibus, pela demora e, até, falta de linha regular para atender a população; vias sem condições de tráfego para bicicleta, moto e até para carros; ligações regulares de energia sem condições de serem realizadas; a água do poço que usa está poluída; o posto médico não tem no bairro; nas escolas a dificuldades são desde o acesso à matrícula, até a presença dos professores e a regularidade da merenda escolar.
O que fazer em uma situação dessas?
É claro que tem o que fazer. A população, na sua imensa maioria é constituída de pessoas pacientes e compreensivas, mas que tem um limite dessa paciência e dessa compreensão. Basta o prefeito e sua equipe, sair do gabinete refrigerado, colocar uma capa de chuva e chegar até às casas e mostrar que está interessado em resolver os problemas.
De que adiantou as reuniões para elaboração do orçamento participativo?
Naquele momento a população falava de suas carências e, se não falou nessa, os técnicos e o próprio prefeito, teriam, como dever de casa, que saber.
As dificuldades são grandes. As perspectivas são nulas.
Há um descrédito na conta dos prefeitos que precisa ser, pelo menos, zerado, e para tanto a presença das autoridades é indispensável, insubstituível.
 Fazer propaganda de uma cidade que não existe ou que está apenas no sonho dos governantes é um erro imperdoável que precisa ser combatido dentro da própria prefeitura e, de  dentro para fora, pois, doutra maneira, o combate se consumará de fora para dentro, prejudicando a gestão que não vai poder planejar as ações e caminhar conforme a coerência das possibilidades administrativas.
As dificuldades são grandes e poderiam ser perfeitamente previsíveis para essa época do ano, nesse período de chuva, que, a bem da verdade, não está tão intenso como noutros anos e dando oportunidade para o administrador agir com coerência, planejamento e compreendendo a população.
Se não tiver plano nenhum para o combate às dificuldades, o melhor caminho é administrar junto com aqueles que estão passando pelas dificuldades. Eles sempre têm uma sugestão que, bem trabalhada, se torna viável, ou seja, exequível e dentro das possibilidades do município.
Esse período é também aquele em que o morador dos distritos, principalmente aqueles que ficam mais afastados, precisa de mais amparo. Ausentar-se dessas comunidades é desafiá-las a paciência delas que não são exigentes, mas sabem dos seus direitos e onde e quando eles podem exercê-los.
As rodovias municipais, as mais usadas pelos moradores dos distritos, estão em péssimas condições e a situação nada tem a ver com o passado tem, isso sim, a ver com o presente, com o agora.
Agir é o único caminho!
O agricultor, o pescador, o morador da área rural do município afinal, precisa conversar lá no local onde mora e não aqui no Gabinete. Aqui ele não vem e, se vir, será barrado pela secretária exigente e que só entende da agenda e da proteção ao prefeito, como se ele, o prefeito, não fosse o responsável pelo que é feito e o que não e feito dentro do município.
Nesse período o dia é mais curto, as noites são mais longas e os resultados, muitas vezes, não dão para cobrir as necessidades da família.
O problema que era da comunidade passa a ser individual. Cada um procura aplicar a solução que entende a mais razoável e que lhe dê condições de amenizar o sofrimento e o sentimento de abandono do poder público, pelo qual tanto lutou e no qual quase já não acredita.

As populações urbana, suburbana e rural estão vendo o tempo passar e as coisas não acontecerem conforme o prometido ou que sabem ser possível. Precisam, pelo menos, de uma explicação.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Copa do Mundo & Eleição

Rodolfo Juarez
Os bastidores dos partidos políticos continuam em ebulição. Na medida em que se aproxima o mês de abril - primeiro marco importante do calendário eleitoral -, mais nervosos ficam aqueles que esperam contar nas suas fileiras com este ou aquele filiado, ou mesmo, a confirmação da candidatura daqueles que estão exercendo cargos públicos que precisam da desincompatibilização para continuar no páreo.
Negociações, convencimentos, oportunidade, visão política, são elementos que estão na moda nesse período para que se consolidem as candidaturas até o mês de junho, quando, ai sim, serão conhecidos os candidatos e, em consequência, a primeira avaliação de sucesso ou insucesso da estratégia escolhida.
As eleições de 2014 têm, no período das convenções, um concorrente de peso: a Copa do Mundo.
Dois dias depois de começar o período das convenções (10 de junho) começa a Copa do Mundo e a seleção brasileira e que estará fazendo a abertura do torneio.
Pelo menos no dia 12 de junho as atenções para a Copa estarão mais forte do que as atenções para as convenções.
A primeira fase, a de grupos, termina no dia 26 de junho. Desde o dia 12, quando o Brasil joga a sua primeira partida, até o dia 26, todos os dias, tem jogo pela Copa e esse período é o mais forte para o fechamento das coligações. A primeira folga do futebol é de um dia, o dia 27 de junho, uma sexta-feira.
No dia 28 começam as oitavas de final, que vai até o dia 1º de julho.
Observe que, nesse ponto da competição futebolística mundial já terminou o período das convenções partidárias, que ocorre no dia 30.
O que se observa?
Ora, as lideranças e as direções partidárias terão, necessariamente, que dividir a atenção entre as duas importantes ocorrências simultâneas: as convenções partidárias e a copa do mundo.
O jogo decisivo da copa está marcado para o dia 13 de julho, um domingo, ou seja, nesse dia já todos os candidatos aos cargos de governador, vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual já terão que ter pedido o registro de suas candidaturas e já devem ter, em mãos, o deferimento da candidatura ou um recurso para guerrear contra o indeferimento ao Tribunal.
Candidatos e dirigentes partidários terão que dividir as atenções ou os dias. Aliás, os dias poderão ser divididos em duas partes, pois, os jogos só começam depois das treze horas.
A última copa do mundo havida no Brasil ocorreu em 1950, há 64 anos, pelo menos aqui no Amapá não temos noticia de que algum dos dirigentes ou dos candidatos atuais tenha vivido a experiência de 1950.
Não adianta imaginar que vai poder conduzir o trabalho partidário, principalmente das convenções, sem a influência direta do futebol, pois se o dirigente ou candidato não se liga no futebol, o eleitor, pelo menos a imensa maioria, vai prestar muita atenção nas seleções que estarão disputando a copa.
A contribuição do futebol, este ano, para as eleições, pode ser positiva ou negativa, basta que os dirigentes partidários e os candidatos sejam mais ou menos atentos ao sistema que terá, pelo menos, duas equações complicadas para resolver, pois as duas têm incógnitas no emocional do brasileiro.

Quando mais planejada a utilização do tempo no período da copa do mundo, menos problemas serão acumulados para o período pós-copa, que é o mesmo período da campanha eleitoral, que terá direta influência dos resultados obtidos pela seleção brasileira.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Os partidos novos no Amapá

OS PARTIDOS NOVOS
Rodolfo Juarez
O Partido Social Democrático (PSD), registrado no dia 27 de setembro de 2011 e que tem como presidente nacional o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, ganhou projeção nacional devido o número de parlamentares federais que conseguiu arregimentar e filiá-los. No Amapá, o partido tem como presidente o deputado estadual Eider Pena e já se prepara para avançar sobre o governo do Estado e, para tanto, apresentou como pré-candidato ao cargo de governador, o vereador Lucas Barreto.
O Partido Republicano da Ordem Social (PROS), registrado no TSE desde o dia 24 de setembro de 2013, também obteve bom resultado atraindo os parlamentares federais que entregaram a direção nacional do partido para Eurípedes de Macedo Júnior, enquanto no Amapá, a direção estadual do partido foi entregue à ex-deputada Francisca Favacho que se arruma para mostrar a que veio, já nas eleições de 2014. Não deve ter candidato ao cargo de governador.
O Solidariedade (SDD) tem como presidente nacional Marcílio Duarte Lima, registrado no TSE no dia 24 de setembro de 2013, também conseguiu articular-se bem e arregimentar um quadro razoável de parlamentares federais. No Amapá a direção estadual do partido está entregue ao deputado federal Sebastião Bala Rocha que, certamente vai priorizar a sua candidatura à reeleição no cargo de deputado federal e testar se fez um bom negócio saindo do PDT, partido pelo qual conseguiu os últimos oito anos de mandato como deputado federal.
São os três partidos mais recentes e que vão para os seus primeiro testes em uma eleição regional ao mesmo tempo de uma eleição nacional.
E porque esse destaque para a eleição nacional?
Porque as alianças locais terão forte influência das alianças nacionais, sem maior peso para qualquer uma delas.
Os três partidos, PSD, PROS e SDD vão mostrar-se ao eleitor amapaense pela primeira vez, isso sem contar a incursão do PSD, durante a campanha de 2012, pelos municípios, onde não conseguiu bons resultados.
Dos três novos partidos apenas o PSD mostra-se disposto a enfrentar uma eleição para o cargo de governador, os outros dois partidos, pretendem, nas eleições outubro, consolidar as bases e eleger o maior número possível de parlamentares federais e parlamentares estaduais.
Os novos partidos, considerando a desempenho das suas principais “estrelas” locais, mostram-se com chances de obter sucesso em alguns cargos que estarão disputando. Isso quer dizer que, apesar dos “voos” havidos no ano passado, o eleitor ainda não disse se aprova ou desaprova esses partidos.
O grande teste vai ser na eleição de 2014.
No momento e pelo visto, são partidos que nasceram de médio para grandes, considerando o número de mandatos que conseguiram arregimentar quando atraíram os políticos que têm mandato para constar a lista de filiados.
São partidos novos, mas dão a impressão que não têm coisa nova para mostrar para o eleitor e, em assim sendo, os nomes passam a ser muito importante quando apresentados na lista de candidatos no final de junho, depois das convenções.
As primeiras aparições no programa eleitoral gratuito da televisão não causaram maior impacto e o eleitor viu as autoridades dos novos partidos, como velhas autoridades de velhos partidos.
Se valer a máxima da “primeira” impressão, é possível que o eleitor nem leve em consideração as siglas novas e continue valendo-se das referências dos nomes velhos que estão nos partidos novos.
A culpa disso é dos próprios novos partidos que não divulgaram o seu programa e a sua proposta. O estatuto interessa muito mais para o filiado do que para o eleitor que apenas vota e escolhe os seus dirigentes e representantes.

Quem está gostando da “estratégia” dos novos partidos são os partidos com mais tempo de registro, que terão que dividir nada com os seus novos concorrentes.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O PT do Amapá e suas divisões

Rodolfo Juarez
O Partido dos Trabalhadores no Estado do Amapá continua sendo adversário de si mesmo e tendo dificuldade para convencer o eleitor amapaense a equilibrar o tamanho do partido com a sua real capacidade para eleger os seus candidatos.
Atualmente cinco facções são identificadas na conjuntura do PT, com algumas delas tendo muitas dificuldades para, pelo menos dizer, que é formada por filiados petistas e que todos integram a mesma sigla.
As eleições internas do ano passado que levaram Joel Banha à presidência do partido não conseguiu uni-lo, apesar da vontade inicialmente demonstrada pelo novo presidente, como também pela condição que detêm dentro da atual estrutura do governo, onde tem o cargo de vice-governador ocupado pela filiada Dora Nascimento que, teoricamente, teria chances de reagrupar o partido ou, pelo menos, aproximar as facções que estão mais distantes.
Aparentemente não vem conseguindo realizar o que, para alguns, seria uma verdadeira façanha.
A pizza petista está dividida em cinco partes e cada um delas tendo o carimbo de uma importante figura do partido, algumas tradicionais ou outras novatas que vão, pouco a pouco, conquistando os seus espaços.
Os “carimbos” mais notados são colocados por Joel Banha, atual presidente do partido e deputado estadual, ocupando vaga deixada por deputados do PSB que deverão voltar, o mais tardar, em março deste ano. Joel Banha tem como certo o seu nome na lista de candidatos na disputa de uma das 24 vagas na Assembleia Legislativa.
Outro cacique petista que conta com o seu carimbo é a deputada federal Dalva Figueiredo, que tem transito livre na direção nacional do partido e que já foi governadora do Estado. Era quem dava as cartas no partido até antes da eleição do ano passado que elegeu Joel Banha. Dalva Figueiredo deve ser candidata à reeleição ao cargo de deputada federal.
O cacique Antônio Nogueira, depois de cumprir por dois mandatos o cargo de prefeito de Santana e que já foi deputado federal pelo PT, tem a expectativa de ser candidato à Câmara Federal, acreditando na gordura eleitoral que tem em Santana e por aqui, em Macapá.
Ao contrário dos três referenciados: Joel Banha, Dalva Figueiredo e Antônio Nogueira, que fazem parte da primeira turma do partido, a professora Marcivânia Flexa é sangue novo, com novas ideias e que foi surpreendida pelos resultados das duas últimas eleições quando chegou a sentir o cheiro da vitória, mas não pode sentar no trono dos cargos que se candidatou. Chegou a assumir o cargo de deputada federal, mas foi substituída pela candidata do PSB depois que houve a liberação do registro daquela candidatura; e quanto, até cinco dias antes da eleição para prefeita de Santana, sabia que estava em primeiro lugar, apareceu o candidato do PTB e convenceu melhor os eleitores santanenses.
O professor Marcos Roberto, que foi candidato em 2010, não se elegeu e aceitou o cargo de Secretário de Estado da Segurança Pública, como recompensa pela aliança formada para as disputas do cargo de governador do Estado. É um dos poucos auxiliares do primeiro escalão do governador do Amapá que continua, desde o primeiro dia do atual governo e, na eleição interna do PT do ano passado, saiu fortalecido, tendo obtido mais de 20% dos votos e, por isso, com direito de participar da direção do partido.
Os dois últimos, a professora Marcivânia Flexa e o professor Marcos Roberto mostram-se atentos às discussões do partido, pois, como a professora Dalva Figueiredo, quer ser considerada em qualquer das alianças que venha fazer o PT com qualquer outro partido.
Na eleição de 2010 o Partido dos Trabalhadores, mesmo elegendo uma filiada para o cargo de vice-governadora, uma deputada federal e um suplente de senador, ficou fora da composição do legislativo estadual, resultado considerado ruim na avaliação feita pelo partido e que querem retomar na eleição deste ano.

O eleitor já demonstrou que não gosta de divisão interna de qualquer partido e os candidatos aos cargos eletivos sabem que só os filiados não têm os votos suficientes para eleger um filiado, resta atualizar o discurso para não ficar fora dos cargos.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O PSOL e seu candidato ao governo do Amapá

O PSOL E SEU CANDIDATO AO GOVERNO DO AMAPÁ
Rodolfo Juarez
Qualquer partido político tem como princípio básico em seu programa a participação na disputa pelo poder, isto é, dos cargos eletivos que são oferecidos pelo sistema político nacional.
Todos os partidos são criados para disputar eleição.
A Lei das eleições no Brasil e, mesmo a Constituição Federal, trata todos os partidos com isonomia, valorizando a democracia com um processo de disputa bem claro, com tudo perfeitamente definido e em constante aprimoramento objetivando melhorar os resultados que estão no propósito de cada partido político para conquistar.
Não tem explicação, isso visto sem qualquer cortina ou empanada, alegar não entender o que fez a direção estadual do PSOL quando resolveu fechar questão em torno do lançamento de um candidato do partido ao cargo de Governador do Estado e, ao mesmo tempo, escolher o economista Charles Chelala para ser o nome que o partido vai indicar aos convencionais, em junho.
A legitimidade da decisão está contida no próprio estatuto do partido e é indiscutível. O que os aliados em potencial ou os que tinham o PSOL como aliado quase certo precisam fazer é tentar convencer o partido a continuar no rumo que tinham desenhado para seguir, mas já considerando que o PSOL escolheu o seu rumo e, também, já definiu o seu timoneiro.
Era de se esperar isso, pois é natural que um partido que tem um senador, um prefeito da capital e dois vereadores na capital, continue a sua caminhada de conquistas.
Entendem que o momento é esse.
Nada fora do normal e nada que não seja legítimo para o que pensam os seus diretores e filiados.
É certo que em política se dá melhor quem consegue entender o presente apoiado no passado, mas sem deixar de considerar o futuro.
O que passou já definiu os resultados e o que há de vir vai depender de novas lutas, com novas propostas e certezas que não se confirmam, a não ser aquelas que são também do eleitor.
O nome do economista Charles Chelala, como personalidade política ainda não está consolidado, mas é assim que as lideranças políticas se impõem ou emudecem para não mais aparecer, seja decepcionado com o ambiente, seja por pura e simples falta de adaptação.
Parece que esse não seria o caso de Charles Chelala!
Charles Chelala já trabalhou na intimidade do PSB, chegando a ser secretário de estado de João Capiberibe quando governador do Amapá e na intimidade do PSOL participando, de forma influente, da campanha que levou ao senado Randolf Rodrigues e sendo coordenador, em 2012, da campanha vitoriosa de Clécio Luiz à prefeitura de Macapá.
O partido convenceu Charles Chelala à disputa de 2014 e vem compor o leque de alternativas para o eleitor que já contava com Camilo Capiberibe, Waldez Góes, Lucas Barreto, Jonas Pinheiro, Promotor Moisés, Aline Gurgel, Gilvan Borges, Jorge Amanajás e um candidato do PSTU. Dez nomes que estão em prejulgamento, alguns como balão de ensaio, mas outros não e, certamente, terão seus nomes confirmados nas convenções de seus respectivos partidos.
É certo que, até às convenções, continuam grandes as chances de alianças que, mais tarde, chegarão às convenções, mas também é importante considerar que cada partido tem uma forma de orientar os seus filiados, com uma regra que é seguida pelos seus dirigentes.

Os partidos que não definem as suas regras ou não respeitam as suas lideranças têm muito mais chances de serem trazidos sempre a reboque de um que age diferente, é mais audacioso na linguagem dos adversários, e mais político na linguagem dos filiados e eleitores.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Macapá merece mais

Rodolfo Juarez
Depois de 256 anos os agentes públicos, bem pagos pela contribuinte, demonstraram que ainda não tem o jeito para declarar respeito à cidade e seu povo.
Fazer uma festa para “meia-dúzia” não pode ser considerado uma evento que acenda o ânimo da população para o trabalho organizado, coletivo e solidário que deve ser feito pelas autoridades e a população.
Não está certa a entrega dessa imensa responsabilidade para uma entidade privada, localizada no centro e elitizada que, pela sua própria natureza, afasta o povo de perto das comemorações.
O aniversário de uma cidade, de uma coletividade, de uma população, precisar ter a participação dessa população. Mais uma vez foi colocada uma barreira entre as comemorações e a população. Uma barreira constituída de toneladas de preconceito, montes de defesas e os altares para aqueles vão precisar do voto daqui oito meses.
Entendemos que a associação que assume a responsabilidade pela festa não tem culpa nenhuma. Ela acaba fazendo o único evento que lembra o aniversário da cidade. Muito pouco para um povo que é um verdadeiro visionário, acreditando nas suas próprias forças, enfrenta as dificuldades de agora, sabendo que mais tarde, pode contar com a recompensa de todo esse esforço.
Os dirigentes públicos, principalmente os municipais, devem ser mais audaciosos, acreditar que o povo quer participar e está disposto a colaborar. Já não se conforma com a festa para um pequeno grupo.
Os que têm acompanhado as comemorações dos últimos anos observam que, ao invés de evoluir o evento, mais ele se encolhe e, com isso, torna-se repetitivo e sem qualquer escape para outros pontos da cidade.
Depois como pedir para a população de Macapá para deixar vivo o sentimento de respeito às autoridades que deveriam organizar um evento cada vez maior?
Como evitar que as questões oficiais sejam esquecidas, desprestigiadas e descoloridas pela falta de compreensão da população que só ganha, cada vez mais, responsabilidades e nenhuma consideração?
Esse momento era para ser entregue à população novas oportunidades, novas regras, novos serviços e novos sustentáculos para a reclamada estrutura urbana e social da cidade e de sua população.
O aniversário de uma cidade não é o aniversário de um filho ou uma filha, de um amigo ou de uma amiga, onde as comemorações se concentram naquele momento e, principalmente, no momento dos “parabéns”.
A população espera que no dia do aniversário da cidade sejam anunciadas medidas que possam melhorar a modo de vida da população, a acessibilidade comum de todos, reavivando a esperança e entregando os elementos que a população precisa para confiar nos gestores da cidade e do município.
A festa seria uma consequência.
Fazer apenas a festa, do modo que é feita, como se fosse o elemento principal das comemorações e o objeto fim, não serve para nada, inclusive desmotiva a população que sabe que se trata apenas de um show. Fraco, mas um show.
A população quer mais.
Aliás, a população não quer isso.
Isso ela vê todos os dias, ou pelo menos, de vez em quando. A banalização prejudica a valoração do evento, o significado da festa e o desenvolvimento do compromisso que cada um deve ter com a cidade, seu povo e os próprios dirigentes.

Que no dia 4 de fevereiro de 2015 se tenha, pelo menos, um motivo para festejar, além do bolo, dos discursos e das auto-homenagens. 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Macapá: 256 anos

Rodolfo Juarez
Macapá completa neste dia 4 de fevereiro 256 de fundação. Mesmo naqueles tempos próximos da fundação, os poucos moradores já imaginavam que a vila se transformaria em uma das cidades mais prósperas da região.
No segundo estágio, no período em que foi criado o Território Federal do Amapá, foi preciso que o govenador nomeado para assumir o comando da administração dessa unidade avançada da União, percebesse o que os mandatários da Capital do Brasil, não perceberam – Macapá era o local apropriado para ser a capital do Território Federal recém-criado.
Os primeiros investimentos foram para atender os dirigentes que chegavam, com o sacrifício dos moradores que estavam por aqui, mais perto da “beira”, vendo o rio encher e vazar a cada seis horas.
Naquele momento esses moradores foram deslocados para outras áreas, longe demais para aquele tempo, mas praticamente no centro da Macapá atual, cidade de 400 mil habitantes, boa parte vinda de outros centros, alguns mais avançados, outros mais atrasados; alguns não brasileiros que se mostravam dispostos a contribuir com o desenvolvimento, principalmente oferecendo produtos e serviços que os funcionários públicos precisavam.
O “descobrimento” da Fortaleza de São José de Macapá, como uma edificação capaz de ser o símbolo da cidade demorou. Antes ela foi usada como prisão, principalmente de presos políticos da época da revolução, isso já depois de 1964.
Nessa época Macapá ainda não tinha 100 mil habitantes e já via multiplicar essa população a cada ano, pois, desde essa época, já se prometia a infraestrutura que o Território Federal do Amapá precisava para se tornar um ponto avançado do território brasileiro, tomando como exemplo a questão que fora enfrentada pelas autoridades da república por ocasião da defesa que chegou às cortes suíças, onde foi elaborado e assinado o Laudo Suíço, isso em 1900.
Macapá se impunha como o principal município do Território, que contava com outros quatro municípios, e a cidade de Macapá como a grande referencia amapaense, não só como capital do Território Federal do Amapá, mas pela importância que ganhava, considerando a posição geográfica do seu território e o aproveitamento que vinha sendo feito.
Os distritos de Fazendinha e Santana se destacavam. O primeiro pelo seu potencial turístico e o segundo, pela sua importância econômica. Em Santana, então distrito do município de Macapá, estava o porto de minério, pertencente a uma das maiores empresas da região e do Brasil, a ICOMI.
Naqueles tempos o prefeito de Macapá era nomeado pelo governador do Território do Amapá, até que, em 1985, foi fado o direito de o povo escolher, através do voto direto, o prefeito municipal de Macapá.
No dia primeiro de fevereiro de 1986 o primeiro prefeito eleito pelo voto direto do povo foi empossado. O professor Raimundo Azevedo Costa, em novembro de 1985, havia obtido mais de 54% dos votos. Veio com o professor, a também professora, Raquel Capiberibe. O mandato foi de 3 anos e terminou no dia 31 de dezembro de 1989.
No dia 1º de janeiro de 1989, para um mandato de 4 anos, assumiu a prefeitura de Macapá, João Capiberibe; no primeiro dia de janeiro de 1993 quem assumiu foi o médico Papaléo Paes; em 1997, foi Annibal Barcellos que assumiu o cargo de prefeito municipal de Macapá. Até ai os prefeitos não podiam se reeleger.
Já com a inovação da reeleição, João Henrique assumiu a primeira vez, em 1º de janeiro de 2001 e a segunda, fora reeleito, em 1º de janeiro de 2005. Roberto Góes sucedeu e assumindo a prefeitura em 1º de janeiro de 2009.
O atual prefeito, Clécio Luís, assumiu a prefeitura de Macapá em 1º de janeiro de 2013 estando, portanto, no segundo ano de seu mandato em 2014.
Alguns dos prefeitos não conseguiram cumprir bem o rol de atribuições que o eleitor lhes confiou.
A gestão municipal não passa por um bom momento. As alegações dos dirigentes atuais são as mesmas alegadas pelos dirigentes anteriores, relativamente aos seus antecessores. Todos, entretanto, ficaram devendo muito considerando o que precisavam fazer.