domingo, 15 de outubro de 2017

É preciso valorizar o talento

Rodolfo Juarez
Estou impressionado com a falta de instrumentos públicos que possibilitem o desenvolvimento e a preservação de talentos no Estado do Amapá.
Por aqui cada um “se vira” como pode, pois os talentos, em qualquer área, não são recompensados por ser talentosos e por fazer a diferença no meio social em que todos nós vivemos.
O talento que vou destacar, de forma indiscutível, vem contribuindo e muito, ao longo de toda a sua vida, para que a população melhore os seus conhecimentos e possa encontrar nos seus apontamentos os dados que são inerentes a cada um de nós e de todos aqueles que participam de qualquer atividade social e econômica no Amapá.
O historiador e pesquisador amapaense Edgar Rodrigues, com 62 anos dedicou o seu talento de escritor e pesquisador para os interesses do Amapá e dos amapaenses e, de todos, independentes de suas nacionalidades, origens, raças, está sendo uma referência que nos mostra esse “lado b” da formação de uma sociedade defeituosa por culpa dos seus agentes sociais, e principalmente políticos.
É impossível deixar de reconhecer o talento de Edgar Rodrigues e não importar com o que significa para cada um dos dirigentes públicos e privados, agentes sociais e daqueles que sempre vão precisar dos dados organizados cronologicamente por esse homem que o destino colocou a serviço da nossa sociedade.
Está claro que ele precisa de mais, muito mais do que os quatro mil e quinhentos reais para pagar a cirurgia em um dos olhos. Ele precisa ser reconhecido, também materialmente pelo Estado, que não pode virar de costas para esse homem que está fazendo o Amapá ser lembrado e conhecido por tantos outros brasileiros e não brasileiros deste planeta Terra.
Edgar Rodrigues é um dos maiores pesquisadores da história do Amapá e informa pelas redes sociais, espontânea e gratuitamente a todos aqueles que precisam dos dados históricos e não históricos do Amapá.
E faz isso muito bem!
O material que conseguiu publicar está em três livros, muito embora tenha material para mais de 10, tudo de interesse de todos, daqui e de fora, além de artigos e reportagens que são aulas que comprovam o seu talento.
Para conseguir o dinheiro que precisa – R$ 4.500,00 – para custear a cirurgia no seu próprio olho está vendendo apostilas com conteúdo preciso, de valor inestimável, com objetivo de pagar o sistema privado de saúde uma vez que, se continuar esperando a fila do serviço público, corre o risco de perder completamente a visão e a sociedade perder seu talento.
Faz questão de dizer: “não estou pedindo dinheiro. Eu estou vendendo apostilas porque estou desempregado há dois anos. Estou tendo respostas positivas, mas ainda falta dinheiro”.
Entre tantos absurdos nesta constatação vê-se que um talento do tamanho e significado de Edgar Rodrigues padecer com a falta de emprego. Está desempregado e com tantos contratos administrativos distribuídos na esfera pública, não é possível que nenhum se ajustasse ao talento deste escritor e pesquisador.
Até quando vamos tratar assim os talentos? Até quando vamos deixar que essas pessoas, muito úteis à sociedade se debatam para sobreviver? Até quando não vamos garantir vida digna a um expoente do conhecimento?
É preciso resolver essa questão.
Mas, enquanto isso, informamos que as apostilas que estão à venda são das séries “Conhecendo Melhor as Coisas do Amapá” e “Datas Comemorativas 2017”. Procure as redes sociais através do nome do autor e pelo número de telefone (96) 9 8402 8693, ou no endereço da Rua Odilardo Silva, n.º 1399 – Centro de Macapá.

Vale lembrar que o Estado tem obrigação e condição de atender a necessidade desse talento, e de corrigir essa injustiça, oferecendo-lhe um emprego decente onde possa mostrar que o talento faz a diferença. Os sem talento, fazem número.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Eleições nos Conselhos Profissionais

Rodolfo Juarez
Pelo menos três importantes Conselhos Profissionais realizam aqui no Amapá, até o final do ano, eleições para dirigentes locais e representantes nos respectivos conselhos federais, além de conselheiros estaduais e de dirigentes de órgãos de assistência.
O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amapá está com eleições marcadas para o dia 15 de dezembro, quando será eleito o presidente do Conselho, um conselheiro federal e, ainda, dirigentes da Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea – Mútua: diretor financeiro, diretor geral e diretor administrativo.
O Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo fara realizar as eleições no dia 31 de outubro. No Amapá serão eleitos 5 (cinco) conselheiros estaduais e 1 (um) conselheiro federal, para um mandato de 3 anos a iniciar no dia 1.º de janeiro de 2018 e que se estende até o dia 31 de dezembro de 2020.
O Conselho Federal de Contabilidade está organizando eleição do Sistema CFC/CRCs para os dias 17 e 18 de novembro. Mais de 520 mil profissionais da contabilidade devem participar do processo que escolherá 1/3 (um terço) dos integrantes dos Plenários dos Conselhos Regionais de Contabilidade (CRCs) de todos os Estados e do Distrito Federal.
As eleições dos CRCs ocorrem a cada dois anos para mandatos de quatro anos. Nesta oportunidade, será renovado um terço dos plenários e, em 2017, os outros dois terços. O voto é obrigatório para todos os profissionais da contabilidade e facultado aos maiores de 70 anos.
Para votar, o profissional tem que estar regular com o Conselho Regional de Contabilidade (CRC) de sua jurisdição, inclusive quanto a débitos de qualquer natureza. Diferentemente de como ocorria em outros exercícios, quando o profissional podia regularizar sua situação financeira durante o processo eleitoral, este ano ele tem até o dia 6 de novembro para quitar débitos existentes.
A partir da publicação da decisão da ADIN 1717, em 22 de abril de 2003, os conselhos e ordens de fiscalização profissional retomaram seu papel de pessoas jurídicas de direito público, frutos da descentralização da Administração Pública e integrantes desta, considerados como autarquias.
          Autarquias são entidades constituídas para execução de atividades inerentes ao Estado. Podemos dizer que são extensão do Estado, vez que este delega funções para serem executadas por aquelas, funções que deveriam ser executadas pelo próprio Estado. São as auxiliares mediatas.
          As autarquias possuem alguns privilégios que visam assegurar um melhor desempenho de suas funções tais como: imunidade de impostos sobre patrimônio, renda e serviços; prescrição quinquenal de suas dívidas, salvo disposição diversa de lei especial; execução fiscal de seus créditos; direito de regresso contra seus servidores; impenhorabilidade de seus bens e rendas; prazo em quádruplo para responder e em dobro para recorrer; proteção de seus bens contra usucapião.
          As autarquias corporativas são aquelas que foram instituídas com a finalidade de organizar e fiscalizar o exercício das profissões regulamentadas.
Daí a importância destas eleições que chamam a atenção, também, pelo aspecto competitivo e democrático, obediente às regras gerais da democracia e um rígido sistema de controle e fiscalização.
Os profissionais das áreas de engenharia e agronomia, de arquitetura e de contabilidade, regulares em seus respectivos conselhos, são os eleitores.

domingo, 8 de outubro de 2017

O AGORA do Amapá

Rodolfo Juarez
O Estado do Amapá enfrenta uma crise econômica sem precedentes. Com a maior inadimplência do Brasil, empurra o setor privado para as maiores dificuldades de todos os tempos. Os empresários do comércio e da indústria, mas principalmente do comércio, já dispensaram os seus colaboradores mais preparados, colocando em risco a competitividade e estão experimentando, pela primeira vez, a inadimplência fiscal e comercial, tendo dificuldades para cumprir com as suas obrigações.
Os reflexos estão na queda da arrecadação de tributos estaduais e as consequências nos investimentos públicos, principalmente aqueles que são necessários para melhorar as condições da prestação de serviços públicos, e atendimento aos contribuintes, cada vez mais exigidos e cada vez mais contando com atendimento de serviços públicos insuficientes, incompletos e sempre precários.
Nesse cenário o Governo do Estado se atrapalha no meio de tantos problemas e não tem conseguido andar no sentido de equacionar esses problemas e visualizar as soluções que possam ser duradouras, trazendo esperança para uma população que cresce a índices que são maiores que o dobro do crescimento da população brasileira.
As entidades dos setores comercial, industrial, agropastoris, de transportes e de serviços debatem-se contra a falta de condição para orientar os seus agentes e contribuintes, no sentido de priorizar projetos que visem a melhoria econômica do Estado.
Os sindicados patronais em dificuldades na arrecadação interna, não têm estrutura técnica e administrativa que possa encaminhar propostas modificadoras e projetos economicamente promissores implicando na estruturação das entidades sindicais de grau superior, e levando essas entidades a serem meros números nas dificuldades político-econômicas que contribuem para manter as dificuldades estacionadas no Estado.
A escassez do emprego é primeiro resultado de uma situação que precisa ser alterada, independentemente da ideologia ou capacidade gerencial dos seus dirigentes. Na outra ponta, a do desemprego, o número só cresce, tanto absoluta como relativamente.
Os erros nas decisões políticas, com implicações na economia local, não são corrigidos, porque os interesses políticos-ideológicos, que alimentam as questões locais e iludem o eleitor, mantêm o balouço indo e vindo, ao sabor das desculpas, algumas tão simplórias e ineficazes, mas que têm se repetido nos últimos 24 anos.
Restou-nos um Estado cheio de problemas, com dificuldades para encontrar o seu modo de desenvolvimento, com várias regras ambientais aboletas, com muitas teorias que não se confirmam, tornando o Amapá, entre os territórios federais criados em 1943 e posteriormente transformados em Estado da Federação, como Rondônia e Roraima, aquele que mais enfrenta problemas, muito embora esteja situado, geograficamente, com muito mais possibilidades de desenvolvimento do que aqueles estados.
Uma área agriculturável espetacular, uma condição para o desenvolvimento portuário sem comparação em todo o norte do Brasil, a menos de 400 km em linha reta de Belém, um povo trabalhador, empresários que se mostraram habilidosos e que sentem falta de políticas públicas que permitam o desenvolvimento deste estado e a satisfação deste povo.
O Amapá já acumula muitos problemas sociais, alguns alimentados pela falta de controle público o que acaba transformando uma vantagem em desvantagem como, por exemplo, as dificuldades de se valer de rodovias que possibilitem a ligação terrestre com outros estados da Federação.

A situação atual não é culpa da geração mais velha e nem daqueles que já estão em condição de entrar no mercado de trabalho. Se tiver um culpado, esta é a geração que está com a responsabilidade de definir o agora do Amapá.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O meu pai

Primeira foto: Jurandil Juarez (filho), Raimunda Juarez (esposa), Heráclito Juarez e Rodolfo Juarez (filho)
Segunda foto: Dilma Juarez (filha) e Heráclito Juarez.

Rodolfo Juarez
Meu pai completaria hoje, dia 7 de outubro de 2017, 95 anos de vida. Vida que foi prematuramente encerrada em 1973, aos 51 anos, depois de perder a luta contra uma arteriosclerose que venceu também os médicos e paramédicos da Beneficente Portuguesa, em Belém do Pará. Uma breve descrição desse homem que continua sendo referência para sua esposa, os doze filhos, e outros parentes e aderentes.
Heráclito Juarez Filho nasceu em Alagoas, em 7 de outubro de 1922, e morreu em Belém do Pará em 03 de dezembro de 1973, deixando a esposa Raimunda Pureza Juarez e 12 filhos: 9 homes e 3 mulheres.
Filho de Heráclito Juarez de Araújo e Silva e Rosa Lima de Araújo e Silva, Heráclito Juarez Filho era o 4.º filho da lista de oito que era composta por 5 homens e 3 mulheres.
Um pouco antes de casar, no começo do ano de 1944, construiu um pequeno abrigo, ao qual chamou de casa, nas margens do rio Lipo-Lipo, afluente do rio Santana, para onde, em 1949, mudou-se para um local que permitia melhor calado para ancorar embarcações do tipo regatão, comum naquela época.
No novo local, começou com a compra de borracha, na forma de bolão e pele, além de sernambi, todos comercializados em Belém do Para.
No porto próprio que construira, em uma espécie de troca de mercadoria, embarcava castanha, pracaxi, ucuúba, entre outros, e em troca, recebia produtos de estiva como: açúcar branco, açúcar moreno, sal, aguardente, fósforo, entre outros produtos que supriam as necessidades da família e dos seus fregueses. Também tinha compra regular de madeira, tipo dormente, juntados em jangadas, para serem usados na construção, e depois manutenção da Estrada de Ferro do Amapá.
Em 1954 mudou-se para a sede do município de Afuá, para dar oportunidade ao primeiro filho, que precisava ir para a escola regular que só era oferecido, naquela época, na sede do município.
Em 1959, depois da conclusão do Curso Primário do primeiro filho, com toda a família mudou-se para Macapá tendo como principal motivação o Exame de Admissão, pré-requisito para que houvesse o ingresso no Curso Ginasial. Chegou em Macapá na madrugada do dia 11 de dezembro de 1959, para morar no bairro do Elesbão, onde hoje é a esquina da Avenida Pedro Baião com a Rua São José, no começo do bairro Santa Inês.
Heráclito Juarez Filho sempre foi comerciante. Desde o começo, na confluência do rio Lipo-Lipo com o rio Santana, em 1944, já usava uma pequena montaria com motor de popa marca Penta, de 4 e ½ cavalos, que depois foi trocado por um motor Johnson de 8 cavalos e, mais tarde por um Penta de 12 cavalos, na poupa de uma “batelão” de madeira, como capacidade de uma tonelada, para transportar os produtos da floresta para a cidade de Afuá e de lá trazer, produtos de estivas para comercializar com os seus clientes, fornecedores dos produtos da floresta e aqueles que eram catados nos rios, como maracujá, camocim, xuru, juntamente como ucuúba, apanhado de paneirinho de cabo.
Quando chegou na sede do município de Afuá alugou uma embarcação de 12 toneladas e a vela, de nome “Maria Santíssima”, com a qual começou fazer o regatão entre Belém e Afuá, e entre Macapá e Afuá. Mais tarde comprou a canoa a vela Maria Santíssima que foi substituída por outra embarcação maior, de 26 toneladas, na qual colocou o nome de “Iate Juarez”.
No começo de 1970, já com os três primeiros filhos matriculados em cursos superiores em Belém do Pará, comprou uma casa que servia de apoio aos filhos estudantes e à toda a família, quando em Belém.
Heráclito Juarez Filho morreu em 03 de dezembro de 1973 e foi sepultado em Macapá no dia 6 de dezembro de 1973, no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, no centro de Macapá.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Os caminhos do sonho e a realidade

Rodolfo Juarez
Desde o final da década de cinquenta e o começo da década de sessenta que brotou o forte desejo na população, animado pelos políticos, estudantes, professores e alguns empresários, de que o Amapá virasse um Estado da Federação.
Com a Revolução de março de 1964 e a perseguição aos políticos ditos como “comunistas” houve um adormecimento da vontade de mudar.
Os governos militares iam se sucedendo e mandando para o Amapá governadores, também militares, que passaram a dirigir o Território Federal do Amapá de acordo com a disciplina militar, o que manteve por mais tempo o sonho de ser Estado além de adormecido, propositadamente sufocado.
Aos poucos, entretanto, alguns que se aproximavam dos governadores que chegavam, começaram a levar a mensagem para as “mesas oficiais” onde dividiam os espaços com os dirigentes “estrangeiros” e militares que aqui desembarcavam e vinham com uma missão que só seria exposta meses e até anos depois.
Quando Lisboa Freire substituiu Ivanhoé Gonçalves Martins, as lideranças políticas, os professores e os estudantes logo perceberam que havia espaço para avançar com a ideia de Estado.
Lisboa Freire, pouco chegado às preocupações com a gestão, governou o Amapá de novembro de 1972 a abril de 1974, isto é, por 17 meses, o suficiente para ser liberado e substituído pelo oficial da Marinha, Arthur Azevedo Hening, que já não pode conter a vontade declarada dos estudantes que levaram, a partir de 1975 para a Avenida FAB, durante os desfiles de 13 de setembro, as mensagens pedindo a transformação do Amapá em Estado.
Annibal Barcellos começou o seu governo em 15 de março de 1979 depois de nomeado pelo presidente da República João Figueiredo, que trazia a proposta de abertura política, para acalmar as ruas que já falavam na redemocratização do Brasil.
Barcellos não desanimou os que clamavam pela transformação do Amapá em Estado, principalmente quando identificou que alguns altos funcionários públicos eram radicalmente contra a transformação, provavelmente para que não fosse colocado em risco o status que desfrutava na Administração do Território.
A campanha pela transformação se intensificou e avançou muito depois da eleição, de forma indireta, de Tancredo Neves para presidente da Repúbica, cargo que não chegou a assumir, pois padeceu de doença grave que o levou a morte com a ascensão de José Sarney, em 1985, ao cargo de presidente da República Federativa do Brasil.
Foi nesse tempo que uma disputa intestina entre lideranças políticas do Amapá acabou favorecendo à vontade de José Sarney que indicou e nomeou para o Amapá o governador Jorge Nova da Costa, primeiro interinamente e depois, a partir de 4 de abril de 1986, quando foi efetivado no cargo.
Annibal Barcellos já havia construído os principais alicerces do futuro Estado e Nova da Costa ainda foi atrás de estruturar a economia do então território para receber o Estado que viria com a promulgação da Carta Magna de 1988.
O art. 14 do Ato das Disposições Transitórias passou a compor a história do Amapá, pois é lá que está consagrado o resultado da luta de muitas décadas e a concretização do sonho da transformação.
Depois de um período de transição, gerenciado por Gilton Garcia, o Estado do Amapá foi instalado em 1.º de janeiro de 1991, com a posse do primeiro governador eleito pelo voto direto do eleitor amapaense, Annibal Barcellos.
Desde 5 de outubro de 1988, quando houve a promulgação da Constituição Federal e a transformação do Território Federal do Amapá em Estado do Amapá, se passaram 29 anos e, ao que parece, a população ainda não percebeu os resultados do sonho que sonhou, de viver em um Estado progressista, autossuficiente e com bom ambiente para viver.

domingo, 1 de outubro de 2017

A Feira do Perpétuo Socorro

Rodolfo Juarez
Esta semana estive na Feira do Perpétuo Socorro, aliás, sempre que posso vou até àquela feira para comprar os alimentos dos quais eu e a minha família precisamos, e para encontrar com velhos amigos e companheiros de jornada que por lá estão fazendo o mesmo que eu – querendo alimentação saudável e mais em conta, afinal na realidade local tornou-se necessário economizar para poder pagar a conta de energia.
Antes, quando estávamos na época da chuva, todas as desculpas e até a tolerância de cada um era debitado para os aperreios que o período coloca para os administradores, não só das feiras populares, mas também de todo o sistema viário e áreas de acesso a locais públicos como feiras, mercados e, também, às residências daqueles que moram em Macapá.
Os montes de lixo, recheado com resto de peixe, de carne, verduras, hortaliças e de tudo o que o que se transforma em sobra nos boxes da feira e que são jogadas naquele monte que atrai urubus, ratos, baratas entre outros animais e larvas menos conhecidos, que ali se alimentam ou se proliferam.
Mas agora é verão... Mudou alguma coisa?
Não mudou nada.
Lá estão montes em diversos lugares, não obstante o esforço dos dirigentes da Associação dos Pescadores que assumiram uma espécie de gestão do local e, dentro dos seus limites, procuram, pelo menos internamente, manter a disciplina e a higiene compatíveis com o local.
Para quem chega de carro a primeira disputa é com o “guardador”, sempre apontando o “melhor local”, mesmo que não tenha nada a ver com qualquer coisa que indique que ali é um estacionamento.
Uma vez estacionado, a próxima luta é com os “atrevidos” urubus que passeiam faceiros disputando espaços com os pedestres, muito embora, logo adiante, em uma espécie de “morro” se espremam 20 ou 30 urubus, sempre em movimento, como que, de longe, selecionando a melhor carniça e o melhor momento de agir.
Diga-se que o prédio da feira do bairro Perpétuo Socorro está tecnicamente adequado às mínimas necessidades do local se não houvesse o funcionamento da feira que, nesse momento, precisa dispor de outros elementos capazes de manter a sanitariedade do local.
A feira está próxima do Igarapé das Mulheres, tanto pela parte da frente como pelo lado esquerdo do prédio, possibilitando drenagem sem grandes custos, desde que fossem pavimentadas as vias que limitam o prédio, com asfalto ou elementos de concreto, dando harmonia e disciplina para o local.
A parte da população que frequenta a Feira do Bairro Perpétuo Socorro tem demonstrado, ao longo do tempo, que é importante para aquele público e ainda muito mais para aqueles que de lá tiram o seu sustento trabalhando filetando, cortando carne, vendendo verduras, hortaliças, farinha, galinha caipira, e tudo o que é próprio de feiras populares.
O agente público não precisa esperar por necessidade de reforma no prédio ou na estratégia de distribuição dos produtos em venda para agir.
É urgente a necessidade de completar o serviço, com uma resposta aos que ali trabalham e que para lá atraem os compradores, verdadeiros clientes cativos, que pelo menos uma vez por semana vai lá, mesmo que para chegar tenha dificuldade, pois, no momento compensa pela diversidade de produtos de origem animal e vegetal que ali são expostos para a venda.
Trata-se de uma questão de responsabilidade do agente público. Os agentes privados e a população estão fazendo o seu papel.
Que tal antecipar-se ao atraso já constado e agir?

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Consumidor de energia elétrica no Amapá:o grande prejudicado

Rodolfo Juarez
A população amapaense demonstra estar muito preocupada com as notícias que vêm dos lados da Companhia de Eletricidade do Amapá – CEA, que está atuando no Amapá como prestadora de serviços para a Eletrobrás, desde que teve decretada a caducidade do contrato de concessionária para distribuição de energia elétrica.
O empréstimo autorizado pelos deputados estaduais e efetivado pelo governo do Estado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, o maior até agora feito de um mesmo agente financeiro, no montante de R$ 1,4 bilhão, e que seria utilizado para pagar as dívidas da empresa com fornecedores, inclusive de energia, e outras diversas, inclusive sociais, acabou se juntando aos negócios mal feitos que o Estado havia fechado ao longo dos anos.
Apesar dos prognósticos feitos, as medidas tomadas foram inadequadas e o dinheiro emprestado se tornou insuficiente, desiludindo aqueles que defendiam a CEA, afirmando que era “um patrimônio do povo”.
Até mesmo a federalização da administração passou a ser uma saída desejada pelos próprios funcionários da empresa que viam as dificuldades avançando e deixando a empresa sob os estertores do indesejado.
A partir de um determinado momento, ainda com a receita menor que a despesa e a qualidade dos serviços em queda vertiginosa, o jeito foi romper o contrato e desabilitar a CEA da condição de concessionária e dar-lhe o status de prestadora de serviço, enquanto não chega a nova empresa com a atribuição de, na condição de concessionária, distribuir a energia no Estado do Amapá.
A CEA, por estar inadimplente e não ter dinheiro, não comprou a energia das hidrelétricas instaladas no Amapá por ocasião dos leilões que ofereciam o produto restando-lhe a energia mais cara oferecida no mercado. Foi nesse estágio que apareceu a incongruência que o consumidor custa a acreditar, ficando exposto e com a possibilidade de pagar a energia elétrica que consome mais cara, função de uma tarifa inflada pela compra mal feita.
No ano de 2015 houve a mudança da gestão da empresa, coincidindo com a necessidade de investimentos na infraestrutura de distribuição, com construção de estações abaixadoras, entre outras coisas, que possibilitasse a utilização da energia do Sistema Nacional.
Os problemas de resultado econômico continuaram e se agravaram a cada mês. A receita não atendia às necessidades das despesas e as alternativas se concentraram em cima dos contribuintes: primeiros os devedores, depois os que pagavam o consumo por estimativa e mais recentemente, aqueles que passaram a ser responsáveis pela diferença entre o total de energia comprada e distribuída e o total de energia paga.
Sem qualquer confirmação, se comenta que o déficit da empresa já chega aos 3(três) bilhões de reais.
Recentemente a empresa criou mais uma diretoria – a Diretoria Comercial – e foi buscar, no nordeste, um experiente diretor, desconhecido das rodas técnicas e políticas locais, trazendo a incumbência de equilibrar a receita e a despesa.
O novo diretor se chama Anselmo Souza que está com “carta branca” para fazer as negociações, efetivar cortes, acabar com as ligações de emergência e demonstrar que o mercado de distribuição de energia elétrica no Amapá é viável e, assim, possa atrair empresas interessadas em assumir o compromisso de concessionária.
O que não agrada é a notícia da Agência Nacional de Energia Elétrica está fazendo audiências públicas para aumentar o preço da tarifa em percentual totalmente fora da realidade do consumidor amapaense.
Os novos problemas já começaram e se juntam aos antigos que afetam o interior, com falta e energia, por dias, e nos principais núcleos urbanos, como Macapá e Santana, a instabilidade da distribuição constrói o castelo de incertezas e a insatisfação do consumidor, mais uma vez o grande prejudicado.