segunda-feira, 10 de junho de 2019

13 anos do Lugar Bonito


Rodolfo Juarez
Ontem, dia 10 de junho, o Lugar Bonito completou 13 (treze) anos, a contar do dia da inauguração e, até hoje, é a maior e mais impactante obra urbana realizada em Macapá mesmo considerando os pilares prioritários como educação, saúde e segurança pública, sempre os citados nas justificativas e perspectivas dos administradores do Estado.
A cada ano do aniversário do Parque do Forte, conhecido como Lugar Bonito, procuramos retratar a realidade no sentido de que as autoridades estaduais compreendam a importância que esse lugar tem para a população de toda a cidade de Macapá e para influenciar o turismo no Amapá.
A orla do Araxá, do Santa Inês, do Perpétuo Socorro e do Jandiá poderiam ser igualmente festejadas pela população, entretanto as condições a que foram relegados acabam por afastar os visitantes e atrair aqueles que a sociedade está deixando à margem, permitindo que estes enveredem pelas drogas, optem por morar na rua, trazendo um aspecto decadente para pontos que poderiam ser atrativos à população que frequenta o local.
Já foi destacado que desde o primeiro trimestre de uso, as instalações do Lugar Bonito são depredadas e deixadas de lado pela administração geral, uma vez que o local não recebe fiscalização, a não ser da política que, não respeita as condições do parque e, sob a justificativa de proteção aos frequentadores, trafegam em carros da polícia sobre o gramado, destruindo-o, inclusive aqueles que foram recuperados recentemente pela própria natureza.
Os chafarizes foram os primeiros a serem desativados. Não resistiram à falta de manutenção e toda a beleza e a função de amenizar o clima do entorno foram perdidas depois da desativação de um equipamento que nem mesmo os mais atentos lembram.
O mesmo aconteceu com as redes de apoio como sanitários, mictórios, água potável e tantos outros equipamentos que foram instalados e que faziam parte do projeto e que foram desativados e nunca mais recuperados. Nesta situação está a iluminação baixa, colocada nos balaustres de segurança do muro de arrimo, que já está sem as lâmpadas e a maioria, sem as luminárias. Restaram os fios de alta tensão e o perigo que isso representa para os frequentadores.
Hoje, treze anos depois da inauguração da segunda parte do Projeto do Parque do Forte, devido a não continuação do projeto, se transformou em um grande mercado de variedades com vendas de pequenos objetos de plástico, batata frita, banana frita, água de coco, tapioquinha, entre outros, se constituindo num emaranhado de fios elétricos perigosos que se espalha por toda a área do parque, onde adultos e crianças brincam e se divertem.
O lugar passou a ser, devido a fraca iluminação, o local preferido para assalto. O principal objetivo dos assaltantes que aproveitam a escuridão do Parque para praticar os atos criminosos é o celular dos jovens que querem se comunicar, a partir do Lugar Bonito, com quem desejar.
O Trapiche Eliezer Levi, pensado para ser uma das principais atrações turísticas da Cidade está fechado para os frequentadores há mais de 3 anos. Da “cabeça” do trapiche se tem uma visão privilegiada da cidade. Isso deixou de ser sentido pela população depois de uma série de erros dos agentes do Estado que não souberam manter o bondinho que tinha a linha mais curta do mundo.
Do outro lado do Lugar Bonito, a região que fica a partir do Trapiche Eliezer Levy no rumo do Jandiá, o que se vê é um absurdo, primeiro pela cracolândia que se instalou sob uma arquibancada do que, um dia, foi um campo de futebol.
Adiante, já depois do Perpétuo Socorro, a destruição já levou o balaustre, a calçada, o meio-fio, a linha d’água e boa parte do asfalto. As marés e o Rio Amazonas são as desculpas que deixam apenas o muro de arrimo.
É assim que estamos vendo o Lugar Bonito que, apesar desse abandono e poucas intervenções do Governo, continua sendo a referência de muitos amapaenses que lotam, todos os domingos aquele lugar que completou 13 anos de sua inauguração. 

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Outras opiniões sobre a educação no Estado do Amapá.


Rodolfo Juarez
No artigo de hoje faço questão de reconhecer alguns dos leitores que contribuem com as suas opiniões sobre os mais diversos temas que são levantados aqui neste espaço.
No artigo do dia 4 de junho deste ano destaquei o sistema estadual de educação considerando dois pontos atuais e que poderiam ser analisados conjuntamente: a publicação do resultado do Censo Escolar e a posição ocupada pelo Estado do Amapá em comparação com outras unidades da Federação; e, a greve dos professores da rede estadual, anunciada depois da reunião havia com o governador do Estado, quando os professores foram informados, através dos seus dirigentes sindicais de que: a) não haveria correção salarial em 2019, b) não cessaria o parcelamento de salário; e c) que o adiantamento do décimo terceiro salário, referente a 2019, seria de apenas 30%.
A questão suscitada foi a oportunidade de uma greve no momento em que os resultados do Censo empurraram a educação estadual para os últimos lugares no ranking apurado.
Esse questionamento deu oportunidade a várias manifestações que corroboraram, ou não, com a linha de raciocínio desenvolvida por este observador do dia a dia e que tem a oportunidade de expressar a sua opinião sobre os temas discutidos. Foi assim que alguns leitores sentiram vontade de expressar o seu sentimento e aos quais peço vênia para transcrevê-las:
Adriano Cordeiro: “vale ressaltar que quem causa a greve é o governo quando tenta se eximir do seu papel e da responsabilidade de destinar a maior parte dos seus recursos para quem é devido que é a população, através de investimentos pesados na educação, na saúde e na segurança. Ao invés disso o governo investe pesado na manutenção de seus próprios privilégios, em aumentos absurdos salariais para a assembleia e judiciário, contratando empresas de amigos, gastando com serviços supérfluos para seu próprio bem estar, enquanto a população morre nos hospitais, nas ruas e tem sua educação sendo garantida a trancos e barrancos pelos profissionais da educação que apesar de não serem valorizados tiram do pouco que recebem para não deixar seus alunos flutuando no mar da ignorância. Usando uma fala sua, culpados existem muitos mesmo, o governo que é corruptível é incompetente, políticos e ex- políticos que não assumem o papel para o qual foram eleitos, Pseudo intelectuais pro governistas que não usam seu conhecimento para o bem comum e sim para seus interesses próprios, influenciadores de opinião pública que deveriam estar apoiando a luta que está ocorrendo nesse momento por uma educação melhor, estrutura e salário digno para seus educadores... Realmente muitos têm culpa desses índices, mas os professores esse não têm, na verdade esses índices só não são muito piores porque eles estão lá, na sala com carteiras velhas, quadro pela metade, com goteiras por todo lado, no calor do nosso clima sem centrais de ar, usando seus materiais pessoais se quiser fazer aulas mais atrativas do que somente quadro, pincel e livro. Esses meu caro não tem culpa disso, eles têm sido a UTI lutando dia e noite para a educação nesse estado não declinar de vez!!”
Guilherme Jarbas Santana: “Acho que os professores são os que menos culpa têm. como exigir de um.professor mal remunerado, com salário inferior em relação as outras categorias profissionais. .escolas em péssimas condições com goteiras, ventiladores , quando há, danificados, banheiros fétidos ,etc...o texto do Adriano está um primo, retrata a realidade da educação do Estado, cheia de lari...lari.. Hoje o mais importante na educação é Merenda, ninguém reclama das péssimas condições das escolas ou da falta de professor,agora faltou merenda, saia da frente...”
Ainda podemos destacar os comentários da professora Maria Helena Amoras, do Gustavo Silva, entre outros.
Em maio de 2019 a folha bruta de pagamento da SEED alcançou o valor de R$ 64,5 milhões, para pagar 10.664 funcionários, representando 33,34% de toda a folha bruta do Governo do Estado que supera os R$ 193,5 milhões. O salário médio dos funcionários da Educação Estadual é R$ 6.050,85.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

O momento crítico da educação no Estado do Amapá


Rodolfo Juarez
Estou perplexo com as notícias vindas da educação no Estado do Amapá que, de um lado ocupa as piores posições no ranking comparativo publicado pelo senso escolar, e, de outro, vejo os anúncios e a declaração de vontade dos professores do estado, tendo como guia o sindicato da categoria, entrarem em greve e, com isso prejudicar o período letivo e, ainda mais, o aprendizado dos alunos.
Os professores alegam que sem a correção salarial anual, com antecipação de apenas 30% do décimo terceiro salário, e com a manutenção do parcelamento do salário, os prejuízos decorrentes dessa situação são suficientes para que entrem em greve, paralisando o sistema de educação estadual e criando uma série de problemas para os alunos, pais de alunos e para os interesses de cada um dos cidadãos.
Do outro lado, o principal produto dos professores, que seria um ensino de excelência não é discutido, nem pelos próprios professores e muito menos pelos gestores da educação estadual, que não cobram e muito menos se mostram interessados pelos resultados dos alunos e com o constrangimento de estar o Amapá sempre na rabeira quando comparado com as outras unidades da Federação no quesito resultado do ensino público.
O retrato da educação no Estado é preocupante e já oferece a certeza dos prejuízos sociais que decorrerão da situação que foi constatada.
Os alunos, tanto do ensino fundamental como do ensino médio, que estão na sala de aula, estão muito defasados na comparação do ensino com a série ideal, considerando a idade de cada aluno. Essa defasagem projeta o aluno perdendo tempo de vida escolar e o Estado do Amapá perdendo potencial na comparação com os outros estados.
Mais de ¼ dos alunos amapaenses do ensino fundamental estão atrasados com relação à idade, fato que é considerado uma distorção. Nesse módulo, o Ensino Fundamental nas escolas públicas do Amapá registram que 26,9% estão atrasados na série que cursam. Nesse mesmo módulo, a média nacional é 17,2%.
No módulo referente ao Ensino Médio a defasagem se agrava e está registrado que 36,6%, mais de um terço da comunidade escolar desse módulo está estudando em séries que já deveriam ter cursado em anos anteriores.
Com professores em greve, sem método restaurador e sem os pais de alunos conscientizados da situação, quais são as chances de melhoria do quadro?
Claro que serão mínimas. E nem todo o arrojo, a dedicação dos alunos e de alguns professores essa tarefa deixa de ser muito difícil, mas é importante que, até dessa dificuldade, os gestores da educação estadual tomem consciência e mudem a maneira de encarar a educação, especialmente a responsabilidade que têm com alunos, pais de alunos e professores.
Culpa? Muita gente tem culpa, inclusive os professores que não encontram uma razão para conviver com essa realidade e mudar mostrando que o Amapá pode estar no topo da tabela, como já esteve em outros tempos, onde alunos, professores e gestores eram reconhecidos pelo seu trabalho.
Essa fase crítica da educação precisa ser vencida para que professores e alunos possam dizer que estão prontos para contribuir para o desenvolvimento do Amapá. Doutra forma serão, certamente, responsabilizados pelos índices medíocres que o Estado ostenta na atualidade.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Na esperança de um milagre!


Rodolfo Juarez
Temos muitos olhos para Macapá, afinal de contas por aqui vivem o que corresponde a 56% da população do Estado e mais de 80% da concentração do comércio, prestação de serviços e, afinal, da economia local, mas outras sedes municipais estão enfrentando grave situação na prestação dos serviços urbanos para a população residente e, mais, essa população está enfrentando grandes dificuldades para se deslocar do interior para a Capital e daqui para o interior.
Até mesmo Santana, outrora tida como cidade pronta para servir de modelo para outras de igual ou menor porte, nesse momento está pedindo socorro de todos aqueles que, um dia, já viram Santana diferente, mais humana, mais agradável e muito, mas muito mais cheirosa.
Nas cidades menores, sedes dos outros municípios, os problemas se agigantam, tomam forma que não podem sem domadas pelas ações locais e, por isso, os prefeitos, como última esperança, se lançam para a Capital do Estado ou para Brasília no sentido de ser ouvido e ter os problemas que elenca resolvidos.
O sistema viário de Macapá precisa de urgente restauração. A necessidade não é de serviço de tapa buraco, mas de uma hierarquização de vias que permita selecionar aquelas que precisam de urgentes serviços para não entrar em colapso, principalmente aquelas vias que constituem os principais corredores viários da cidade.
Mais aqui na Capital também se precisa de outros serviços que poderiam ser realizados em conjunto com o Estado e aporte de recursos especiais que precisam ser tratados pelos representantes do povo amapaense no Parlamento Brasileiro, como o serviço de tratamento de água, de coleta e tratamento do esgoto.
Santana, mesmo depois de receber os serviços financiados pelo PDRI com recursos do empréstimo do BNDES, pouco melhorou e, em alguns setores, a situação ficou pior do que já estava.
O sistema de transporte coletivo teve mudanças importantes e que contrariam muitos dos usuários e não fizeram a satisfação dos outros.
Também vias que estão, mesmo em bairro do centro da cidade, completamente imprestável para o trânsito de veículos automotores ou não motorizados, bem como pedestres que, em muitos casos, ficam isolados sem poder sair de casa.
Para quem foi, este ano ou ano passado, às sedes dos municípios do interior percebeu a paralisia econômica em que se encontram. Em muitas não há serviço regular de internet e por isso ficam prejudicados os serviços de correio e de bancos e loterias.
A similitude das dificuldades acaba por considerar o interior do estado todo na mesma situação, muito embora entre os municípios haja, além das dificuldades comuns, aqueles que são peculiares, como enchentes, desabrigos e pobreza.
Os municípios abandonaram as suas unidades de engenharia que cuidavam das estradas municipais, especialmente as de indução ao desenvolvimento. Sem equipamentos, dependem de favores de unidades estaduais que nem sempre estão dispostas a resolver os problemas da área rural, seja pela falta de conhecimento da situação ou pela inexistência de um programa conjunto para esse fim.
Desatrelado e com muitos novos problemas que se juntos aos velhos problemas, segue o Estado sem poder atender às necessidade de sua população que sobrevive como pode e fica na esperança de um milagre.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

As pessoas esqueceram-se das flores?


Rodolfo Juarez
Está terminando o mês de maio e não faz tempo este mês era considerado o mês das flores, das debutantes, das noivas e de Maria. Não sei se as adolescentes já não debutam mais e se as pessoas esqueceram-se das flores. As noivas ainda gostam do mês de maio e Maria continua sendo referenciada com respeito e esperança.
Debutante é a palavra usada para designar a adolescente que completa seus quinze anos de idade. A palavra vem do francês débutante, que significa iniciante ou estreante. O baile de debutantes é um rito de passagem da infância para a adolescência ao qual as jovens são submetidas, geralmente sendo realizado quando as mesmas completam quinze anos.
O mês de setembro é reconhecido como o mês das flores, entretanto para nós, que moramos sob a influência da linha do equador esse detalhe fica mais para ser desenvolvido pela consciência do que pela Astronomia e, por isso, provavelmente, foi escolhido pelo amapaense de antes dos anos 2000, como o mês mais adequado para chamar de mês das flores.
Com relação ao mês de maio ser considerado o mês das noivas, ao longo dos séculos, esses elementos foram sendo associados à celebração do amor no casamento. Essa mesma ligação com as flores e a feminilidade fez com que maio, além de mês das noivas, também fosse considerado o mês das mães e de Maria.
Essas datas, não faz tempo, foram muito importantes para a sociedade amapaense. Os clubes, as associações e as famílias tinham uma programação especial para ser executada durante o mês de maio, sempre com grande glamour e presença de bandas ou cantores de sucesso que se constituíam em uma atração a mais para tornar o momento inesquecível para as debutantes, as noivas e as famílias.
Essa tradição foi abruptamente quebrada e, pelo que se observa, saiu completamente da rotina dos clubes, das associações e das famílias, provavelmente contribuindo para muitos dos problemas que hoje são enfrentados pelos pais que não sabem o que fazer nos quinze anos das filhas, trocando o baile por presentes ou viagens que separam os pais dos filhos no dos momentos mais importantes da vida de uma jovem.
Não sei se isso explica muitas das mazelas sociais que são enfrentadas todos os dias nas “bocas” de venda de droga, nas maternidades atendendo as jovens engravidaram precocemente, além do distanciamento de membros de uma mesma família.
Voltar para fazer a mesma coisa justificando que esse comportamento social deu certo outrora, não aprece ser uma boa medida, mas é importante considerar a necessidade de se dispor de um momento que possa indicar a melhor forma de preencher a lacuna que foi aberta com a dispensa dessas homenagens à adolescente no momento em que a adolescente mais precisa.
A música eletrônica, as melodias sensuais, as letras com dupla interpretação não conseguiram melhorar a condição social das adolescentes que nem percebem que estão entrando na fase adulta sem qualquer preparação e imaginando que sabem tudo, e que estão perfeitamente conscientes e preparadas para enfrentar as questões do dia-a-dia longe dos olhares de seus primeiros instrutores, os pais.
Está muito claro que, pelo menos neste importante momento, a responsabilidade pelas “cabeçadas” das adolescentes é muito mais da família do que de qualquer outra organização ou entidade que possa ser apresentada como observadora e orientadora dessas jovens meninas que são estimuladas a saírem para enfrentar a vida sem a preparação que a vida requer.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

No Amapá: Jaime Nunes um vice sem voz e vez.


Rodolfo Juarez
Durante a campanha eleitoral de 2018, os então candidatos a governador do estado, Waldez Góes, e a vice-governador, Jaime Nunes, apresentaram, os dois, uma proposta de governo que revolucionaria a forma de administrar o Estado do Amapá.
O programa foi aprovado pelo eleitor e o resultado foi a vitória desses dois candidatos que assumiram o Governo do Estado no dia 1.º de janeiro de 2019, afirmando que iam mudar o rumo da gestão estadual, pois, trariam para o exercício da gestão a experiência vitoriosa do agora vice-governador, Jaime Nunes, na condução de importantes organizações empresariais amapaenses e da empresa da família, considerada uma das mais sólidas do Estado.
Logo no começo, utilizando-se das redes sociais, anunciaram os dois, lado a lado, a edição e publicação de um decreto estadual que daria o tom da nova gestão e para implementá-lo anunciaram que o próprio vice-governador Jaime Nunes seria o coordenador de todo o novo processo.
Passados cinco meses, nenhum reflexo de todo o que foi anunciado foi sentido durante o que seria uma “gestão renovada” sem os vícios da gestão imediatamente anterior e que teve o próprio Waldez Góes, ao lado do médico Papaleo Paes, como, respectivamente, comandante e imediato na nau chamada Amapá.
A folha de pagamento cresceu, o número de funcionários não diminuiu na margem prometida, a gestão econômica e financeira do Estado não mudou e continuaram os mesmos costumes de todo o mandato anterior que se sustentava no anuncio de uma crise sem fim e que levou ao parcelamento do salário.
Ainda nem se completou o 5.º mês da gestão do novo mandato e o cenário, além de não mudar, dá a impressão clara de que piorou.
A primeira reunião do ano com a União Sindical foi para anunciar pontos que jamais fariam parte de uma agenda de quaisquer dos sindicatos das categorias que trabalham para o Governo do Estado: não aumento na data base, não encerramento do parcelamento de salários e a redução para 30% do adiantamento do 13.º salário, isto é, tudo o que os representantes dos funcionários não queiram ouvir.
Para onde foi a proposta de radical modificação que seria implementada a partir da participação do vice-governador Jaime Nunes?
O que houve? Não foram prestigiadas as propostas do vice ou ele não as fez?
O vice-governador Jaime Nunes, aliás, está colecionando uma série de decepções da parte daqueles que ele mesmo convenceu em votar a chapa da qual fazia parte. Até o telefone, antes tão disponível, ele atende mais. Dá a impressão que o vice-governador foi cooptado pelo sistema carcomido, ineficiente e baseado na mordomia, que tem trazido grandes prejuízos para o desenvolvimento do Estado.
Ficar “por traz da cortina” não o que os amigos e correligionários do vice-governador esperavam dele. Queria um Jaime Nunes ativo, influente, importante no Governo do Amapá, como foi na Associação Comercial e Industrial do Amapá, na Federação do Comércio do Estado do Amapá, no Serviço de Apoio à Media e Pequena Empresa, na própria empresa da família.
Não é possível encontrar sombras quando não tem sol!
Tomara que Jaime Nunes ressurja com força, o suficiente para dar uma guinada no comando do Governo do Estado do Amapá, pois, por enquanto, está acomodado em uma cabine sem importância.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

O Governo do Amapá precisa reagir


Rodolfo Juarez
Estou impressionado pela forma apática como as autoridades amapaenses reagem quando tomam conhecimento das divulgações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram a sequência das dificuldades sociais que são refletidas na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNDA) na parte que é levantada no Estado do Amapá.
Dá a impressão que as pessoas que foram investidas de autoridade pública pela vontade do eleitor não valorizam os dados apresentados e que são apenas números que não precisam ser modificados e que essa modificação depende, em grande parte, das medidas corretivas que aquelas autoridades deveriam tomar.
Não tomando os problemas se enraízam e os resultados, infelizmente, são mostrados a cada divulgação da pesquisa.
Um exemplo é a taxa de desocupação referente ao primeiro trimestre de 2019 que foi de 20,2%, 0,6 ponto percentual acima do trimestre anterior (19,6%).
Os reflexos desses números estão nas ruas, nas calçadas, dentro das casas, em todo lugar, com muita gente desempregada e precisando encontrar uma forma de obter o seu próprio sustento. Enfrentar esse problema parece que não está entre os objetivos daqueles que definem a melhor maneira de gastar o dinheiro do Tesouro que é o resultado do pagamento dos tributos pela população.
É preciso intervir na forma como a roda está girando. Não dá mais para cruzar os braços e não fazer nada além de reclamar da situação. A população amapaense elegeu um governo para gerenciar os seus interesse, mas parece que ele abdica dessa atribuição para se entrincheirar e esperar por um milagres vindo sabe lá de onde, sem agir ou intervir no modelo que está instalado e que só  interessa àqueles que estão dentro dele.
Esperar pela equalização do atual pacto federativo é muito pouco, ou quase nada, como foi a repatriação que cobriu apenas o terceiro do funcionalismo público. O Governo do Estado do Amapá precisa inovar no seu processo de gerencia dos interesses da população, abrindo pelo menos um canal para o futuro, pois, assim, todos – governos e população – estão fadados a continuar sendo um dos estados com piores resultados comparativos nos limites do Brasil.
E não é só a taxa de desocupação que preocupa a população. No primeiro trimestre de 2019, o rendimento médio real de todos os trabalhos, habitualmente recebidos por mês, pelas pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referencia (semana da pesquisa), com rendimento de trabalho, foi estimado em R$ 1.899,00. Este resultado representou estabilidade em relação ao trimestre imediatamente anterior que apurou o rendimento de trabalho em R$ 1.910,00.
O que preocupa é a queda em relação ao mesmo trimestre do ano anterior que apurou um rendimento médio de R$ 2.179,00 ou uma queda de 12,8% o que equivale a uma diminuição da renda de R$ 280,00.
Colocando isso no mesmo “balde” da inflação a queda representa muito mais e está aumentando a diferença. Essa tendência precisa ser combatida. Não tem outra opção.
E quem está escalado, pela população, é o Governo do Amapá.
Há necessidade de intervir no processo que está degringolando de vez, deixando a população desnorteada, levando parte dela para o abismo inesperado e para o qual ninguém se preparou.
O Governo tem a obrigação de tomar a iniciativa para modificar a matriz econômica que está prejudicando a população do Estado. A situação é muito difícil para as famílias que estão vendo seus filhos saírem de casa, para outros centros, em busca de oportunidade. A situação por aqui está saturada completamente.
Questões como o tamanho do Estado e a ociosidade de setores importantes da Administração Estadual precisam ser enfrentadas para que haja esperança para esse povo que não se conforma com a situação.