terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Os requisitos de um Plano Diretor


    Rodolfo Juarez
Depois de ver o tempo passar e o sistema viário da cidade de Macapá ser consumido durante esse tempo devido o crescente e diversificado modo de uso, seja mesmo pelo mau uso, bem como por conhecer os parâmetros utilizados para a construção das principais vias desse sistema, é que vislumbro um novo tempo para as ruas e avenidas da cidade.
Os que garantem que o Plano Diretor tem seu fulcro constitucional no art. 182 da Constituição Federal, que trata do planejamento urbano, tem um entendimento que é incompleto.
Em que pese ele ter sido previsto no art. 182 e seus incisos, na verdade, o Plano Diretor é um dos instrumentos legais para o exercício da chamada “democracia participativa” no Brasil e, portanto, tem seu fundamento primeiro no artigo 1º e seu parágrafo único, e no artigo 29, XII, ambos da Carta Magna de 1988.
A Professora Daniela Campos Libório Di Sarno, doutora em Direito Urbanística explica a importância do efetivo debate e participação popular na elaboração dos Planos Diretores municipais. A professora destaca que a população não pode ser relegada a um patamar de agente passivo, mero expectador, recebendo as informações sem chances efetivas e reais de questionar, opinar ou fiscalizar.
A administração pública municipal tem o dever de criar momentos estratégicos para essa participação de forma que a soberania popular possa ser exercida na sua plenitude. Precisa de momentos ordenados e de conhecimento geral, com finalidades, em que a população saiba qual papel a ser exercido.
São momentos de consulta, debate e também de audiência pública. A audiência pública, como instrumento direto da participação popular, deve ser cercada de cautelas para que sejam garantidas sua eficácia e legitimidade. Estabelecer quais situações possa ou deva deflagrar sua aplicação, quem são os legítimos interessados no conhecimento e debate do projeto ou plano, formas de sua publicidade, definição de local, data e hora, registro dos debates, ordem nos questionamentos feitos pelo público, respostas satisfatórias às dúvidas levantadas são itens básicos de qualquer audiência pública.
Todas essas etapas deverão seguir uma sequência lógica aos fins pretendidos, e a ausência ou mácula de um deles poderá ensejar sua anulação, com respaldo previsto em documentos de especialistas nessa área da Engenharia.
Assimo Plano Diretor é, em síntese, um instrumento jurídico e político de exercício da democracia direta pelos munícipes, que nele apontam a direção que o Poder Executivo deve seguir na administração e gestão da cidade. É instrumento que cria balizas para a atuação do Poder Executivo.
O plano diretor é parte integrante do processo de planejamento municipaldevendo o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual incorporar as diretrizes e as prioridades nele contidas.
O plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual, no tempo do ano 2020, para o município de Macapá não preveem a intervenção que veio de forma extraordinária, a partir da disponibilidade de recursos trabalhados pelo senador Davi Alcolumbre.
São mais de 83 milhões de reais apenas para o sistema viário macapaense e não há tempo a perder no sentido de integrar a população e ajustar o Plano Diretor com os princípios que os constituintes de 1988 inseriram na Constituição Federal para que fosse exercido por cada dirigente municipal e por cada membro do poder legislativo municipal.
A pavimentação do binário Padre Júlio e Cora de Carvalho, as pavimentações da Rua Eliezer Levy, da Rua Odilardo Silva, da Rua São José e a Construção do Elevado JK, entre outras, são vias que, se não for ordenada a sua construção, pode trazer tanto transtorno para a população que o ótimo pode não chegar a ser bom.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A responsabilidade está com a equipe técnica da Prefeitura de Macapá


Rodolfo Juarez
Depois de tanta falta de dinheiro e de tantos problemas, tenho a impressão que a cidade de Macapá tem de volta a oportunidade de se atualizar com os contribuintes e a população em geral.
O empenho do senador Davi Alcolumbre e o comprometimento que demonstra ter com a população amapaense, renderam, no apagar das luzes e na “raspa do taxo” dos ministérios do Desenvolvimento Regional e do Turismo, a disponibilização de um pouco mais de R$ 83,2 milhões de reais para aplicação no sistema viário de Macapá e na construção de um elevado no cruzamento da Rodovia JK com a Rua Hildemar Maria.
A consequência foi a assinatura dos contratos respectivos com um dos agentes financeiros dos recursos do Tesouro Nacional, a Caixa Econômica Federal, para admissão dos projetos de engenharia e a respectiva liberação dos recursos conforme o cronograma aprovado e que integra o contrato.
Ainda não se falou na contrapartida do Tesouro Municipal, entretanto é possível o dimensionamento dessa contrapartida com apropriação das horas trabalhadas e pagas pelo município aos seus técnicos, aqueles envolvidos nos projetos, o que, em tese, cumpriria as recomendações dos órgãos de acompanhamento da aplicação das verbas oriundas da União.
Até agora o papel destinado aos políticos da bancada federal está sendo muito bem cumprido por alguns deles, bem como pelo prefeito da capital, a expectativa está agora por conta da equipe técnica da Prefeitura de Macapá que passará ter uma exigência que não estava planejada, muito embora faça parte de suas atribuições.
Acontece que os técnicos envolvidos, principalmente os do município, já estão com uma carga de trabalho que, segundo eles mesmos, atinge ao limite do seu tempo, e ainda têm, além das incumbências estritamente técnicas, a responsabilidade administrativa, não apenas em gerir o processo, mas também em estar atendo ao cumprimento das exigências legais.
Outro ponto que é relevante para a administração dos projetos é o relacionamento com a equipe técnica da Caixa Econômica que, em regra, tem definições de parâmetros muito mais rígidos para liberação dos recursos do que aqueles constantes das rotinas internas da administração municipal.
A sintonia fina entre as equipes da administração municipal precisa estar ativada. Não pode haver ruído entre as medições das obras de engenharia efetivamente realizadas e as do controle administrativo para liberação dos pagamentos das empresas executaras das obras.
Neste ponto deve-se, principalmente e neste momento, atenção especial para os responsáveis pela seleção das empresas que vão executar os serviços especificados pela área técnica de engenharia da prefeitura. Desde os editais de licitação, passando pelo processo de seleção da empresa executora e a contratação, há de se ter um rígido controle para que esse momento não implique: 1) na ordem de serviço; e 2) no inicio da realização do objeto contratado.
É preciso haver um entendimento perfeito entre a autoridade gestora e as equipes responsáveis pela consecução de cada um dos contratos, respeitando a capacidade de trabalho e a habilitação de cada um.
Já tivemos experiências desse tipo, tanto no Governo do Estado como na Prefeitura de Macapá, que os objetivos não foram atingidos por sobrecarga ou especificidade de equipes de trabalho.
Alerta! Neste momento vale lembrar as várias experiências com os recursos do PAC, Programa de Aceleração do Crescimento.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Macapá, capital do Amapá, entra na nova década muito carente


Rodolfo Juarez
No último dia do ano, à guisa de avaliação do atual estágio da cidade, sai para verificar como Macapá se encontrava para deixar para sua história mais uma década e iniciar, no dia 1.º de janeiro, uma nova contagem de anos.
Já sai sabendo das dificuldades alegadas pelo prefeito, das perspectivas anunciadas pelo presidente do Congresso e das muitas reclamações que a população lista da forma mais clara que entende possível e da maneira que pode ser entendida por aqueles que disseram que iriam resolver os problemas da cidade.
Não adianta o discurso de que estamos no estado que tem a floresta menos agredida da Amazônia, pois, em contrapartida, vivemos em uma cidade onde a população tem dificuldades para dispor de água potável, pois aonde chega essa água, há uma desconfiança na qualidade, e aonde não chega, aí se estabelece o caos que empurra a população para soluções não indicadas, mas que, na maioria dos casos é a alternativa possível e que não melhora as condições sanitárias dos habitantes.
Logo na saída vem a informação de que a tubulação que transporta o esgoto sanitário, desde os pontos de coleta até à lagoa de estabilização, no Araxá, está completamente cheia devido à chuva que caiu recentemente e às ligações clandestinas de tubulação de água servida e de telhado na rede de coleta de esgoto.
Também se tem a notícia de que está difícil aumentar o percentual de coleta de esgoto sanitário em Macapá devido à falta de recursos. Enquanto isso a empresa que deveria cuidar do fornecimento de água tratada e da ampliação da rede de esgoto, está agonizando, fazendo o que pode, sabendo que esse Delta é muito pouco.
A Prefeitura Municipal de Macapá é a outra instituição que tem a incumbência de cuidar dos outros meios que podem melhorar a qualidade de vida na cidade e no interior do município.
Procura-se ruas asfaltadas, sobre pavimentos tecnicamente construídos, com lançamento de drenagem profunda e superficial, completadas com meio-fio, linha d’água e calçadas, tudo isso devidamente sinalizado, com comunicação da coleta de águas pluviais com os canais de drenagem. Esses elementos (canais) deveriam ser devidamente revestidos com placas de concreto ou telas tipos gabião, com muretas de proteção e com acabamento que os transformassem em um adorno urbano.
Na rápida inspeção vi ruas (inclusive vias importantes) muito ruins, tendo a capa asfáltica como se fosse uma colcha de retalhos e outras completamente esburacadas, precisando de melhorias urgentes.
A orla da cidade está com trechos completamente comprometidos e em vias de serem “engolidos” pelo rio Amazonas. Onde ainda resta os balaústres de tubo de aço, está a mensagem de pedido para que se faça pelo menos uma pintura. Noutras partes, entretanto, os balaustres foram retirados, sabe-se lá por quem, uma parte até que provocou a indignação do prefeito atual, mas que ficou só na indignação. O trecho, agora, está pronto para ser levado pela maré de março.
Em fevereiro, dia 25, é a terça-feira gorda de Carnaval. Fui ver o Sambódromo, construído para o Carnaval de 1997, portanto há 22 anos. Minha surpresa: está interditado e não vai poder ser o palco da maior festa popular dos macapaenses.
São muitos os problemas, como por exemplo, a antiga casa do Governador, construída quando o Amapá era um Território Federal e que teve como último morador o governador Camilo Capiberibe, que deixou o Governo do Estado em 2014. O Trapiche Municipal Eliezer Levy, antes importante terminal de embarque e desembarque de carga, depois, uma atração turística e agora, completamente abandonado. Serviu para base dos fogos do Réveillon 2019-2020. Um desperdício!
Mesmo quando se faz obra, não há zelo pela cidade, que não tem plano de desenvolvimento, não tem área definida para expansão, muito embora sua população cresça a quase 2% ao ano.
Resumo: a cidade não está preparada para entrar a nova década, mas entrou, tendo um orçamento público insuficiente para dizer que vai mudar alguma coisa.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Brasil mais forte, povo mais confiante!


Rodolfo Juarez
O ano de 2019 está terminando e, apesar de não ser uma referência de saudade, abriu “janelas” para o desenvolvimento do Brasil, mesmo quando teve que desenferrujar algumas trancas que insistiam em não permitir o arejamento dos procedimentos e as mudanças que poderiam ser efetivadas com a velocidade que o Brasil e o povo brasileiro precisavam.
As reformas anunciadas em governos anteriores, politicamente fracos, não conseguiram avançar e exigiam, para permitir o desanuviamento do horizonte onde estava desenhado o “plano de voo” da economia nacional, da oferta de empregos, da melhoria da renda e da perspectiva da população.
Os mais de 58 milhões de voto dados ao presidente que iniciava o ano no comando do país era o principal argumento dos novos dirigentes para que fosse dada passagem para os projetos considerados urgentes e que precisariam ser mostrado para o povo brasileiro com chances de melhorar a qualidade de vida de todos os que têm endereço no Brasil.
Foi importante a compreensão do Brasil que o povo queria e havia indicado nas urnas, por parte do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre.
Os dois entenderam o papel histórico que foram autorizados a exercerem e firmaram posições que, ao final, contribuiu para, se não eliminar, mas diminuir sensivelmente, o modelo do “toma lá dá cá” muito difundido em um passado recentíssimo, onde cargos chaves do Governo Federal eram apontados e acompanhados a sua eficiência, por “padrinhos políticos”.
Depois de muito trabalho veio a reforma da Previdência e a aprovação do Pacote Anticrime, entre tantas medidas que podem tornar o Brasil um imã que possa atrair recursos para investimento em infraestrutura e melhoria socioeconômica do povo brasileiro que se apresentou para o novo governo, em janeiro de 2019, com um “paneiro” cheio de, pelo menos, 13 milhões de desempregados e, muita gente, mas muita gente mesmo, vivendo abaixo da linha da pobreza.
A prática gerencial dos novos dirigentes nacionais estava em permanente prova, seja por causa dos novos métodos, seja pela quebra dos privilégios de alguns “encastelados” que foram instados a trabalhar com eficiência, mas o costume não lhes permitia, restando-lhe a reclamação e levantar a tese da perseguição por ideologia.
As organizações não governamentais foram atingidas na sua principal motivação para ser “colaboradora” na aplicação das políticas públicas. Os resultados vieram primeiro pelo enfrentamento, pois, as ONGs acreditaram, logo no primeiro momento, que poderiam reclamar para os seus financiadores externos que “ordenariam” a mudança de comportamento do Governo Brasileiro. Não deu certo!
Até mesmo parte da imprensa, da chamada grande imprensa, vociferou quando viu que os seus dutos de dinheiro, instalados diretamente dos gabinetes de seus comandantes até Brasília deixaram de jorrar o dinheiro público, vindo em troca de divulgação (propaganda) de estatais e das ações do próprio governo.
Quando o capital estrangeiro percebeu que os projetos da nova gestão obedeciam ao interesse dos brasileiros e não mais de grupos; que a bolsa de valores refletia esse momento batendo sucessivos recordes, e que o Banco Centro trazia a taxa básica de juros para um número inferior a 5, nesse momento começaram a acreditar e perceber que havia uma nova diretriz para os planos do Brasil na década que se inicia.
E assim termina o ano, com o Brasil mais forte e seu povo mais confiante!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

O lamento da população mais pobre do Estado do Amapá


Rodolfo Juarez
As notícias nacionais, anteriores e as recentes, não são nada favorável ao tratamento que é dado para a população brasileira nos pronto-atendimentos públicos e nos prontos-socorros espalhados por todo o Brasil.
Mesmo tirando os exageros apontados nos noticiários de televisão, jornal, rádio e mídia social, ainda sobram muitas situações de claras dificuldades para o sistema de serviço que é oferecido à população.
As empresas gestoras de saúde, antes apontadas como solução para desafogar o sistema de saúde dos estados e dos municípios, estão tendo problemas para gerir o objeto do contrato, pela falta de transferência dos recursos que foram pactuados nos acertos entre a gestão e a sociedade fornecedora de mão de obra especializada, implicando no atraso de pagamento dos funcionários, redução no atendimento dos pacientes e chegando à greve de servidores por falta de pagamento.
Essa situação é muito grave. Atinge aquele que mais precisam. Aqueles que têm reduzida condição para fazer pressão e que decidiu confiar no sistema de saúde eficaz prometido durante as campanhas políticas e que, em regra, não se confirmam.
Este cenário pode ser observado desde a unidade mais rica da federação, até aquelas que ocupam os últimos lugares no atendimento à população, levando os cidadãos e as cidadãs ao desespero quando são testemunhas das dificuldades ou mesmo do falecimento daquele seu ente muito querido.
Esse problema se revela, de quando em vez, em diferentes cidades brasileiras, testemunhados por parentes e amigos dos maus-atendidos ou não-atendidos sempre chocando a todos considerando o colume de recursos que é gasto no setor e os resultados que são obtidos.
O sistema de saúde do Governo do Estado do Amapá está empurrando os amapaenses para os planos de saúde, entretanto os preços das mensalidades estão completamente fora da capacidade de pagamento dos que precisam, seja pela falta de renda das famílias, seja pelo custo muito alto dos planos de saúde.
O Governo do Estado deve gastar, apenas com pessoal do setor saúde, em torno de 600 milhões de reais e outros 600 milhões com material, equipamento e serviço. Essa despesa equivale a 24% do orçamento do Estado, abastecido pelas Receitas Públicas, incluído o pagamento do SUS.
O setor saúde do estado é o segundo maior contingente de funcionários que têm vinculação de emprego direto com o Governo do Estado, com 7.098 servidores entre funcionários efetivos, funcionários federais e funcionários com vínculo precário (contrato administrativo), representando quase 22% da força de trabalho, com vínculo funcional com o GEA.
Mesmo assim os corredores do Hospital do Pronto Socorro estão lotados, da mesma forma está longa a fila para cirurgias, as mais diversas no Hospital de Clínicas Alberto Lima, as farmácias desabastecidas, os laboratórios sem fazer os exames por atraso no pagamento do contrato, entre outros problemas igualmente graves.
A Justiça do Amapá é frequentemente acionada para resolver problemas do setor saúde no estado, tanto que os magistrados têm adotado o procedimento de acordo entre as partes para, em mutirão resolver os problemas mais repetidos.
O ano de 2020 precisa melhora o sistema de atendimento do setor saúde do Estado para a população que precisa e chega a implorar nas situações mais graves.
Em forma de um derradeiro lamento!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

O sonho que virou realidade


Rodolfo Juarez
Hoje, dia 17 de dezembro, estão sendo completados 48 anos de um dos dias mais importantes da minha vida. No lendário Teatro da Paz, em Belém do Pará, às 18 horas, começava a solenidade de colação de grau da Turma de 1971 de Engenheiros Civis, Turma Engenheiro Fernando Guilhon, da Escola de Engenharia do Centro Tecnológico da Universidade Federal do Pará (Ufpa).
Terminava o ano de 1971 e a turma com 73 formandos, todos em traje de gala, estavam radiantes no Teatro da Paz. Eu, como os outros formando, vestindo um smoking preto, tendo a calça uma faixa desde a cintura até à bainha, camisa branca, gravata borboleta, faixa preta na cintura para encobrir o cinto de couro, cabelos bem arrumados e fartos, sem óculos, e com cadeiras reservadas em local privilegiado em um dos pontos mais favoráveis do teatro.
Minha mãe foi minha paraninfa. Ela estava radiante, com um vestido longo, de tecido fino e forrado, saia completamente branca e blusa bege, em uma combinação perfeita. Cabelos feitos para a ocasião, juntamente com os colares que usava, destacavam o rosto de minha mãe, bonito e cheio de felicidade, ela que veio junto comigo do interior do município de Afuá e que, naquelas três horas se tornava protagonista em um dos ambientes mais sofisticados do Pará, da Amazônia e do Brasil, o Tetro da Paz.
O anel de formatura - presente da minha mãe e meu pai, que também estava na solenidade obedecendo ao rigor do traje que o protocolo exigia -, era de ouro 18 quilates, uma pedra de safira sintética retangular, com as características da engenharia civil encravadas nos dois lados medidos a partir da pedra safira.
O momento solene da colocação do anel no dedo do formando, depois do “eu concedo” foi devidamente registrado para que hoje, 48 anos, pudéssemos reviver, mesmo que em pensamento e sentimento, a alegria que invadiu o coração e a alma do meu pai e da minha mãe, principalmente eles dois, alcançando o máximo imaginado por eles, dando por concluída a sua primeira missão: participar da formatura do primeiro filho e aumentar a certeza da formatura dos demais filhos que vinham no mesmo rumo.
Todos nós sabíamos que ali, naquele momento de jornada, seria marcado um ponto de inflexão, modificando o caminho da maioria dos 73 formandos que, durante cinco anos fizeram promessas e assumiram compromissos que, a partir dali, seria colocado em teste.
Da Turma Engenheiro Fernando Guilhon - Engenheiros Civis de 71 -, dois dos formandos saíram de Macapá para fazer o vestibular em Belém do Pará, em 1967, depois de concluir o Curso Científico no Colégio Amapaense, Manoel Antônio Dias e eu, e cinco anos depois de muita “ralação” nós estávamos ali, prestando contas, principalmente, para às nossas respectivas famílias.
Hoje haverá uma celebração à data, em Belém do Pará, em um encontro marcado para um jantar comemorativo, a partir das 20 horas, no restaurante do Hotel Gran Mercure, na Avenida Nazaré, 375, entre Dr. Moraes e Benjamin Constant para comemorar esses 48 anos de formatura. Os organizadores, diletos colegas da Escola de Engenharia e, hoje, respeitáveis senhores, da sociedade paraense, estão na coordenação do encontro: Valdemiro, Nilo, Carlindo e Fernando.
Eu, hoje, com 73 anos, e meus colegas engenheiros da turma de 71, todos com 70 ou mais anos, já estamos sentindo a falta de muitos colegas que estão noutro plano, certamente felizes pelo que fizeram enquanto entre nós estavam, e cobrando de cada um o principio ético que orienta o comportamento do profissional engenheiro civil.
Saudades!
Hoje, tenho certeza, que cada um dos engenheiros civis da turma de 1971, está lembrando a data que marcou, para sempre, as nossas vidas.
A minha vida profissional teve como um dos principais suportes a formação em engenheiro civil, profissão que me permitiu contribuir com o desenvolvimento do Amapá desde quando, ainda em dezembro de 1971, no dia 23 daquele mês, cheguei a Macapá para exercer a profissão.
Ganhei um plus importante de confiança para animar a minha carreira de professor de Matemática e Física. Mais tarde ainda completei o curso de Jornalismo e, por último, a 10 anos, o curso de Direito que me possibilitou a ser advogado militante, completando meu rol profissional, do qual tenho muito orgulho.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Sessenta anos de Amapá

Rodolfo Juarez
Desta feita vou contar uma história que teve o seu marco inicial em 1959, no dia 11 de dezembro, uma sexta-feira, mas que antes contou com uma preparação decorrente de um planejamento bem elaborado e executado com prioridade. Estou descrevendo a história da família Juarez que tem como ascendente Heráclito Juarez Filho e Raimunda Pureza Juarez.
A história da nossa família começou, no começo de 1944, com o casamento do meu pai, Heráclito Juarez, nascido em 3 de outubro de 1922 e minha mãe, Raimunda Juarez, nascida em 28 de abril de 1928. O primeiro endereço do casal foi na margem direito do rio Lipo-Lipo, afluente do rio Santana, em Afuá, onde nasceram os cinco primeiros filhos: Rodolfo Juarez (19.05.46), Clodoaldo Juarez (25.02.48), Jurandil Juarez (12.03.50) e Evaldo Juarez (22.12.51), Evandro Juarez (1953).
No planejamento que me referi anteriormente e elaborado pelo meu pai e pela minha mãe, estava a minha matrícula, a do filho mais velho, em uma escola regular, para fazer o Curso Primário, por isso, em 1954 nos mudamos para a sede do município de Afuá, então com menos de dois mil habitantes, mas com uma escola regular para o ensino primário – o Grupo Escolar de Afuá. Neste grupo fiz a séries A, B e C, corresponde ao pré-primário, em um ano e, no ano seguinte, em 1955, fui matriculado na 1.ª série do Curso Primário do Grupo Escolar de Afuá, onde, em 1959 concluí as cinco séries daquele curso.
Foi nesse momento que mudamos para Macapá!
Ficou tudo acertado que a viagem trazendo a mudança e minha mãe, meus irmãos e eu, seria realizada logo depois da festa da Padroeira de Afuá, Nossa Senhora da Conceição que, como nos outros anos, seria realizada no dia 8 de dezembro de 1959.
Logo depois da festa, no dia 9 de dezembro de 1959, às 10h30 saiamos de Afuá, meu pai, minha mãe, sete irmãos e eu, com destino a cidade de Macapá, capital do então Território Federal do Amapá, a bordo de uma embarcação regional à vela, chamada Maria Santíssima.
Chegamos à frente da cidade de Macapá por volta das 23h30 e aguardamos até às 4 horas da manhã do dia 11 de dezembro para entrar na Doca da Fortaleza, escorar a canoa, pois até as 7 da manhã já começaria a encalhar a embarcação. Ás 7h30 começou a desembarcar a pequena mudança enquanto minha mãe, e os filhos menores eram encaminhados pelo meu pai para a nova casa.
A nova casa não tinha número, era de madeira, com uma sala grande, um quarto, uma sala de janta, uma cozinha com lavatório, além de um banheiro e um sanitário fora da casa. Ficava na Rua São José, bem próximo de onde hoje é a Avenida Ataíde Teive, no começo de uma ponte que tinha casa de um lado e do outro, e que levava até o Bairro do Elesbão, hoje Santa Inês, e continuava, por caminho, até à Vacaria.
Naquela época não tínhamos televisão, um aparelho muito raro e caro, difícil de comprar, a geladeira a gás não permitia que tomar água gelada fosse regra para todos. Os potes de barro e os filtros, também de barro, substituíam aquele “luxo”.
Em 1959 a principal rua do comércio da cidade não era asfaltada, a predominância era de casas de madeira, mas tinha o Mercado Central, onde havia uma parada de ônibus (dois ônibus faziam a linha circular), com uma infraestrutura de sanitário masculino e feminino, e uma lanchonete.
Predominavam na Rua São José os trechos com pontes de madeira, no mesmo modelo que são hoje usadas para acesso às casas construídas nas ressacas que ficam dentro do perímetro urbano da cidade de Macapá.
Pois bem, na próxima quarta-feira, dia 11 de dezembro de 1919, ficam completados os 60 anos que a família Juarez, constituída a partir de Heráclito Juarez Filho e Raimunda Pureza Juarez, completa 60 (sessenta) anos que chegou à Macapá para residir e onde ainda nasceram mais dois irmãos (Edir e Guanacy) e duas irmãs (Deise e Mitsmara), completando a lista dos 12 irmãos.
Hoje, com o patriarca falecido (1973), minha mãe mora em Belém, oito dos irmãos continuam morando em Macapá, dois moram em Belém, uma no Rio de Janeiro e um morreu aos 46 anos.