quinta-feira, 5 de maio de 2022

A Democfacia precisa ser entendida para ser praticada

Rodolfo Juarez

Afinal de contas, o que é Democracia?

No momento nacional, com forte influência do período de pré-campanha eleitoral, definir Democracia passou a ser uma tarefa difícil e com definições, todas elas, sempre sujeitas às considerações de quem está exercendo uma das fatias do Poder e daqueles que têm a incumbência de escolher os que estão nestas fatias do Poder.

O art. 3.º da Constituição de 1988 enumera os objetivos fundamentais do Estado Brasileiro, uma inovação, considerando que foi, pela primeira vez na história, que uma Constituição enumerou os seus objetivos fundamentais.

Os constituintes, tinham como objetivo estabelecer a concretização da democracia econômica, social e cultural, além de efetivar o princípio da dignidade da pessoa humana.

Para avaliar o cenário político-administrativo atual, se torna indispensável analisar o art. 3.º da Constituição Federal de 1988 para tirar suas conclusões. Vou facilitar trazendo in verbis esse artigo.

Art. 3.º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I – constituir uma sociedade livre e solidária;

II – garantir o desenvolvimento nacional;

III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV – Promover o bem-estar de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Depois de 33 anos e várias tentativas do povo, elegendo diversos brasileiros para dirigir os interesses na nação, buscando encontrar o comandante certo para alcançar a liberdade individual, a solidariedade, o desenvolvimento nacional, a erradicando da pobreza e da marginalização, com redução da desigualdade social, até agora não tem acertado, seja pela adesão ao sectarismo político, seja pela não compreensão da ideologia social cultivada pelos escolhidos.

Em um tempo em que está mais evidente, escancarado mesmo, a desobediência ao art. 2.º da constituição que define os Poderes da União (Legislativo, Executivo e Judiciário) como independentes e harmônicos, parece que há uma vontade explicita de um entrar na seara do outro, proporcionando um ambiente de desarmonia com ações que invadem aquilo que é ordenado pela Constituição Federal quando define os Poderes como independentes.

As recentes reuniões dos chefes dos poderes Legislativo, Executivo (ministros) e Judiciário, além de reconhecer, de forma tácita, a desobediência constitucional, ainda escancara o não comando da maioria daqueles que receberam, conforme a regra vigente, a incumbência de gerenciar as instituições “cabeça de sistema”: o Legislativo, o Executivo, e o Judiciário, todos exacerbando a falta de unicidade orgânica institucional.

Os brasileiros reagem da forma que podem. Uns conversando cara-a-cara e outros se valendo das redes sociais que, como tem sido visto, incomoda a todos e, ao invés de olharem para dentro das instituições, não olham, preferem sair para o confronto e mostrar quem pode mais, em cada caso.

Está difícil governar com tanta interferência de um poder no outro, pois, neste cenário, cada qual lança mão das “armas” que têm ou imaginam ter.

Pedir a compreensão da população nesta confusão institucional não adianta. Quando se desobedece a rega geral se instala o caos, muito interessante para aqueles que estão fora das gestões públicas e incerto para os gestores privados. 

domingo, 1 de maio de 2022

Partidos políticos no Amapá: os nomes que ainda não são comuns entre os eleitores

Rodolfo Juarez

São 26 os partidos políticos que estão registrados no Tribunal Regional Eleitoral do Estado do Amapá. Pelo menos dois deles vão disputar uma eleição pela primeira vez: O União Brasil (44) e o AGIR (36).

O primeiro, o União Brasil (União), é o resultado da fusão entre o DEMOCRATAS e o PSL e o segundo, o AGIR, é uma sucessão do PTC. Mas ainda há outros que mudaram de nome e ainda não estão na memória do eleitor, muito embora já tenha disputado as eleições mais recentes.

Entre estes partidos estão o REPUBLICANOS (10), o PODEMOS (19), o CIDADANIA (23), o PATRIOTA (51), o AVANTE (70) e o SOLIDARIEDADE (77). São, assim 8 partidos que o eleitor precisa memorizar para não confundir na hora de votar, afinal parece tudo igual, e não é.

O REPUBLICANOS nasceu como Partido Municipalista Renovador (PMR) que depois mudou para Partido Republicano Brasileiro (PRB) que fez a façanha de eleger, em 2014, 4 deputados estaduais e em 2018 uma deputada federal. O Podemos tem como presidente atual a deputada federal Aline Gurgel.

PODEMOS é o novo nome do PTN (Partido Trabalhista Nacional), aquele mesmo que fez parte da coligação que elegeu Dilma Rousseff (PT). Tem como atual presidente Antônio Cirilo Fernandes Borges, um político da nova geração entre os políticos amapaenses.

CIDADANIA vem do PPS (Partido Popular Socialista) que por sua vez foi uma dissidência de membros do PCB (Partido Comunista Brasileiro). O presidente atual do partido é o prefeito da Capital, Antônio Furlan.

PATRIOTA teve como primeiro nome Partido Ecológico Nacional (PEN), de onde derivou por decisão dos dirigentes. No Amapá o seu presidente é Gilberto Laurindo.

O AVANTE foi registrado anteriormente como Partido Trabalhista do Brasil (PT do B), uma iniciativa de dissidentes do PTB e tem como presidente no Amapá Adail Barriga Dias.

E o SOLIDARIEDADE que foi fundado em 2012, registrado em 2013 e tem como presidente no Amapá o vereador Marcelo de Matos Dias.

São nomes novos, com a nova tendência dos políticos em dar outro significado para a política brasileira através dos nomes dos partidos. É muito provável que, já depois das eleições proporcionais de 2022 se forme uma corrente que assuma a responsabilidade de diminuir o número de partidos para que se identifique a ideologia que o partido representa.

A federação que foi protocolada no TSE, formada pelo PT, PC do B e PV pode diminuir, para as eleições de 2022, o número de unidades partidárias para as eleições deste ano, ao invés de 26, apenas 24, considerando os compromissos da federação.

 

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Macapá, no Amapá, está mudando suas necessidades

Rodolfo Juarez

A maioria das cidades brasileiras conta com uma unidade de orientação e controle do desenvolvimento urbano, com o objetivo de evitar desperdício, desarrumação da ordem urbana e otimizando os recursos, sempre escassos, mas que são importantes para manter, minimamente, as funções da cidade para que haja “punição” ao cidadão ou desassistência da administração.

A unidade de orientação para o desenvolvimento urbano não assume papel de gestão que seja da prefeitura municipal ou da câmara de vereadores, se trata de um organismo técnico para observa os problemas da cidade, o crescimento destes problemas, e que pode, tecnicamente, propor intervenção para que o problema seja contido antes que se transforme em um daqueles “monstro urbanos” difícil de ser domado e muito caro para ser eliminado.

Esta semana, os prefeitos de todas as regiões brasileiras, estiveram em Brasília participando da 23.ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, apresentando a pauta de prioridades de cada qual, aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Além disso, durante o evento, foram debatidas políticas públicas e feita a apresentação de demandas.

A Marcha é uma forma de mostrar força política pela quantidade, pois em torno de sete mil pessoas participam do evento entre prefeitos, vice-prefeitos e assessores diretos que marcam presença. Mesmo com tanta gente, os resultados, se não são imediatos, pelo menos forçam a retirada de gavetas de projetos de lei importantes para o desenvolvimento dos municípios.

A demonstração de força política não é parelha a força técnica necessária, decisiva na solução dos problemas diversificados que os prefeitos assumem o compromisso de resolver.

Uma cidade como Macapá, considerada de médio porte, onde os problemas começam a fugir do controle, demonstra que maquiagem já não interessa e que serve apenas para enfiar, pelo ralo, o rico dinheirinho dos contribuintes ávidos pela solução do problema do seu bairro, pelo menos.

Os administradores de uma cidade do tamanho e da importância de Macapá, já percebem claramente, que a população não espera soluções “meia-boca”, querem algo mais definitivo, como um escola com professores, pessoal de apoio e segurança; um unidade de saúde com médicos, paramédicos, medicamentos e correlatos; um serviço de transporte coletivo regular, com pontos de parada estruturados; um sistema viário sem buracos na pista; canais do sistema de drenagem pluvial funcionando;  áreas de lazer com manutenção permanente; distribuição de água potável e de energia elétrica, além de cuidados com a expansão urbana de modo a não criar problemas mais adiante.

Tudo isso, certamente, precisa de um plano bem elaborado para ser seguido, caso contrário, os serviços improvisados, paliativos, continuarão a serem adotados e não resolvendo e amaciando os problemas que aparecem todos os dias.

Insisto neste tema, pois, afinal, todos somos moradores dessa cidade e todos precisam compreender que ela está mudando as suas exigências políticas, administrativas e técnicas.

domingo, 24 de abril de 2022

A pandemia começou com o carnaval de 2019. O que esperar de 2022?

Rodolfo Juarez

É impressionante como a emissora de televisão que tem interesse na realização do carnaval fora-de-época busca maquiar as informações e se esforça para tornar realidade os sonhos dos carnavalescos que são apresentados na avenida.

O esforço que os repórteres da emissora de televisão que cobre o evento descrevem aqueles sonhos como se realidade fossem trazendo, até com certo acanhamento, para o público informações que nada têm a ver com a realidade.

Um esforço para transformar uma caricatura em notícia.

Nem mesmo a morte de uma jovem pré-adolescente foi informada durante a transmissão, pelo menos para servir de alerta às famílias que têm seus filhos e filhas engajados no desfile.

Não é possível entender comportamento de um grupo econômico, dono de empresas de comunicação, dentre eles uma rede de televisão, que faz do evento carnaval ganhos milionários, deixe de dar notícias que possam ser importantes, não mais para esse evento, mas para outros.

E essa é uma ocorrência que se repete.

Doutra vez foi um grupo de quase ou igual a vinte pessoas que deixou alguns aleijados para toda a vida e, agora, viu uma pessoa encerrar, no começo da vida, esse bem que Deus nos dá e uma só para cada um.

Mas tudo em nome do carnaval a emissora se permite, mesmo sabendo que ainda se está em quarentena social de Covid-19 e que nada é certeza e que, mesmo nos intervalos comerciais destaca a tal “rede do bem” falando para evitar aglomeração.

Até onde vai a responsabilidade desses incentivadores que sabem que ainda, no Brasil, nesse tempo, estão morrendo mais de 100 pessoas por dia por serem infectados pelo novo coronavírus.

Mas o carnaval seguiu em frente aproveitando o feriado decretado pela ação de um herói nacional, enforcando uma sexta-feira que poderia ser produtiva e emendando pelo sábado e pelo domingo.

Uma festa só!

Tomara que não se repita o que aconteceu há dois anos, em fevereiro de 2019, quando o carnaval foi o grande responsável pela introdução do coronavírus por todo o território nacional e que ninguém quis assumir a culpa, ao contrário, procuraram culpados por todas as partes e em todos os lugares.

Elegeram alguns, mas sempre escamotearam a principal possibilidade – a teimosia na realização do carnaval de 2019.

Ninguém está acima do bem ou do mal. Ninguém pode se considerar isento, mesmo que para isso procure confundir tudo, inclusive com a política, a única estrada que dá chance para que um individuo alcance os postos de comando que são apresentados pelo povo brasileiro nas eleições.

A grande imprensa e a imprensa das pequenas comunidades, elegem os seus favoritos e passam a atuar ao lado deles, anunciando que as fakes news estão por ai, mesmo que sejam geradas por esses mesmos que anunciam, e dizem para todos, delas se afastarem.

É o ditado revive: faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

 

quinta-feira, 21 de abril de 2022

Macapá, capital do Amapá, daqui a oito anos vence a barreira dos 600 mil habitantes

Rodolfo Juarez

O IBGE já divulgou a sua previsão para a população do Estado do Amapá e para cada um dos seus municípios até o ano de 2060, entretanto a previsão que nos parece mais impactante é aquela do momento em que o Estado do Amapá alcança um pouco mais de um milhão de habitantes e Macapá, a capital do estado, chega aos 600 mil habitantes.

Pelas estimativas do Instituto essas marcas serão atingidas pelo Estado e pela cidade de Macapá, no ano de 2030, isto é, daqui a 8 anos.

Então, a cidade de Macapá já pode ser analisada, no cenário de 600 mil habitantes, com margem de erro muito pequena, no horizonte dos próximos oito anos, sendo preparada para abrigar essa quantidade de moradores com um mínimo de qualidade de vida, para isso é preciso evitar que a colocação do município de Macapá, na escala de qualidade de vida, esteja entre as piores.

É urgente e para agora a instalação de uma estrutura para abrigar um ambiente técnico que possa tratar o Urbanismo como ciência e não como oportunidade para abrigar “bandeirantes” oriundos de campanhas políticas, ou correligionários de políticos que perderam a eleição no primeiro turno e se aliaram para eleger um candidato no segundo turno, ou mesmo os próprios candidatos que se aliam em troca de um cargo comissionado no governo do ganhador da eleição.

O disco precisa virar!

Não há chance de crescer os índices de qualidade de vida sem considerar os conhecimentos técnicos indispensáveis e prioritários para produzir os projetos que precisam ser executados imediatamente.

Os talentos necessários estão por aí, ainda em Macapá, em menor número mas em Macapá, e os que se foram para trabalhar em outras urbes podem perfeitamente retornar para prepara a cidade para uma população de 600 mil habitantes, daqui a pouco.

Os problemas são muitos e variados.

A oferta, pelo governo municipal, de saúde e educação para a população está muito aquém das necessidades, gerando um déficit acumulado que só cresce, pois, no passo das administrações municipais já terminadas e no passo da atual administração municipal, a defasagem entre o necessário e o que é realizado está sempre aumentando.

O sistema viário já dá mostras de fadiga e caminha para colapso. Isso já está sendo notado em alguns horários e, principalmente, em alguns trechos do sistema que é precário por falta de alternativa e porque, a maioria, está entrando em fadiga, seja pela falta de manutenção, seja pelo tempo de construção.

A prefeitura não coleta, atualmente, sequer a metade do lixo doméstico-urbano que é produzido agora, em torno de 500 mil toneladas por mês. Quando muito, dá destino para aterros sanitários de metade desse total. As sobras ficam pelas calçadas, canais, vias públicas, lixeiras viciadas.

O transporte urbano tem problemas desde a concorrência para a concessão de linhas, passando pelas próprias empresas exploradoras do mercado, com veículos recuperados de outras praças, falta de abrigos nos pontos de parada, dificuldades extremas na definição da tarifa a ser paga pelos usuários do sistema, e desconfiança dos horários propostos, além de descontinuidade na sinalização, falta de integração com os diversos módulos de transportes, entre tantas necessidades para que se diga que o transporte urbano está minimamente resolvido.

A sinalização orientativa desapareceu. A sinalização viária horizontal, vertical, inclusive a luminosa, são desprezadas anos após anos, sob a alegação de falta de recursos.

Ninguém duvida que Macapá, como capital do Estado do Amapá, precisa melhorar as condições urbanas para que a população tenha a melhora da qualidade de vida. 

segunda-feira, 18 de abril de 2022

O importante papel da Polícia Civil no Amapá

Rodolfo Juarez

As datas instituídas e marcadas para as comemorações de fatos relevantes de instituições importantes, sempre desperta o interesse da população que se sente no compromisso, ou até mesmo obrigação de, naquele momento, agradecer os serviços prestados à comunidade durante todo dia e desde o seu começo.

Uma dessas celebrações é reservada para o Dia da Polícia Cívil que acontece, anualmente, no dia 21 de abril, dia de Tiradentes (Joaquim José da Silva Xavier), e que, pelo menos aqui no Amapá é sufocada pelas solenidades organizadas pela Polícia Militar que também tem como patrono Tiradentes e celebra na mesma data.

O Dia da Polícia Civil foi instituído em 1946, pelo Decreto n.º 9.208, de 29 de abril daquele ano. Trata-se de uma homenagem ao órgão responsável pela segurança da população e a manutenção da ordem pública, seguindo as leis e normas de boa conduta em sociedade.

Cada Unidade da Federação dispõe de um núcleo da polícia civil, sendo assim, 27 núcleos no Brasil que contém uma Federação com 26 estado e o Distrito Federal.

A História registra que Tiradentes, o patrono da Polícia Civil (e também da Polícia Militar), foi enforcado, no Rio de Janeiro, em 21 de abril de 1792, como membro da 6.ª Companhia de Dragões de Minas Gerais.

Joaquim José da Silva Xavier nascera na Fazenda Pombal, então capitania de Minas Gerais, em 1748. A sua morte, nas circunstâncias e na prática adotada pelos seus algozes, o transformou no mártir da Independência e no patrono cívico da Nação.

É neste patamar, o do patrono cívico da nação, que a Policia Civil está instalada e funcionando no Estado do Amapá, através dos seus atuais 1.155 homens e mulheres, distribuídos entre as funções diversas e próprias da polícia civil como: Delegados e Delegadas, Agentes de Polícia, Oficiais e Oficialas de Polícia, Oficiais Oficialas de Polícia Civil e equipe de apoio.

A principal função dos policiais civis é investigar crimes, reunindo provas para identificar os autores de delitos e apresentarem às autoridades que têm a incumbência de denunciá-los e julgá-los.

A Lei n.º 4.878, de 3 de dezembro de 1965, no art. 61, também marca comemorações para os policias civis, estabelecendo, nesta lei, o Dia do Funcionário Polícial Civil.

Atuar de forma ostensiva e preservar a ordem pública também são atribuições conjuntas de um policial civil que tem a apuração das infrações penais como uma das suas principais funções.

A Polícia Civil também cumpre mandados de prisão e de busca domiciliar, bem como outras ordens expedidas pela autoridade judiciária competente, no âmbito de suas atribuições, além de ser a responsável pela preservação de locais, apreender instrumentos, materiais e produtos de infração penal, bem como realizar, quando couber, ou requisitar perícia oficial e exames complementares.

E, ainda, zelar pela preservação da ordem e segurança, da incolumidade das pessoas e do patrimônio, promovendo ou participando de medidas de proteção à sociedade e às pessoas; organizar e executar, quando couber, os serviços de identificação civil e criminal.

A Polícia Civil do Amapá, apesar de não ter a visibilidade da Polícia Militar, tem um papel igualmente importante, que é reconhecido pela população.

  

domingo, 10 de abril de 2022

Os artistas da política e seu jogo personalíssimo

Rodolfo Juarez

Parece mesmo que a política brasileira vai continuar sendo praticada como aquela dos velhos tempos. As mesmas pessoas, com raras e honrosas exceções, continuam adotam os mesmos modelos de antepassados que já se imaginava anulados pelo tempo e pela modernidade.

Qual nada! A política, quando movimentada ou manipulada visando uma eleição, em qualquer ano eleitoral do tempo que já passou, é utilizada com incrível oportunismo, surpreendendo até aqueles mais vividos na análise política de um pequeno colégio eleitoral ou do maior colégio eleitoral que se tem no país.

As surpresas já não são mais surpresas, tantas as vezes mostradas para o eleitor que, pacificamente, sem qualquer reclamo ou protesto, aceita aparentemente de bom grado e, ainda, se mostram dispostos a serem os defensores da decisão tomada pelo líder político que muda conforme o vento sopra e não conforme a base manda.

Essa história de base política ou de líder de uma massa de eleitores, parece mais massa de manobra, sempre procurando se dar bem em uma eleição, desde o candidato, aos cabos eleitorais e aos próprios eleitores.

A parcela do total de 148 milhões de eleitores aptos a votar e que não vota por mera liberalidade ou por avaliar que o esforço para votar no dia eleição não vale a pena, representou, em 2018 a abstenção superou 20%, com quase 30 milhões de eleitores preferindo não ir até a sua seção eleitoral.

Cansado de ver os políticos e outros poderosos da Nação falar em Democracia, vão os eleitores desanimados até durante o período de campanha, onde vale quase tudo, desde que não flagrado pela fiscalização eleitoral, pretendendo trocar por favores, desde uma “ajuda”, até a promessa de um cargo.

Quem poderia imaginar, antes de 2022 começar, que Geraldo Alckmin (PSDB) seria, um dia, candidato a vice de Lula (PT) numa chapa para presidente da República do Brasil.

Geraldo Alckmin governou São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, entre 2001 e 2006, quando anteriormente Alckmin era vice e, com a morte do titular Mário Covas em 2001, ele assumiu o cargo, no qual em 2002 se reelegeu, ficando no governo até 2006. O segundo momento se dá entre 2011 até 2014, quando ele foi eleito em 2010.

O ex-governador anunciou, no final do ano passado, sua saída do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) após mais de 33 anos na sigla.

“É um novo tempo! É tempo de mudança! Nesses mais de 33 anos e meio de trajetória no PSDB procurei dar o melhor de mim. Um soldado sempre pronto para combater o bom combate com entusiasmo e lealdade. Agora, chegou a hora da despedida. Hora de traçar um novo caminho”, disse no Twitter.

Certamente que a “mudança” que ele estava se referindo não era nada de profundo, era continuar buscando o Poder, agora noutra frente, tentando repetir o que aconteceu com Mário Covas, que foi governador de São Paulo com Alckmin vice.

Passou “costurando” retalhos até conseguir ser aceito no PSB, partido que mirou como trampolim para tentar alcançar os seus objetivos. Filiou-se no dia 23 de março de 2022, com a perspectiva de ser candidato à vice-presidente da República, apontado pelo PSB para o PT.

A Democracia dessas lideranças é cultivada desde que possa levar vantagem, mesmo que tenha que renunciar a tudo o que defendia, a tudo o que pregava para seus ex-correligionários de ocasião.

Enquanto for assim, nada muda e nada avança!