quinta-feira, 16 de março de 2023

O caos na infraestrutura urbana de Macapá, capital do Amapá.

Rodolfo Juarez

Já faz algum tempo que os observadores da vida cotidiana, de certa forma, esperavam por esse momento. O momento em que se sentiria falta do sistema de drenagem pluvial de Macapá, como de resto, de todo o sistema infra estrutural da cidade que precisa ficar enterrado e, assim, não ser visto pela população.

Macapá, desde os seus primórdios, tem em seu perímetro urbano uma definição perfeita do sistema de drenagem, traçado pela natureza e a serviço do bem-estar daqueles que moraram e moram em Macapá.

Um sistema que funcionou natural e harmonicamente em favor do bem estar da cidade, que ainda contava com uma lagoa de dimensões suficientes para entrar em ação em caso de necessidade da parte mais interior da cidade.

A população cresceu, e foram poucos os administradores que investiram tempo e dinheiro no acompanhamento das necessidades da infraestrutura da cidade.

Agora, já com quase 600 mil habitantes, o tempo que passou se apresenta como tempo perdido. Todo o sistema de infraestrutura da cidade está com sua disponibilidade muito para trás: esgoto, com 5% de disponibilidade; água tratada, com menos de 50% para atendimento; macro e micro drenagem pluvial, em poucos pontos da cidade; canais de drenagem, apenas dois prontos (da Avenida Mendonça Júnior e do Igarapé das Mulheres), ruas e avenidas, a maioria sem meio-fio, linha d’água e bueiros, estes com dificuldade e os outros porque não existe a linha de coleta da drenagem.

Assim, observa-se que todo o sistema de drenagem está prejudicado e, mesmo em uma cidade cheia de canais, com uma lagoa como a Lagoa dos Índios e um rio, como o Rio Amazonas, fica sujeita a retenção de água da chuva, todas as vezes que a chuva, cai com mais intensidade.

O pior de tudo é que, mesmo nesta situação, conhecida e atestada por técnicos da área científica, a Prefeitura Municipal de Macapá não dispões de um plano, por mais primário que seja, que demonstre esse conjunto de canais naturais de drenagem, a Lagoa dos Índios e o Rio Amazonas, como elementos naturais para os quais podem ser direcionadas as águas de chuva que caem em Macapá.

Mas ainda tem outra situação pior: a falta de direcionamento da expansão da cidade e, por isso também, as populações autóctones ou migrantes vão ocupando áreas que jamais poderiam ser ocupadas, pois, avançam a cidade sobre suas áreas de ressacas (bacias naturais de contensão) e sobre as cabeceiras e corpo dos próprios canais, interrompendo a sua efetividade natural com relação ao escoamento da água tanto para a Lagoa dos Índios como para o Rio Amazonas.

A Prefeitura de Macapá precisa, urgentemente, de um plano de drenagem para a cidade, com conhecimento de pontos de referência altimétrica (coisa que já teve) e construir as margens e os fundos dos canais naturais que, agora, estão recebendo toda a carga de resíduos carreadas pelas chuvas.

Há diversas técnicas de proteção de margens e fundos de canais, sobejamente experimentos e testados em outros sítios urbanos, tanto de maior como de menor densidade populacional.

Para resolver os problemas de drenagem da cidade de Macapá não precisa de opiniões, como as recentemente dadas pelo secretário municipal da Zeladoria Urbana de Macapá, quando afirmou que para resolver o problema precisava “engrossar os tubos de drenagem”.

Sugestão, venhamos, fora de qualquer técnica e sentido, para ser dada por um secretário municipal, primeiro escalão do prefeito.

segunda-feira, 13 de março de 2023

P Planejamento Estratégico na visão do Dr. Adrimauro Gemaque

Rodolfo Juarez

No artigo de sexta-feira, dia 10, destaquei a importância do planejamento estratégico e a demora que a administração pública, principalmente dos estados do Norte do Brasil e as prefeituras desses estados, perdendo tempo, vêm deixando de adotar esse plano. Foram muitas as respostas e uma delas foi a de Adrimauro Gemaque, graduado em Administração Pública, que se manifestou, no dia seguinte ao artigo 11 de março. Depois de ler e interpretá-lo, pedi para publicar a sua análise. Ele permitiu. É assim:

Boa tarde, meu ilustre e estimado professor e amigo Dr. Rodolfo Juarez!

Como sempre você, com a sua sapiência traz em seus artigos temas para nossa reflexão, esse agora sobre o Planejamento Estratégico merece sim, uma profunda atenção dos nossos governantes.

Com muita propriedade você discorre em seu artigo a importância do Planejamento Estratégico.

Planejamento Estratégico, até então muito utilizado nas empresas privadas ficava distante da Administração Pública, atualmente essa ferramenta é um instrumento do cotidiano nas instituições públicas como o no terceiro setor.

A busca incessante pela modernização na Administração Pública, no que se refere aos processos, passou a ganhar força devido à necessidade de adaptação às constantes mudanças nos ambientes em curto prazo.

Nos últimos anos uma onda pelo uso eficiente dos recursos chegou também à Administração Pública. O “cliente-cidadão” com um nível de exigência cada vez mais elevado vem contribuindo para esta quebra de paradigmas. Com isso os órgãos governamentais incorporaram nas suas práticas cotidianas hábitos de preocupação no sentido de terem uma gestão mais eficiente e estão buscando e implementando muitas ações concretas de melhoria nesse sentido.

Planejamento Estratégico, nas instituições públicas também visa auxiliar a utilização racional dos recursos, o orçamento e controle passam a ser os produtos de maior visibilidade e expectativa justificada pelo reflexo de suas ações e esforços almejados pelo governo e pelo grau de coerência destas despesas com a receita estimada.

A não observância de um Planejamento Estratégico, tem possibilitado a não visualização de atividades que podem ser aperfeiçoadas nos próximos anos e as iniciativas têm um foco em tarefas, cujos resultados podem ser percebidos rapidamente.

Com isso envolve o uso inadequado de recursos financeiros. Tomo como exemplo, o que acompanhei nas redes sociais de duas prefeituras aqui do estado recentemente de se utilizarem de parte do orçamento para contratar artistas nacionais de renome para festas locais, enquanto os seus moradores clamam por serviços de saúde e melhoras na educação.

Todavia, vale destacar que a ausência de indicadores confiáveis quando da sua elaboração, não irão medir os serviços que impactam os cidadãos. Sem essa referência, torna-se mais complicado implantar uma cultura voltada para o planejamento e a melhoria de serviços públicos de qualidade que não iram chegar à população.

As resistências e as dificuldades são ainda maiores quando se trata de organizações públicas, as quais, em sua maioria, atuam em ambientes pouco competitivos, com demandas pouco claras e estão sujeitas a restrições orçamentárias elásticas (não há correspondência entre serviços prestados e a dotação orçamentária ou a arrecadação). Além do mais, essas organizações caracterizam-se, historicamente, pela estabilidade, regularidade, fidelidade ao passado, modelos de gestão centralizados, estruturas verticalizadas, lentidão no processo decisório, imobilismo, privilégios estabelecidos.

A multiplicação de estruturas e níveis gerenciais, sem preocupação com a técnica e a racionalidade administrativas, e o desempenho de tarefas e serviços que não lhes são próprios, são práticas que ainda persistem no âmbito dessas organizações, especialmente as estabelecidas há mais tempo (GIACOBBO,1997).

Me desculpe por me alongar no meu comentário. Porém, me senti provocado como sou Graduado em Administração Pública e não poderia deixar de expressar meu ponto de vista. Abs. AG.

 

quinta-feira, 9 de março de 2023

Um plano estratégico para o Estado do Amapá

Rodolfo Juarez

Entendo que chegou o momento de encontrar um plano para o desenvolvimento estratégico do Estado do Amapá.

Para alcançar uma diretriz que represente o desenvolvimento estratégico amapaense é preciso desenvolver forças de trabalho centrados em objetivos e metas que o governo submeta ao debate e que não seja limitado ao tempo de um ano, ou de um mandato.

Por isso, treinamento e desenvolvimento de colaboradores deixou de ser uma questão opcional para o governo que deseja ganhar a confiança de uma população que se aproximar do limite de sua capacidade de espera por melhoria na sua qualidade de vida e confiança no futuro.

Nesse momento os avós e os pais começam a se preocupar com o futuro que está sendo preparado para que, nesse futuro, seus filhos e netos exerçam suas profissões, suas habilidades e desenvolvam o seu talento.

O governador Clécio Luis e a equipe que pensa o futuro do estado, já percebeu as dificuldades que tem pela frente. Certamente não será fácil quebrar velhos costumes pessoais, antigas regras gerenciais, criados e instaladas desde 1991, quando do primeiro governo estadual.

Todas ou a imensa maioria das regras postas naqueles tempos, passaram pelo processo de desgastes e não contou com uma equipe de novos gestores para elaborar o rumo dentro do ambiente da  moderna tecnologia, o que deixou a administração estadual e a própria gestão, sufocada pela necessidade de retomar antigas práticas adotadas no recente governo anterior, se valendo da inteligência das mesmas pessoas e o talento dos mesmos gestores.

Alguns erros, detetados na origem da ordem, foram retomas até onde foram cometidos, sem qualquer mudança e, certamente, acreditando que se tratava de uma ação importante, com necessária retomada, porque havia sido demonstrado, em campanha, que era isso o que o eleitor queria.

O eleitor quer o presente, o logo.

A gestão não tem força, sem grandes prejuízos, para mudar essa vontade, e precisa de um suporte técnico e muito convincente para apresentar e convencer que dá para trabalhar nas duas frentes.

Comparando o sistema adotado para a transparência do Estado do Amapá, com outros estados, principalmente das regiões Sul, Centro Oeste e o Governo Central, nota-se a disparidade no controle da informação, no armazenamento dos dados e na velocidade em que se mostra o resultado para a população.

Acontece isso não porque o Governo Federal dispõe de mais dinheiro ou mais recursos próximos, acontece porque ele priorizou e, a partir dessa priorização chegou a estágio em que está, atingindo, principalmente, aqueles que querem apenas informações corretas e que são alcançadas com relativo ganho de tempo.

É hora de adotar dois modos para gerir a situação: uma para atender às necessidades atuais e de futuro próximo; e a outra para atender o exigente ambiente que está sendo preparado para os filhos e netos, no futuro.

Tudo pode começar com um debate! 

segunda-feira, 6 de março de 2023

A lista de espera por um transplante

Rodolfo Juarez

A lista de espera por um transplante é única em todo o país e o sistema é informatizado. Cada órgão tem uma fila específica, baseada na Lei nº 9.434/1997, no Decreto nº 9.175/2017, que substituiu o Decreto n.º 2268 de 1997,  e a PORTARIA No- 2.600, DE 21 DE OUTUBRO DE 2009 Aprova o Regulamento Técnico do Sistema Nacional de Transplantes.

E, ao contrário do que muitas pessoas podem imaginar a ordem de inscrição não determina que o primeiro a se inscrever receberá o órgão antes do segundo e assim consecutivamente. Mas, sim, as condições médicas como: compatibilidade dos grupos sanguíneos, tempo de espera e gravidade da doença. Ou seja, pacientes com maior risco de morte têm a preferência.

Quem espera por um rim é posicionado na lista de acordo com a compatibilidade. Isso significa que os órgãos do doador passam por exames e uma análise genética completa e, após os resultados, são feitas análises comparativas com todos os pacientes.

Os mais compatíveis ganham mais pontos, assim como o tempo de espera também é um fator determinante e condições médicas como diabetes, por exemplo, garantem maior pontuação. Cada vez que um rim é doado, um novo ranking é gerado.

É importante lembrar também que, apesar de a lista de espera ser única e nacional, as distribuições são regionalizadas, por questões de logística de transporte e o tempo de isquemia, ou seja, o prazo de duração que o órgão resiste sem irrigação fora do corpo. Isto é, primeiramente, o órgão do doador é viabilizado para um receptor do mesmo estado.

É errado acreditar que a condição financeira de um paciente influencia o lugar dele na lista de espera de um transplante. Todos têm direito às mesmas oportunidades.

Para que a fila diminua e cada vez mais pessoas possam receber uma segunda chance de vida, não deixe de conversar com a sua família sobre a sua vontade de ser um doador. Manifeste o seu desejo e peça para que eles respeitem a sua vontade de doar esperança para outra família. Você também pode cadastrar o seu desejo no site www.doemaisvida.com.br.

Para transplantes de fígado o risco de morte é mensurado por um índice matemático chamado Model for End-stage Liver Disease, ou Meld (em português, Modelo para a Doença Hepática em Estágio Terminal, em uma tradução aproximada).

O cálculo é feito com base nos exames laboratoriais do doente. Quanto maior for o resultado desse cálculo, mais à frente da lista o paciente é posicionado. 

quinta-feira, 2 de março de 2023

A invisibilidade do paciente renal crônico

Rodolfo Juarez

Com a população do Estado do Amapá se aproximando de um milhão de habitantes há algum tempo se nota as dificuldades que têm os pacientes renais crônicos para serem assistidos, seja pela oferta menor e procura maior de máquinas e clínicas, seja pela absoluta ausência de um processo preventivo que poderia evitar que muitos pacientes chegassem à necessitar de uma máquina de hemodiálise.

Os profissionais médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, nutricionistas, assistentes sociais, fisioterapeutas, entre tantos profissionais que são definidos por protocolo do Ministério da Saúde para atendimento àqueles que tiveram as funções renais, tão necessárias para a qualidade de vida, estão esperando uma oportunidade para exercerem suas atividades na plenitude as suas profissões.

Os pacientes, mais de 500 no Estado do Amapá, são dependentes da máquina de hemodiálise para viver, já com a expectativa de que vai ter muitos problemas para viver por causa da falta de alternativa para o transplante em uma unidade médica aqui do Estado. 

Nefrologia é uma especialidade médica dedicada ao diagnóstico e tratamento clínico das doenças do sistema urinário, principalmente relacionadas ao rim. O médico especializado nas doenças do sistema urinário chama-se nefrologista.

Para se ter uma ideia, no Brasil o tempo para formar um nefrologista é de 10 anos de estudos (6 anos do curso médico, 2 anos de residência ou estágio em clínica médica e mais 2 anos de residência ou estágio em nefrologia). São poucos os profissionais médicos nefrologistas que estão atuando no Amapá.

Os locais onde são realizadas as sessões de hemodiálise no Estado do Amapá: três em Macapá (Uninefro e a Unidade de Nefrologia do Hospital das Clínicas Alberto Lima e a Unidade de Nefrologia do Hospital São Camilo e São Luiz), e uma em Santana (na unidade de nefrologia vinculada ao Hospital de Santana), em muitos momentos estão superlotados.

Está em fase de deslanche no Brasil a Campanha do Dia Mundial do Rim, que tem como objetivo disseminar informações sore as doenças renais, com foco na prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado. Esses objetivos estão resumidos no tema central denominado “SAUDE DOS RINS E EXAME DE CREATININA PARA TODOS” A coordenação no território brasileiro da campanha será feita pela Sociedade Brasileira de Nefrologia.

Para este ano o tema específico é “CUIDAR DOS VULNERÁVEIS E ESTAR PREPARADO PARA OS DESAFIOS INESPERADOS”

Os desafios enfrentados pelos sistemas de saúde nos últimos anos, quer seja por eventos globais, como a pandemia da Covid-19, ou por catástrofes locais, como enchentes, desabamentos, desastres ambientais, demonstraram a necessidade de todos os setores da sociedade estarem preparados para o inesperado.

E isso, especialmente, para proteger e cuidar dos mais vulneráveis. Quando esses eventos acontecem, os pacientes com doenças renais estão entre os que apresentam maior vulnerabilidade.

Na área da saúde renal o tema é tratado como um dos grandes desafios a serem enfrentados no nosso país. Os portadores da insuficiência renal crônica são socialmente mais vulneráveis, principalmente por terem o diagnóstico em fases mais avançadas da doença. Nesses casos, para os pacientes e seus familiares, o próprio diagnóstico da doença renal é um desafio inesperado.

O Dia Mundial do Rim será agora, dia 9 de março de 2023, e várias ações por todo o Brasil estão programadas, no Amapá, entretanto, não há uma ação pública voltada para abranger o grande público, desde governantes, legisladores, educadores, profissionais de saúde e a população em geral.

Por outro lado, em mais de 800 localidades pelo Brasil, nenhuma no Amapá, estarão divulgando peças publicitárias produzidas para chamar atenção para a questão dos Doentes Renais Crônicos, como também monumentos e prédios públicos serão iluminados com o objetivo de chamar a atenção para a tema.

A realidade dos Doentes Renais Crônicos (DRC) pode ser modificada com uma atuação na prevenção, através de uma campanha de exame de creatinina.

Por outro lado, considerando que por aqui não se faz transplante de rim, se deve lutar pela instalação no Hospital Universitário, de um centro de cirurgia para transplante de rim e, ao mesmo tempo, deslanchar um programa de capacitação de profissionais para tirar o Amapá do fim da fila com relação ao transplante de rins.

 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

A folia e a tragédia!

Rodolfo Juarez

Depois de 56 dias de programações e festas, desde o Réveillon, no primeiro dia deste ano, os participantes dos eventos da folia,  carnaval 2023, ouviram o apito final dando por encerrado o tempo da folia e mandando que os incansáveis foliões se recolhessem aos “vestiários”, onde já foram avisados que ano que vem o carnaval é mais sedo, em meados de fevereiro.

Estes primeiros 56 dias do ano de 2023, mesmo em período de posse de presidente da República e respectivo vice, 26 governadores de estado e seus respectivos vices, 1 governador do Distrito Federal e seu vice, de 27 senadores, 513 deputados federais, 497 deputados estaduais e 8 deputados distritais, esses eventos não competiram com os eventos da festa da carne.

Em meio ao período mais “atiçado” da folia, aconteceu o que ficou sendo denominada “tragédia do litoral norte de São Paulo”, quando foram contados, até anteontem, domingo, 26 de fevereiro de 2023, 65 mortos, 2.200 desalojados e 1.800 desabrigados. Não houve trégua para uma mínima reflexão ou minuto de silêncio em respeito às vítimas dos deslizamentos de terra no norte paulista.

A folia correu solta como se fosse impossível parar para pensar no próximo ou no próprio folião que, surdo, continuava como se nada tivesse acontecendo ou acontecido logo ali perto de onde se falava em alegria e felicidade.

Claro que a alegria e a felicidade anunciadas era uma invenção de pessoas e empresas interessadas em não deixar a população enxergar ou se interessar pelo que acontecida. Para esses, afinal “não era a primeira vez” que outros brasileiros haviam  sucumbido pelo descuido e o desleixo de dirigentes que, ao longo dos tempos não vem cuidando das sedes dos municípios para o que o eleitor escolheu, entre tantos outros, para administrar o produto do que paga sob a forma de tributo.

Desde sábado recolhidos, o que os foliões queriam mais saber não era algo sobre a “tragédia do litoral norte paulista”, se perguntavam ou perguntavam aos animados dirigentes do carnaval, quando seria o período das homenagens ao rei Momo em 2024.

A festa que parecia não ter fim em Macapá. Só cessou mesmo depois do sábado, dia 25 de fevereiro, mesmo todos sabendo que já estavam no 4.º dia da Quaresma,  período de quarenta dias, subsequentes à Quarta-feira de Cinzas, em que os católicos e algumas outras comunidades cristãs se dedicam à penitência em preparação para a Páscoa.

Por exemplo, o desfile oficial da LIBA – Liga Independente dos Blocos do Amapá só aconteceu no sábado, dia 25 de fevereiro, juntamente com blocos de outras associações e, ainda com um dos filiados, o Habeas Copos tendo que dar muitas explicações e justificar a inscrição do seu patrocinador, o prefeito de Macapá, na parte frontal do Abadá.

Explicações que pretendiam mostrar que o Bloco Habeas Copos não era vinculado à OAB e que, por isso, poderia trazer a inscrição daquele que se constituiu como patrocinar e viabilizador do desfile do bloco no circuito da Praça Barão.

Aliás que, no desfile dos blocos, sábado, só a chuva compareceu em quantidade. O púbico, não entendeu a “esticada” e não foi.

Há muito os amapaenses por nascimento ou por opção divulgam que o ano, no Amapá, só começa depois do carnaval. Então, agora, vai começar! 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

O futuro é logo mais!

Rodolfo Juarez

Já faz algum tempo em que o período que o calendário reserva para o Carnaval, também é sacudido, no Brasil e no resto do mundo, por tragédias que levam à perda de inúmeras vidas, desfalcando famílias e grupos sociais de pessoas consideradas importantes para o dia a dia e para o futuro.

Desta feita foi no norte do Estado de São Paulo, o estado mais rico do Brasil, que demonstra, claramente, não estar preparado para os desafios da natureza e logo no mesmo momento em que os governos e a sociedade se preparava para a grande festa de Momo.

Aquela região de São Paulo estava preparada para receber os veranistas do tempo do carnaval que já fervilhava na grade metrópole. Mas veio a chuva, muita chuva, muitos milímetros por metro quadrado, e ai o que era para ser descanso ou veraneio, passou a ser tempo de lamentação com perdas de vidas muito importantes.

Já havia acontecido em Petrópolis, na serra do Rio de Janeiro, uma tragédia com as mesmas características: muita chuva, deslizamento de terra, interrupção de rodovias e mortes de pessoas que jamais esperavam por aquele acontecimento, mesmo se longe deles.

A definição mais comum de  tragédia pode ser feita como uma forma dramática cujo fim é excitar o terror ou a piedade, baseada no percurso e no destino do protagonista ou herói, que termina, quase sempre, envolvido num acontecimento funesto.

Quem são os protagonistas nas tragédias brasileiras?

No dia em que se tiver essa informação, nesse dia começará o trabalho que poderá iniciar as soluções definitivas, com a não permissão para quem quer que seja morar em encostas ou às margens de pequenos rios responsáveis por dar vazão a qualquer volume de água da chuva.

Mesmo com tudo isso, as mortes sendo contadas às centenas e os desaparecidos não sendo encontrado nos escombros, outra parte da sociedade nacional estava pulando, dançando, seja correndo atras do trio ou em cima dele, pouco querendo saber do que acontecia nas cidades do norte de São Paulo ou de qualquer outra parte do Brasil.

A população do mundo, contada em bilhões, tem pobres, remediados e ricos, que pouco ou nada quer saber disso ou do outro.

Com diz: quer apenas aproveitar!

Enquanto “aproveita” não sabe de nada, só vê ou ouve o que lhe interessa diretamente. Nada, mas nada mesmo, o desvia do roteiro traçado, independentemente desse roteiro lhe deixar “fora do ar” por 4 ou mais dias.

O noticiário dos locais onde estão assentados os principais centros de notícia do país, foi dividido, basicamente, em dois momentos: um para tratar do que classifica como tragédia e outro para tratar das festas. E tudo segue adiante, na certeza de que haverá repetição, tanto da tragédia como da divisão do horário e, em um futuro que já pode ser projetado para logo mais.