terça-feira, 13 de maio de 2025

Retrato vivo de uma reaalidade que precisa mudar

Rodolfo Juarez

Durante toda a semana que passou, de 4 a 11 de maio, estive em Belém do Pará realizando exame complementares e de atualização necessária, no Hospital Ophir Loyola e na Fundação Hemopa, objetivando manter atualizados os procedimentos médicos para continuar ativo na lista única do SUS para receber o rim de doador morto.

Desde novembro de 2024, quando fui habilitado na fila de transplante, é decisivo estar atento a todas as necessidades orgânicas que me permitem, na qualidade de paciente, estar ativo na lista única e ficar na espera do telefonema da equipe médica PA - HOL - José Ricardo Tuma da Pon, chamando para apresentar-me no Hospital Ophir Loyola e à equipe médica para o momento esperado – o do transplante do rim.

O Estado do Pará tem instalado e funcionando, cinco locais para transplante, sendo três em Belém, um na sede do município de Redenção e um na sede do município de Santarém. Estou listado para um dos locais sediados em Belém, no Hospital Ophir Loyola.

Controlar a ansiedade é um das principais necessidades que o paciente precisa se preparar para enfrentar. Para tanto é importante contar com a assistência de psicólogo, de nutricionista e de assistente social.

Também é indispensável a disponibilidade de uma cadeira de hemodiálise na localidade para onde o paciente renal crônico se desloca. Sem dispor da cadeira de hemodiálise o paciente não pode viajar, mesmo estando com consulta marcadas, local definido para ficar, dinheiro para pagar hospedagem, transporte e alimentação.

São repetidas as negativas de cadeira por parte das clínicas de hemodiálise em outros estado. Uma simples consulta ao setor social de uma das clínicas de hemodiálise em Macapá, se pode constatar essa realidade.

O paciente renal crônico não pode deixar de fazer hemodiálise pelo menos três vezes por semana e, em regra, quatro horas por vez. Por essas circunstâncias e com essa exigência orgânica, o paciente renal crônico, residente no Amapá, acaba por não tendo tempo e morre.

A Constituição, em seu Artigo 5º, caput, garante a todos os brasileiros inviolabilidade do direito à vida e à igualdade. Direito que ao pacientes renais crônicos do Amapá não é assegurado.

Mais uma vez registre-se que o sistema de saúde do Governo do Estado do Amapá é um dos poucos, em todo o Brasil, que não consegue desenvolver dois importantes programas do sistema de saúde, muito embora, ambos financiados pelo SUS: o Programa de Transplante de Órgãos e, em consequência, o Programa de Doação de Órgãos. Esse procedimento fere os direitos humanos de todo o grupo de pessoas brasileiros que convivem com a necessidade de um transplante.

Amanhã, dia 14 de maio, está programada uma audiência pública na Câmara Municipal de Macapá, quando o assunto será pontuado, em seus primeiros detalhes, no sentido de motivar os dirigentes do Município de Macapá e, assim, enxergar os pacientes renais crônicos que estão na Capital enfrentando grandes dificuldades, alguns vindos do interior, não tendo onde ficar ou ficando em condições de extrema dificuldades, desmotivando-o completamente e acelerando, involuntariamente, o processo de desenlace da própria vida.

Essa cenário, que precisa mudar, ainda resiste. Muito mais pela omissão do sistema de saúde local do que pela falta de condições, técnica ou financeira, do próprio sistema de saúde do Governo do Estado, trazendo o sofrimento ao paciente renal crônico em hemodiálise e de suas familiares.

quinta-feira, 8 de maio de 2025

A morte e a vida, ninguém tem o direito de tirá-la ou mudá-la

Rodolfo Juarez

Desta feita vou destacar dois momentos que merecem não só a minha atenção como a atenção de todos, inclusive daqueles investidos em autoridades que receberam autorização da população para tomar decisões em momentos críticos, delicados e de interesse de todos os que moram em quaisquer das zonas geográficas de Macapá ou em quaisquer das localidades do Estado do Amapá.

O primeiro momento é aquele que tem base na madrugada de domingo, dia 4 de maio de 2025, quando sete pessoas foram mortas durante uma ação da Polícia Militar do Amapá, em Macapá.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelos policiais, os disparos foram uma reação a um ataque a tiros realizado por ocupantes de um carro branco, sedan, versão que é contestada por populares, que teriam visto o ocorrido, e por familiares das pessoas mortas.

O fato é que sete pessoas morreram durante uma ação da Polícia Militar do Amapá e que, de acordo com o boletim de ocorrência registrado pelos policiais, os disparos foram uma reação a um ataque a tiros realizado por ocupantes de um carro branco sedam, que essa versão é contestada por testemunhas afirmando que as vítimas voltavam de um jogo de futebol e foram mortas pela polícia.

Para a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Amapá, os policiais atendiam a uma denúncia de tráfego de drogas e os agentes públicos envolvidos foram afastados.

Vou cuidar primeiro da ação policial que deixou sete cadáveres amontoados dentro de um carro sedam, em uma via urbana movimentada.

Ora, um veículo sedan é definido como aquele que tem sua estrutura de carroceria dividida em três volumes: um volume para o motor na frente, outro para os passageiros no meio, e um volume separado para o porta-malas na traseira. É uma configuração comum que oferece espaço para passageiros, cinco no máximo, e bagagem. Sete pessoas vêm um por cima do outro, não tem outra forma.

Entre os mortos está Erick Marlon Pimentel Ferreira que, segundo a Sejusp, era conhecido pelo polícia como chefe do tráfico de drogas na Zona Norte de Macapá e que teria uma extensa folha criminal. Os outros mortos são: Thiago Cardoso Fonseca, Emanuel Braya Pimentel Ferreira, Wesley Jhonata Monteiro Ribeiro, Cleiton Ramon da Silva Ferreira, Wendel Cristian Conceição Wanderley e o menor de 16 anos, Max Dias Tolosa. 

No início das investigações agentes públicos responsáveis pela apuração dos fatos já informavam que pelo menos três das sete pessoas mortas não tinham antecedentes criminais, isso sem divulgar a ficha das outras três pessoas que teriam a ficha criminal.

A Polícia Militar do Amapá, pelo menos neste caso, não honrou a confiança que a população demonstra, pelo menos até este episódio, tem no seu desempenho, apontando como um dos serviços públicos mais aceitos pela população.

O governador Clécio Luis, que se encontrava nos Estados Unidos quando da ocorrência, prometeu rigor na apuração dos fatos e punição para os culpados que forem identificados, uma palavra que a população espera seja cumprida com os rigores que estão na lei.

Em consequência do ocorrido e por chamamento de familiares de um dos mortos, uma advogada foi presa e algemada pela Polícia Militar, em flagrante desrespeito à ação profissional da advogada, ferindo o que manda a prerrogativa atribuída às advogadas e aos advogados. Uma ação que precisa ter a devida resposta, sob a forma de punição para o identificado responsável e, para tanto, houve a intervenção imediata de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Amapá (OAB/AP).

Matar um investigado não pode ser o primeiro ato da polícia.

O segundo momento se concentra no processo de legalização da exploração do petróleo na Margem Equatorial na região oceânica da costa do Amapá. Uma esperança que ganha contorno à medida que o tempo passa e promete desenvolvimento para melhorar a qualidade de vida da população do Estado do Amapá.

Ainda vamos voltar a este assunto.

  

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Prédios do Teatro das Bacabeiras e da Residêcia do Governador estão desativados

Rodolfo Juarez

Ainda estou curioso para saber o que será feito com, pelo menos dois dos mais icónicos monumentos que compõe a paisagem da cidade de Macapá: o Teatro das Bacabeiras e os prédios da Residência do Governador.

O primeiro, o Teatro das Bacabeiras, faz algum tempo, não abre as portas e logo lá, endereço onde aconteceram grandes momentos para muitos formandos amapaenses e que hoje estão em atividade aqui mesmo e lamentam o estado em que ficou relegado o considerado, à época, o templo da cultura no Estado do Amapá.

O segundo, uma coleção de prédios que constituem o ambiente da Residência do Governador, está com aspecto que entristecem aqueles que tiveram oportunidade de ver aqueles prédios referenciados como o tipo de construção de uma época e luxo contido para aqueles que vieram e assumiram o cargo de Governador do Amapá.

Na internet, no portal “Teatro das Bacabeiras - SECULT – Governo do Amapá”, Secretaria de Cultura do Estado do Amapá, está o endereço eletrônico oferecido assim: https://secult.portal.ap.gov.br (conteúdo vinculado), informado que “o Teatro das Bacabeiras, localizado à Rua Cândido Mendes, 368; Bairro Central; cidade de Macapá, capital do Estado do Amapá, instituição pública vinculada à Secretaria de Estado da Cultura – Secult”.

E ainda que: “O Teatro das Bacabeiras teve sua construção iniciada em 1984 e concluída em 1990. Caracteriza-se pela arquitetura moderna, estilo que o guarneceu de grande imponência, atribuindo-lhe especial destaque no patrimônio arquitetônico da cidade de Macapá. Em sua inauguração, foi denominado de Cine Teatro de Macapá. Em 09 de março de 1992, passa a ser chamado de Teatro das Bacabeiras. O Teatro das Bacabeiras é de tipo italiano, com capacidade para 705 pessoas (sentadas), foi inaugurado em 09 de março de 1990, com espetáculo teatral que reuniu vários grupos. Neste primeiro espetáculo, não foi cobrado ingresso.

Diz ainda que: o Gerente é Amadeu Lobato e, com relação ao funcionamento, destaca: “apenas interno devido à pandemia do covid 19 e, convenhamos, já faz tempo aquele momento de pandemia.

Em 8 de novembro de 2024, o governador Clécio Luís conheceu e aprovou o projeto para o que chamou o “novo” Teatro das Bacabeiras, no bairro Central de Macapá. E que, o prédio histórico e a maior casa de espetáculo do Amapá.

Quando lhe foi apresentado o projeto de restauração do prédio do Teatro das Bacabeiras, assim se pronunciou o governador: “aprovamos o projeto de restauração e reforma geral do nosso Teatro das Bacabeiras, que está voltando. Ele é bem complexo, e agora vai para a análise da Caixa Econômica. Assim que for aprovado, vamos licitar e começar a obra”.

Também, na ocasião, foi anunciado que a restauração e reforma geral do prédio do teatro serão realizadas com recursos destinados pelo senador Davi Alcolumbre, mais contrapartida do Estado.

Com relação à Residência do Governador do Estado do Amapá, as informações públicas disponíveis são de que a Residência Oficial do Governador do Estado do Amapá é atualmente o Palácio do Setentrião, que também funciona como sede do Governo do Estado. 

O Palácio está localizado no Centro Histórico de Macapá, na Zona Leste da capital. No entanto, o governo está a transformar a antiga "Casa do Governador" em um "Parque Residência", um novo espaço que será aberto ao público com restaurantes, áreas de lazer e resgate histórico. 

 

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Quem não luta por seus direitos não é digno de tê-los

Rodolfo Juarez

Chegou maio e os desafios de abril, a maioria deles, inclusive aqueles que se referem ao ajuste no salário e que objetivam equilibrar os vencimentos dos funcionários públicos frene os aumentos no custo de vida, não foram vencidos.

As reclamações já saíram dos sindicatos, via assembleias gerais, passando para as ruas, principalmente à frente do local de trabalho dos executivos responsáveis pelas respostas às perguntas dos servidores e para a frente dos locais onde trabalham os próprios servidores.

As adesões de outros dirigentes sindicais àqueles que são os responsáveis diretos pelas reivindicações é o indicativo de que está sendo despertado um sentimento de solidariedade que precisa ser avaliado por aqueles que têm a responsabilidade pela paz social e que não seja o Batalhão de Choque da Polícia Militar.

Sabem os empregados e os empregadores que a “data-base” precisa ser respeitada e que, no contexto brasileiro, “data-base” refere-se a um período anual, normalmente definido por cada categoria profissional, em que ocorrem negociações entre sindicatos de trabalhadores e empregadores para ajustar salários, benefícios e outras condições de trabalho.

Esta “data-base” serve, também, como referência para a revisão e atualização dos termos dos contratos coletivos de trabalho, garantindo a manutenção ou aumento dos direitos trabalhistas e do poder de compra, principalmente dos alimentos.

A Lei Estadual n.º 663, de 8 de abril de 2002, assinada pela governadora Dalva Figueiredo e que entrou em vigor na data da sua publicação, com efeitos retroativos, regulamenta o dispositivo do inciso X, do artigo 42, da Constituição do Estado do Amapá, fixando data base dos servidores públicos civis e militares do Estado do Amapá no dia 1.º de abril de cada ano.

O inciso X do artigo 42 da Constituição do Estado do Amapá, com redação dada pela Emenda Constitucional n.º 35, de 21.03.2006, manda que “a remuneração dos servidores públicos estaduais e o subsídio de que trata o § 4.º do artigo 47, somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica , observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada a revisão geral anual, sempre no dia 1.º do mês de abril e sem distinção de índices”.

Toda vez que uma categoria não vê satisfeita essa condição constitucional é legítima a manifestação até que o parâmetro constitucional seja alcançado e considerado.

Os funcionários públicos estão divididos em mais de 30 sindicatos e isso, certamente, enfraquece o poder de negociação dos funcionários, uma indiscutível vantagem para a autoridade executiva que, em algumas oportunidades se vê preferindo discutir por parte, adotando medidas que provocam desigualdade no tratamento salarial entre os servidores.

Mesmo assim vem se mostrando eficiente a célebre frase de que “quem não luta por seus direitos, não é digno de tê-los”. 

segunda-feira, 28 de abril de 2025

Os paciente renais continuam invisíveis no Amapá

Rodolfo Juarez

Está confirmado para o dia 14 de maio, uma quarta-feira, a realização de audiência pública na Câmara Municipal de Macapá, quando serão destacados e levados ao conhecimentos dos representantes dos residentes em Macapá, os vereadores, de pontos referentes ao atual estágio em que se encontram os pacientes renais crônicos, tanto os moradores daqui como aqueles que, pelas circunstâncias da doença, têm que vir dos outros municípios, para a Capital, buscar atendimento de hemodiálise.

A falência dos rins é um assunto recorrente tanto em Macapá como no interior do estado. Essa comorbidade, antes conhecida como “barriga d’água” e, assim, letal durante muito tempo e em muitos lugares, principalmente da região Norte do Brasil, agora conta com clinicas nefrológicas para amenizar o sofrimento do pacientes e da família do paciente renal crônico.

Uma doença que, no município de Macapá, não conta com programa de prevenção, muito embora seja perfeitamente cabível, entretanto ignorado por todos os 16 sistemas municipais de saúde do Amapá e no próprio sistema de saúde do Estado.

Com tratamento financiado, em sua integralidade, pelo Sistema Único de Saúde – SUS, desde os primeiros exames até o transplante do rim, isso não anima os dirigentes no Amapá,  mesmo nessa condição e sem conhecimento estatístico do número de óbitos, os pacientes renais crônicos continuam invisíveis e em vertiginoso crescimento, devido a absoluta falta de prevenção.

O objetivos da audiência pública na Câmara Municipal de Macapá é levar o assunto ao conhecimentos dos vereadores. Destacando o status em que se encontra o atendimento aos pacientes renais crônicos e a absoluta necessidade de se criar um prevenção, perfeitamente possível e economicamente viável, além de cumprir - os vereadores -, com um dos papéis que lhes reserva a Lei Orgânica do Município de Macapá, a Constituição do Estado do Amapá e a Constituição Federal.

Vale lembrar que o Amapá é um dos poucos estados da República Federativa do Brasil que não tem o programa de transplante instalado no sistema estadual de saúde, como também o município de Macapá.

No Brasil são mil e duzentos centros de transplante de órgãos e, assim, são 1.200 centros de transplante de rim, não tendo nenhum desses centros resolvendo os problemas dessa comorbidade no Estado, prejudicando dois dos mais importantes programas do sistema de saúde projeta para todo o Brasil: o programa de transplante de órgãos e o programa de doação de órgãos.

As autoridades têm permanecidas surdas para o assunto aqui, muito embora tenham estrutura administrativa para enviar os pacientes que precisam fazer o transplante de rim para outros estados, especialmente para as cidades de Belém, no Pará; Fortaleza, no Ceará; São Paulo, em São Paulo; Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, entre outras que os própria pacientes propõe, conforme o seu melhor entendimento.

Ressalte-se que municípios com menor população que Macapá fazem transplante de rim, como Santarém, no Pará. Para se ter uma ideia, só em São Paulo são 168 centros de transplante instalados e funcionando.

Espera-se que, na audiência pública da Câmara de Vereadores de Macapá, compareçam os vereadores e contrariem o que aconteceu na audiência pública realizada na  Assembleia Legislativa sobre o mesmo assunto, onde apenas um deputado estadual mostrou interesse e participou da audiência pública que aconteceu no dia 13 de março.

Apenas à guisa de exemplo: no Pará tem cinco hospitais que realizam transplantes de rim, sendo três em Belém, um em Redenção e outro no Hospital Regional do Baixo Amazonas em Santarém. 

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Operação "Sem Desconto" e a fábula do escorpião

Rodolfo Juarez

Ao INSS, Instituto Nacional do Seguro Social, cabe controlar a arrecadação dos contribuintes e o pagamento dos diversos benefícios previdenciários, feitos aos segurados que contribuíram para a Previdência Social. 

Esses benefícios incluem aposentadorias, pensões, auxílios (como o auxílio-doença), benefícios acidentários, salário-maternidade e benefícios assistenciais. 

Mas, o Instituto Nacional do Seguro Social precisa de pessoas para processar  o recebimento das contribuições previdenciais, bem como analisar e proceder o pagamento de benefícios concedidos, verificado o direito do beneficiário.

A Previdência Social é um seguro público, considerado obrigatório para todos aqueles que exercem uma atividade remunerada. Ou seja, os trabalhadores são obrigados a pagarem uma contribuição mensal, em contrapartida, todos podem ter direito a diversos benefícios, inclusive a aposentadoria.

Portanto, os benefícios da Previdência Social são prestações financiadas pelas contribuições.

De forma resumida, a Previdência Social é um seguro no qual os trabalhadores são obrigados a pagar contribuições para ter direito a benefícios, como a aposentadoria.

Aquelas pessoas que o INSS precisa para processar o recebimento das contribuições previdenciárias, bem como, analisar e proceder o pagamento de benefícios, nem sempre agem com honestidade e, das mais variadas formas, permitem o solapamento do patrimônio constituído pelas contribuições de empregados e empregadores, através de variadas formas.

Desta feita, conforme proposto pela operação “Sem Desconto” a inventividade dos que deveriam administrar as contribuições financeiras feitas pelos patrões e empregados não foi excepcional, mas, suficientemente efetiva para que os solapadores enricassem tirando uma parte do que pertence ao patrimônio dos contribuintes.

Foi assim que, em pouco tempo, mas de forma continuada, fossem retirados do patrimônio do contribuinte uma fortuna equivalente a seis bilhões e trezentos milhões de reais.

A ação efetiva, tanto da Polícia Federal como da Controladoria Geral da União só veio depois que, em torno de um milhão e meio de reclamações, feitas pelos prejudicados, chegassem ao INSS e à Justiça Federal. 

Isso chama a atenção daqueles que trabalham com o ofídio e que devem saber que, ao menor descuido, podem ser picados. O gênero de ser, não muda sua natureza mesmo conforme quem acaricia a serpente.

Lembram-se da fábula do escorpião e o elefante? 

Ela só vem demonstrar que, o que é nato em algo ou alguém, no máximo pode ser dissimulado, nunca mudado. Infelizmente a operação policial “Sem Desconto” é a comprovação da fábula, senão vejamos:

Um dia, estava o escorpião à beira de um riacho, calado e acabrunhado. O elefante se aproximou, e, solidário, perguntou: “o que tens, escorpião, com essa carinha tão cabisbaixa?”

Expressando tristeza ainda maior, o escorpião disse: “queria atravessar esse riacho… Mas não sei nadar… ”. O Elefante, em gigante generosidade disse: “não seja por isso, suba às minhas costas, que eu te levo até lá. Mas prometa-me, que não vai me ferroar!”

“Prometo, prometo, claro que sim”, respondeu o escorpião feliz, subindo nas costas do elefante. Em quatro passadas já estavam do outro lado.

O elefante, então, baixou a tromba até o chão, para o escorpião descer.
Ao começar a descida, já na altura do meio dos olhos do elefante, ele mostrou a sua calda elegantemente, introduzindo seu ferrão venenoso na carne dura do elefante, e disse: “desculpe-me elefante, eu não queria te ferir, mas é da minha natureza… Entende?”

O elefante, em olhar triste, não teve tempo nem de responder.

Assim, se pode dizer que os afastados em decorrência da operação policial “Sem Desconto” não terão a mesma sorte, vão responder a um processo criminal e, dependendo do julgador, podem até ser inocentado e premiado com uma aposentadoria compulsória, sendo “obrigado” a receber na conta, os vencimentos aos quais deveriam renunciar, mas, jamais farão isso.

  

segunda-feira, 21 de abril de 2025

A "pedrinha nos sapatos" dos que estão cuidando da exploração do petróleo na costa do Amapá

Rodolfo Juarez

Na semana passada, as comunidades  políticas e econômicas que militam no Estado do Amapá, pelo menos aquelas partes que estão demonstrando fazer esforços e despertar interesse para que, em prazo razoável, se torne realidade a exploração do petróleo na costa do Amapá, foram balançadas por mais uma “pedrinha no sapato de couro”, senão observe!

O deputado federal pelo Estado de São Paulo, o estado mais rico do Brasil, Ivan Valente, protocolou o Projeto de Lei n.º 1725/25 que busca proíbe a oferta de novos blocos para exploração de petróleo e gás natural na Amazônia e obriga a recuperação ambiental das áreas com projetos de exploração em andamento na região.

O projeto de lei apresentado pelo deputado federal em exercício, Ivan Valente, do PSOL, aconteceu quando a Câmara dos Deputados analisa a proposta, que altera a Política Energética Nacional, definida pela Lei n.º 9.478/1997.

Autor do projeto, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) cita, em suas justificativas, desastres ambientais recentes envolvendo vazamentos de óleo na Baía de Guanabara, em 2000, Campo de Frade, em 2011, e costa brasileira, em 2019, argumentando que a abertura de uma nova fronteira na região amazônica contraria alertas climáticos emitidos pelas autoridades brasileiras e abre caminho para degradar ainda mais a área da floresta.

Nas justificativas o projeto de lei n.º 1725/2025 cita ainda que “áreas de exploração ainda são ofertadas ou estudadas na Amazônia brasileira por meio de leilões da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP. Alguns blocos têm sido ofertados na Bacia da Foz do Amazonas e na Bacia do Parecis e há blocos em estudo na Bacia do Solimões, na Bacia do Amazonas, na Bacia do Tacutu e em outras bacias brasileiras", sustenta o deputado.

O deputado cita ainda no projeto que a suspensão da exploração de óleo e gás já é realidade na Antártica e na Costa Rica, com discussões em andamento no Equador e na Colômbia, e suspensões temporárias nos Estados Unidos durante o governo Joe Biden segundo as informação da Agência Câmara de Notícias.

Ivan Valente está no PSOL desde 2005, e sempre representando o partido como deputado federal eleito por São Paulo. Também foi presidente do partido entre 2011 e 2013, candidato a prefeito da capital paulista em 2008 e a vice-prefeito na chapa encabeçada por Luiza Erundina em 2016.

Junto com Guilherme Boulos, Erika Hilton, Sâmia Bomfim, Luiza Erundina e Professora Luciene Cavalcante, faz parte dos eleitos e eleitas pelo PSOL para representar São Paulo na Câmara dos Deputados.

Em 2023 Ivan Valente assumiu a Câmara Federal em 2023 pós receber 44.424 votos nas eleições de 2022, não sendo eleito. Na qualidade de suplente na legenda da Federação PSOL/REDE, assumiu o mandato de deputado federal por São Paulo após Sonia Guajajara se licenciar para assumir o comando do recém-criado Ministério dos Povos Indígenas do governo Lula.

Ivan Valente é professor de Matemática e Engenheiro Civil, nasceu em 5 de julho de 1946, e a maior votação obtida durante toda a sua trajetória política foi em 2010 quando somou 189.014 votos e foi eleito deputado federal por São Paulo. Em 1988, quando foi votado por 40.413 paulistano, assumiu a titularidade como deputado federal (PT/SP). Foi eleito, em seguida, por 5 mandatos: 2 pelo PT/SP e 3 pelo PSOL/SP. No último pleito ficou como suplente da federação PSOL/REDE e assumiu nessa condição, estando deputado federal. Continua filiado ao PSOL

Recentemente o PSOL participou das Eleições Municipais de 2024, em uma coligação de duas federações, (PT/PCdoB/PV) e (PSOL/REDE), apresentando como candidato a Prefeito de Macapá, Paulo Lemos (PSOL) que, com o apoio explícito do Governador do Estado, Clécio Luis, obteve 23.491 votos, correspondendo a 9,78% dos 238.282 votos válidos apurados. O PSOL tem um vereador na Câmara de Macapá, Daniel Teodoro, que obteve 4.542 votos, o segundo mais votado para a Câmara Municipal de Macapá.

Outro nome com densidade na política amapaense, hoje filiado ao PT e que, em 2010, com 203.254 votos foi eleito, pelo PSOL, para ser senador da República representando o Estado no Congresso Nacional, é Randolfe Rodrigues que se reelegeu em 2018 pelo partido Rede Sustentabilidade, quando obteve a maior votação individual de todos os tempos no Amapá, 264.798 sufrágios.  Neste momento está filiado ao PT.

De olho nisso!