domingo, 8 de outubro de 2017

O AGORA do Amapá

Rodolfo Juarez
O Estado do Amapá enfrenta uma crise econômica sem precedentes. Com a maior inadimplência do Brasil, empurra o setor privado para as maiores dificuldades de todos os tempos. Os empresários do comércio e da indústria, mas principalmente do comércio, já dispensaram os seus colaboradores mais preparados, colocando em risco a competitividade e estão experimentando, pela primeira vez, a inadimplência fiscal e comercial, tendo dificuldades para cumprir com as suas obrigações.
Os reflexos estão na queda da arrecadação de tributos estaduais e as consequências nos investimentos públicos, principalmente aqueles que são necessários para melhorar as condições da prestação de serviços públicos, e atendimento aos contribuintes, cada vez mais exigidos e cada vez mais contando com atendimento de serviços públicos insuficientes, incompletos e sempre precários.
Nesse cenário o Governo do Estado se atrapalha no meio de tantos problemas e não tem conseguido andar no sentido de equacionar esses problemas e visualizar as soluções que possam ser duradouras, trazendo esperança para uma população que cresce a índices que são maiores que o dobro do crescimento da população brasileira.
As entidades dos setores comercial, industrial, agropastoris, de transportes e de serviços debatem-se contra a falta de condição para orientar os seus agentes e contribuintes, no sentido de priorizar projetos que visem a melhoria econômica do Estado.
Os sindicados patronais em dificuldades na arrecadação interna, não têm estrutura técnica e administrativa que possa encaminhar propostas modificadoras e projetos economicamente promissores implicando na estruturação das entidades sindicais de grau superior, e levando essas entidades a serem meros números nas dificuldades político-econômicas que contribuem para manter as dificuldades estacionadas no Estado.
A escassez do emprego é primeiro resultado de uma situação que precisa ser alterada, independentemente da ideologia ou capacidade gerencial dos seus dirigentes. Na outra ponta, a do desemprego, o número só cresce, tanto absoluta como relativamente.
Os erros nas decisões políticas, com implicações na economia local, não são corrigidos, porque os interesses políticos-ideológicos, que alimentam as questões locais e iludem o eleitor, mantêm o balouço indo e vindo, ao sabor das desculpas, algumas tão simplórias e ineficazes, mas que têm se repetido nos últimos 24 anos.
Restou-nos um Estado cheio de problemas, com dificuldades para encontrar o seu modo de desenvolvimento, com várias regras ambientais aboletas, com muitas teorias que não se confirmam, tornando o Amapá, entre os territórios federais criados em 1943 e posteriormente transformados em Estado da Federação, como Rondônia e Roraima, aquele que mais enfrenta problemas, muito embora esteja situado, geograficamente, com muito mais possibilidades de desenvolvimento do que aqueles estados.
Uma área agriculturável espetacular, uma condição para o desenvolvimento portuário sem comparação em todo o norte do Brasil, a menos de 400 km em linha reta de Belém, um povo trabalhador, empresários que se mostraram habilidosos e que sentem falta de políticas públicas que permitam o desenvolvimento deste estado e a satisfação deste povo.
O Amapá já acumula muitos problemas sociais, alguns alimentados pela falta de controle público o que acaba transformando uma vantagem em desvantagem como, por exemplo, as dificuldades de se valer de rodovias que possibilitem a ligação terrestre com outros estados da Federação.

A situação atual não é culpa da geração mais velha e nem daqueles que já estão em condição de entrar no mercado de trabalho. Se tiver um culpado, esta é a geração que está com a responsabilidade de definir o agora do Amapá.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O meu pai

Primeira foto: Jurandil Juarez (filho), Raimunda Juarez (esposa), Heráclito Juarez e Rodolfo Juarez (filho)
Segunda foto: Dilma Juarez (filha) e Heráclito Juarez.

Rodolfo Juarez
Meu pai completaria hoje, dia 7 de outubro de 2017, 95 anos de vida. Vida que foi prematuramente encerrada em 1973, aos 51 anos, depois de perder a luta contra uma arteriosclerose que venceu também os médicos e paramédicos da Beneficente Portuguesa, em Belém do Pará. Uma breve descrição desse homem que continua sendo referência para sua esposa, os doze filhos, e outros parentes e aderentes.
Heráclito Juarez Filho nasceu em Alagoas, em 7 de outubro de 1922, e morreu em Belém do Pará em 03 de dezembro de 1973, deixando a esposa Raimunda Pureza Juarez e 12 filhos: 9 homes e 3 mulheres.
Filho de Heráclito Juarez de Araújo e Silva e Rosa Lima de Araújo e Silva, Heráclito Juarez Filho era o 4.º filho da lista de oito que era composta por 5 homens e 3 mulheres.
Um pouco antes de casar, no começo do ano de 1944, construiu um pequeno abrigo, ao qual chamou de casa, nas margens do rio Lipo-Lipo, afluente do rio Santana, para onde, em 1949, mudou-se para um local que permitia melhor calado para ancorar embarcações do tipo regatão, comum naquela época.
No novo local, começou com a compra de borracha, na forma de bolão e pele, além de sernambi, todos comercializados em Belém do Para.
No porto próprio que construira, em uma espécie de troca de mercadoria, embarcava castanha, pracaxi, ucuúba, entre outros, e em troca, recebia produtos de estiva como: açúcar branco, açúcar moreno, sal, aguardente, fósforo, entre outros produtos que supriam as necessidades da família e dos seus fregueses. Também tinha compra regular de madeira, tipo dormente, juntados em jangadas, para serem usados na construção, e depois manutenção da Estrada de Ferro do Amapá.
Em 1954 mudou-se para a sede do município de Afuá, para dar oportunidade ao primeiro filho, que precisava ir para a escola regular que só era oferecido, naquela época, na sede do município.
Em 1959, depois da conclusão do Curso Primário do primeiro filho, com toda a família mudou-se para Macapá tendo como principal motivação o Exame de Admissão, pré-requisito para que houvesse o ingresso no Curso Ginasial. Chegou em Macapá na madrugada do dia 11 de dezembro de 1959, para morar no bairro do Elesbão, onde hoje é a esquina da Avenida Pedro Baião com a Rua São José, no começo do bairro Santa Inês.
Heráclito Juarez Filho sempre foi comerciante. Desde o começo, na confluência do rio Lipo-Lipo com o rio Santana, em 1944, já usava uma pequena montaria com motor de popa marca Penta, de 4 e ½ cavalos, que depois foi trocado por um motor Johnson de 8 cavalos e, mais tarde por um Penta de 12 cavalos, na poupa de uma “batelão” de madeira, como capacidade de uma tonelada, para transportar os produtos da floresta para a cidade de Afuá e de lá trazer, produtos de estivas para comercializar com os seus clientes, fornecedores dos produtos da floresta e aqueles que eram catados nos rios, como maracujá, camocim, xuru, juntamente como ucuúba, apanhado de paneirinho de cabo.
Quando chegou na sede do município de Afuá alugou uma embarcação de 12 toneladas e a vela, de nome “Maria Santíssima”, com a qual começou fazer o regatão entre Belém e Afuá, e entre Macapá e Afuá. Mais tarde comprou a canoa a vela Maria Santíssima que foi substituída por outra embarcação maior, de 26 toneladas, na qual colocou o nome de “Iate Juarez”.
No começo de 1970, já com os três primeiros filhos matriculados em cursos superiores em Belém do Pará, comprou uma casa que servia de apoio aos filhos estudantes e à toda a família, quando em Belém.
Heráclito Juarez Filho morreu em 03 de dezembro de 1973 e foi sepultado em Macapá no dia 6 de dezembro de 1973, no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, no centro de Macapá.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Os caminhos do sonho e a realidade

Rodolfo Juarez
Desde o final da década de cinquenta e o começo da década de sessenta que brotou o forte desejo na população, animado pelos políticos, estudantes, professores e alguns empresários, de que o Amapá virasse um Estado da Federação.
Com a Revolução de março de 1964 e a perseguição aos políticos ditos como “comunistas” houve um adormecimento da vontade de mudar.
Os governos militares iam se sucedendo e mandando para o Amapá governadores, também militares, que passaram a dirigir o Território Federal do Amapá de acordo com a disciplina militar, o que manteve por mais tempo o sonho de ser Estado além de adormecido, propositadamente sufocado.
Aos poucos, entretanto, alguns que se aproximavam dos governadores que chegavam, começaram a levar a mensagem para as “mesas oficiais” onde dividiam os espaços com os dirigentes “estrangeiros” e militares que aqui desembarcavam e vinham com uma missão que só seria exposta meses e até anos depois.
Quando Lisboa Freire substituiu Ivanhoé Gonçalves Martins, as lideranças políticas, os professores e os estudantes logo perceberam que havia espaço para avançar com a ideia de Estado.
Lisboa Freire, pouco chegado às preocupações com a gestão, governou o Amapá de novembro de 1972 a abril de 1974, isto é, por 17 meses, o suficiente para ser liberado e substituído pelo oficial da Marinha, Arthur Azevedo Hening, que já não pode conter a vontade declarada dos estudantes que levaram, a partir de 1975 para a Avenida FAB, durante os desfiles de 13 de setembro, as mensagens pedindo a transformação do Amapá em Estado.
Annibal Barcellos começou o seu governo em 15 de março de 1979 depois de nomeado pelo presidente da República João Figueiredo, que trazia a proposta de abertura política, para acalmar as ruas que já falavam na redemocratização do Brasil.
Barcellos não desanimou os que clamavam pela transformação do Amapá em Estado, principalmente quando identificou que alguns altos funcionários públicos eram radicalmente contra a transformação, provavelmente para que não fosse colocado em risco o status que desfrutava na Administração do Território.
A campanha pela transformação se intensificou e avançou muito depois da eleição, de forma indireta, de Tancredo Neves para presidente da Repúbica, cargo que não chegou a assumir, pois padeceu de doença grave que o levou a morte com a ascensão de José Sarney, em 1985, ao cargo de presidente da República Federativa do Brasil.
Foi nesse tempo que uma disputa intestina entre lideranças políticas do Amapá acabou favorecendo à vontade de José Sarney que indicou e nomeou para o Amapá o governador Jorge Nova da Costa, primeiro interinamente e depois, a partir de 4 de abril de 1986, quando foi efetivado no cargo.
Annibal Barcellos já havia construído os principais alicerces do futuro Estado e Nova da Costa ainda foi atrás de estruturar a economia do então território para receber o Estado que viria com a promulgação da Carta Magna de 1988.
O art. 14 do Ato das Disposições Transitórias passou a compor a história do Amapá, pois é lá que está consagrado o resultado da luta de muitas décadas e a concretização do sonho da transformação.
Depois de um período de transição, gerenciado por Gilton Garcia, o Estado do Amapá foi instalado em 1.º de janeiro de 1991, com a posse do primeiro governador eleito pelo voto direto do eleitor amapaense, Annibal Barcellos.
Desde 5 de outubro de 1988, quando houve a promulgação da Constituição Federal e a transformação do Território Federal do Amapá em Estado do Amapá, se passaram 29 anos e, ao que parece, a população ainda não percebeu os resultados do sonho que sonhou, de viver em um Estado progressista, autossuficiente e com bom ambiente para viver.

domingo, 1 de outubro de 2017

A Feira do Perpétuo Socorro

Rodolfo Juarez
Esta semana estive na Feira do Perpétuo Socorro, aliás, sempre que posso vou até àquela feira para comprar os alimentos dos quais eu e a minha família precisamos, e para encontrar com velhos amigos e companheiros de jornada que por lá estão fazendo o mesmo que eu – querendo alimentação saudável e mais em conta, afinal na realidade local tornou-se necessário economizar para poder pagar a conta de energia.
Antes, quando estávamos na época da chuva, todas as desculpas e até a tolerância de cada um era debitado para os aperreios que o período coloca para os administradores, não só das feiras populares, mas também de todo o sistema viário e áreas de acesso a locais públicos como feiras, mercados e, também, às residências daqueles que moram em Macapá.
Os montes de lixo, recheado com resto de peixe, de carne, verduras, hortaliças e de tudo o que o que se transforma em sobra nos boxes da feira e que são jogadas naquele monte que atrai urubus, ratos, baratas entre outros animais e larvas menos conhecidos, que ali se alimentam ou se proliferam.
Mas agora é verão... Mudou alguma coisa?
Não mudou nada.
Lá estão montes em diversos lugares, não obstante o esforço dos dirigentes da Associação dos Pescadores que assumiram uma espécie de gestão do local e, dentro dos seus limites, procuram, pelo menos internamente, manter a disciplina e a higiene compatíveis com o local.
Para quem chega de carro a primeira disputa é com o “guardador”, sempre apontando o “melhor local”, mesmo que não tenha nada a ver com qualquer coisa que indique que ali é um estacionamento.
Uma vez estacionado, a próxima luta é com os “atrevidos” urubus que passeiam faceiros disputando espaços com os pedestres, muito embora, logo adiante, em uma espécie de “morro” se espremam 20 ou 30 urubus, sempre em movimento, como que, de longe, selecionando a melhor carniça e o melhor momento de agir.
Diga-se que o prédio da feira do bairro Perpétuo Socorro está tecnicamente adequado às mínimas necessidades do local se não houvesse o funcionamento da feira que, nesse momento, precisa dispor de outros elementos capazes de manter a sanitariedade do local.
A feira está próxima do Igarapé das Mulheres, tanto pela parte da frente como pelo lado esquerdo do prédio, possibilitando drenagem sem grandes custos, desde que fossem pavimentadas as vias que limitam o prédio, com asfalto ou elementos de concreto, dando harmonia e disciplina para o local.
A parte da população que frequenta a Feira do Bairro Perpétuo Socorro tem demonstrado, ao longo do tempo, que é importante para aquele público e ainda muito mais para aqueles que de lá tiram o seu sustento trabalhando filetando, cortando carne, vendendo verduras, hortaliças, farinha, galinha caipira, e tudo o que é próprio de feiras populares.
O agente público não precisa esperar por necessidade de reforma no prédio ou na estratégia de distribuição dos produtos em venda para agir.
É urgente a necessidade de completar o serviço, com uma resposta aos que ali trabalham e que para lá atraem os compradores, verdadeiros clientes cativos, que pelo menos uma vez por semana vai lá, mesmo que para chegar tenha dificuldade, pois, no momento compensa pela diversidade de produtos de origem animal e vegetal que ali são expostos para a venda.
Trata-se de uma questão de responsabilidade do agente público. Os agentes privados e a população estão fazendo o seu papel.
Que tal antecipar-se ao atraso já constado e agir?

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Consumidor de energia elétrica no Amapá:o grande prejudicado

Rodolfo Juarez
A população amapaense demonstra estar muito preocupada com as notícias que vêm dos lados da Companhia de Eletricidade do Amapá – CEA, que está atuando no Amapá como prestadora de serviços para a Eletrobrás, desde que teve decretada a caducidade do contrato de concessionária para distribuição de energia elétrica.
O empréstimo autorizado pelos deputados estaduais e efetivado pelo governo do Estado junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, o maior até agora feito de um mesmo agente financeiro, no montante de R$ 1,4 bilhão, e que seria utilizado para pagar as dívidas da empresa com fornecedores, inclusive de energia, e outras diversas, inclusive sociais, acabou se juntando aos negócios mal feitos que o Estado havia fechado ao longo dos anos.
Apesar dos prognósticos feitos, as medidas tomadas foram inadequadas e o dinheiro emprestado se tornou insuficiente, desiludindo aqueles que defendiam a CEA, afirmando que era “um patrimônio do povo”.
Até mesmo a federalização da administração passou a ser uma saída desejada pelos próprios funcionários da empresa que viam as dificuldades avançando e deixando a empresa sob os estertores do indesejado.
A partir de um determinado momento, ainda com a receita menor que a despesa e a qualidade dos serviços em queda vertiginosa, o jeito foi romper o contrato e desabilitar a CEA da condição de concessionária e dar-lhe o status de prestadora de serviço, enquanto não chega a nova empresa com a atribuição de, na condição de concessionária, distribuir a energia no Estado do Amapá.
A CEA, por estar inadimplente e não ter dinheiro, não comprou a energia das hidrelétricas instaladas no Amapá por ocasião dos leilões que ofereciam o produto restando-lhe a energia mais cara oferecida no mercado. Foi nesse estágio que apareceu a incongruência que o consumidor custa a acreditar, ficando exposto e com a possibilidade de pagar a energia elétrica que consome mais cara, função de uma tarifa inflada pela compra mal feita.
No ano de 2015 houve a mudança da gestão da empresa, coincidindo com a necessidade de investimentos na infraestrutura de distribuição, com construção de estações abaixadoras, entre outras coisas, que possibilitasse a utilização da energia do Sistema Nacional.
Os problemas de resultado econômico continuaram e se agravaram a cada mês. A receita não atendia às necessidades das despesas e as alternativas se concentraram em cima dos contribuintes: primeiros os devedores, depois os que pagavam o consumo por estimativa e mais recentemente, aqueles que passaram a ser responsáveis pela diferença entre o total de energia comprada e distribuída e o total de energia paga.
Sem qualquer confirmação, se comenta que o déficit da empresa já chega aos 3(três) bilhões de reais.
Recentemente a empresa criou mais uma diretoria – a Diretoria Comercial – e foi buscar, no nordeste, um experiente diretor, desconhecido das rodas técnicas e políticas locais, trazendo a incumbência de equilibrar a receita e a despesa.
O novo diretor se chama Anselmo Souza que está com “carta branca” para fazer as negociações, efetivar cortes, acabar com as ligações de emergência e demonstrar que o mercado de distribuição de energia elétrica no Amapá é viável e, assim, possa atrair empresas interessadas em assumir o compromisso de concessionária.
O que não agrada é a notícia da Agência Nacional de Energia Elétrica está fazendo audiências públicas para aumentar o preço da tarifa em percentual totalmente fora da realidade do consumidor amapaense.
Os novos problemas já começaram e se juntam aos antigos que afetam o interior, com falta e energia, por dias, e nos principais núcleos urbanos, como Macapá e Santana, a instabilidade da distribuição constrói o castelo de incertezas e a insatisfação do consumidor, mais uma vez o grande prejudicado.

domingo, 24 de setembro de 2017

Oportunismo sem regra

Rodolfo Juarez
Neste final de mês o noticiário nacional e internacional tem chamado muito mais atenção do que o noticiário local aqui no Estado do Amapá.
Este ambiente acaba sendo muito favorável para os gestores locais que ficam mais livres para fazer o que bem entender, de bom e de ruim, selecionar o que quer e o que não quer que a população saiba.
São noticiados tantos problemas de violência no Rio de Janeiro que a violência daqui, principalmente em Macapá, Santana e Laranjal do Jari, vira números que são apresentados e comentados conforme o apresentador ou o comentarista, situação favorável para aqueles que não têm resposta para as questões que se acumulam e precisam ser resolvidas.
Aliás, nesse aspecto, quem ficou em uma saia justa foi o deputado estadual Ericláudio Alencar que deixou o mandato que lhe foi dado pelo povo, para assumir um cargo que lhe foi oferecido pelo governador.
Nessa movimentação foi confirmada a máxima de que, na política, na administração e na vida, não existe vácuo e quando ele aparece, se aparece, é imediatamente preenchido.
No caso do deputado Ericláudio Alencar, quando se levantou da cadeira na Assembleia Legislativa para sentar na cadeira número um da Secretaria de Estado da Segurança Pública, a fila andou e a suplente “costa quente”, Telma Gurgel, imediatamente sentou na cadeira vaga na Assembleia. Voltar a fila agora está muito difícil e não depende apenas da decisão do secretário Ericláudio.
Além disso, fenômenos da natureza foram registrados na América Central e na América do Norte. Os furacões nas ilhas caribenhas e nos Estados Unidos da América foram devastadores e muito violentos, completando o cenário de sacrifício dos mexicanos com dois terremotos com grande capacidade destruidora, tanto que o segundo deixou mais de 40 prédios no chão e quase 300 pessoas mortas e outro tanto até agora como desaparecidas.
Esses fatores, aliados à reviravolta nas delações dos donos da JBS e do bambuzal do ex-PGR na direção do presidente da República do Brasil, deixaram o ambiente próprio para os marqueteiros locais, ou de outros estados, mas que trabalham para os políticos locais, livres para propor peças publicitárias, em desacordo com a realidade, consolidando, mais uma vez, o estado virtual só percebido pelos administradores do estado real.
No meio disso tudo a incerteza da Reforma Política e, nesse tom as lideranças começaram a fazer e refazer seus planos de campanha, alguns já em execução desde o começo do ano sob os olhares daqueles que deveriam fiscalizar a campanha eleitoral antecipada.
Olhando apenas para o adversário vizinho, órgãos de comunicação se ajustam à proposta do Executivo Estadual, exibindo peças publicitárias sem compromisso com a verdade e tendo que ler testemunhais com os quais não concorda, mas, se não ler, sai do processo e do sistema de pagamento da publicidade oficial.
Até assuntos muito importantes para o Amapá saíram rapidamente do ambiente de debate. A Renca foi esquecida, mesmo sem nada ter mudado, apenas deixou-se de se falar em Caetano Veloso, Ivete Sangalo, Gisele Bündchen, entre outros e de ouvir, nas redes sociais, uma das “melodias” de mau gosto que foi gerada no período e interpretada por artistas locais, alguns, hoje, completamente arrependidos da empreitada.

 Ah! Nesse contexto ainda aconteceu o equinócio e o rock in rio, este, exatamente na cidade em que está instalado um estados paralelo formado por foras-da-lei. Mesmo assim, os cariocas continuam cantando que o Rio de Janeiro continua lindo.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

BR-156: mais um ano de espera

Rodolfo Juarez
Volto a destacar a rodovia federal BR-156 exatamente porque já chegamos ao meio do período sem chuva que é tão esperado para a continuação dos serviços de execução desta que é a estrada mais antiga em construção no Brasil.
Retorno no tempo para recordar a reunião havida no Palácio do Setentrião, com a participação do governador do estado, de um deputado federal pelo Amapá, de um representante da Diretoria Geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte e do Superintendente Regional do Dnit para o Amapá – Dnit/AP, quando foi anunciado, solenemente, a retomada das obras da BR-156, inclusive do tramo sul, com a divisão dos lotes e informado que os dois lotes que ainda precisam ser construídos no tramo norte, em um trecho de 110 km, entre as cidades de Calçoene e Oiapoque.
Durante os anúncios oficiais, foi citado, inclusive, que já haveria acertos para que o Exército Brasileiro, através da sua unidade de construção, assumisse os lotes 1 e 2 do tramo sul, que o Governo do Estado ficaria com o lote 4, pois já estava com o convênio assinado há dois anos, e com dinheiro em conta para começar os serviços, ficando apenas a indefinição do lote 3, que deveria ser licitado pelo Dnit.
Com relação aos dois lotes do tramo norte, a informação é de que já tinha sido dada a ordem do serviço, e que era apenas uma questão de tempo a retomada das obras pelas empresas e que, mesmo durante o período das chuvas seriam realizados os serviços de construção das pontes, em torno de 74, que precisam ser construídas no trecho em construção entre Calçoene e Oiapoque.
Pois bem, estamos terminando o mês de setembro, e as notícias referentes ao tramo norte da BR-156 são de que apenas serviços de recuperação dos trechos mais afetados estão sendo realizados e que a obra definitiva não foi começada e nem as pontes tiveram iniciadas as construções.
Com relação ao tramo sul, as notícias são de que a estrada continua do mesmo jeito, sem qualquer trabalho sendo executado. E, pior, o batalhão de engenharia e construção do Exército Brasileiro que fora anunciado pelo governador, pelo deputado e pelos agentes do Denit, na reunião havida no Palácio do Setentrião, de que o BEC seria o responsável pela construção, até agora nada foi confirmado.
Nem mesmo o lote 1 que fica próximo da Capital do Estado, que já tem dinheiro locado há mais de dois anos, e que seria executado pelo Governo do Amapá, começou.
Esta situação está preocupando os usuários da Rodovia BR-156 que já projetam a repetição dos problemas na estrada para o período chuvoso que começa em dezembro de 2018, com a volta dos atoleiros, das pontes inseguras e dos riscos de vida para aqueles que precisam chegar a Macapá vindo do Oiapoque ou vindo de Oiapoque para Macapá.
Essa falta de compromisso com o que anunciam os governantes compromete o desenvolvimento do estado e a entrada de recursos novos para desenvolvimento de projetos que possam gerar emprego e melhorar a qualidade de vida deste povo que espera mais responsabilidade por parte dos seus governantes, representantes e agentes públicos.
É impossível continuar assim. Para se ter uma ideia, a preços de hoje os lotes que faltam ser construídos, incluindo as obras de arte, superam 350 milhões de reais, o que representaria uma injeção desse capital na economia local em dois anos.
O povo precisa a verdade prevaleça e que as mentiras ou erros de avaliação sejam diluídos pela inteligência e a responsabilidade de governantes.

Chega de enrolação!